Chupeta, chucha, bico ou pipo é um mamilo artificial de silicone, borracha ou plástico dado a um bebê para que o sugue. A maioria das chupetas é formada por um bico, um protetor que fica junto à boca e uma pega. O protetor e a pega têm um tamanho que impede a criança de engolir a chupeta ou se engasgar com ela. Objetos para acalmar bebês pela sucção existem há milhares de anos, e a chupeta moderna se desenvolveu a partir dos mordedores usados no nascimento dos dentes.
O uso é muito comum: mais de 75% dos bebês usam chupeta ao menos uma vez nos dois primeiros meses de vida, e cerca de metade ainda a usa com um ano de idade. O uso durante o sono está associado a um risco menor de morte súbita infantil, e a chupeta pode aliviar a dor de bebês em pequenos procedimentos médicos. Por outro lado, o uso prolongado está associado a alterações na arcada dentária e a mais casos de otite média, e há debate entre pesquisadores sobre seu efeito na amamentação.
As recomendações variam entre as entidades de saúde. O Ministério da Saúde do Brasil inclui oferecer chupeta entre as práticas a evitar durante a amamentação. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que os pais decidam junto com o pediatra e, se optarem pela chupeta, que só a ofereçam depois que a amamentação estiver bem estabelecida e limitem o uso ao primeiro ano de vida. Na Europa, a Associação Espanhola de Pediatria recomenda oferecer a chupeta a bebês amamentados geralmente a partir do primeiro mês e retirá-la ao completar um ano, idade a partir da qual ela já não traz benefício evidente e pode aumentar o risco de otite. Nos Estados Unidos, a Academia Americana de Pediatria recomenda oferecer a chupeta na hora de dormir e reduzir seu uso a partir do segundo semestre de vida.
Os precursores da chupeta são usados há milhares de anos para acalmar bebês. Textos antigos de Sorano, do século II, e de Oribásio, do século IV, já mencionavam objetos adoçados ou mel com essa finalidade, e escavações de túmulos de bebês com cerca de 3 mil anos revelaram objetos de barro em forma de porco, sapo ou cavalo, com um furo para colocar mel e outro, na boca do animal, para a criança sugar.
Na literatura médica, a chupeta aparece pela primeira vez no fim do século XV, em textos de Bartholomäus Metlinger, de 1473, e de Eucharius Rösslin, de 1513. Até 1900, quase todas as menções vinham de textos escritos na Alemanha. Em 1506, o pintor Albrecht Dürer retratou uma dessas chupetas numa tela da Virgem com o Menino: um pedaço de pano amarrado com alimento dentro, como pão, grãos ou gordura, ou embebido em líquido adocicado. Essas trouxinhas, muitas vezes de linho, podiam ser mergulhadas em leite com mel, conhaque ou láudano, ou conter sementes de papoula, e costumavam ser amarradas ao berço ou ao cobertor, e não à roupa do bebê. Elas continuaram em uso até o século XIX.
A chupeta moderna se desenvolveu a partir dos mordedores, oferecidos para aliviar o desconforto do nascimento dos dentes. Mordedores do século XVII preservados em museus eram feitos de metal, com apito, chocalhos e uma parte dura de coral, osso, marfim ou madrepérola. Além de aliviar a dor, tinham sentido místico: os chocalhos e o apito serviam para afastar maus espíritos e doenças. No século XVIII, os médicos ingleses George Armstrong e William Buchan recomendavam cascas de pão ou biscoitos em forma de dedo no lugar dos mordedores de metal.
A borracha demorou a se popularizar na Europa, mas acabou sendo usada também nos mordedores. Catálogos de 1839 e de 1902 já mostravam mordedores com uma argola numa ponta e um bastão em forma de dedo na outra, modelo do qual derivam as chupetas atuais. Em 1845, Elijah Pratt patenteou nos Estados Unidos o bico de borracha, mas a cor, o gosto e o cheiro desagradáveis atrasaram sua adoção, e muitos preferiam bicos de cortiça, marfim, prata, cobre, estanho, vidro ou madeira. Em 1894, o médico americano Luther Emmett Holt desaconselhava, em seu guia para mães e babás, deixar os bebês chupando bicos de borracha enquanto dormiam.
Depois da Segunda Guerra Mundial, a indústria desenvolveu a borracha semissintética e, em seguida, a sintética, que eliminaram o cheiro e o gosto desagradáveis, além de resíduos de chumbo e de substâncias que causavam alergia. Desde então, o formato básico da chupeta mudou pouco, mas os materiais e o desenho evoluíram. O látex, que rasgava com facilidade e não aguentava esterilizações repetidas, foi substituído pelo silicone. As chupetas de várias peças, que podiam se soltar e oferecer perigo, deram lugar a modelos de peça única, o protetor ganhou um formato que evita bloquear o nariz e surgiram capas para proteger o bico quando a chupeta não está em uso. Para reduzir alterações na arcada dentária, como a mordida aberta e a cruzada, foram criados modelos ortodônticos, que acompanham o formato do céu da boca, embora estudos posteriores tenham mostrado que eles não resolvem totalmente o problema.
A aceitação da chupeta também mudou. A partir da década de 1970, com a promoção do aleitamento materno, profissionais de saúde passaram a contraindicá-la por prejudicar a amamentação. A Organização Mundial da Saúde e o UNICEF incluíram nos "Dez Passos para o Sucesso do Aleitamento Materno" a orientação de não dar bicos artificiais nem chupetas a bebês amamentados.
No século XXI, estudos que associaram a chupeta a um risco menor de morte súbita, como a meta-análise de 2005, levaram a Academia Americana de Pediatria a recomendar oferecê-la na hora de dormir, e a entidade passou a apoiar os Dez Passos com exceção desse item. Numa revisão posterior dos Dez Passos, a OMS deixou de proibir a chupeta de forma categórica, embora continue sem recomendar seu uso.
Uma das preocupações com o uso de chupeta durante a amamentação é a chamada "confusão de bicos": o uso sem limites poderia levar o recém-nascido a sugar menos o seio, o que reduziria a produção de leite e anteciparia o desmame.
Estudos que apenas observam as famílias, sem interferir no uso da chupeta, costumam associá-la ao desmame precoce. Uma revisão sistemática com meta-análise publicada em 2017 reuniu 46 estudos sobre o tema. Nos 44 estudos observacionais, encontrou uma associação consistente entre o uso de chupeta e o fim da amamentação exclusiva (só com leite materno) antes dos seis meses. Nos dois estudos em que os bebês foram sorteados entre os grupos comparados, essa associação não apareceu, mas os autores consideraram que os resultados deles valem para poucas situações. Os autores também ressalvam que a chupeta pode ser apenas um sinal de dificuldades na amamentação ou de menor motivação materna, e não necessariamente a causa do desmame.
Em bebês saudáveis nascidos no tempo esperado de gestação, cujas mães estavam motivadas a amamentar, o uso de chupeta não alterou a proporção de crianças em aleitamento exclusivo ou parcial até os quatro meses de idade. No entanto, não existem evidências suficientes para afirmar o mesmo para crianças prematuras ou não saudáveis. Por outro lado, a chupeta pode ter alguns benefícios para bebês prematuros, como ajudá-los a fazer a transição para a alimentação por mamadeira (biberão).
Uma análise de 2022, feita na Finlândia, reuniu dez estudos clínicos em que os bebês foram sorteados entre os grupos comparados. Ela não encontrou diferença nas taxas de amamentação até os seis meses entre bebês nascidos no tempo esperado que usavam chupeta livremente e os que tinham o uso restrito. Nos prematuros, oferecer chupeta encurtou a internação em cerca de sete dias e antecipou em cerca de três dias a passagem da alimentação por sonda para a alimentação pela boca.
Os resultados diferentes entre os dois tipos de estudo geram debate. Pesquisadores favoráveis a limitar a chupeta argumentam que os estudos com sorteio não mediram a intensidade do uso, sem separar o uso regular do ocasional. A própria revisão Cochrane lembra que esses estudos incluíram apenas mães motivadas a amamentar. Já os autores da análise de 2022 concluíram que não há evidência que justifique proibir ou restringir a chupeta em bebês nascidos no tempo esperado e que a decisão deve caber às famílias, e não a regras dos hospitais.
Embora seja comum acreditar que a chupeta provoca problemas dentários, seu uso até os três anos de idade não parece ter consequências negativas a longo prazo. No entanto, o uso prolongado da chupeta ou de hábitos parecidos, como chupar o dedo ou um cobertor, pode levar ao desalinhamento dos dentes, ou seja, dentes salientes ou que não se encaixam perfeitamente quando a boca se fecha. Trata-se de um problema comum, cujo tratamento e correção podem ser demorados e caros.
Uma revisão sistemática de 2018 encontrou evidência moderada de que o uso de chupeta está associado a dois tipos de alteração: a mordida aberta anterior, em que os dentes da frente não se tocam com a boca fechada, e a mordida cruzada posterior, em que os dentes de trás de cima se encaixam por dentro dos de baixo. As chupetas do tipo ortodôntico causaram menos mordida aberta que as convencionais. Os autores ressalvam, porém, que a maioria dos estudos analisados tinha alto risco de viés e que faltam pesquisas de melhor qualidade. Um estudo brasileiro constatou que nem as chupetas ortodônticas nem as comuns evitaram problemas dentários quando a criança continuou a usá-las depois dos três anos. A Academia Americana de Odontopediatria (AAPD) observa que a duração do uso pesa mais que a frequência e que a mordida aberta causada pela chupeta tende a melhorar quando o hábito é abandonado antes dos três anos. A entidade recomenda deixar a chupeta até os 36 meses e alerta que o uso depois dos 18 meses já pode afetar o desenvolvimento da boca e da face.
Quando necessário, os aparelhos dentários e o acompanhamento psicológico podem ajudar a criança a abandonar o hábito.
As crianças que usam chupeta apresentam maior incidência de otite média, uma infecção do ouvido médio. Uma meta-análise finlandesa de 1996 estimou que a chupeta aumenta em cerca de 24% o risco de otite média aguda, um efeito menor que o de outros fatores, como frequentar creche fora de casa ou ter pais fumantes. Em um estudo finlandês publicado em 2000, feito em 14 centros de saúde infantil, os pais de um dos grupos foram orientados a limitar a chupeta aos momentos em que a criança pegava no sono. Nesse grupo, o uso contínuo da chupeta caiu 21% entre os 7 e os 18 meses de idade, e os episódios de otite média aguda foram 29% menos frequentes.
A AAPD também considera a chupeta um fator de risco para otite e afirma que reduzir ou eliminar seu uso no segundo semestre de vida pode diminuir os casos de otite média aguda. Segundo a entidade, o uso depois dos 12 meses aumenta esse risco. A Academia Americana de Pediatria recomenda tirar a chupeta no segundo semestre de vida para reduzir o risco de otite. Segundo uma revisão de 2025, o momento ideal para isso não é conhecido, mas os riscos à saúde parecem aumentar depois de um ano de idade.
O uso de chupeta durante o sono está associado a uma redução significativa do risco de morte súbita infantil. A morte súbita pode ocorrer em qualquer momento do primeiro ano de vida, mas mais de 90% dos casos acontecem antes dos seis meses, e 72% entre o primeiro e o quarto mês. Depois dos oito meses, ela se torna menos comum.
Uma meta-análise de 2005, que reuniu sete estudos, encontrou associação entre chupeta e menor risco: o uso habitual esteve ligado a uma chance cerca de 29% menor de morte súbita, e o uso no último sono, a uma chance cerca de 61% menor. Os autores estimaram que, nos Estados Unidos, seria possível evitar uma morte para cada 2.733 bebês que usassem chupeta ao dormir. Eles recomendaram oferecer a chupeta na hora de dormir durante todo o primeiro ano de vida. No caso de bebês amamentados, a recomendação é esperar a amamentação estar bem estabelecida.
A Academia Americana de Pediatria inclui o uso de chupeta entre as medidas para reduzir o risco de morte súbita. A entidade recomenda oferecer a chupeta quando o bebê for colocado para dormir, não recolocá-la se ela cair depois que ele adormecer e não forçar o bebê que a recusa.
A evidência, porém, tem limites. Uma revisão Cochrane de 2017 não encontrou nenhum estudo com sorteio dos participantes que permitisse confirmar ou descartar o efeito protetor da chupeta. Os dados disponíveis vêm de estudos de caso-controle, que comparam os hábitos de bebês que morreram com os de bebês que sobreviveram.
A chupeta pode diminuir a dor e o choro de bebês durante procedimentos médicos comuns, como injeções, coleta de sangue e a picada no calcanhar do teste do pezinho. Uma revisão de 2025 deu a esse benefício o grau mais alto de evidência, por estar apoiado em vários estudos com sorteio dos participantes e em meta-análises. A mesma revisão cita uma análise Cochrane segundo a qual sugar sem estar mamando, inclusive na chupeta, pode ajudar bebês prematuros e nascidos no tempo esperado a lidar com a dor. A AAPD também inclui o efeito analgésico em pequenos procedimentos invasivos entre os benefícios da chupeta, assim como o efeito calmante em bebês internados em UTI neonatal.
As evidências sobre os efeitos da chupeta no desenvolvimento da fala são limitadas. Segundo a AAPD, pesquisas recentes sugerem que o uso diário prolongado, por várias horas seguidas, pode ter relação com erros de fala atípicos, mas não há uma justificativa forte, do ponto de vista da fala, para contraindicar a chupeta.
Um estudo norueguês publicado em 2024, com 1.187 bebês de 12 e 24 meses, encontrou associação entre o uso mais prolongado de chupeta e um vocabulário menor, sobretudo quando o uso se mantinha em idades mais avançadas. Como o estudo observou as crianças em um único momento e se baseou em relatos dos pais sobre o uso da chupeta, ele mostra uma associação, mas não permite concluir que a chupeta cause o vocabulário menor.
A chupeta pode servir de reservatório de microrganismos, e seu uso está associado a infecções por fungos na boca, como a candidíase oral, conhecida como "sapinho". Uma revisão de 2022 concluiu que não há consenso sobre o melhor método de desinfecção, dada a variedade de técnicas estudadas. Entre os métodos estudados estão:
No Brasil, a certificação de chupetas pelo Inmetro é obrigatória desde 2008. As regras atuais foram consolidadas em 2021: a certificação deve ser feita por um organismo acreditado pelo Inmetro, e as chupetas devem seguir a norma técnica ABNT NBR 10334, da Associação Brasileira de Normas Técnicas, e trazer o selo de identificação da conformidade. A Anvisa exige que as chupetas cumpram os requisitos físicos e toxicológicos dessa norma e que a embalagem traga instruções de uso, entre elas ferver a chupeta por pelo menos cinco minutos antes de cada uso, examiná-la para ver se há rasgos ou furos, não prendê-la ao pescoço com laços ou fitas, pelo risco de estrangulamento, e não mergulhá-la em substâncias doces, para evitar cáries. Entre 2015 e 2021, uma portaria do Inmetro proibiu a venda de chupetas customizadas, enfeitadas com cristais, pérolas ou miçangas, pelo risco de a criança aspirar ou engolir peças que se soltassem. Mesmo depois da revogação, a Anvisa considerou irregulares chupetas customizadas por não cumprirem a norma técnica. A Sociedade Brasileira de Pediatria alerta que partes e acessórios que se soltam da chupeta podem causar asfixia ou estrangulamento se nenhum adulto estiver por perto.
Em Portugal e nos demais países da União Europeia, vale a norma europeia EN 1400, que define requisitos de segurança para os materiais, a construção, o desempenho, a embalagem e as informações das chupetas. As normas do Comitê Europeu de Normalização são adotadas pelos organismos nacionais de normalização dos países membros, entre eles Portugal.
Nos Estados Unidos, a Academia Americana de Pediatria recomenda, para evitar engasgos, chupetas feitas de uma só peça, que têm menos risco de se partir, com bico macio e protetor firme, com furos de ventilação e pelo menos 3,8 centímetros de diâmetro, para que não possa entrar inteiro na boca. A AAPD acrescenta que a chupeta deve ser examinada com frequência para verificar se há desgaste. A Comissão de Segurança de Produtos de Consumo (CPSC) exige que toda chupeta tenha um protetor que a impeça de entrar na boca e bloquear a garganta, com ventilação suficiente, e proíbe a venda de chupetas com fitas, cordões, correntes ou acessórios semelhantes.
No Brasil, a venda de chupetas é regulada pela Lei nº 11.265, de 2006, que trata da comercialização de alimentos para bebês e de mamadeiras, bicos e chupetas. A lei proíbe a promoção comercial de chupetas em qualquer meio de comunicação e a distribuição de amostras. Uma resolução da Anvisa de 2024 também proíbe que as embalagens mostrem figuras ou personagens que lembrem bebês ou crianças pequenas e exige que materiais educativos sobre chupetas informem de forma clara seus possíveis efeitos negativos sobre a saúde da criança, como alterações no desenvolvimento da boca e da face.
Em outros países lusófonos, a chupeta também está incluída nas leis que regulam a venda de produtos que podem competir com a amamentação. Em Moçambique, o Código de Comercialização dos Substitutos do Leite Materno, aprovado em 2007, se aplica a tetinas, chuchas e chupetas. Em Timor-Leste, o decreto-lei que estabeleceu em 2023 o regime jurídico da comercialização de substitutos do leite materno inclui biberões, tetinas e chupetas entre os produtos regulados.