Classe Derfflinger

Classe Derfflinger
O Derfflinger, a primeira embarcação da classe
Visão geral  Alemanha
Operador(es)Marinha Imperial Alemã
Construtor(es)Blohm & Voss
Schichau-Werke
Estaleiro de Wilhelmshaven
PredecessoraSMS Seydlitz
SucessoraClasse Mackensen
Período de construção1912–1917
Em serviço1914–1918
Construídos3
Características gerais
TipoCruzador de batalha
Deslocamento31 200 a 31 500 t (carregado)
Comprimento210,4 a 212,8 m
Boca29 m
Calado9,2 a 9,5 m
Maquinário4 turbinas a vapor
22 caldeiras
Propulsão4 hélices
-63 000 cv (46 300 kW)
Velocidade26 nós (47 km/h)
Armamento8 canhões de 305 mm
12 ou 14 canhões de 149 mm
4 a 12 canhões de 88 mm
4 tubos de torpedo
BlindagemCinturão: 100 a 300 mm
Convés: 30 a 80 mm
Torres de artilharia: 270 mm
Casamatas: 150 mm
Torre de comando: 300 mm
Tripulação44 oficiais
1 068 marinheiros

A Classe Derfflinger foi uma classe de cruzadores de batalha operada pela Marinha Imperial Alemã, composta pelo SMS Derfflinger, SMS Lützow e SMS Hindenburg. Suas construções começaram em 1912 e 1913, foram lançados ao mar em 1913 e 1915 e comissionados na frota alemã em 1914, 1915 e 1917. As embarcações foram resultado de pressão pública oriunda do envolvimento britânico na Crise de Agadir, o que fez a Dieta Imperial aprovar o orçamento para a construção de novos cruzadores de batalha. Os três navios da Classe Derfflinger eram bem similares ao seu predecessor SMS Seydlitz, mas possuíam dimensões maiores e também um armamento principal mais poderoso.

Os cruzadores de batalha da Classe Derfflinger eram armados com uma bateria principal composta por oito canhões de 305 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas. Tinham um comprimento de fora a fora de mais de 210 metros, boca de 29 metros, calado de nove metros e um deslocamento carregado de mais de 31 mil toneladas. Seus sistemas de propulsão eram compostos por 22 caldeiras mistas de carvão e óleo combustível que alimentavam quatro turbinas a vapor, que por sua vez giravam quatro hélices até uma velocidade máxima de 26 nós (47 quilômetros por hora). Eram protegidos por um cinturão principal de blindagem que tinha entre cem e trezentos milímetros de espessura.

Os navios entraram em serviço durante a Primeira Guerra Mundial. O Derfflinger participou da maioria das ações navais alemãs, incluindo as Batalhas de Dogger Bank em 1915 e Jutlândia em 1916. O Lützow só participou da Jutlândia. Durante esta batalha eles afundaram os cruzadores de batalha HMS Invincible e HMS Queen Mary, porém o Lützow foi seriamente danificado e precisou ser afundado. O Hindenburg entrou em serviço muito tarde para participar de alguma ação. Os dois sobreviventes foram internados na base britânica de Scapa Flow em 1918 depois da derrota da Alemanha, sendo deliberadamente afundados em junho de 1919. Seus destroços foram depois reflutuados e desmontados.

Antecedentes

Discussões começaram em abril de 1910 sobre as exigências básicas para o próximo cruzador de batalha da Marinha Imperial Alemã, o sucessor do SMS Seydlitz. A seção de projeto do Departamento de Construção pediu por especificações gerais, mas o Departamento Geral respondeu que ainda era muito cedo. Este citou o fato que os couraçados dreadnought da Classe Nassau ainda não tinham completado seus testes marítimos e que outros projetos, como uma torre de artilharia tripla e um motor a diesel grande, ainda estavam nos estágios iniciais de desenvolvimento. Ao mesmo tempo, o vice-almirante Adolf Paschen do Departamento Geral destacou que a Marinha Real Britânica tinha aumentado o tamanho dos canhões de seus cruzadores de batalha de 305 para 343 milímetros, assim a Marinha Imperial precisaria aumentar os seus de 283 para 305 milímetros. Ele também argumentou que o sistema de proteção deveria ser alterado de quatro para três hélices, com a central girada por um motor a diesel a fim de melhorar a economia de combustível.

Enquanto isso, o almirante Alfred von Tirpitz, o Secretário de Estado do Escritório Naval Imperial, fez uma série de reuniões para discutir o projeto do novo cruzador de batalha. A primeira ocorreu em 11 de maio e examinou os recentes testes de disparo dos canhões de 283 e 305 milímetros, bem como uma arma experimental de 320 milímetros. O contra-almirante Gerhard Gerdes, um membro do Departamento de Armamentos, afirmou que a uma distância de oito a dez quilômetros, onde esperava-se que as batalhas ocorressem, o canhão de 283 milímetros não conseguiria penetrar a blindagem dos cruzadores de batalha britânicos mais novos, que os alemães achavam ter 250 milímetros de espessura. Tirpitz argumentou que combates ocorreriam a uma distância muito menor, onde a arma de 283 milímetros ainda poderia penetrar as blindagens. Paschen e o vice-almirante Max Rollmann, este último do Departamento de Construção, também defenderam o canhões de 283 milímetros, com Tirpitz anunciando que este era pelo menos a escolha temporária.

Tirpitz em seguida quis discutir o sistema de propulsão; ele era bastante a favor de adotar motores a diesel, enxergando-os como uma oportunidade de dar um salto qualitativo significante sobre outras marinhas que ainda dependiam de turbinas a vapor. O engenheiro naval Hans Bürkner era contra, dada a natureza ainda não testada do novo motor, os riscos associados caso o projeto falhasse e a quantidade de trabalho excessiva que isso criaria para a equipe de projeto, pois haveria a necessidade de reprojetar o esquema de proteção subaquático e outros aspectos do casco. Os projetistas sugeriram simplesmente encomendar o próximo navio, chamado provisoriamente de "K", como um irmão do Seydlitz. A decisão final sobre os motores a diesel, seja como o único tipo usado ou com uma instalação mista com turbinas, foi forçada depois do chefe da seção de propulsão do Departamento de Construção informar em 1º de setembro que os motores a diesel sendo desenvolvidos pela MAN não ficariam prontos em tempo para "K".

Desenvolvimento

Trabalhos detalhados começaram depois das discussões iniciais de 1910. A equipe de projeto começou com as propostas abandonadas para o Seydlitz, os projetos "IIIc" e "IVe". O primeiro era para um navio com quatro torres de artilharia de 305 milímetros, já o segundo tinha dez armas de 283 milímetros em cinco torres de artilharia, todas na linha central. Uma terceira alternativa foi produzida em junho e combinava as duas variantes, tendo quatro torres de 305 milímetros na linha central. Tirpitz nesta altura estava convencido que um canhão maior era necessário, com a decisão sendo formalmente adotada em uma reunião em 1º de outubro e descrita em um memorando no dia seguinte. Neste, Tirpitz expressou sua preferência por duas torres sobrepostas à vante e duas sobrepostas à ré, mas admitiu que se isso fosse impossível, um arranjo en echelon seria aceitável. Também indiciou que uma quinta torre deveria ser incorporada caso limites de custo e peso pudessem ser cumpridos, porém isto mostrou-se proibitivo nos dois casos.

Bürkner apresentou em 22 de setembro sua avaliação de três propostas diferentes, designadas 1, 2 e 3. A primeira usava uma bateria principal no mesmo arranjo en chelon do SMS Von der Tann, enquanto as outras duas tinham um arranjo na linha central. As principais diferenças entre 2 e 3 eram o espaçamento das duas torres de artilharia de ré, com 2 tendo-as muito mais próximas do que 3, e a colocação da bateria secundária, com 2 tendo-a elevada para o convés superior. As três propostas mantiveram o mesmo nível de proteção que o Seydlitz, assim como a mesma velocidade e armazenamento de carvão. Bürkner recomendou o projeto 3, mas com a bateria secundária elevada de 2; este projeto refinado foi designado como 4 e foi aprovado pelo imperador Guilherme II em 26 de setembro. Mais melhoramentos de detalhes produziu 4b.

A equipe de projeto apresentou em 18 de março de 1911 um projeto 5, que incluía várias melhorias internas em relação a 4b. Um dos conveses internos foi removido da parte central do navio, o que permitiu mais espaço para armazenamento de carvão. Os projetistas também escolheram adotar uma nova técnica de construção com o objetivo de economizar peso. Cruzadores de batalha anteriores tinham sido construídos com uma combinação de armações transversais e longitudinais, mas a Classe Derfflinger abandonou as armações transversais e usou apenas longitudinais. Isto permitiu que os navios mantivessem sua resistência estrutural com peso menor. Por fim, por causa da reorganização interna, as salas de caldeira passaram a serem divididas por uma antepara interna que reduzia o risco de inundação em caso de danos subaquáticos. Caldeiras de maior capacidade que tinham sido anteriormente testadas no Von der Tann também seriam usadas, que daria aos novos navios a mesma velocidade do Seydlitz ou mais.

O maior defeito do projeto 5 era sua altura metacêntrica, que ficaria entre 2,7 a 2,9 metros, que seria muito alta e faria o navio a balançar muito rapidamente. O período de balanço muito rápido prejudicaria a mira dos artilheiros. A boca poderia ser reduzida em dois metros, mas isto corresponderia ao espaço entre o casco externo e a antepara antitorpedo, o que pioraria a resistência a danos subaquáticos. Tanques antibalanço Frahm também foram considerados, mas eles causariam um aumento de deslocamento e custo. Outra conferência foi realizada em 30 de março para avaliar as propostas, bem como ideias para economizar peso a fim de acomodar os tanques. Dentre as opções consideradas estavam uma redução na espessura da antepara antitorpedo ou da blindagem da proa, bem como a substituição de algumas caldeiras a óleo combustível por modelos a carvão.

Uma versão final chamada 5b foi completada em 15 de junho. As mudanças incluíram a redução da antepara antitorpedo e diminuição da altura na blindagem de proa, mas não a adoção parcial de caldeiras a óleo combustível. Além disso, a bateria secundária foi abaixada em um convés e colocada nas extremidades do casco, o que teve o efeito de melhorar a navegabilidade. O deslocamento aumentou de 25,9 para 26,6 mil toneladas e o casco foi ligeiramente alongado para acomodar o peso adicional. Guilherme aprovou este projeto pouco depois. A liderança naval se encontrou de novo em 30 de junho para discutir as caldeiras a óleo combustível; aqueles a favor argumentaram que eram mais leves e fáceis de operar, o que permitiria uma redução significativa no número de tripulantes. Aqueles que eram contra citaram a dificuldade em obter óleo combustível, especialmente em uma crise, e que os depósitos de carvão proporcionavam uma proteção impossível com tanques de óleo. Os participantes concluíram que oito das 22 caldeiras deveriam queimar óleo combustível. Também decidiram instalar os tanques Frahm, mesmo com testes no Von der Tann tendo reduzido o balanço em apenas 33 por cento.

A Classe Derfflinger foi encomendada sob a quarta e última Lei Naval, aprovada em 1912. Tirpitz usou a indignação pública sobre o envolvimento do Reino Unido na Crise de Agadir em 1911 para pressionar a Dieta Imperial a conceder um orçamento maior para a Marinha Imperial. A Quarta Lei Naval garantiu o financiamento de três novos dreadnoughts, dois cruzadores rápidos e mais quinze mil oficiais e marinheiros. Os dreadnoughts se tornaram os membros da Classe Derfflinger. Enquanto isso, pressão do público e mídia britânicos forçaram o Parlamento do Reino Unido a aumentar a construção naval. Guilherme pediu para que o tempo de construção dos cruzadores de batalha fosse reduzido para de três para dois anos. Isto foi inviável, pois as empresas de blindagem e armamentos não conseguiam suprir os materiais dentro do cronograma esperado.

Projeto

Características

Desenho da Classe Derfflinger

O Derfflinger e o Lützow tinham 210 metros de comprimento da linha de flutuação e 210,4 metros de comprimento de fora a fora, já o Hindenburg era ligeiramente maior com 212,5 metros de linha de flutuação e 212,8 metros de fora a fora. Os três tinha uma boca de 29 metros e um calado que ficava entre 9,2 metros à vante e 9,57 metros à ré. Os dois primeiros tinham um deslocamento normal de 26,6 mil toneladas e um deslocamento carregado de 31,2 mil toneladas. Já o Hindenburg tinha um deslocamento normal de 26 947 toneladas e um deslocamento carregado de 31,5 mil toneladas. Seus cascos foram construídos com armações de aço longitudinais sobre as quais as placas externas do casco foram rebitadas. O casco do Derfflinger tinha dezesseis compartimentos estanques, mas os dois outros navios tinham dezessete. Os três tinham um fundo duplo que abrangia 65 por cento do comprimento do casco, o que era uma redução em relação aos cruzadores de batalha anteriores, que tinham um fundo duplo que abrangia pelo menos 75 por cento do casco.

A Marinha Imperial considerou que os navios tinham uma navegabilidade excelente. Foram descritos como tendo movimentos gentis, porém muita água respingava no convés das casamatas. A direção era controlada por dois lemes posicionados na linha central. Perdiam até 65 por cento de sua velocidade com seus lemes totalmente virados, alteando em até onze graus. Isto era mais do que os cruzadores de batalha anteriores e assim tanques para reduzir o balanço foram instalados no Derfflinger. Os tanques foram testados no mar em dezembro de 1914 com resultados inconclusivos. As três embarcações tinham uma altura metacêntrica de 2,6 metros. A tripulação padrão era composta por 44 oficiais e 1 068 marinheiros, mas quando serviam de capitânias levavam catorze oficiais e 62 homens a mais. Os navios também levavam várias embarcações menores, incluindo um barco de piquete, três barcas, duas lanchas, dois yawls e dois botes.

Propulsão

Foi determinado na época do início da construção do Derfflinger que o motor a diesel ainda não estava pronto para ser usado. Desta forma, o plano para um sistema de três eixos foi abandonado e os navios voltaram ao arranjo padrão de quatro eixos. Os três navios foram equipados com dois conjuntos de turbinas a vapor, cada um girando duas hélices de três lâminas; estas tinham 3,9 metros de diâmetro no Derfflinger e Lützow e quatro metros no Hindenburg. As hélices de estibordo giravam no sentido anti-horário e as de bombordo giravam no sentido horário para neutralizar qualquer efeito na direção das embarcações. Cada conjunto de turbinas consistia em um modelo de alta pressão e outro de baixa pressão: a primeira girava as hélices externas e a segunda girava as internas. O vapor para as turbinas vinha de catorze caldeiras a carvão e oito caldeiras a óleo combustível. Foram equipados com dois geradores turbo-elétricos e dois geradores diesel-elétricos que produziam 1 660 quilowatts de energia elétrica a 220 volts.

O Derfflinger e Lützow tinham uma potência indicada de 63 017 cavalos-vapor (46 336 quilowatts) a 280 rotações por minuto para uma velocidade máxima de 26,5 nós (49,1 quilômetros por hora). O Derfflinger alcançou 25,5 nós (47,2 quilômetros por hora) a partir de 76 655 cavalos-vapor (56 364 quilowatts) durante seus testes marítimos, mas por conta do início da Primeira Guerra Mundial os testes ocorreram em águas mais rasas, o que reduziu a velocidade; esperava-se que em águas profundas a velocidade fosse dois nós a mais. O Lützow alcançou 26,4 nós (48,9 quilômetros) com 81 015 cavalos-vapor (59 570 quilowatts), já o Hindenburg tinha uma potência indicada de 72 020 cavalos-vapor (52 956 quilowatts) a 290 rotações por minuto para 27 nós (cinquenta quilômetros por hora), mas durante seus testes marítimos alcançou 26,6 nós (49,3 quilômetros por hora) com 95 803 cavalos-vapor (70 444 quilowatts). O Derfflinger podia carregar 3,5 mil toneladas de carvão e mil toneladas de óleo combustível para uma autonomia de 5,6 mil milhas náuticas (10,4 mil quilômetros) a catorze nós (26 quilômetros por hora). O Lützow carregava duzentas toneladas a mais de carvão, mas não tinha uma autonomia melhor. O Hindenburg também carregava 3,7 mil toneladas de carvão e 1,2 mil toneladas de óleo combustível, tendo uma autonomia de 6,1 mil milhas náuticas (11,3 mil quilômetros) a catorze nós.

Armamento

O Derfflinger disparando seus canhões principais durante exercícios

O armamento principal era de oito canhões calibre 50 de 305 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas, duas sobrepostas à vante da superestrutura e duas sobrepostas à ré. As torres do Derfflinger e Lützow eram do modelo C/1912, já a do Hindenburg era do tipo C/1913. Eram giradas eletricamente, enquanto os canhões eram elevados hidraulicamente até 13,5 graus. Disparavam projéteis perfurantes de 405,5 quilogramas a uma velocidade de saída de 855 metros por segundo. Em elevação máxima tinham um alcance de 18,7 quilômetros. As torres foram modificadas em 1916 para aumentar a elevação máxima para dezesseis graus, o que aumentou o alcance para 20,5 quilômetros. Os navios carregavam 720 projéteis, noventa para cada canhão: 65 eram projéteis perfurantes e 25 eram projéteis semiperfurantes para alvos com pouca blindagem. A cadência de tiro era de dois a três disparos por minuto e a vida útil teórica dos canos era de duzentos disparos antes de precisarem ser substituídos. Também podiam disparar projéteis altamente explosivos de 405,9 quilogramas. Também podiam disparar projéteis altamente explosivos de 405,9 quilogramas. Os projéteis eram carregados com duas cargas propelentes RP C/12: uma principal em um cartucho de latão que pesava 91 quilogramas e outra em um saco de seda de 34,5 quilogramas. Os depósitos de propelente ficavam localizados embaixo dos depósitos de projéteis nas três primeiras torres, enquanto para a última esta arranjo era invertido.

O armamento secundário foi projetado para ser de catorze canhões calibre 45 de 149 milímetros montados em casamatas nas laterais da superestrutura. O Derfflinger tinha apenas doze armas, pois duas precisaram ser removidas para que os tanques contra balanço fossem instalados. O Lützow e Hindenburg tinham as catorze armas projetadas. Cada canhão tinha um suprimento de 160 projéteis. O alcance máximo inicial era de 13,5 quilômetros, mas isto foi depois aumentado para 16,8 quilômetros. Tinham uma cadência de tiro sustentada de cinco a sete disparos por minuto. Os projéteis pesavam 45,3 quilogramas e eram disparados com uma velocidade de saída era de 835 metros por segundo.

Os três navios também foram armados com vários canhões calibre 45 de 88 milímetros em diferentes configurações. Foram inicialmente equipados com oito em montagens individuais, quatro na superestrutura de vante e quatro na de ré. Também tinham quatro canhões antiaéreos Flak de mesmo tamanho colocados ao redor da primeira chaminé, com exceção do Lützow, onde ficavam na segunda chaminé. Os quatro canhões na superestrutura de vante foram removidos depois de 1916. As armas antiaéreas ficavam instaladas em montagens C/13, que podiam abaixar até dez graus negativos e elevar até setenta graus. Disparavam projéteis que pesavam dez quilogramas.

As embarcações também foram armadas com tubos de torpedo submersos no casco. O Derfflinger tinha quatro tubos de quinhentos milímetros, enquanto os outros dois foram equipados com tubos de seiscentos milímetros. O arranjo nos três casos era de um tubo na proa, um na popa e um em cada lateral. Os torpedos do Derfflinger eram do modelo G7, tendo 7,02 metros de comprimento e armados com uma ogiva de 195 quilogramas de hexanito. Tinha um alcance de quatro quilômetros a uma velocidade de 37 nós (68,5 quilômetros por hora) e 9,3 quilômetros a 27 nós. O Lützow e Hindenburg tinham torpedos do tipo H8, que tinham oito metros de comprimento e com uma ogiva de 210 quilogramas de hexanito. Tinham um alcance de seis quilômetros a 36 nós (66,6 quilômetros por hora) ou catorze quilômetros a trinta nós (55,5 quilômetros por hora).

Blindagem

Corte transversal da blindagem na altura da armação 161

Os cruzadores de batalha eram protegidos por aço cimentado Krupp, o padrão para os navios alemães da época. O cinturão principal tinha trezentos milímetros de espessura na cidadela central, onde as partes mais importantes das embarcações ficavam, incluindo os depósitos de munição e salas de máquinas. A espessura do cinturão diminuía em áreas menos importantes, 120 milímetros à vante e cem milímetros à ré. O cinturão afinava-se para trinta milímetros na proa, enquanto a popa não tinha qualquer tipo de proteção. Uma antepara antitorpedo de 45 milímetros corria pelo comprimento dos navios vários metros atrás do cinturão principal. O convés blindado principal tinha trinta milímetros de espessura sobre áreas pouco importantes e oitenta milímetros sobre áreas mais críticas.

A torre de comando de vante tinha laterais de trezentos milímetros e teto de 130 milímetros. A torre de comando de ré não era tão protegida, tendo laterais de duzentos milímetros e teto de cinquenta milímetros. As torres de artilharia também tinham uma blindagem bem pesada, com aquelas do Derfflinger e Lützow tendo laterais de 270 milímetros e tetos de 110 milímetros. Já as torres de artilharia do Hindenburg tinham laterais de mesma espessura mas tetos de 150 milímetros. As casamatas tinham uma proteção de 150 milímetros, enquanto as armas em si tinham escudos de setenta milímetros a fim de proteger os artilheiros de estilhaços.

A cerimônia de lançamento do Hindenburg em 1º de agosto de 1915

Dos três navios da classe, apenas o Derfflinger foi encomendado como uma nova adição à frota, o que foi feito sob o nome provisório "K". Os outros dois cruzadores de batalha tinham a intenção de substituírem embarcações antigas e já obsoletas: o Lützow foi encomendado com o nome provisório de Ersatz Kaiserin Augusta para substituir o cruzador protegido SMS Kaiserin Augusta, já o Hindenburg foi encomendado com nome provisório de Ersatz Hertha como substituto do cruzador protegido SMS Hertha.

O Derfflinger foi construídos pela Blohm & Voss em Hamburgo sob o número de construção 213. Foi o mais barato dos três, tendo custado 56 milhões de marcos de ouro. Seu batimento de quilha ocorreu em 30 de março de 1912 e deveria ter sido lançado ao mar em 13 de junho de 1913, mas durante a cerimônia um dos trenós de madeira sobre os qual o navio estava emperrou. Só pode ser lançado em 12 de julho. Foi comissionado na Frota de Alto-Mar em 1º de setembro de 1914, pouco depois do início da Primeira Guerra Mundial. O Lützow foi construído pela Schichau-Werke em Danzig sob o número 885 e custou 58 milhões de marcos de ouro. Seu batimento foi em 15 de maio de 1912 e lançamento em 29 de novembro de 1913, sendo comissionado em 8 de agosto de 1915 depois de longos testes marítimos. O Hindenburg foi construído pelo Estaleiro Imperial de Wilhelmshaven sob o número de construção 34 ao custo de 59 milhões de marcos de ouro. Seu batimento de quilha foi em 1º de outubro de 1913 e foi lançado em 1º de agosto de 1915, sendo comissionado em 10 de maio de 1917.

Navio Construtor Homônimo Batimento Lançamento Comissionamento
Derfflinger Blohm & Voss Georg von Derfflinger 30 de março de 1912 12 de julho de 1913 1º de setembro de 1914
Lützow Schichau-Werke Ludwig von Lützow 15 de maio de 1912 29 de novembro de 1913 8 de agosto de 1915
Hindenburg Estaleiro de Wilhelmshaven Paul von Hindenburg 1º de outubro de 1913 1º de agosto de 1915 10 de maio de 1917

Carreiras

Derfflinger

O Derfflinger em 1919

O Derfflinger foi transferido de Hamburgo para Kiel por uma tripulação do estaleiro. Foi designado no final de outubro de 1914 para integrar I Grupo de Reconhecimento da Frota de Alto-Mar, porém danos nas suas turbinas sofridos durante seus testes marítimos impediram que ele tivesse um serviço ativo até 16 de novembro. Participou de um bombardeio litorâneo contra as cidades britânicas de Scarborough, Hartlepool e Whitby em 16 de dezembro. Também esteve presente na Batalha de Dogger Bank em 24 de janeiro de 1915, quando foi atingido por um projétil de 343 milímetros britânico mas em resposta alvejou e danificou o cruzador de batalha HMS Lion. Reparos foram concluídos em 16 de fevereiro, mas sua turbina de estibordo foi danificada acidentalmente em 28 de junho, com o Derfflinger ficando sob conserto até agosto. Esteve presente em 24 de abril de 1916 de um bombardeio contra Yarmouth.

Participou em 31 de maio da Batalha da Jutlândia, sendo o segundo navio da linha alemã. Foi acertado 21 vezes pelos britânicos, mas também infligiu danos consideráveis aos cruzadores de batalha inimigos. O HMS Queen Mary foi afundado às 16h26min por uma explosão interna depois de ser alvejado pelo Derfflinger e o Seydlitz. Duas horas depois às 18h30min o HMS Invincible afundou da mesma maneira, desta vez depois de ser alvo do Derfflinger e do Lützow. As duas torres de artilharia de ré do Derfflinger foram incapacitadas durante a batalha. Sua tripulação sofreu 157 mortos e 26 feridos, o maior número de baixas dentre os navios alemães que não foram afundados. Os trabalhos de reparo duraram até 15 de outubro, durante os quais seu mastro de poste foi removido e substituído por um mastro de tripé. Realizou operações de treinamento até novembro e então retornou para o serviço ativo.

A Alemanha se rendeu em novembro de 1918 e a maior parte da Frota de Alto-Mar foi internada na base britânica de Scapa Flow. O contra-almirante Ludwig von Reuter, comandante dos navios internados, ordenou que suas embarcações fossem deliberadamente afundadas em 21 de junho de 1919. Ao todo, 66 navios de vários tipos se afundaram. Dentre estes estava o Derfflinger, que naufragou às 14h45min. Seus destroços foram reflutuados em 1939 para serem desmontados, mas o início da Segunda Guerra Mundial impediu que isso acontecesse. Ele permaneceu emborcado ancorado ao lado da ilha de Risa até 1946, quando foi levado a Faslane e finalmente desmontado.

Lützow

O Lützow em 1915

A turbina de baixa pressão de bombordo do Lützow foi seriamente danificada durante seus testes marítimos em 25 de outubro de 1915, com os reparos só terminando em janeiro de 1916. Seguiu então para mais testes marítimos que duraram até 19 de fevereiro, tornando-se totalmente operacional e sendo designado em 20 de março para o I Grupo de Reconhecimento. Participou de dois surtidas da frota, em 25 de março e depois entre 21 e 22 de abril, ambas sem incidentes. No dia seguinte o Lützow, Derfflinger, Seydlitz e os cruzadores de batalha SMS Von der Tann e SMS Moltke bombardearam Yarmouth. No caminho, o Seydlitz, a capitânia do contra-almirante Franz Hipper, bateu em uma mina naval, assim o Lützow se tornou a nova capitânia. Os cruzadores de batalha alemães encontraram forças britânicas e uma batalha começou, com o Lützow enfrentando o cruzador rápido HMS Conquest e o acertando várias vezes.

Era o primeiro navio da linha alemã na Batalha da Jutlândia e a capitânia da Hipper. Foi atingido várias vezes pelos cruzadores de batalha inimigos, incluindo abaixo da linha de flutuação. Pouco depois acertou o Lion várias vezes, com um projétil destruindo uma de suas torres de artilharia e causando um incêndio no depósito de munição que quase destruiu o navio. Os cruzadores blindados HMS Defence e HMS Warrior acidentalmente passaram pela linha alemã, com os alemães abrindo fogo. O Defence foi atingido várias vezes e explodiu. Por volta do mesmo momento, mais cruzadores de batalha britânicos chegaram. O Lützow foi atingido na proa por quatro projéteis entre 19h26min e 19h34, mas junto com o Derfflinger destruiu o Invincible às 19h30min. Foi atingido mais cinco vezes até às 20h15min, incluindo em suas duas torres de artilharia de vante.

O Lützow já tinha engolido mais de duas mil toneladas de água até às 22h15min e estava com a proa perigosamente baixa na água. Tentativas foram feitas após a meia-noite de navegá-lo de ré. Isto fracassou quando a proa submergiu o bastante para fazer a popa levantar para fora d'água, com suas hélices e leme saindo para a superfície às 2h20min do dia 1º de junho, impossibilitando sua navegação. A ordem de abandonar o navio foi dada e às 2h27min o barco torpedeiro SMS G38 afundou o Lützow com torpedos. A inundação do navio não pode ser controlada porque o sistema de bombeamento de vante parou de funcionar e o sistema central não foi capaz de acompanhar a quantidade de água que estava entrando. A tripulação foi resgatada por quatro barcos torpedeiros que estavam escoltando o navio. Sofreu 116 mortos no decorrer da batalha.

Hindenburg

O Hindenburg em 1919

O Hindenburg foi o último cruzador de batalha construído pela Marinha Imperial e entrou serviço muito tarde para participar de qualquer grande ação na Primeira Guerra Mundial. Ele, o Molke e os cruzadores rápidos do II Grupo de Reconhecimento deram apoio distante para draga-minas que foram atacados por cruzadores de batalha britânicos em 10 de maio de 1917 próximos do litoral alemão. Este ataque foi breve e os inimigos já tinham ido embora quando o Hindenburg e o Moltke chegaram no local. Seis dias depois substituiu o Seydlitz como capitânia do I Grupo de Reconhecimento. Participou em 23 de abril de 1918 de uma surtida no Mar do Norte que tinha a intenção de tentar interceptar um comboio Aliado, mas no caminho o Moltke sofreu problemas mecânicos a a operação foi cancelada.

O Hindenburg também foi internado em Scapa Flow junto com o resto da Frota de Alto-Mar em novembro de 1918 depois da capitulação da Alemanha. Foi deliberadamente afundado por sua própria tripulação às 17h00min de 21 de junho de 1919. Várias tentativas fracassadas de reflutuar seus destroços foram feitas até isto finalmente ser conseguido em 23 de julho de 1930. Foi desmontado em Rosyth entre 1930 e 1932.

Notas

  1. ↑ Navios de guerra alemães era encomendados sob nomes provisórios. Adições à frota recebiam uma única letra, enquanto substituições de navios antigos ou perdidos eram encomendados como "Ersatz (nome do navio substituído)".
  2. ↑ Apenas o Derfflinger foi equipado com tanques para reduzir o balanço, pois testes iniciais realizados no cruzador de batalha Von der Tann reduziram o balanço em apenas 33 por cento. Foi determinado que isto era um benefício insuficiente diante do peso extra acarretado pelos tanques. Eles também exigiam a remoção de dois canhões secundários.
  3. ↑ O Armistício estava programado para terminar ao meio-dia de 21 de junho de 1919, mas no dia anterior foi ampliado até 23 de junho. Há debates se Reuter sabia disto. O vice-almirante sir Sidney Fremantle, o comandante da frota britânica em Scapa Flow, afirmou que tinha informado Reuter sobre a ampliação no dia 20, mas o próprio Reuter afirmou que não sabia.

Referências

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Bibliografia

Ligações externas