Conflito de Caprivi

Conflito de Caprivi

Uma escolta militar pela Faixa de Caprivi.
Data1994 - 1999
LocalFaixa de Caprivi, Namibia
DesfechoVitória do governo da Namíbia
Beligerantes

Namíbia Governo da Namíbia

Exército de Libertação de Caprivi

Comandantes

N/A

Mishake Muyongo

Faixa de Caprivi no nordeste da Namíbia
Localização da Região de Caprivi no mapa da Namíbia

O conflito de Caprivi foi um conflito armado entre o governo da Namíbia e o Exército de Libertação de Caprivi, um grupo rebelde que lutava pela secessão da Faixa de Caprivi.

Antecedentes

A Faixa de Caprivi, no nordeste da Namíbia, é habitada principalmente pelo povo Lozi. Eles compartilham uma linguagem e história comum, e muitas vezes se sentem mais conectados com os povos Lozi nos países vizinhos Zâmbia, Angola e Botswana.

O governo da Namíbia acusou o ELV de estar aliado ao movimento rebelde angolano UNITA. A UNITA é muito impopular na Namíbia, uma vez que ajudou a África do Sul a combater a SWAPO durante sua luta de libertação, e é considerado um inimigo do Estado por muitos. [quem?]

Uma das causas do conflito pode ser vista em uma luta de poder entre o precedente Mishake Muyongo e a liderança da Swapo durante o exílio em Angola. Em julho de 1980, Muyongo foi expulso do posto de vice-presidente da Swapo sob o pretexto de estar envolvido em atividades subversivas e perseguir ambições separatistas. Ele foi posteriormente detido na Zâmbia e Tanzânia, seguido por um expurgo contra os caprivianos na Swapo.

Após o seu regresso à Namíbia em 1985, Muyongo formou o Partido Democrático Unido (PDU) que aderiu à Aliança Democrática de Turnhalle (ADT). Ele foi presidente da ADT de 1991 a 1998, quando foi expulso como resultado de seu apoio à secessão de sua região de origem.

Curso do conflito

O Exército de Libertação de Caprivi foi formado em 1994. O objetivo do movimento rebelde é o autogoverno de Caprivi.

Em outubro de 1998, a Força de Defesa da Namíbia, com o apoio da Força Especial de Campo descobriu e invadiu um acampamento de treinamento do ELC. Isso resultou em mais de 100 homens armados do ELC e cerca de 2.500 civis a fugirem para Botswana. Entre os refugiados estavam líderes do ELC, ou seja Mishake Muyongo e Chefe Mafwe Bonifácio Mamili. A ambos foi concedido asilo na Dinamarca. A Namíbia exigiu sem sucesso que a Botswana e a Dinamarca entregassem os rebeldes, e o presidente Sam Nujoma chamou os rebeldes de "traidores e assassinos" e afirmou que eles seriam punidos por seus crimes.

Na madrugada de 2 de agosto de 1999, o ELC lançou um ataque em Katima Mulilo, a capital provincial da região de Caprivi, ocupando a estação de rádio estatal e atacando uma delegacia de polícia, o posto fronteiriço de Wanella, e uma base do exército. As forças de segurança da Namíbia foram apanhadas desprevenidas. No combate que se seguiu entre rebeldes e forças do governo 14 pessoas foram mortas. Um estado de emergência foi declarado na província, e o governo prendeu alegados apoiantes do ELC. Mishake Muyongo disse que a rebelião era "apenas o começo", porém a dura repressão do governo obrigou-o a uma parada abrupta.

No conflito ocorreram muitos abusos dos direitos humanos. Tanto as forças angolanas e da Namíbia, e a UNITA foram acusadas ​​de cometer violações dos direitos humanos contra a população da Faixa de Caprivi.

Consequência

Em 1999, 132 supostos participantes foram presos e acusados ​​de alta traição, assassinatos e uma série de outros crimes. A sentença proferida no julgamento que decorreu, conhecido como o julgamento pela traição de Caprivi ainda não foi entregue, uma situação que a Anistia Internacional reclamou várias vezes.

Em 7 de outubro de 2002, a nação Itengese rompeu todos os laços com a Namíbia e declarou a independência, o soberano Estado Livre de da Faixa de Caprivi/Itenge como seu lar nacional. Esta nação não é reconhecida por qualquer governo.

Referências

  1. ↑ «Caprivi Liberation Front». fas.org. Consultado em 13 de agosto de 2008
  2. ↑ Colin Leys & John S. Saul (1994): Liberation without Democracy? The Swapo Crisis of 1976. In: Journal of Southern African Studies 20 (1)
  3. ↑ Justine Hunter (2008): Die Politik der Erinnerung und des Vergessens in Namibia. Frankfurt /M. (Peter Lang)
  4. ↑ Graham Hopwood (2008): Guide to Namibian Politics. Windhoek (NID), p. 214-215
  5. ↑ «Namibia calls on Botswana to hand over rebels». BBC. 8 de novembro de 1998. Consultado em 26 de agosto de 2006
  6. ↑ «Civil supremacy of the military in Namibia: A retrospective case study». NamibWeb. Consultado em 8 de novembro de 2008
  7. ↑ «Civilians suffer as Angolan conflict fuels insecurity on the Namibian border». Amnesty International. Consultado em 13 de agosto de 2008. Arquivado do original em 12 de setembro de 2008
  8. ↑ «Namibia: Justice delayed is justice denied. The Caprivi treason trial». Amnesty International. Consultado em 16 de junho de 2009
  9. ↑ «Caprivi Liberation Front/Caprivi Liberation Movement». Global Security. Consultado em 19 de junho de 2009