| Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura | |
| Tipo | Confederação sindical |
|---|---|
| Fundação | 20 de dezembro de 1963 (62 anos) |
| Propósito | Representação e defesa dos interesses dos trabalhadores e trabalhadoras rurais |
| Sede | Brasília, Distrito Federal, Brasil |
| Filiação | Central Única dos Trabalhadores (desde 1995) |
| Presidente | Vânia Marques Pinto |
| Website | «Página oficial» |
A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG) é uma entidade sindical brasileira de grau superior fundada em 22 de dezembro de 1963. Com sede em Brasília, representa trabalhadores e trabalhadoras rurais por meio de federações estaduais e sindicatos municipais. É uma das principais organizações do sindicalismo rural brasileiro, atuando na defesa da agricultura familiar, da reforma agrária, da previdência social rural e de outras políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do meio rural. Entre suas principais mobilizações estão o Grito da Terra Brasil e a Marcha das Margaridas.
O sindicalismo rural brasileiro desenvolveu-se mais lentamente que o sindicalismo urbano. Até meados do século XX predominavam associações de lavradores, ligas camponesas e organizações apoiadas por movimentos sociais, pela Igreja Católica e por partidos políticos, especialmente em regiões marcadas por conflitos fundiários. Durante o governo de João Goulart, a expansão dos direitos trabalhistas ao meio rural e o reconhecimento oficial dos sindicatos favoreceram a criação de uma entidade nacional representativa dos trabalhadores do campo.
A CONTAG foi fundada em 22 de dezembro de 1963, reunindo federações estaduais de trabalhadores rurais de diversas regiões do país. Sua criação representou um marco para a institucionalização do sindicalismo rural brasileiro, passando a coordenar a representação nacional da categoria perante o governo federal e outras instituições públicas.
Sua criação marcou a consolidação da representação sindical nacional dos trabalhadores rurais, reunindo federações estaduais constituídas após a regulamentação do sindicalismo rural durante o governo João Goulart.
Após o golpe militar de 1964, a CONTAG sofreu intervenção do governo federal. Diversos dirigentes foram afastados, presos ou exilados, e a entidade passou por reorganização administrativa conforme o modelo sindical previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Durante esse período, concentrou parte significativa de sua atuação na assistência sindical, previdenciária e jurídica aos trabalhadores rurais, reduzindo sua participação nas mobilizações políticas.
Com o processo de redemocratização, a CONTAG retomou sua participação nas mobilizações sociais e ampliou sua atuação na defesa da reforma agrária, da previdência social rural e da agricultura familiar.
Em 1995, a CONTAG filiou-se à Central Única dos Trabalhadores (CUT). Com essa filiação, foi extinto o Departamento Nacional de Trabalhadores Rurais (DNTR) da central sindical, reforçando a integração da representação sindical rural à estrutura da CONTAG.
A partir dos anos 2000 ocorreram mudanças significativas na representação sindical rural brasileira. O reconhecimento de novas categorias profissionais levou ao surgimento de entidades nacionais específicas, como a Confederação Nacional dos Trabalhadores Assalariados e Assalariadas Rurais (CONTAR) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Brasil (CONTRAF Brasil). Nesse contexto, a CONTAG passou a concentrar sua atuação principalmente na representação da agricultura familiar e dos trabalhadores rurais organizados em seus sindicatos filiados.
A estrutura organizacional da CONTAG é composta por 27 Federações dos Trabalhadores na Agricultura (FETAGs) e mais de quatro mil Sindicatos dos Trabalhadores Rurais (STRs). A entidade é dirigida por uma diretoria executiva eleita em congresso nacional e por um conselho deliberativo formado por representantes das federações estaduais. Sua sede localiza-se em Brasília, Distrito Federal.
| Presidente | Início do mandato | Fim do mandato | Referências | Notas |
|---|---|---|---|---|
| Lyndolpho Silva (SP) |
1963 | 1964 | ||
| José Rotta (SP) |
1965 | 1968 | Presidente nomeado após 1964 | |
| José Francisco da Silva (PE) |
1968 | 1989 | ||
| Aloísio Carneiro (BA) |
1989 | 1992 | ||
| Francisco Urbano de Araújo Filho (RN) |
1992 | 1997 | ||
| Manoel José dos Santos (PE) |
1998 | 2009 | ||
| Alberto Ercilio Broch (RS) |
2010 | 2017 | ||
| Aristides Veras dos Santos (PE) |
2017 | 2021 | ||
| Vânia Marques Pinto (BA) |
2025 | atual | Primeira mulher eleita para presidir o sindicato |

A CONTAG atua na formulação e defesa de políticas públicas voltadas aos trabalhadores rurais, incluindo agricultura familiar, reforma agrária, previdência social, crédito rural, assistência técnica, desenvolvimento sustentável, sucessão rural e igualdade de gênero. A entidade também participa de conselhos e fóruns nacionais relacionados ao desenvolvimento rural.
Entre as principais mobilizações organizadas ou coordenadas pela CONTAG destacam-se:
Criado em 1994, o Grito da Terra Brasil tornou-se uma das principais mobilizações anuais da CONTAG. Realizado em Brasília, reúne representantes de sindicatos e federações para apresentar reivindicações relacionadas ao crédito rural, reforma agrária, infraestrutura, assistência técnica, educação, saúde e previdência.
Desde 2000, a CONTAG coordena a Marcha das Margaridas, manifestação nacional inspirada na trajetória da líder sindical Margarida Maria Alves. O evento reúne milhares de mulheres trabalhadoras rurais em defesa dos direitos das mulheres, da igualdade de gênero, da agricultura familiar e da sustentabilidade ambiental.
A CONTAG mantém relações institucionais com órgãos governamentais, organismos internacionais e entidades sindicais, participando de conselhos e fóruns relacionados ao desenvolvimento rural, à agricultura familiar e às políticas públicas para o campo.
Em abril de 2016, durante manifestação contrária ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o então secretário de finanças da CONTAG, Aristides Veras dos Santos, declarou que trabalhadores rurais deveriam "ocupar as propriedades" de parlamentares favoráveis ao impeachment. A declaração repercutiu na imprensa e entre parlamentares da bancada ruralista e motivou sua convocação para prestar esclarecimentos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da FUNAI e do INCRA.
Em abril de 2025, a Polícia Federal incluiu a CONTAG entre as entidades investigadas por supostas irregularidades relacionadas a descontos associativos incidentes sobre benefícios previdenciários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo a investigação, a entidade teria recebido recursos provenientes desses convênios entre 2019 e 2024. A CONTAG declarou colaborar com as investigações, negou a prática de irregularidades e afirmou atuar em conformidade com a legislação vigente.
Até o momento, as investigações permanecem em andamento.