Coprofilia

Coprofilia é um interesse sexual associado às fezes. Pode envolver excitação sexual relacionada à observação, ao cheiro ou à manipulação de fezes, incluindo fantasias sobre essas atividades. A coprofagia, que designa a ingestão de fezes, pode ocorrer como uma manifestação da coprofilia, embora os dois termos não sejam sinônimos.

Na classificação psiquiátrica, um interesse parafílico não implica, por si só, um transtorno mental. A distinção entre parafilia e transtorno parafílico considera a presença de sofrimento, prejuízo funcional ou dano ou risco de dano a outras pessoas.

Terminologia

O termo é formado pelo elemento grego kópros, que significa excremento ou fezes, e pelo sufixo -filia. Também pode designar uma preocupação com fezes ou com objetos e palavras que as representam. A associação entre esse interesse e uma fixação na fase anal pertence à teoria psicanalítica clássica, e não constitui uma conclusão clínica contemporânea.

Coprofagia e coprofilia podem ocorrer juntas, mas descrevem aspectos diferentes. Coprofagia se refere ao comportamento de ingerir fezes, que também aparece na literatura médica em contextos não sexuais. Esse comportamento foi registrado em alguns pacientes com coprofilia.

Em ambientes digitais, o termo também pode abranger redes informais de produção e consumo de mídia, vocabulário próprio e relações sociais entre pessoas interessadas no fetiche.

Classificação clínica

O DSM-5 diferencia uma parafilia de um transtorno parafílico. Essa distinção separa o interesse sexual do sofrimento ou prejuízo associado a ele e considera também situações que envolvam dano ou falta de consentimento.

A maioria das pessoas com interesses sexuais atípicos não apresenta transtorno mental. O sofrimento pessoal relacionado ao interesse é distinto daquele causado apenas pela desaprovação social.

A avaliação inclui desejos ou comportamentos que envolvam dano a outras pessoas ou pessoas que não consintam ou não possam consentir. A coprofilia e a coprofagia aparecem, em contexto clínico, entre os exemplos de interesses classificados como outros transtornos parafílicos especificados.

Pesquisa

Um estudo clínico sobre o tema foi publicado em 1955 no British Journal of Medical Psychology.

A literatura publicada entre 1990 e 2022 inclui relatos de caso e poucos estudos sobre coprofilia e coprofagia. Os tratamentos descritos combinaram, em alguns casos, medicamentos e psicoterapia, com resultados variados. Permanecem necessárias novas pesquisas sobre fatores associados, tratamento e resultados clínicos.

Saúde

Infecções entéricas

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) descrevem a transmissão de agentes infecciosos intestinais em atividades sexuais com exposição fecal, incluindo o contato oral-anal. Entre os agentes citados estão Shigella, Campylobacter, Salmonella, Escherichia coli e Giardia lamblia.

A shigelose pode ser transmitida quando material fecal de uma pessoa infectada alcança a boca, inclusive por meio de dedos ou objetos contaminados. A bactéria pode permanecer nas fezes por até duas semanas após o desaparecimento da diarreia, e sua presença na pele não pode ser identificada apenas pela aparência.

As diretrizes também descrevem proctocolite e enterite, que podem incluir diarreia e cólicas abdominais. Em sua terminologia de vigilância, a expressão “homens que fazem sexo com homens” descreve comportamento sexual e não determina a identidade sexual das pessoas.

Prevenção

Entre as medidas de prevenção estão evitar o contato com fezes durante a atividade sexual, utilizar barreiras e higienizar as mãos depois do contato com a região anal ou com materiais contaminados. Essas medidas são recomendações gerais de controle de infecções, diante da ausência de intervenções específicas para todos os agentes entéricos.

Para reduzir a transmissão de Shigella, recomenda-se lavar brinquedos sexuais depois de cada uso e evitar relações durante episódios de diarreia, aguardando pelo menos duas semanas após seu término.

A hepatite A também pode ser transmitida durante a atividade sexual. A vacinação é uma medida de prevenção, e homens que fazem sexo com homens estão entre os grupos para os quais a vacina é recomendada.

Ver também

Referências

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Ligações externas