Acólito

 Nota: Não confundir com Acóluto (um título no Império Bizantino), nem com Acrólito (um tipo de estátua na Antiguidade Clássica).

Acólito é um auxiliar ou seguidor que presta assistência ao celebrante em um serviço religioso ou procissão. Em muitas denominações cristãs, acólito é qualquer pessoa que desempenha funções cerimoniais, como acender as velas do altar. Em outras, o termo é utilizado para designar alguém que foi instituído em um ministério litúrgico específico, mesmo quando não está exercendo essas funções. A palavra vem do grego antigo ἀκόλουθος (akólouthos), que significa "seguidor" ou "assistente". Em português, especialmente no Brasil, acólitos não instituídos, quando jovens, são popularmente chamados de coroinhas, embora esse termo não apareça em documentos litúrgicos oficiais. Na Igreja Católica, o acólito pode ser um ministro instituído (um ministério formal conferido pelo bispo) ou um acólito não instituído, que desempenha funções litúrgicas sem instituição formal. Em outras denominações cristãs, como as igrejas Ortodoxa, Anglicana e Luterana, há papéis semelhantes, muitas vezes chamados de altar servers (servidores do altar) ou ministrantes.

The Acolyte, pintura de Abraham Solomon, 1842, retratando um acólito em serviço litúrgico.

História

O papel do acólito tem raízes antigas no Cristianismo. Na Igreja primitiva, os acólitos eram responsáveis por tarefas como levar as oferendas ao altar e assistir o clero durante a Eucaristia. Até o Concílio Vaticano II (1962–1965), o acólito era uma das quatro Ordens menores da Igreja Católica, junto com ostiário, leitor e exorcista. Essas ordens eram etapas preparatórias para o sacerdócio. Em 1972, o Papa Paulo VI, por meio da carta apostólica Ministeria quaedam, reformou as ordens menores, transformando os ministérios de leitor e acólito em ministérios instituídos, acessíveis a leigos e não mais exclusivos para candidatos ao sacerdócio.

Na Idade Média, os acólitos, muitas vezes chamados de ministrantes ou messdiener (termo alemão para "servidores da missa"), eram frequentemente jovens em formação para o clero. Após o Concílio de Trento (1545–1563), o papel continuou associado à preparação sacerdotal, mas com o tempo, especialmente após o Vaticano II, tornou-se mais comum a participação de leigos, incluindo mulheres, a partir de 1994, e formalmente autorizada pelo Papa Francisco em 2021, com o motu proprio Spiritus Domini.

Funções na Igreja Católica

Os acólitos têm papéis variados, dependendo se são instituídos ou não, e do tipo de celebração litúrgica. Suas funções incluem:

Acólito Instituído

O acólito instituído é um leigo (homem, conforme a legislação até 2021, mas agora também mulheres em algumas dioceses) que recebe um rito formal de instituição pelo bispo. Suas funções incluem:

Os acólitos instituídos são comuns entre seminaristas, mas também podem ser leigos que desejam servir a Igreja de forma mais formal.

Acólito Não Instituído

Os acólitos não instituídos, frequentemente jovens chamados de coroinhas no Brasil, desempenham funções mais simples, como:

Messdiener, entre eles o futuro Papa João Paulo II (sentado, segundo da esquerda), em uma foto histórica.

Cerimoniário

O cerimoniário é um ministro litúrgico especializado, responsável por organizar e dirigir as celebrações, especialmente as mais complexas, como as missas pontificais. Não é tecnicamente um acólito, mas pode ser desempenhado por um acólito instituído ou não, desde que tenha conhecimento litúrgico suficiente. Suas funções incluem:

O cerimoniário veste batina e sobrepeliz ou alva com cíngulo, dependendo da diocese.

Vestes Litúrgicas

Os acólitos geralmente usam:

Acólitos em uma procissão de Corpo de Deus (Fronleichnam), vestindo alvas e cíngulos.

Acólitos em Outras Denominações Cristãs

Acólitos Famosos

Estátua de São Tarcísio, padroeiro dos acólitos, em Paris.

Organização e Formação

Na Igreja Católica, os acólitos, especialmente os não instituídos, são frequentemente crianças ou jovens que receberam a Primeira Comunhão. Passam por uma formação básica para aprender os ritos, as cores litúrgicas e os símbolos da liturgia. Em algumas dioceses, há cursos para cerimoniários, que podem incluir exames.

Na Alemanha, em 2021, havia cerca de 360.000 acólitos (53% mulheres), com números variando entre dioceses (de 403 em Görlitz a 44.645 em Münster). Na Áustria, estima-se 50.000 acólitos. Muitas paróquias organizam grupos de acólitos, com atividades como passeios, retiros e participação em eventos como a Wallfahrt (peregrinação de acólitos) a Roma.

Ver também

Referências

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  2. ↑ «Francis changes Catholic Church law: women explicitly allowed as lectors, altar servers». National Catholic Reporter. 11 de janeiro de 2021. Consultado em 23 de maio de 2025
  3. ↑ «General Instruction of the Roman Missal» (PDF). Liturgy Office UK. Consultado em 23 de maio de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 15 de abril de 2026
  4. ↑ «Redemptionis Sacramentum». Vaticano. Consultado em 23 de maio de 2025. Cópia arquivada em 7 de fevereiro de 2026
  5. ↑ «General Instruction of the Roman Missal» (PDF). Liturgy Office UK. Consultado em 23 de maio de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 15 de abril de 2026
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  8. ↑ «Altar server». OrthodoxWiki. Consultado em 23 de maio de 2025
  9. ↑ «The Duties of Acolytes». Concordia Publishing House. Consultado em 23 de maio de 2025. Cópia arquivada em 8 de dezembro de 2025
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  11. ↑ «The Woodlands United Methodist Church: What is an Acolyte?». Consultado em 23 de maio de 2025
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  14. ↑ «Acólitos de Portugal». Consultado em 23 de maio de 2025
  15. ↑ Lesage, Robert (2024). Dizionario di liturgia romana. [S.l.]: EffediEffe. ISBN 978-88-85742-80-2
  16. ↑ «Trotz Corona: Messdiener-Zahlen in Deutschland bleiben stabil». Kirche und Leben. 19 de agosto de 2021. Consultado em 23 de maio de 2025. Cópia arquivada em 18 de janeiro de 2026

Ligações externas

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