Cova do Milodonte Cueva del Milodón | |
|---|---|
| Entrada da caverna principal com réplica do milodonte | |
| Localização atual | |
| Localização da Cova do Milodonte no Chile | |
| Coordenadas | 51° 33′ 56″ S, 72° 37′ 11″ O |
| País | |
| Região | Região de Magalhães e da Antártica Chilena |
| Comuna | Puerto Natales |
| Área | 1 890 000 m² |
| Dados históricos | |
| Período/era | Pleistoceno tardio |
| Notas | |
| Escavações | 1899 |
| Arqueólogos | Erland Nordenskiöld |
| Acesso público | |
| Site | https://cuevadelmilodon.cl/ |
| Notas | Declarado Monumento Natural em 1993 |
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A Cova do Milodonte (em castelhano: Cueva del Milodón) é um complexo de cavernas naturais localizado na Região de Magalhães e da Antártica Chilena, no sul do Chile, cerca de 24 quilômetros ao noroeste da cidade de Puerto Natales. O sítio é mundialmente conhecido pela descoberta, em 1895, de restos preservados de um milodonte (Mylodon darwinii), uma preguiça-gigante extinta que viveu durante o Pleistoceno.
O local foi declarado Monumento Natural em 1993 e é administrado pela Corporação Nacional Florestal (CONAF), sendo uma das principais atrações turísticas da Patagônia chilena.
A caverna foi descoberta em 1895 pelo colono alemão Hermann Eberhard, que encontrou um grande pedaço de pele coberto de pelos e fragmentos ósseos de um animal desconhecido. O material estava notavelmente bem preservado, com pelos grossos e tecidos orgânicos intactos, levando inicialmente à especulação de que o animal poderia ter vivido em tempos recentes ou até mesmo ainda estar vivo na região.
A notícia da descoberta atraiu a atenção internacional e motivou várias expedições científicas à região. Em 1899, o naturalista sueco Erland Nordenskiöld realizou escavações sistemáticas no local, recuperando mais restos de milodonte, além de ossadas de outros animais extintos como o tigre-dentes-de-sabre (Smilodon), cavalos pré-históricos e o tatu-gigante (Doedicurus). Uma expedição britânica organizada pelo jornal Daily Telegraph, liderada por Hesketh Prichard, chegou a tentar encontrar exemplares vivos do animal, sem sucesso.
Pesquisas arqueológicas posteriores revelaram que a caverna também foi ocupada por grupos humanos há aproximadamente 10 mil anos, no final do Pleistoceno e início do Holoceno. Foram encontrados artefatos líticos, restos de fogueiras e ossos de animais com marcas de corte, indicando atividades de caça e processamento de alimentos.
A relação temporal entre a presença humana e a extinção da megafauna na região continua sendo objeto de debate científico, embora evidências sugiram que os humanos coexistiram com os últimos milodontes e outros grandes mamíferos.
O complexo é formado por três cavernas principais esculpidas pela erosão em rochas sedimentares do Cretáceo. A maior delas, conhecida como Caverna Principal ou Cueva Grande, tem aproximadamente 30 metros de altura, 80 metros de largura e 200 metros de profundidade.
As condições ambientais secas e frias da região contribuíram para a preservação excepcional dos materiais orgânicos encontrados no local, incluindo pele, pelos e até fezes fossilizadas (coprólitos) de milodonte.
Além do milodonte, a caverna preservou restos de diversos outros animais da megafauna pleistocênica, incluindo:
A área foi declarada Monumento Histórico em 1968 pelo Ministério da Educação do Chile e posteriormente elevada a Monumento Natural Cueva del Milodón em 1993, sendo incorporada ao Sistema Nacional de Áreas Silvestres Protegidas do Estado (SNASPE), abrangendo 189 hectares. O local conta com infraestrutura para visitação, incluindo passarelas, centro de interpretação e uma réplica em tamanho natural do milodonte na entrada da caverna principal, construída em 1978 por Harold Krusell.
O sítio recebe milhares de visitantes anualmente, sendo um dos principais pontos turísticos da rota para o Parque Nacional Torres del Paine. O ingresso ao monumento natural é pago e pode ser adquirido antecipadamente através do sistema PasesParques.
A Cova do Milodonte representa um dos sítios paleontológicos mais importantes da América do Sul para o estudo da megafauna extinta e dos primeiros povos da Patagônia. A preservação excepcional dos materiais permitiu análises detalhadas sobre a biologia, ecologia e extinção desses animais, contribuindo significativamente para a compreensão das mudanças ambientais do final do Pleistoceno.