Crase

 Nota: Este artigo é sobre o fenômeno. Se procura pelo acento da fusão, veja Acento grave.

Crase é um dos metaplasmos por supressão de fonemas a que as palavras podem estar sujeitas à medida que uma língua evolui.[necessário esclarecer]

Neste caso, há a fusão de dois fonemas vocálicos idênticos e seguidos em um só.


Exemplos: {2}

No português atual:

A crase

O termo crase significa fusão, junção. Em português, a crase é o nome que se dá à contração da preposição "a" com:

Obs.: Nunca haverá crase no termo a que, mesmo quando puder ser substituído por à qual. Ex.: A questão a que me refiro é esta. (A questão à qual me refiro é esta.) Quando à que é correto: Ouvimos uma voz igual à que o monstro enjaulado soltava. O "à", neste caso, é preposição com o pronome demonstrativo "a". (À que = àquela que.)

O sinal que indica a fusão, que indica ter havido crase de dois aa, é o acento grave.

Obs.: As palavras terra e casa são casos especiais de crase. A preposição "a" antes da palavra casa (lar) só recebe o acento grave quando vier acompanhada de um modificador, caso contrário não ocorre a crase. Já com a palavra terra (chão firme, oposto a bordo) só ocorre crase quando vier acompanhada de um modificador — da mesma maneira que existe a expressão "a bordo", enquanto que com a palavra terra (terra natal ou planeta) sempre ocorre crase.

Exemplos:

Chegamos cedo a casa (também "em casa").
Chegamos cedo à casa de meu pai.
Metaplasmos
Por adição de sons:
Prótese
Aglutinação
Epêntese
Anaptixe
Paragoge
Por supressão de sons:
Aférese
Deglutinação
Síncope
Haplologia
Apócope
Crase
Por modificação de sons:
Por transposição:
Metátese
Hipértese
Hiperbibasmo
Por transformação:
Apofonia
Assibilação
Assimilação
Desnasalização
Dissimilação
Ditongação
Fortição
Lenição
Metafonia
Monotongação
Nasalização
Palatalização
Sonorização
Os jangadeiros voltaram a terra.
Os jangadeiros chegaram à terra procurada.
Ele voltou à terra dos avós.

Regras de verificação

Para saber se a crase é aplicável, ou seja, se deve ser usada a contração à (com acento grave) em vez da preposição a (sem acento), aplique-se uma das regras de verificação:

1) Substitui-se a preposição a por outra preposição, como em ou para; se, com a substituição, o artigo definido a permanecer, então a crase é aplicável.

Exemplos:

Pedro viajou à Região Nordeste.

Com crase, porque equivale a Pedro viajou para a Região Nordeste.

Pedro viajou a Uberaba.

Sem crase, porque equivale a Pedro viajou para Uberaba.

2) Troca-se o complemento nominal, após "a", de um substantivo feminino para um substantivo masculino; se, com a troca, for necessário o uso da combinação ao, então a crase é aplicável.

Exemplos:

Prestou relevantes serviços à comunidade.

Com crase, porque ao se trocar o complemento — Prestou relevantes serviços ao povo — aparece a combinação ao.

Chegarei daqui a uma hora

Sem crase, porque ao se trocar o complemento — Chegarei daqui a um minuto — não aparece a combinação ao.

3) Quando se refere a locais para onde se dirige o sujeito, faz-se a pergunta inversa, a fim de se verificar se há ou não a necessidade do uso da crase. Essa regra pode ser definida pela frase: "SE VENHO DA.... CRASE HÁ; SE VENHO DE..., CRASE PRA QUE?".

Exemplos:

"Eu vou à Europa no próximo mês" (para se confirmar a necessidade ou não do uso da crase, fazemos a pergunta inversa: eu venho da Europa ou eu venho de Europa? Como a expressão correta é "eu venho da Europa", segue-se a necessidade do uso da crase).

"Eu vou a Paris, no próximo". (fazendo-se a pergunta inversa, temos: "eu venho da Paris ou eu venho de Paris?") Como a expressão correta, nesse caso (que inclusive soa bem ao ser expressa), é eu venho de Paris, então se conclui que não há necessidade do uso da crase.

Obs.: a crase não ocorre antes de palavras masculinas; antes de verbos, de pronomes pessoais, de nomes de cidade que não utilizam o artigo feminino, da palavra casa quando tem significado do próprio lar, da palavra terra quando tem sentido de solo e de expressões com palavras repetidas (dia a dia).

Crase facultativa

A crase é facultativa nos seguintes casos:

Antes de nome próprio feminino:

Refiro-me à (a) Luciana.
Se o nome estiver qualificado, a crase será obrigatória. Exemplo: O prêmio Nobel da paz foi dado à bela Beatriz.
Em referência a pessoas com quem não se tem intimidade, a crase é proibida. Exemplo: Fizemos homenagem a Anita Garibaldi.

Antes de pronome possessivo feminino no singular (minha, tua, sua, dela, nossa e vossa), desde que seja pronome adjetivo:

Dirija-se à (a) sua fazenda.
Exceções:
1) A crase será obrigatória se este for um pronome possessivo substantivo. Exemplo: Dê mais valor à sua presença do que à minha.
2) Com pronomes possessivos no plural, não se trata de uma escolha entre as/às, mas sim de uma simples preposição (a) ou sua combinação com o artigo no plural (às): Juntamos a fotografia a/às suas notas.

Depois da preposição até:

Dirija-se até à (a) porta.
A palavra 'até' pode ser usada como palavra denotativa de inclusão - sinônima de também, mesmo ou inclusive - situação em que NÃO possui a variante 'até a'.
Exemplo: Conheço até os filmes antigos.

Casos proibidos

Tendo por princípio basilar que a palavra "à" é o feminino de "ao", não existe crase onde também não cabe o uso de "ao". Portanto, nas seguintes situações:

Antes de verbos no infinitivo:

Preços a combinar.

Antes de substantivos masculinos, salvo no já supracitado caso de estar subentendida a expressão "à moda de":

Passear a cavalo

Antes de artigos indefinidos:

Redirecionar a uma página

Antes de numerais, exceto horas:

De 10 a 100
Encontramos o produto numa faixa de preço que vai de R$120,00 a R$ 150,00.
O caminho vai de 20 a 30 quilômetros até o lugarejo.

Antes de plural sem o emprego do artigo definido "as", no sentido genérico:

a brilhantes psicólogas
a soluções
Exceção: Quando tomados em sentido específico, são precedidos do artigo as e admitem a crase: às rigorosas análises, às reivindicações

Após o uso de preposições:

Ante a descoberta o cientista gritou.
Após a voz de prisão o bandido entregou os comparsas.
Contra a ação do governo, João realizou um protesto.

Mas: Caminhamos até à (a) casa. (no caso específico de "até", a crase é facultativa)

Antes de pronomes pessoais, relativos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos, possessivos masculinos e de tratamento (com exceção de senhora, senhorita):

Entregue o relatório a ela. (Pessoal)
Informei o novo horário a esse cliente. (Demonstrativo)
Ele é meu amigo, a quem sempre obedeço. (Relativo)
Jamais devi dinheiro a ninguém. (Indefinido)
A quem você será fiel? (Interrogativo)
Enviei dois ofícios a Vossa Senhoria. (Tratamento)

Obs.: Em pronomes demonstrativos aquele, aqueloutro (não mui corrente)... pode haver crase:

Mas: Voltei a (à) minha cidade natal. (No caso dos pronomes possessivos, a crase é facultativa))

Entreguei as chaves àquela mulher. (Demonstrativo)

Entre substantivos repetidos:

Dosava a medicação gota a gota
Os adversários estavam cara a cara.

Antes de topônimos de cidades que não admitem "a":

Vou a Salvador.
Vou a Lisboa.
Vou a Madri.

Obs.: substituir por "Fui à" ou "Vim da" (craseia-se) — "Fui a" ou "Vim de" (não se craseia).

Vou a Brasília.

Fui a Brasília. Vim de Brasília. (Não há crase)

Vou à Bahia.

Fui à Bahia. Vim da Bahia. (Há crase)

À exceção de: Quando o lugar está determinado com um adjunto adnominal, assim como ocorre com "casa" e "terra", a crase é obrigatória em topônimos que não admitem artigo

Vou à Lisboa dos poetas.
Vou à Brasília de Oscar Niemeyer.

Referências

  1. ↑ Thaís Nicoleti de Camargo (25 de fevereiro de 2005). «Crase não ocorre antes de artigos indefinidos». UOL. Consultado em 28 de setembro de 2020

Ligações externas

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