Reco-reco

Reco-reco
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Informações
ClassificaçãoIdiofone

Reco-reco ou dicanza (em quicuio: (ku)kanzana), também conhecido no Brasil por: raspador, caracaxá ou querequexé, e em Portugal por: reque-reque ou raspadeira, é um termo genérico que indica os idiofones cujo som é produzido por raspagem.

A sua origem é incerta, sendo que as evidências arqueológicas mais antigas do instrumento remontam a cerca de 25 000 anos, na Idade da Pedra. Já a sua presença no mundo lusófono terá origem africana congolesa, tendo sido importado para o Brasil através do tráfico negreiro. A sua presença em Portugal é debatida, sendo incerto se terá sido introduzido simultaneamente com o Brasil, ou se de forma indireta.

Há dois tipos básicos de reco-reco: os de madeira, de origem angolana; e os de aço, de origem brasileira. O reco-reco de madeira é muito comum em estilos de música latino-americanos como a cumbia e a salsa.

Em Angola

Este intrumento é conhecido em Angola por dicanza e é tipicamente feito a partir de um gomo de bambu ou uma pequena ripa de madeira com talhos transversais.

A presença deste instrumento na música contemporânea angolana pode ser observada através da obra de Euclides Fontes Pereira, mais conhecido por "Fontinhas", antigo percussionista dos N'gola Ritmos, falecido em 2013 e considerado um dos maiores especialistas de dicanza. Outros artistas, como Bonga e Yuri da Cunha, também recorrem ao instrumento nas suas gravações.

No Brasil

Antiga gravura de músicos com reco-reco e pandeiro

No Brasil, o tipo mais popular de reco-reco é o de aço. É comumente utilizado em grupos de samba/pagode ou em baterias de samba-enredo. Alguns autores atribuem a sua invenção, ou ao menos seu aperfeiçoamento para a forma atual, ao popular músico e humorista Mussum, que possuía formação em técnico de mecânica e o introduziu no grupo de que fazia parte, os Originais do Samba.

O reco-reco de aço consiste numa caixa de metal com duas ou três molas de aço esticadas sobre o tampo, contra as quais é friccionada uma baqueta de metal. Nesse modelo, é possível utilizar-se da reverberação prolongada nas molas após a fricção ou abafá-las com a mão que segura a caixa. Em alguns modelos, a caixa possui um orifício inferior, permitindo que o instrumentista altere a reverberação interna ao tampar e destampar o orifício, de forma semelhante ao que é feito com a cabaça de um berimbau.

Em Portugal

Reque-reque minhoto em exposição no Musical Instrument Museum (Phoenix)

Em Portugal, o instrumento apresenta difusão restrita, ocorrendo apenas na Madeira e no Minho.

No Minho, dividem-se em dois tipos: os reque-reques feitos em cana e os feitos em madeira maciça, sendo os primeiros o tipo mais comum na região. Os do segundo tipo encontram-se em Guimarães, Braga, Barcelos e Esposende, e são ornamentados de forma a assemelharem-se a figuras humanas ou animais.

Na Madeira, o instrumento é quase sempre feito de cana-vieira, com a particularidade de se usar uma "cana rachada" para raspar, o que lhe confere um tom mais reverberante do que a variante continental.

Referências

  1. 1 2 «Dicanza». Infopédia
  2. ↑ ROCCA, Edgar Nunes "Bituca", Escola Brasileira de Música: Uma visão Brasileira no ensino da música e seus instrumentos de percussão 1. Rio de Janeiro: Europa, EBM, 1986
  3. ↑ «Reco-reco — Universidade Federal da Paraíba - UFPB Laboratório de Estudos Etnomusicológicos - LABEET». www.ccta.ufpb.br. Consultado em 28 de agosto de 2022 [ligação inativa]
  4. ↑ Stasi, Carlos (1998). Representations of musical scrapers: the disjuncture between simple and complex in the study of a percussion instrument (Doctoral dissertation). University of Natal in Durban: [s.n.] p. 55
  5. ↑ Veiga de Oliveira, Ernesto (1975). Instrumentos musicais populares portugueses. Viseu: Eden Gráfico, Lda. p. 21
  6. ↑ «O toque da dikanza». Jornal de Angola. 24 de julho de 2013. Consultado em 28 de abril de 2014
  7. ↑ «Restos mortais de "Fontinhas" foram a enterrar no Alto das Cruzes». ANGOP. 1 de julho de 2013. Consultado em 28 de abril de 2014
  8. ↑ Barreto, Juliano (2014). Mussum Forévis: samba, mé e trapalhões. Rio de Janeiro: Leya
  9. ↑ Veiga de Oliveira, Ernesto (1975). Instrumentos musicais populares portugueses. Viseu: Eden Gráfico, Lda. p. 21
  10. ↑ «Reque-Reque». Construir Sons. Episódio 1. 9 de Julho de 2026. RTP Madeira. Consultado em 8 de Agosto de 2026

Ligações externas

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