| Djanira | |
|---|---|
| Nome completo | Djanira da Motta e Silva |
| Nascimento | 20 de junho de 1914 |
| Morte | |
| Nacionalidade | brasileira |
| Ocupação | pintora, desenhista, ilustradora, cenógrafa, gravador |
| Movimento estético | modernismo |
Djanira ou Djanira da Motta e Silva (Avaré, 20 de junho de 1914 — Rio de Janeiro, 31 de maio de 1979), foi uma pintora, desenhista, ilustradora, cartazista , cenógrafa e gravadora brasileira. Ela é conhecida por obras que retratam o cotidiano, os costumes e rituais comumente associados à cultura brasileira.
Djanira gostava de mergulhar no tema das suas obras e comumente vivia a realidade das pessoas, dos seus ofícios e das suas crenças. Ela representou, por exemplo, mineiros de carvão de Santa Catarina, a extração de ferro em Minas Gerais, os indígenas Canela, do Maranhão representando e documentando o que via em suas viagens pelo país. Sua presença internacional, como sua passagem pelos Estados Unidos entre os anos de 1945-47, trouxe a representação cotidiana daquelas pessoas, vista em obras importantes como Patinadores, 1945 e Central Park, 1945, além de uma profunda transformação estética em suas obras posteriores ao período.
Por sua origem social e seu modo de fazer artístico, Djanira foi considerada artista popular, autodidata , por vezes, artista ingênua, e interpretada poeticamente por Jorge Amado a própria terra que representa, fazendo referência a como a pintora projetou sua vivência permeada por diferentes enfrentamentos ligados ao gênero e classe social em seus quadros, valendo-se do próprio povo brasileiro e suas atividades laborais para isso. Apesar de suas principais obras serem em tela, ela experimentou em vários suportes artísticos diferentes durante sua vida, como o bordado, a música e a poesia.
Djanira nasceu em Avaré, interior do estado de São Paulo, filha do dentista Oscar Paiva e Pia Job Paiva, em 20 de julho de 1914. Ela era neta de guaranis, por parte de pai, e de austríacos, por parte de mãe. Foi registrada inicialmente como Dijanira e que mais tarde retificado pela artista em ação judicial. Seus familiares a tratavam como Dja.
As mudanças na vida de Djanira começaram aos dois anos de idade, com a ida de seus pais para Porto União. Algum tempo depois, Maria Pia e Oscar se separaram; Maria retornou a Avaré, deixando Djanira sob os cuidados de sua avó materna Lídia Matoso em Porto União onde permaneceu até os 14 anos. Na cidade, viveu em ambiente rural, chegando a trabalhar em lavouras de café com sua família, além de cuidar dos afazeres domésticos.
Ainda adolescente, Djanira se mudou para Avaré passando a morar com sua tia Helda. Dois anos depois foi para São Paulo, onde viveu em um quarto alugado na Avenida São João e trabalhou em diversos serviços como vendedora ambulante, corretora e limpou máquinas de fábricas. Aos dezoito anos, em Santos, conheceu seu primeiro marido, Bartolomeu Gomes Pereira, um oficial da Marinha Mercante com o quem se casou em 1932 e passou a se chamar Djanira Gomes Pereira. Após o casamento, os dois se mudaram para o Rio de Janeiro.

Aos 23 anos, Djanira contraiu tuberculose pulmonar e, em 1937, foi internada no Sanatório Ruy Dória, em São José dos Campos. Como desafio pessoal, a futura pintora reproduziu um quadro de Um Cristo no Golgotá pendurado em uma das paredes da secretaria do hospital que, segundo ela, achava "feio" e conseguiria fazer melhor. Nessa brincadeira, Djanira viu-se completamente envolvida pela atividade do desenho, desenvolvendo sua técnica nos anos seguintes, o que resultaria em suas pinturas.
Já em 1939, após receber alta hospitalar, ela voltou para o Rio de Janeiro passando a residir no bairro de Santa Teresa, a partir de uma recomendação médica, pois acreditava-se que a região possuía melhor qualidade do ar. Lá, como uma solução para incrementar sua renda, alugou uma casa na Rua Mauá, onde instalou uma pensão, a chamada Pensão Mauá.
Em 1940, Djanira alugou quartos para diversos artistas e intelectuais, entre eles o pintor romeno Emeric Marcier. Eles fecharam um acordo de permuta e Djanira começou a ter aulas de pintura com ele, e depois passou a frequentar curso noturno de desenho de figuras de gesso no Liceu de Artes e Ofícios. Marcier, contudo, afirmou em depoimentos aos críticos de arte, não ter oferecido aulas a Djanira e apenas a estimulou a seguir pintando.
Nessa época, o bairro era conhecido por ter muitos frequentadores do meio artístico. Djanira teve contato e ficou amiga de muitas pessoas, que viraram frequentadores da pensão. Destacam-se os artistas Carlos Scliar, Árpád Szenes, Maria Helena Vieira da Silva,e Jean-Pierre Chabloz e o crítico de arte Rubem Navarra. Moraram na pensão, ainda, o mineiro Inamá de Paula, Manuel Bandeira e Milton Dacosta, com quem Djanira se relacionou por um curto tempo.
O contato com essas pessoas proporcionou um ambiente estimulador que a levou a expor no 48º Salão Nacional de Belas Artes, em 1942. No final do ano, Djanira ficou viúva. O marido foi um dos cinco mortos no torpedeamento do navio Apaloide por um submarino alemão nas Antilhas.
Ainda que a morte de seu marido pudesse parecer algo definidor em sua trajetória, Djanira continuou sua produção artística com incentivo de seus colegas artistas. Em 1943, Djanira realizou sua primeira mostra individual, na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), após uma viagem para o interior de Minas Gerais. Ainda em 1943, ela expôs no Salão Nacional de Belas Artes.
Em 1944, ela foi escolhida por pares para expor suas obras na Mostra de Pintores Brasileiros, em Londres. A mostra era um esforço de guerra em favor da RAF. Segundo o catálogo da exposição, que aconteceu no ano seguinte, contou com 63 artistas, entre eles seus colegas Emeric Marcier, Maria Helena Vieira da Silva, Heitor dos Prazeres, Portinari e Milton Dacosta.
A carreira de Djanira começou a tomar um novo rumo a partir da sua estada nos Estados Unidos. Em 1945, viaja para Nova York, onde conhece a obra de Pieter Bruegel e entra em contato com Fernand Léger, Joan Miró e Marc Chagall. Retornou ao Brasil somente três anos depois, e realizou o mural Candomblé para a residência do escritor Jorge Amado, em Salvador, e o painel História de Petrópolis, 1953 para o Liceu Municipal de Petrópolis. Entre 1953 e 1954, viajou a estudo para a União Soviética.

A sua pintura dos anos 40 geralmente utiliza tons rebaixados, como cinza, marrom e negro, mas já apresenta o gosto pela simplificação das formas. Na década seguinte, sua palheta se diversificou, com uso de cores vibrantes, e em algumas obras trabalhou com gradações tonais que vão do branco ao cinza claro.
As transformações em sua obra podem ser observadas na década de 1950, após sua estadia na Bahia. Lá ela conheceu José Shaw da Motta e Silva, o Motinha, funcionário público nascido em Salvador em 29 de janeiro de 1920. Com ele se casou no Rio de Janeiro em 15 de maio de 1952 e mudou o seu nome para Djanira da Motta e Silva. Em 1955, Djanira venceu o concurso Cristo Negro, com a obra Cristo na Coluna, 1955. O evento, duramente criticado pela imprensa na época, foi idealizado por Guerreiro Ramos, promovido pelo Teatro Experimental do Negro (TEN) e fazia parte do projeto do Museu de Arte Negra, concebido por Abdias Nascimento.
Nessa época, produziu o quadro Caboclinhos, 1952 conquistando o Prêmio de Viagem ao País no Salão de Arte Moderna do mesmo ano. A temática do quadro voltou-se aos tocadores de flauta típicos do nordeste brasileiro, muito atuantes principalmente na época do Carnaval. O quadro representa, ainda, o período de viagens de Djanira pelo país.
Em 1960, após convivência de seis meses, pintou os indígenas Canela, do Maranhão. Outra importante pintura desse período é Estudo para Índia Canela do Maranhão, 1960, onde a artista explorou o uso dos ocres e amarelos, apresentando um fundo geométrico e a simplificação de formas, configurando-se ainda como pintora figurativa.
Na década de 1960, Djanira passou a morar na cidade de Paraty, estado do Rio de Janeiro. Ela morou numa casa ao lado da Igreja Nossa Senhora das Dores (Capelinha) e representou a Festa do Divino, 1962 da cidade em uma das suas obras que iria compor o acervo do Palácio do Governo de São Paulo. O quadro foi pintado em Paraty e transportado para a cidade de São Paulo no caminhão de um comerciante local, Antonio Francino Santana, que se sentiu muito honrado com a nobre tarefa. A obra retrata a festa com bandeiras vermelhas com a pomba do espírito, tronos, mastros e banquetes e a a coroação do Imperador do Divino. A festa, que hoje é reconhecida como Patrimônio Imaterial Brasileiro, é realizada no dia de Pentecostes e celebra a descida do Espírito Santo sobre Maria e os Apóstolos de Cristo.

De volta ao Rio de Janeiro, tornou-se uma das líderes do movimento pelo Salão Preto e Branco, um protesto de artistas contra os altos preços do material para pintura. Na década de 1960, voltou-se à produção de painéis - iniciando uma série de encomendas que começaria a receber. Entre os mais famosos, destacam-se os quadros que ornamentam o Palácio do Planalto; Orixás, 1962; Praia do Nordeste, 1962 e Bananal de Parati, 1962.
Realizou em 1963, o painel de azulejos Santa Bárbara e os operários, para a capela do túnel Santa Bárbara, Laranjeiras, Rio de Janeiro. No ano de 1966, a editora Cultrix publica um álbum com poemas e serigrafias de sua autoria. Em 1977, o Museu Nacional de Belas Artes, realizou uma grande retrospectiva de sua obra.
Na década de 1970, desceu às minas de carvão de Santa Catarina para sentir de perto a vida dos mineiros e viajou a para Itabira para conhecer o serviço de extração de ferro. O resultado de sua observação pode ser percebido nos quadros Mineiros de Carvão, 1974 bem como o famoso Trabalhadores de cal, 1974. A última obra apresenta a geometrização do espaço com o uso dos cinzas e brancos com foco voltado aos olhares dos personagens, ressaltando o trabalhador como foco de sua produção artística.
Djanira trabalhou ainda com xilogravura, gravura em metal, e faz desenhos para tapeçaria e azulejaria. Inicialmente nomeada como “primitiva”, gradualmente sua obra alcança maior reconhecimento da crítica. Como aponta o crítico de arte Mário Pedrosa (1900-1981), Djanira é uma artista que não improvisa, não se deixa arrebatar, e, embora possuam uma aparência ingênua e instintiva, seus trabalhos são consequência de cuidadosa elaboração para chegar à solução final.
O prefeito Fernando Cruz Pimentel, decretou luto oficial por três dias em homenagem póstuma a Djanira da Motta e Silva, falecida em 31 de maio de 1979 (quinta-feira) às 11h25 min., no Hospital Silvestre, no Rio de Janeiro, vítima de enfarte. Contava com 65 anos. Seu médico particular era Dr. Nataliel Rodrigues.
A pintora manifestou em vida o desejo de ser enterrada descalça e com o hábito de irmã da Ordem Terceira do Carmo, instituição religiosa a que estava ligada nos últimos anos. Ela se tornou freira da Ordem das Carmelitas em 1972.
Em sua memória, é criado em 31 de maio de 2000 o Centro Cultural Djanira da Motta, pelo prefeito em exercício Joselyr Benedito Silvestre, instalado em meio a um bosque na área urbana, onde funcionou no passado a estatal agrícola CAIC. O local recebeu o nome da pintora Djanira, significando o tributo do município de Avaré à “maior artista avareense de todos os tempos”, cujas telas ficaram mundialmente conhecidas por retratarem de forma genuína as cores do Brasil. O espaço abriga a Biblioteca Municipal “Prof. Francisco Rodrigues dos Santos”.
No mesmo local foi criado em 2 de abril de 2008 o Memorial Djanira da Motta e Silva mostra de objetos pessoais, obras e material de referência.
| Nome | Data |
|---|---|
| Retrato | 1942 |
| Auto-retrato | 1944 |
| O Circo | |
| Costureira | 1951 |
| Caboclinhos | 1952 |
| Cristo na Coluna | 1955 |
| Cartaz da peça "Orfeu da Conceição" | 1956 |
| Candomblé | 1957 |
| Fazenda de Chá no Itacolomi | 1958 |
| Três Orixás | 1966 |
| Trabalhador de Cal | 1974 |
| Mineiros de Carvão | |
| Futebol Fla-flu | 1975 |
| Mina de Ferro (série) | 1976 |