Emilie Snethlage

Henriette Mathilde Maria Elisabeth Emilie Snethlage
Em 1906.
Conhecido(a) porornitologia da Amazônia
Nascimento
Gransee-Kraaz, distrito de Brandenburgo, Alemanha
Morte
25 de novembro de 1929 (61 anos)

ResidênciaBrasil
NacionalidadeAlemanha
Alma materAlbert Ludwig University of Freiburg em Breisgau
PrêmiosAcademia Brasileira de Ciências
Carreira científica
Orientador(es)(as)Friedrich Weismann
InstituiçõesMuseu Paraense Emílio Goeldi
Campo(s)Biologia e ornitologia

Henriette Mathilde Maria Elisabeth Emilie Snethlage (Gransee-Kraaz, 13 de abril de 1868 – Porto Velho, 25 de novembro de 1929) foi uma ornitóloga e naturalista alemã, residente no Brasil, conhecida por seu trabalho com flora e fauna amazônica.

Biografia

Nascida em Kraatz (hoje parte de Gransee), mas originalmente parte da Prússia, província de Brandenburgo, de família luterana, perdeu a mãe com apenas 4 anos e recebeu educação em casa, através de seu pai, o reverendo Emil Snethlage.

Em 1900, após trabalhar como governanta por vários anos, ela decidiu estudar história natural na Universidade de Berlim. Tornou-se doutora (uma das primeiras mulheres a se graduar na Alemanha) em Filosofia Natural. Emilie foi aluna de dois expoentes do pensamento darwinista, que era forte nas ciências naturais na Alemanha nessa época: Ernest Haeckel (1834-1919) e Friedrich Weismann (1834-1914), este último tendo sido seu orientador de doutorado. e começou a trabalhar como assistente no Museu de História Natural de Berlim, antes de ser contratada por Emílio Goeldi para trabalhar no Museu de História Natural em Belém, por recomendação do professor Anton Reichenow, função esta que a levou para os lugares mais remotos da Amazônia.

Emilie foi diretora do Museu Paraense Emílio Goeldi após a morte do botânico Jacques Hüber, entre 1914 e 1922, uma das primeiras mulheres a ocupar um cargo de direção em uma instituição científica na América Latina. Escreveu o Catálogo das Aves Amazônicas (1914) onde, trabalhando com as coleções de aves da região amazônica do Museu Goeldi e com informações taxonômicas, biogeográficas e biológicas, ela ordenou sistematicamente todas as informações sobre o assunto às quais teve acesso até 1913, apresentando 1.117 espécies de aves amazônicas. Seu trabalho era marcado pela ênfase no trabalho de campo para a observação in situ de fauna e flora. Fez uma travessia a pé entre os rios Xingu e Tapajós, em 1909, acompanhada de guias indígenas, território até então desconhecido, trabalho de grande repercussão no meio científico internacional e levou à publicação de artigos de cunho etnográfico.

Única foto conhecida de Snethlage com cabelo solto, provavelmente década de 1920

Trabalhou como naturalista, em 1922, no Museu Nacional do Rio de Janeiro, tendo como colegas Bertha Lutz e Heloísa Alberto Torres. Pela instituição, Emilie fez longas viagens de pesquisa pelo Maranhão, Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso e Goiás (rio Araguaia, ilha do Bananal), do Paraná ao Rio Grande do Sul, Argentina e Uruguai.

Seu trabalho resultou em mais de 40 artigos publicados no Brasil e no exterior onde, além de apresentar importantes estudos biogeográficos sobre a avifauna brasileira, Emilie pode descrever cerca de sessenta espécies e subespécies de aves. Os espécimes coletados por ela estão hoje em diversas instituições brasileiras e estrangeiras.

Foi membro da Academia Brasileira de Ciências e da International Society of Woman Geographers. Teve trabalho e pioneirismo reconhecidos por diversos cientistas e até pelo ex-presidente norte-americano Theodore Roosevelt. O ornitólogo Helmut Sick dedicou a Emilie Snethlage o importante livro Ornitologia Brasileira, de 1985.

Falecimento

Sepultura de Snethlage em Porto Velho.

Emilie faleceu em Porto Velho, devido à insuficiência cardíaca, em 25 de novembro de 1929, e foi enterrada no cemitério dos Inocentes em Porto Velho, capital de Rondônia. Seu sobrinho era o etnólogo Emil Heinrich Snethlage. A ave Tiriba-do-madeira tem seu nome científico Pyrrhura snethlageae em sua homenagem.

Há um busto em sua homenagem no Memorial Rondon, às margens do Rio Madeira, em Porto Velho, instalado a mando do escritor Júlio Olivar, então presidente da Academia Rondoniense de Letras.

Publicações selecionadas

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 CNPq (ed.). «Pioneiras da Ciência no Brasil». CNPq. Consultado em 10 de dezembro de 2016
  2. 1 2 3 Marco Aurélio Crozariol (2025), «O último voo: documentos inéditos relativos ao falecimento e ao espólio de Emília Snethlage, 1868-1929», História, Ciências, Saúde-Manguinhos, ISSN 0104-5970, 32: 1-22, PMC 12091864Acessível livremente, PMID 40396857, doi:10.1590/S0104-59702025000100018, Wikidata Q134889570
  3. ↑ Wikimedia Foundation (ed.). «Tiriba-do-madeira». WikiAves. Consultado em 10 de dezembro de 2016
  4. ↑ OLIVAR, JÚLIO. «Na Semana Mundial do Meio Ambiente, uma homenagem a mulher que dedicou sua vida aos pássaros». Portal Amazônia. Consultado em 10 de outubro de 2021. Cópia arquivada em 13 de junho de 2021

Bibliografia

Ligações externas