A língua castelhana possui um conjunto de variedades faladas por todo o continente americano, desde a chegada e colonização espanholas desde finais do século XV e princípios do século XVI até à atualidade. Estas variedades, distintas do castelhano falado em Espanha e no resto do mundo, contam com cerca de 418 milhões de locutores, representando 90% dos falantes da língua.
O castelhano é o idioma oficial, de jure ou de facto, na Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela. É também oficial no Estado Livre Associado de Porto Rico. Todos estes territórios conformam a região designada América espanhola. No entanto, a língua é também falada noutros países americanos onde não possui caráter de oficialidade, como nos Estados Unidos, onde é o segundo idioma mais falado, e no Belize e Brasil.
As diferentes variedades da língua espanhola falada nas Américas são distintas umas das outras, bem como das variedades faladas na Península Ibérica, conhecidas coletivamente como espanhol peninsular e espanhol falado em outros lugares, como na África e na Ásia. Há uma grande diversidade entre os vários vernáculos americanos, e não há traços partilhados por todos eles que não existam também em uma ou mais variantes do espanhol usadas na Espanha. Um "padrão" americano, no entanto, varia do registro "padrão" castelhano usado na televisão e, notadamente, na indústria de dublagem. Dos mais de 498 milhões de pessoas que falam espanhol como língua nativa, mais de 455 milhões estão na América em 2022. A quantidade total de falantes nativos e não nativos de espanhol em outubro de 2022 ultrapassava 595 milhões.
Existem inúmeras particularidades regionais e expressões idiomáticas no espanhol. No espanhol americano, empréstimos diretamente do inglês são relativamente mais frequentes e muitas vezes a grafia estrangeira é deixada intacta. Uma tendência notável é a maior abundância de palavras emprestadas do inglês, bem como de palavras derivadas do mesmo idioma. Na América “computador" é computadora, enquanto a palavra usada na Espanha é ordenador, e cada palavra soa estrangeira na região onde não é usada. Algumas diferenças devem-se ao facto de o espanhol da Espanha ter uma influência francesa mais forte do que na América, onde, por razões geográficas, a influência dos Estados Unidos foi predominante ao longo do século XX.
A pronúncia varia de país para país e de região para região, assim como a pronúncia do português varia de um lugar para outro. Em termos gerais, o discurso das Américas apresenta muitas características comuns semelhantes às variantes do sul da Espanha, especialmente à Andaluzia ocidental (Sevilha, Cádiz) e às Ilhas Canárias. Os vernáculos das línguas costeiras em toda a América mostram semelhanças particularmente fortes com os padrões de fala atlântico-andaluz, enquanto as regiões do interior do México e dos países andinos não são semelhantes a nenhum dialeto específico da Espanha.
As principais famílias dialetais do espanhol americano são as seguintes:
| N.º | Dialeto regional | Locais | Influências |
|---|---|---|---|
| 1 | Espanhol andino | Região andina do Peru e Equador, oeste da Bolívia, sudoeste da Colômbia, noroeste da Argentina, norte do Chile | Dialetos espalhados pelos Andes que combinam elementos indígenas (mais notáveis nas áreas rurais) e de língua espanhola com base em Castela, Extremadura e, em menor medida,Andaluzia. Léxico rico em indigenismos (Quechuismos) e entonações geralmente baixas e lentas, constitui uma variedade de "terras altas". |
| 2 | Español caribenho | Cuba, Porto Rico, República Dominicana, Panamá, a maior parte da Venezuela, norte da Colômbia, sudeste do México | Dialetos das "planícies" que fariam parte das primeiras áreas de conquista e colonização pela Espanha, influência dos dialetos do sul da Espanha, particularmente da Andaluzia Ocidental e das Ilhas Canárias. Tem contribuições africanas e uma influência ameríndia muito pequena e limitada ao léxico. É caracterizada por uma entonação rápida e forte. |
| 3 | Espanhol centroamericano | Costa Rica, Nicarágua, Guatemala, El Salvador, Honduras, sudoeste do México e Belize | Diversas variedades de espanhol no subcontinente, influências caribenhas-andaluzas nas "planícies" costeiras e áreas do norte nas "terras altas", como Guatemala e Costa Rica. |
| 4 | Espanhol rioplatense | Pampas e região patagônica da Argentina e Uruguai | Principais dialetos da Argentina e do Uruguai (Río de la Plata) com um caso excepcional, influência de outra língua não nativa, o italiano (principalmente napolitano), muito notável na região dos Pampas argentinos ou Uruguai com notável influência no léxico, além das contribuições do sul da Espanha (Ilhas Canárias) e, em menor medida, do norte (Galiza). A influência do português do Brasil pode ser encontrada na entonação e no léxico. |
| 5 | Espanhol mexicano | México | Variações linguísticas no México com diferenças marcantes entre as áreas norte e centro-sul, esta última correspondendo às variedades de "terras altas". No centro-sul do país há uma importante influência de Castela, bem como, em menor medida, da Andaluzia e das Ilhas Canárias, enquanto no norte é influenciado por dialetos do norte da Espanha e pelo inglês dos Estados Unidos. A influência indígena é importante, especialmente Náhuatl. |
| 6 | Espanhol chileno | Chile, oeste da Argentina | Dialeto característico de quase todo o Chile e da zona fronteiriça com a Argentina (Cuyo), tem uma influência sulista marcada e total, da Extremadura e da Andaluzia, bem como influência indígena de diferentes povos (Quéchuas, Mapuches, etc.). Utiliza um tipo particular de voseo e sua entonação costuma ser percebida com diferenças na velocidade de fala e um léxico semelhante ao dos países vizinhos. |
| 7 | Espanhol paraguaio | Paraguai, nordeste da Argentina, Leste de Bolívia | Dialeto com uma importante influencia guarani. |
| 8 | Espanhol colombiano | Interior da Colômbia e Andes da Venezuela | Dialetos do interior da Colômbia e da regiões fronteiriças da Venezuela com a Colômbia, variedades das "terras altas" com certa influência castelhana do norte e contribuições do sul da Extremadura e da Andaluzia. |
| 9 | Espanhol riberenho | Litoral do Peru | Dialeto típico da planície (litoral) peruana com certa influência da Andaluzia, mas também contribuições do norte castelhano, especialmente em Lima, devido à sua importância no Vice-Reino do Peru. |
| 10 | Espanhol equatorial | Região do Litoral Pacífico da Colômbia, litoral do Equador, noroeste do Peru | Variedade oriunda da costa (planícies) do Pacífico colombiano e equatoriano, tem uma influência africana importante e muito perceptível, dada a grande concentração da população afrodescendente naquela área. |