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| Lema | "Christus vincit, Christus regnat, Christus imperat (Cristo vence, Cristo reina, Cristo impera)" |
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| Tipo | Sociedade Sacerdotal de Vida em Comum sem Votos |
| Fundação | 01 de novembro de 1970 (55 anos) |
| Sede | Menzingen Suíça |
| Membros | 1482 membros: 6 bispos 733 sacerdotes 264 seminaristas 145 irmãos 88 oblatos 250 irmãs |
| Línguas oficiais | francês |
| Superior Geral | Davide Pagliarani |
| Fundador(a) | Marcel Lefebvre |
| Website | FSSPX - Brasil FSSPX - Portugal e Espanha |
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (latim: Fraternitas Sacerdotalis Sancti Pii X) (FSSPX) é uma sociedade de vida apostólica católica fundada em 1970 pelo Arcebispo Marcel Lefebvre. Em 2026 o Dicastério para a Doutrina da Fé decretou que a FSSPX é cismática e excomungou a sociedade da Igreja Católica.
A FSSPX foi originalmente estabelecida como uma associação de fiéis da Igreja Católica, com a permissão expressa do bispo suíço de Lausanne, Genebra e Friburgo, François Charrière.
A FSSPX leva o nome do papa Pio X, devido sua postura antimodernista, mantendo a missa tridentina e os livros litúrgicos anteriores ao Concílio Vaticano II em latim para a celebração dos demais sacramentos. O atual superior-geral é Davide Pagliarani.
As tensões da FSSPX com a Santa Sé aumentaram em 1988, quando Lefebvre consagrou quatro bispos sem autorização pontifícia, em desacordo com a determinação do papa João Paulo II. Lefebvre justificou o ato com base no alegado estado de necessidade. As sagrações episcopais levaram à declaração de excomunhão latae sententiae dos bispos consagrantes e dos bispos consagrados.
Em 2009, o papa Bento XVI revogou essa excomunhão, manifestando a expectativa de que os membros da FSSPX avançassem no processo de restauração da plena comunhão com a Igreja Católica.
Discussões formais entre a Santa Sé e a FSSPX começaram em 2009 e chegaram a um estágio crítico em 2012, quando Bernard Fellay rejeitou o documento doutrinário apresentado a ele em 15 de abril do mesmo ano, onde se exigia da FSSPX a aceitação do Concílio Vaticano II e de todos seus documentos (incluindo os pontos sobre liberdade religiosa e ecumenismo). Fellay perguntou à Bento XVI se este documento teve aprovação pessoal do papa e este lhe enviou uma carta manuscrita assegurando-lhe que tinha. Em 27 de junho de 2013, os três bispos da FSSPX rejeitaram formalmente as propostas da Santa Sé.
Em 2015, o papa Francisco devolveu canonicamente as faculdades sacerdotais dos padres da fraternidade, ao conferir-lhes o direito de atenderem a confissões e, em 2017, celebrarem matrimônios, ambos de forma válida e lícita, com o intuito de fazê-los retornar futuramente a plena comunhão com Roma. Nas palavras dele "o estado atual das relações é de fraternidade". Além disso, assegurou que "com Bernard Fellay temos uma boa relação, falamos algumas vezes. Eu não gosto de apressar as coisas…, caminhar, caminhar…, e logo já veremos. Para mim não é um problema de vencedores ou de vencidos. É um problema de irmãos que devem caminhar juntos, procurando a forma de dar passos adiante".
Em julho de 2026, sem autorização da Santa Sé e contrariando ordem direta do papa Leão XIV, a FSSPX consagrou 4 novos bispos, no que ficou conhecido como Consagrações de Écône de 2026, em situação semelhante a ocorrida em 1988 e sob a mesma justificativa (estado de necessidade). Por conta disso, o Vaticano declarou a excomunhão de todos os bispos envolvidos com as consagrações irregulares, além de sacerdotes e leigos que apoiem as doutrinas da Fraternidade. Desde então, a Santa Sé considera que a FSSPX e seus membros estão em cisma com a Igreja.

A FSSPX reconhece a validade, mas não a licitude, da Missa do Vaticano II, promulgada pelo Papa Paulo VI, desde que o rito seja celebrado devidamente, considerando-se o missal e os documentos referentes à liturgia, mas afirma que, tendo sido arranjado artificialmente com a assistência de 6 pastores protestantes, e com a degradação de orações católicas milenares, introdução de orações judaicas e influência maçônica por parte do cardeal Annibale Bugnini, secretário da comissão que realizou a reforma do Rito romano, tendo também ela partido de um Concílio não-dogmático e, ao mesmo tempo, que há um corte com a Tradição católica, rompeu com o processo de desenvolvimento orgânico da liturgia católica através dos séculos e está imbuído de uma mentalidade contrária à Doutrina tradicional sobre a missa. A FSSPX também entende que a nova liturgia interfere diretamente com a doutrina da Igreja, não expressando a fé católica integralmente em sua liturgia, uma vez que as duas questões têm correlação direta como demonstrado pelo axioma lex orandi, lex credendi.
Após conflitos com a Santa Sé e tentativas de acordo, Lefebvre finalmente redige uma carta ao Vaticano na qual diz que pela urgência da sua velhice, depois de um ano da data de envio daquela mesma carta de pedido, ordenará bispos caso o Vaticano não dê nenhum sinal de permissão ou possível data para as ordenações de sucessão na Fraternidade. Procede, então, em 30 de junho de 1988, à sagração de quatro bispos sem a aprovação papal. Dois dias depois, João Paulo II, no motu proprio Ecclesia Dei Adflicta, adverte que o arcebispo e os quatro bispos incorreram em excomunhão automática, segundo o Código de Direito Canónico (cân. 1364.1 e 1382). Entretanto, a FSSPX rebate a acusação, afirmando que o arcebispo não conferiu aos quatro bispos qualquer jurisdição, ou seja, não há tentativa de "furtar" a estrutura visível da Igreja por meio das sagrações, limitando-se a transmitir-lhes o poder de ministrar os sacramentos do Crisma e da Ordem, segundo o rito romano tradicional. Afirma, ainda, que o "estado de necessidade", ou mesmo a simples crença inculpável de encontrar-se nele, é suficiente para invalidar a aplicação de excomunhão neste caso.
Bento XVI declarou que, por motivos doutrinais e não disciplinares, a FSSPX não tem estatuto canônico regular na Igreja Católica e, por isso, os ministérios exercidos por seus sacerdotes são ilegítimos. No entanto, Fellay sustenta que o ministério eclesial dos sacerdotes da FSSPX é legítimo, sendo justificado como estado de necessidade.
Apesar das questões disputadas com a Santa Sé, a FSSPX ainda participa de atividades do calendário oficial do Vaticano, como a peregrinação à cidade eterna no Jubileu do ano 2000, além de mencionar o papa no cânon romano, não celebrando missas "non una cum." Ela também acusa as paróquias não tradicionais, como de partidárias de um cisma velado e de uma resistência mais ou menos explícita a muitas das orientações do Bento XVI e do próprio Francisco. O superior-geral da FSSPX era, desde 1994, Fellay, que, no Verão de 2006, foi reconduzido no cargo por mais um mandato de 12 anos. Em 11 de julho de 2018, o 4º Capítulo Geral da FSSPX, que durou até 21 de julho de 2018, no Seminário São Pio X de Écône, elegeu Davide Pagliarani como Superior Geral por 12 anos.
Em 2 de fevereiro de 2026, o Davide Pagliarani anunciou que confiaria aos bispos da FSSPX a realização de novas consagrações episcopais, marcadas para 1.º de julho de 2026. Em 12 de fevereiro, o prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé reuniu-se no Vaticano com o superior da FSSPX, em continuidade aos contactos abertos após o anúncio. O encontro, qualificado como "cordial" e "sincero" e realizado com o "beneplácito" de Leão XIV, propôs um "diálogo especificamente teológico" e terminou com a recomendação de que a FSSPX suspendesse as ordenações, sob o argumento de que estas "implicariam uma ruptura decisiva da comunhão eclesial com graves consequências para a FSSPX como um todo". Em resposta, Pagliarani enviou uma carta ao cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério, rejeitando a proposta. Segundo ele, um diálogo comum não poderia definir "o mínimo necessário para a plena comunhão com a Igreja Católica", pois "os textos do Concílio não podem ser corrigidos, nem a legitimidade da Reforma litúrgica questionada".
Em 13 de maio, o Dicastério emitiu nova advertência sobre as ordenações sem mandato pontifício, enquanto o Leão XIV manifestava esperança de que a FSSPX recuasse.
Em 30 de junho, véspera das ordenações, Leão XIV enviou uma carta à FSSPX, pedindo que não prosseguisse sem sua aprovação: "Nesse espírito, e repleto de afeto cristão, peço-vos e suplico-vos do fundo do coração: Reconsiderai". O papa definiu as ordenações planejadas como "um pecado de extrema gravidade".
Em 1 de julho, os bispos Alfonso de Galarreta (consagrador) e Bernard Fellay (co consagrador) procederam à ordenação episcopal de 4 bispos, sendo eles, Pascal Schreiber da Suíça, Michael Goldade dos Estados Unidos, Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier da França, na presença de milhares de fiéis, que foram para a cerimónia em Écône, e transmitiram a ordenação desses bispos, pelo YouTube. Em 2 de julho de 2026, o Cardeal Fernández emitiu um decreto, declarando a excomunhão automática dos bispos consagrantes e consagrados, bem como advertiu aos fiéis a não aderirem ao que considerou um "cisma". A Santa Sé ainda determinou a excomunhão de leigos que venham a aderir às posições doutrinárias da FSSPX, caso realizada de maneira consciente, avaliada caso a caso.
Em 28 de junho de 1993, a Congregação para a Doutrina da Fé,presidia pelo cardeal Ratzinger, declarou que os fiéis que frequentassem capelas e igrejas da FSSPX não incorriam em excomunhão em razão dessa frequência.
Em virtude de questões de direito canônico, especialmente relacionadas ao julgamento de causas de nulidade matrimonial, a FSSPX instituiu tribunais matrimoniais próprios. Segundo a FSSPX, a criação desses tribunais fundamenta-se na alegação de que a jurisprudência adotada pela Rota Romana, após o Concílio Vaticano II, teria contribuído para um aumento significativo no número de declarações de nulidade matrimonial. A FSSPX sustenta que, diante do risco de invalidação indevida de matrimônios, aplica-se o princípio canônico da suplência de jurisdição (ecclesia supplet), segundo o qual a Igreja supre a jurisdição necessária em determinadas circunstâncias, invocando igualmente o princípio Salus animarum suprema lex ("A salvação das almas é a lei suprema").
Em 24 de janeiro de 2009, o Bento XVI revogou a excomunhão dos quatro bispos consagrados por Lefebvre em 1988, medida apresentada pela Santa Sé como um gesto de reconciliação. O decreto, contudo, não alterou a situação canônica dos bispos, que permaneceram suspensos a divinis. A Santa Sé qualificou a situação da FSSPX como uma questão interna da Igreja Católica, sem reconhecê-la como uma entidade eclesial separada.
Em novembro de 2012, a FSSPX participou de reuniões com representantes da Santa Sé no contexto das negociações para uma eventual regularização canônica. As tratativas suscitaram divergências internas, culminando na expulsão de Richard Williamson, que, posteriormente, consagrou outros bispos sem mandato pontifício e fundou uma organização distinta, sob o argumento de que a FSSPX teria se afastado da posição originalmente defendida por Lefebvre.
Em 2005, o presidente da Pontífica Comissão Ecclesia Dei Dario Castrillón Hoyos declarou que a situação da FSSPX não configurava heresia nem cisma em sentido estrito. Segundo o cardeal, a consagração episcopal, sem mandato pontifício, constituiu um ato de natureza cismática, mas a FSSPX permanecia no interior da Igreja Católica, embora sem plena comunhão com a Santa Sé.
A FSSPX também cita declarações de Edward Cassidy, então presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, como indicativas do reconhecimento da existência de um estado de necessidade que justificaria a aplicação do princípio da suplência de jurisdição, fundamento utilizado pela FSSPX para sustentar a validade dos sacramentos da Confirmação e do Matrimônio por ela administrados.
“Quanto a vossa pergunta, gostaria de sublinhar de imediato que o Dicastério sobre o ecumenismo não tem uma relação direta com a Fraternidade São Pio X. A situação dos membros dessa Sociedade é uma questão interna da Igreja católica. A Fraternidade São Pio X não é uma outra Igreja ou Comunidade eclesial no sentido que esse Dicastério utiliza. Certamente, a missa e os sacramentos administrados pelos padres da Fraternidade são válidos”.
— Cardeal Edward Cassidy
Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Maria Santíssima em Astana, afirmou que:
Não há razões de peso para negar aos sacerdotes e fiéis da FSSPX um reconhecimento canônico oficial.
Lefebvre afirmou no sermão da sagração:
É necessário que vocês compreendam bem que não queremos por nada nesse mundo que essa cerimônia seja um cisma. Não somos cismáticos. Se a excomunhão foi pronunciada contra os bispos da China que se separaram de Roma e que se submeteram ao governo chinês, entendemos muito bem porque o papa Pio XII os excomungou. Porém, para nós não se trata de nos separarmos de Roma e de nos submetermos a um poder qualquer estranho a Roma, e constituir uma espécie de Igreja paralela como o fizeram, por exemplo, os bispos de Palmar de Troia na Espanha, que nomearam um papa, que criaram um colégio de cardeais. Para nós não se trata de nada disso. Longe de nós esses pensamentos miseráveis de nos distanciar de Roma. Muito ao contrário, é para manifestar nossa adesão à Roma que realizamos essa cerimônia. É para manifestar nossa adesão à Igreja de sempre, ao papa, e a todos aqueles que precederam esses papas que, infelizmente, desde o concílio do Vaticano II acreditaram ter o dever de aderir a erros, erros graves que estão demolindo a Igreja e destruindo todo o sacerdócio católico.
Em 1.º de setembro de 2015, o papa anunciou que todos os fiéis que se confessassem, durante o Ano Santo da Misericórdia, com os padres da FSSPX receberiam uma "absolvição válida e lícita de seus pecados". Em um comunicado de imprensa publicado naquele mesmo dia, a Casa Geral da FSSPX agradeceu ao papa recordando que: "No ministério do sacramento da penitência, ela sempre se apoiou, com toda a certeza, na jurisdição extraordinária conferida pelas normas gerais do Código de Direito Canônico. Por ocasião do Ano Santo, Francisco quer que todos os fiéis que desejam se confessar com os padres da FSSPX possam fazê-la sem serem importunados".
Em 20 de novembro de 2016, a carta apostólica Misericordia et misera (n.º 12) estendeu para além do Ano da Misericórdia a faculdade de confessar concedida em 1.º de setembro de 2015.
Em 4 de abril de 2017 foi publicada uma carta do Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e do presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei dirigida aos presidentes das conferências dos bispos. O cardeal Gerhard Ludwig Müller recordou a decisão do papa Francisco "de conceder a todos os padres [da Fraternidade] poderes de confessar validamente os fiéis a fim de assegurar a validade e a licitude do Sacramento que eles administram". Em seguida, anunciou as novas disposições do papa que, com o mesmo espírito, "decidiu autorizar os Ordinários locais a também conceder a permissão para a celebração de matrimônios de fiéis que seguem a atividade pastoral da Fraternidade"
A casa geral da FSSPX anunciou futuras novas sagrações episcopais para o 1.º de julho de 2026, ainda sem mandato pontifício, depois de alegadas negociações com o Vaticano e suas autoridades responsáveis. O cardeal nomeado para congregação para Doutrina da Fé, Victor Manuel Fernandez, encarregado do Dicastério para a Doutrina da Fé, tentou uma negociação com o Pagliarani, sugerindo que esclarecimentos de textos do Vaticano II, mas sem possibilidade de mudança nos textos originais, além de manter impossíveis revisões sobre as mudanças de âmbito pastoral na Igreja (como as mudanças de no campo Eclesiologia proposta pela Lumen Gentium). No entanto, em resposta ao cardeal, as condições exigidas foram negadas e a FSSPX anunciou que prosseguirá com as sagrações, mesmo sem mandato pontifício. A FSSPX alega que os textos do Concílio Vaticano II e textos aprovados pela Santa Sé como a Amoris laetitia não podem ser conciliados com a Tradição da Igreja, sendo assim, não é possível ceder em questões de Fé para um acordo.
A FSSPX possui um longo histórico de inúmeras cisões e dissidências. Houve dois tipos principais de cisões em relação à SSPX. Duas cisões notáveis do primeiro tipo envolveram padres que consideravam a FSSPX liberal demais e que celebram a missa na forma anterior ao Papa João XXIII. O outro tipo envolveu grupos que se reconciliaram com a Santa Sé e que, bem como a FSSPX, utilizam a edição de 1962 do Missal Romano. Entre os grupos cuja origem está associada a divergências em relação à Santa Sé, bem como a expulsões ou desligamentos voluntários, incluem-se:
A FSSPX defende o complementarismo.
Williamson escreveu uma carta pastoral afirmando que "as calças femininas, tal como são usadas hoje — curtas ou longas, modestas ou imodestas, justas ou largas, explícitas ou disfarçadas (como as culottes) — são uma ofensa à feminilidade da mulher e, portanto, representam uma revolta profunda contra a ordem querida por Deus."
A editora Angelus Press é a editora oficial da FSSPX.
O distrito italiano possui duas editoras, a Edizioni Piane, editora oficial, e a Tradizione cattolica.
Courrier de Rome é a editora oficial distrito francês.
The Angelus é a editora oficial distrito americano.
Si ammoniscono i chierici e i fedeli laici a non aderire allo scisma della Fraternità Sacerdotale San Pio X, perché incorrerebbero ipso facto nella pena della scomunica latae sententiae.[Adverte-se aos clérigos e aos fiéis leigos que não adiram ao cisma da Sociedade de São Pio X, pois incorreriam ipso facto na pena de excomunhão latae sententiae.]