| Michel Foucault | |
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Michel Foucault | |
| Nome completo | Paul-Michel Foucault |
| Pseudônimo(s) | Michel Foucault |
| Nascimento | |
| Morte | |
| Causa da morte | Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) |
| Nacionalidade | francês |
| Cônjuge | Daniel Defert |
| Ocupação | |
| Empregador(a) | |
| Magnum opus |
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| Escola/tradição |
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| Principais interesses | |
| Ideias notáveis | |
| Movimento estético | |
| Religião | ateísmo |
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| Orientador(es)(as) | |
Paul-Michel Foucault (pronúncia em francês: [miʃɛl fuko]); (Poitiers, 15 de outubro de 1926 – Paris, 25 de junho de 1984) foi um filósofo, historiador das ideias, teórico social, crítico literário e professor da catedrático de História dos Sistemas do Pensamento, no célebre Collège de France, de 1970 até 1984 (ano da sua morte). Suas teorias abordam a relação entre poder e conhecimento e como eles são usados como uma forma de controle social por meio de instituições sociais. Embora muitas vezes seja citado como um pós-estruturalista e pós-modernista, Foucault acabou rejeitando esses rótulos, preferindo classificar seu pensamento como uma história crítica da modernidade. Seu pensamento foi muito influente tanto para grupos acadêmicos, quanto para ativistas.
Foucault desenvolveu, ao longo de sua obra, dois métodos principais de investigação: a arqueologia e a genealogia. A arqueologia, predominante em seus trabalhos da década de 1960, dedica-se à análise das formações discursivas, buscando identificar as condições históricas que tornam possíveis determinados regimes de saber em uma época específica. Nesse contexto, o autor examina as regras implícitas que organizam o que pode ou não ser dito em determinado campo do conhecimento.
A partir da década de 1970, Foucault passa a privilegiar a genealogia, método inspirado em Friedrich Nietzsche, que enfatiza a análise histórica das relações entre saber e poder. A genealogia busca compreender como práticas sociais e instituições se constituem por meio de disputas, contingências e relações de força, rejeitando explicações lineares ou essencialistas.
Foucault concebe o poder não como uma entidade centralizada ou exclusivamente repressiva, mas como uma rede de relações disseminadas por toda a sociedade. Esse entendimento, frequentemente descrito como “microfísica do poder”, enfatiza o caráter capilar e produtivo do poder, que atravessa instituições, práticas cotidianas e discursos.
Nesse sentido, o poder não se limita a proibir ou restringir, mas também produz saberes, subjetividades e formas de comportamento. Instituições como escolas, hospitais e prisões são analisadas como dispositivos que articulam saber e poder na regulação dos indivíduos.
O conceito de governamentalidade refere-se ao conjunto de práticas, saberes e técnicas por meio dos quais se conduz a conduta dos indivíduos e das populações. Introduzido nos cursos de Foucault no Collège de France, o termo amplia a análise do poder para além das instituições estatais, incluindo formas de gestão que operam através da economia, da segurança e da administração da vida social.
A governamentalidade está diretamente relacionada ao desenvolvimento da biopolítica, entendida como o modo pelo qual o poder moderno passa a incidir sobre a vida, regulando fenômenos como saúde, natalidade e mortalidade.
A obra de Foucault foi objeto de diversas críticas no campo da filosofia e das ciências sociais. O filósofo Jürgen Habermas argumenta que a abordagem foucaultiana incorre em uma forma de “criptonormatividade”, na medida em que critica estruturas de poder sem explicitar critérios normativos claros para essa crítica.
Outros autores apontam a ausência de um projeto político normativo mais definido, bem como questionam o rigor histórico de algumas de suas análises. Ainda assim, sua obra permanece influente em diversos campos do conhecimento, sendo amplamente debatida e reinterpretada.
O pensamento de Foucault exerceu ampla influência em áreas como filosofia, sociologia, história, estudos culturais e teoria política. Suas análises sobre poder, saber e subjetividade contribuíram para o desenvolvimento de campos como os estudos de gênero, especialmente em autores como Judith Butler, além de impactar a criminologia, a saúde coletiva e a teoria social contemporânea.
Sua abordagem interdisciplinar e crítica continua a ser mobilizada na análise de instituições, práticas sociais e formas de governança no mundo contemporâneo.
Nascido em Poitiers, na França, filho de Paul Foucault e Anne Malapert, uma família de classe média-alta, Paul-Michel Foucault foi educado no Lycée Henri-IV e tinha uma tensa relação com seu pai, que chegou a interná-lo aos 22 anos de idade acusando-o de ser louco, após tentativa de suicídio. Na idade adulta, Foucault entrou para a Escola Normal Superior de Paris, onde desenvolveu seu interesse por filosofia e teve influência de seus tutores, Jean Hyppolite e Louis Althusser.
Depois de vários anos como diplomata cultural no exterior, ele retornou à França e publicou seu primeiro grande livro, A História da Loucura. Após trabalhar entre 1960 e 1966 na Universidade de Clermont-Ferrand, produziu duas publicações mais significativas, O Nascimento da Clínica e As Palavras e as Coisas, que exibiu seu crescente envolvimento com o estruturalismo, um movimento teórico na antropologia social, do qual ele distanciou-se mais tarde. Essas três primeiras obras foram exemplos de uma técnica historiográfica que Foucault estava desenvolvendo e que ele chamou de 'arqueologia do saber', a partir da publicação, em 1969, de livro homônimo.
De 1966 a 1968, Foucault lecionou na Universidade de Túnis, na Tunísia, antes de retornar para a França, onde se tornou chefe do departamento de filosofia de uma nova universidade experimental, a Paris VIII. Em 1970, ele foi admitido no Collège de France, onde permaneceu até sua morte. Também tornou-se ativo em alguns grupos de esquerda envolvidos em campanhas anti-racistas, contra violações aos direitos humanos pela luta por uma reforma penal. Passou a publicar A Arqueologia do Saber, Vigiar e Punir e História da Sexualidade. Nestes livros, ele desenvolveu métodos arqueológicos e genealógicos que enfatizavam os jogos de poder na evolução do discurso na sociedade. Foucault morreu em Paris por conta de problemas neurológicos agravados por HIV/AIDS; ele foi a primeira figura pública francesa que morreu por causa desta doença, sendo que seu parceiro Daniel Defert criou a fundação da caridade AIDES em sua memória.
O herdeiro de Foucault, Daniel Defert, relata que teve dificuldade em usufruir dos bens deixados. Naquela época, gays não podiam receber heranças dos companheiros. Isso só começou a ocorrer na França em 1999 quando casais homoafetivos passaram a oficializar união estável, desta forma poderia ser feito um Pacto Civil de Solidariedade (PACS) que permita direito à herança quando manifestada em testamento. Defert colocou à venda os manuscritos de Foucault o que levantou interesse das Universidades Norte-Americanas onde Foucault trabalhou diversas vezes. Seus manuscritos foram considerados tesouro nacional francês no ano de 2012 como uma medida de proibir sua retirada do país por 30 meses, tempo levado pela Biblioteca Nacional da França (BNF) para levantar a quantia de 3,8 milhões de euros, cerca de 24 milhões de reais. Desde 2013 estão disponíveis para pesquisa na BNF.
Foucault é conhecido pelas suas críticas às instituições sociais, especialmente à psiquiatria, à medicina, às prisões, e por suas ideias sobre a evolução da história da sexualidade, pelas suas teorias gerais relativas ao poder e à complexa relação entre poder e conhecimento, bem como por estudar a expressão do discurso em relação à história do pensamento ocidental. Têm sido amplamente discutidas a imagem da "morte do homem", anunciada em As Palavras e Coisas, e a ideia de subjetivação, reativada no interesse próprio de uma forma ainda problemática para a filosofia clássica do sujeito. Mais do que em análises de uma identidade estática e objetivada, a perspectiva de Foucault centra-se na vida e nos diferentes processos de subjetivação.
A filosofia de Michel Foucault teve impacto decisivo nos estudos contemporâneos sobre o corpo ao deslocar o foco de uma essência biológica para os modos históricos de objetivação e governo dos corpos. A partir de análises das instituições modernas (prisão, hospital, escola, quartel) e das tecnologias de saber-poder, Foucault mostrou como corpos são tornados dóceis e úteis por técnicas disciplinares, e como, em escala populacional, emergem formas de gestão da vida (biopoder). Esses diagnósticos influenciaram debates em filosofia, sociologia, antropologia, saúde coletiva, estudos de gênero e sexualidade, abrindo caminho para investigações sobre normalização, governamentalidade e subjetivação corporal.
Examina a constituição da loucura como objeto, articulando confinamento, exclusão e medicalização. O corpo do “louco” aparece como alvo de práticas de isolamento e correção, antecipando a crítica foucaultiana das instituições.
Analisa o “olhar clínico” e a espacialização do corpo doente no hospital, mostrando como a visibilidade anatômica e os registros tornam o corpo legível e governável.
Embora centrado na arqueologia das ciências humanas, indica a invenção moderna do “homem” como figura epistêmica, com efeitos sobre a inteligibilidade do corpo e da vida.
Obra metodológica que fundamenta a análise de discursos sobre o corpo (medicina, criminologia, sexologia), indicando como regimes de enunciação produzem objetos “corporais”.
Descreve a passagem do suplício público à disciplina, com o corpo tornando-se alvo de microfísicas do poder (treino, exame, cronograma, panoptismo) que fabricam corpos dóceis e produtivos.
Formula a tese do biopoder e critica a hipótese repressiva: mais do que reprimir, os saberes sobre sexo produzem corpos e subjetividades por meio de confissão, exame e normalização.
Reconstitui éticas antigas do cuidado de si, incluindo dietética, ginástica e repertórios de prazeres, como práticas de subjetivação do corpo.
Amplia as técnicas de si no período helenístico-romano, enfatizando exercícios, regimes corporais e autorregulação como componentes éticos.
Analisa o cristianismo antigo, a confissão e a direção de consciência como matrizes históricas das economias do desejo e do corpo.
Il faut défendre la société (1975–1976) formula o biopoder; Sécurité, territoire, population (1977–1978) detalha a governamentalidade e a segurança; Naissance de la biopolitique (1978–1979) analisa liberalismo e neoliberalismo como artes de governo que incidem sobre corpos e populações.
Diversos estudiosos do corpo acolheram e criticaram Foucault. Em geral, apontam-se: (a) riscos de funcionalismo do poder (subestimando agência e experiência vivida); (b) limites para compreender gênero, raça e colonialidade nas primeiras formulações; (c) dificuldade de extrair critérios normativos a partir de descrições genealógicas.
Em síntese, os estudos do corpo se valem das ferramentas foucaultianas para descrever dispositivos de poder e normalização, ao mesmo tempo em que as ampliam com considerações sobre agência, afetos, raça, gênero e colonialidade, bem como com propostas normativas explícitas para a crítica social.
Se seu trabalho é muitas vezes descrito como pós-moderno ou pós-estruturalista por comentadores e críticos contemporâneos, ele foi mais frequentemente associado com o movimento estruturalista, especialmente nos primeiros anos após a publicação de As Palavras e as Coisas. Inicialmente aceitou a filiação; posteriormente, ele marcou a sua distância à abordagem estruturalista, explicando que ao contrário desta última, não tinha adaptado uma abordagem formalista. Ele aceitou não ver o rótulo de pós-modernista aplicado ao seu trabalho, dizendo que preferia discutir como se dá a definição de modernidade em si. Sua filiação intelectual pode estar relacionada ao modo como ele próprio definiu as funções do intelectual não garante certos valores, mas em questão de ver e dizer, seguindo um modelo de resposta intuitiva para o "intolerável".[carece de fontes]

As teorias sobre o saber, o poder e o sujeito romperam com as concepções modernas destes termos, motivo pelo qual é considerado por certos autores, contrariando a própria opinião de si mesmo, um pós-moderno. Os primeiros trabalhos (História da Loucura, O Nascimento da Clínica, As Palavras e as Coisas, A Arqueologia do Saber) seguem uma linha pós-estruturalista, o que não impede que seja considerado geralmente como um estruturalista devido a obras posteriores como Vigiar e Punir e a História da Sexualidade. Contudo, essa discussão não se esgota: não se encontra na trajetória intelectual e discursiva de Foucault nenhum propósito de constituição de um "sistema"; o que importa à sua "analítica interpretativa" são as relações, as formas de produção de discursos e práticas (práticas discursivas), seus modos e estratégias de funcionamento e organização. Além desses livros, são publicadas hoje em dia transcrições de seus cursos realizados no Collège de France e inúmeras entrevistas, que auxiliam na introdução ao pensamento deste autor.[carece de fontes]
Michel Foucault é mais conhecido por ter destacado as formas de certas práticas das instituições em relação aos indivíduos. Ele destacou a grande semelhança nos modos de tratamento dado ou infligidos aos grandes grupos de indivíduos que constituem os limites do grupo social: os loucos, prisioneiros, alguns grupos de estrangeiros, soldados e crianças. Ele acredita que, em última análise, eles têm em comum o fato de serem vistos com desconfiança e excluídos por uma regra em confinamento em instalações seguras, especializadas, construídas e organizadas em modelos semelhantes (asilos, presídios, quartéis, escolas), inspirados no modelo monástico; instalações que ele chamou de "instituições disciplinares".
Em 1971, Michel Foucault, Jean-Marie Domenach e Pierre Vidal-Naquet criaram um grupo chamado Groupe d'information sur les prisons, que tinha como objetivo investigar e trazer a público a situação do sistema penitenciário francês.
Na maioria de suas obras, Michel Foucault esforçou-se por se limitar a problemas concretos (a loucura, a prisão, a clínica psiquiátrica), num contexto geográfico e historicamente bem determinado (a França, a Europa ou o Ocidente; no fim do século XVIII, na Grécia antiga, dentre outros). No entanto, suas observações permitem extrair conceitos que ultrapassam esses limites de tempo e espaço. Elas conservam, assim, uma grande atualidade. Por isso, muitos intelectuais - em várias áreas do conhecimento - podem se referir a Foucault atualmente. É, por exemplo, estudando a mutação das técnicas penais no final do século XVIII que ele pôde analisar a emergência de uma nova forma de subjetividade constituída pelo poder: o que se observa nas margens se constrói no centro.[carece de fontes]
Mas esse olhar histórico deve ser bem entendido. "A história, segundo Foucault nos cerca e nos delimita; ela não diz o que somos, mas do que estamos nos diferenciando; ela não estabelece nossa identidade, mas a dissipa em proveito do outro que somos. Em resumo, a história é o que nos separa de nós mesmos.".
A ontologia de Foucault é uma experiência, um exercício sobre os limites do nosso presente, a experimentação dos nossos limites, a forma paciente da "nossa impaciência pela liberdade", o que explica o seu interesse pelo tema da relação de poder entre o institucional e o indivíduo - e por uma certa ideia da subjetivação. Esse poder funda a constituição de saberes e é, por sua vez, fundado por eles: é a noção de "saber-poder".
Nesta ontologia de revisão, simultaneamente genealógica e arqueológica, a análise de dispositivos de poder são inseparáveis das "formações discursivas" (As palavras e as Coisas, A Arqueologia do Conhecimento e A Ordem dos discursos).[carece de fontes]
No início de 1980, em suas palestras no Collège de France, Du Gouvernement des vivants (em português, 'Do Governo dos Vivos'), Foucault inicia uma nova linha de investigação: os atos que o sujeito pode e deve operar livremente em si para chegar à verdade. Este novo eixo, o conhecimento do domínio irredutível de domínio e de poder, é chamado de "regime de verdade". Os exercícios cristão ascético fornecem o primeiro campo de exploração desses sistemas na sua diferença com os exercícios ascéticos greco-romanos. Seu pensamento visa ligar em conjunto, sem confundi-las, estas três áreas: conhecimento, poder e discurso.[carece de fontes]

O problema político é, portanto, aquele que investe sobre o corpo aparelhos de micropoder e, silenciosamente, inventam formas de dominação, mas que pode também oferecer a oportunidade para novas possibilidades de vida. "Não há relação de poder entre sujeitos livres", afirmava o autor. Assim, Foucault abre um vasto campo de considerações para além do utilitarismo, do lado da indústria, trabalho, produtividade, criatividade, autonomia, autogoverno.[carece de fontes]
A gestão do desejo e a constituição da subjetividade são centrais na obra tardia de Michel Foucault (1984). Nesta fase, conhecida como a do 'cuidado de si', o autor desloca o foco dos sistemas disciplinares de controle para uma ética de autogoverno e emancipação política.
Foucault (1979) renega os modos tradicionais de analisar o poder e procura realizar suas análises não de forma dedutiva e sim indutiva, por isso passou a ter como objeto de análise não categorias superiores e abstratas de análise tal como questões do que é o poder, o que o origina e tantos outros elementos teóricos, voltando-se para elementos mais periféricos do sistema total, isto é, passou-se a interessar-se pelos locais onde a lei é efetivada realmente. Hospitais psiquiátricos, forças policiais, etc. são os locais preferidos do pensador para a compreensão das forças reais em ação e com quais devemos realmente nos preocupar, compreender e buscar renovar constantemente.[carece de fontes]
Segundo este pensamento, devemos compreender que a lei é uma verdade "construída" de acordo com as necessidades do poder, em suma, do sistema econômico vigente, sistema, atualmente, preocupado principalmente com a produção de mais-valia econômica e mais-valia cultural, tal como explicado por Guattari (1993). O poder em qualquer sociedade precisa de um delimitação formal, precisa ser justificado de forma abstrata o suficiente para que seja introjetado psicologicamente, a nível macrossocial, como uma verdade a priori, universal. Desta necessidade, desenvolvem-se as regras do direito, surgindo, portanto, os elementos necessários para a produção, transmissão e oficialização de "verdades". "O poder precisa da produção de discursos de verdade (p.180), como diria Foucault (1979). O poder não é fechado, ele estabelece relações múltiplas de poder, caracterizando e constituindo o corpo social e, para que não desmorone, necessita de uma produção, uma acumulação, uma circulação e um funcionamento de um discurso sólido e convincente. "Somos obrigados pelo poder a produzir verdade", nos confessa o pensador, "somos obrigados ou condenados a confessar a verdade ou encontrá-la (…) Estamos submetidos à verdade também no sentido em que ela é a lei, e produz o discurso da verdade que decide, transmite e reproduz, pelo menos em parte, efeitos de poder (p.180)."[carece de fontes]
O filósofo francês Michel Foucault acredita que as relações de poder, advindas das instituições, escolas, prisões, quartéis, são marcados pela disciplina. Segundo o filósofo, a disciplina traz consigo um certo caráter punitivo, desta forma, as relações de poder se tornam mais evidentes.
Para Foucault, nos séculos XVIII e XIX, a população torna-se um objeto de estudo e de gestão política. Passagem da norma da lei. Numa sociedade centrada sobre a lei, mudou para uma empresa de gestão centrada no padrão. Esta é uma consequência da grande revolução liberal.[carece de fontes]
Conceito de micro-geração de forças de discurso para controlar quem está na norma ou não.[carece de fontes]
Conceito de biopoder: o poder de morrer e deixar viver foi substituído pelo biopoder que é Viver e deixar morrer, do estado de bem-estar: segurança social, seguros, etc.[carece de fontes]
Figura do panóptico (projeto arquitetônico de prisão inventado por Jeremy Bentham e destinada a garantir que todos os prisioneiros possam ser vistos a partir de uma torre central) como um paradigma da evolução da nossa sociedade, ou o que já é bastante (ver o conceito deleuziano de "sociedade de controle", na discussão com a obra de Foucault).[carece de fontes]
As relações de poder permeiam toda a sociedade. Um discurso diz que o paradigma da sociedade da guerra civil, em que todas as interações sociais são versões derivadas da guerra civil. Podemos inverter a proposta de Clausewitz e dizer que a política é a continuação da guerra por outros meios.[carece de fontes]
Conceito de Corpo Dócil: "É dócil um corpo que pode ser submetido, que pode ser utilizado, que pode ser transformado e aperfeiçoado"
Conceito grego de Cuidado de Si, como base para a ética.[carece de fontes]
A filosofia de Foucault influenciou e também foi influenciada por movimentos de protesto na França e no mundo anglo-saxão desde 1970 (o movimento antipsiquiatria de prisioneiros mediante o movimento feminista).
Este vasto campo, desde os Estudos de Gênero (Judith Butler, David Halperin, Leo Bersani) e análise da subjetivação da "minoria" (Didier Eribon) na história do direito e arqueologia dos "outros" do Estado de bem-estar (François Ewald, Paolo de Nápoles) e / ou teorias sociais (sobre ética seu lado: Bruno Karsenti Mariapaola Fimiani) ou social (no seu lado político: Paul Rabinow, Eric Fassin), através da revisão da economia política (Giorgio Agamben, Antonio Negri, Judith Revel, Maurizio Lazzarato).[carece de fontes]
E, apesar de alguns mal-estar da sociologia, enquanto que o método permite que o sociólogo que visa a abordagem de Foucault concepção construtivista fundamental nesse sentido, como o indivíduo é criado no "social".[carece de fontes]
A concepção de que Foucault defendeu intelectuais contra os poderes, avançando figura do 'intelectual específico', e sua relação com o marxismo, continuam a alimentar a controvérsia.[carece de fontes]
Portanto a análise das relações de poder não devem ser centradas no estudo dos seus mecanismos gerais e seus efeitos constantes, e sim realizar sua análise pelos "elementos periféricos" do sistema do poder. Devemos estudar onde estão as "práticas reais e efetivas; estudar o poder em sua face externa, onde ele se relaciona direta e imediatamente com aquilo que podemos chamar provisoriamente de seu objeto (…) onde ele se implanta e produz efeitos reais (…) como funcionam as coisas ao nível do processo de sujeição ou dos processos contínuos e ininterruptos que sujeitam corpos, dirigem gestos, regem os comportamentos.".
Na área dos estudos da linguagem, a análise cartográfica do discurso retoma Foucault como analista do discurso, recuperando a ideia de que um enunciado só existe em relação com outros enunciados, e aproximando essa noção do conceito de interdiscurso. A ordem do discurso, aula inaugural de Foucault no Collège de France, em 1970, tem sido mobilizada nos estudos discursivos para questionar a ideia de que caberia ao analista do discurso desenvolver uma técnica para desvendar significados supostamente escondidos nos textos. Seguem também a tese foucaultiana de que o discurso não apenas traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas é ele mesmo aquilo pelo qual se luta, um poder de que se procura apoderar-se. O diálogo com Foucault aparece ainda em trabalhos que adotam a perspectiva cartográfica, refletindo sobre a noção de heterotopia nos estudos discursivos.
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