Francesco Aiello | |
|---|---|
Francesco Aiello em 2016 | |
| Prefeito de Vittoria | |
| Período | 16 de fevereiro de 1978 – 9 de abril de 1981 15 de outubro de 1988 – 23 de janeiro de 1989 17 de maio de 1995 – 12 de outubro de 2005 27 de outubro de 2021 – presente |
| Deputado da Assembleia Regional Siciliana | |
| Período | 21 de julho de 1981 – 15 de maio de 1995 |
| Membro do Governo Regional da Sicília Agricultura e Florestas | |
| Período | 16 de julho de 1992 – 21 de dezembro de 1993 31 de maio – 25 de outubro de 2012 |
| Dados pessoais | |
| Alcunha(s) | Ciccio |
| Nascimento | 1 de agosto de 1946 (80 anos) Vittoria, Itália |
| Nacionalidade | italiano |
| Partido | PCI (1970–1991) PDS (1991–1998) DS (1998–2007) PD (2007–2008) Movimento de Ação Democrática / independente de centro-esquerda |
| Profissão | Político, professor, ensaísta e poeta |
Francesco Aiello, conhecido como Ciccio (Vittoria, 1 de agosto de 1946), é um político, professor, ensaísta e poeta italiano. É prefeito de Vittoria desde 2021, tendo administrado anteriormente a mesma cidade em diferentes períodos, em um total de sete mandatos.
Ligado historicamente à esquerda siciliana, foi deputado durante três legislaturas da Assembleia Regional Siciliana, órgão legislativo da Sicília, uma das cinco regiões autônomas italianas dotadas de estatuto especial de nível constitucional e de competências legislativas próprias, incluindo competências exclusivas nas matérias previstas pelo seu estatuto. Também integrou em três ocasiões o Governo Regional da Sicília, como responsável pela pasta da Agricultura e Florestas, cargo denominado assessore regionale em italiano.
Ativo na política siciliana desde 1970, ocupou durante mais de meio século cargos administrativos e institucionais como vereador, prefeito, deputado regional e membro do Governo Regional da Sicília. Sua trajetória política foi objeto de cobertura jornalística recorrente por meios de comunicação italianos de circulação nacional, entre eles L'Unità, Il manifesto, La Repubblica, Il Foglio e a Agenzia Giornalistica Italia, que, além de noticiarem sua atividade institucional, publicaram perfis biográficos, entrevistas e análises centradas em sua carreira política.
Entre os episódios que atraíram atenção para sua figura além do âmbito local encontram-se sua resposta institucional ao massacre de San Basilio, ocorrido em 2 de janeiro de 1999, após o qual solicitou ao Governo italiano o envio do Exército, e o protesto de agricultores da região de Ragusa que liderou em Roma em 2002 contra as políticas do Ministério da Agricultura, então dirigido por Gianni Alemanno. Este último episódio deu origem a uma controvérsia midiática que também envolveu os apresentadores Bruno Vespa e Maurizio Costanzo.
Sua atividade administrativa desenvolveu-se em um contexto marcado pela presença de organizações mafiosas e por conflitos criminosos relacionados ao controle da economia local. Ao longo dos anos, Aiello foi alvo de ameaças e atos intimidatórios, razão pela qual recebeu proteção policial.
Sua administração também foi objeto de debates públicos sobre a máfia, as políticas antimáfia e a gestão do território, entre acusações políticas, investigações jornalísticas e respostas, incluindo o Dossier sul Palio di Vittoria, publicado pelo jornalista Carlo Ruta em 2002. Em janeiro de 2026, a imprensa noticiou novos atos intimidatórios contra o prefeito e a administração municipal de Vittoria.
Paralelamente à atividade política e administrativa, desenvolveu uma trajetória literária como ensaísta e autor de várias coletâneas de poesia.
Segundo um relato autobiográfico de Aiello, seu avô materno era agricultor, enquanto seu pai mantinha uma loja de frutas e verduras no bairro de San Giovanni, em Vittoria, onde Aiello trabalhou desde criança para ajudar a família; segundo o mesmo relato, conciliou o trabalho na loja com os estudos. Formou-se em Letras pela Universidade de Catânia e lecionou italiano e latim nos liceus clássico e científico de Vittoria.
Militante do Partido Comunista Italiano, foi eleito pela primeira vez vereador de Vittoria em 1970, aos 24 anos. Em 16 de fevereiro de 1978, tornou-se prefeito pela primeira vez, aos 31 anos, permanecendo no cargo até 9 de abril de 1981. Voltou a exercer brevemente o cargo entre 15 de outubro de 1988 e 23 de janeiro de 1989.
Durante o primeiro período, a administração municipal, sustentada por uma coalizão entre o PCI e o Partido Socialista Italiano, realizou obras públicas como creches, um centro de aconselhamento familiar e a renovação da rede municipal de abastecimento de água. Um artigo do L'Unità de 1980 descreveu Aiello, então conhecido como «o professor», como um administrador caracterizado pela presença direta e frequente nos bairros da cidade.
Aiello foi eleito deputado da Assembleia Regional Siciliana em 1981 e ocupou o cargo durante três legislaturas — IX, X e XI — até 1995.
A Assembleia é o órgão legislativo da Sicília, região autônoma dotada de estatuto especial aprovado como lei constitucional. O estatuto reconhece-lhe competências legislativas exclusivas em determinadas matérias, entre elas a agricultura e a organização dos entes locais. Seus membros recebem oficialmente o título de deputados.
Durante a XI legislatura, Aiello integrou em duas ocasiões o Governo Regional da Sicília, sob a presidência de Giuseppe Campione, como responsável pela pasta da Agricultura e Florestas, entre 16 de julho de 1992 e 21 de dezembro de 1993. Entre 31 de maio e 25 de outubro de 2012, voltou a ocupar a mesma pasta no Governo Regional presidido por Raffaele Lombardo.
Durante sua atividade parlamentar, apresentou projetos de lei em matéria agrícola, entre eles o projeto número 729 de 1994, relativo à pesquisa aplicada à agricultura, e propostas relacionadas à proteção do patrimônio local, incluindo iniciativas sobre a figueira-da-índia e a arquitetura Liberty.
Entre suas propostas legislativas esteve o projeto de lei número 10 de 1991, destinado a transformar a localidade de Scoglitti em um município autônomo. A proposta não concluiu o processo legislativo regional. O princípio foi posteriormente incluído no artigo 7.º do Estatuto municipal de Vittoria, aprovado pela deliberação do conselho municipal número 144, de 3 de agosto de 2007, que previa o apoio do município à possível autonomia de Scoglitti. Essa disposição não foi mantida na versão do estatuto aprovada pela Deliberação do Conselho Municipal n.º 8/2014, que identifica Scoglitti como uma frazione de Vittoria.
Durante as legislaturas X e XI, foi o primeiro signatário de oito projetos de lei, 84 perguntas parlamentares, 45 interpelações, duas moções e cinco ordens do dia.
Em 1994, candidatou-se, sem ser eleito, ao Parlamento italiano. Em 1999, foi candidato ao Parlamento Europeu pelos Democratas de Esquerda, ocupando a terceira posição da lista no círculo eleitoral da Itália insular, sem obter um mandato.
Em 1995, renunciou ao mandato na Assembleia Regional Siciliana e voltou a se candidatar a prefeito de Vittoria. Foi eleito no primeiro turno das eleições de 14 de maio de 1995, com 18 170 votos, correspondentes a 63,26%.
Foi reeleito no primeiro turno em 1997, com 19 594 votos e 71,21%, e em 2002, com 16 620 votos e 52,93%. Permaneceu como prefeito até apresentar sua renúncia, em 12 de outubro de 2005, após uma crise política interna na maioria do conselho municipal. Após o fim do mandato, Salvatore Campo foi nomeado comissário extraordinário.
Em 2 de janeiro de 1999, cinco pessoas foram assassinadas em um bar de Vittoria durante o denominado massacre de San Basilio. O episódio ocorreu no contexto de um conflito entre clãs mafiosos pelo controle de atividades econômicas ligadas ao mercado atacadista de frutas e hortaliças da cidade.
O massacre ocorreu durante o mandato de Aiello como prefeito e foi seguido por pedidos de reforço da presença do Estado na região. Nos dias seguintes, Aiello solicitou formalmente ao Governo o envio do Exército Italiano para proteger o território, pedido noticiado pela imprensa nacional no contexto da resposta institucional ao massacre.
Naquele período, Aiello já se encontrava sob proteção policial em consequência das numerosas ameaças recebidas durante o mandato.
Em 2002, o jornalista Carlo Ruta publicou o Dossier sul Palio di Vittoria, no qual formulou críticas à gestão urbanística municipal e à reintrodução, naquele mesmo ano, de uma competição equestre local.
O dossiê levantou questões sobre um possível conflito de interesses envolvendo um consultor encarregado de pedidos de regularização urbanística e sobre os riscos de maus-tratos aos animais e de apostas clandestinas relacionados ao Palio. Aiello rejeitou as críticas à sua administração, situando-as no contexto do confronto político local e do debate sobre a gestão do território de Vittoria.

Depois de renunciar ao cargo de prefeito, foi novamente eleito vereador em 2006 pelas listas dos Democratas de Esquerda. Em 2008, abandonou o Partido Democrático após um conflito com a direção local do partido e fundou o Movimento de Ação Democrática, com o qual passou a integrar a oposição municipal.
Nas eleições municipais de 2011, voltou a se candidatar a prefeito com o apoio do Movimento pelas Autonomias, liderado por Raffaele Lombardo. A aliança provocou tensões na centro-esquerda local, uma vez que o Partido Democrático apresentou como candidato Giuseppe Nicosia, antigo vice-prefeito durante uma administração de Aiello.
A campanha eleitoral incluiu acusações recíprocas. Aiello denunciou supostas relações entre a criminalidade organizada e o serviço municipal de coleta de resíduos, enquanto Nicosia formulou acusações sobre a gestão da lista eleitoral de Aiello. Aiello terminou em terceiro lugar no primeiro turno, com 20,99% dos votos.
Nas eleições municipais de 2016, chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Giovanni Moscato, candidato apoiado por listas cívicas de centro-direita. Aiello obteve 44,84% dos votos.
O conselho municipal de Vittoria foi dissolvido em 2018, após uma decisão administrativa motivada pela existência de infiltrações da criminalidade organizada. O município permaneceu sob administração extraordinária, dirigida por Filippo Dispenza, até as eleições de 2021. Em 2024, ao final do processo penal relacionado às investigações que precederam a dissolução, Moscato e os demais ex-administradores acusados foram absolvidos porque o fato não existiu.
Nas eleições municipais de 2021, Aiello apresentou-se com a lista cívica Aiello Sindaco, apoiada pelo Partido Democrático, pelo Partido Socialista Italiano e pela lista Cento Passi per la Sicilia. O abastecimento de água da cidade foi um dos temas da campanha eleitoral.
Foi eleito no segundo turno com 14 261 votos, correspondentes a 56,02%, contra o candidato de centro-direita Salvo Sallemi, que obteve 43,98%. Em abril de 2026, anunciou que provavelmente voltaria a se candidatar ao cargo de prefeito.
| Mandato | Início | Fim | Partido ou coalizão | Resultado eleitoral |
|---|---|---|---|---|
| I | 16 de fevereiro de 1978 | 9 de julho de 1980 | PCI | Eleito pelo conselho municipal. |
| II | 9 de julho de 1980 | 9 de abril de 1981 | PCI | Confirmado no cargo pelo conselho municipal. |
| III | 15 de outubro de 1988 | 23 de janeiro de 1989 | PCI | Eleito pelo conselho municipal. |
| IV | 17 de maio de 1995 | 1 de outubro de 1997 | PDS | Eleito no primeiro turno com 18 170 votos (63,26%). |
| V | 1 de outubro de 1997 | 27 de maio de 2002 | PDS | Eleito no primeiro turno com 19 594 votos (71,21%). |
| VI | 27 de maio de 2002 | 12 de outubro de 2005 Renúncia |
DS | Eleito no primeiro turno com 16 620 votos (52,93%). |
| VII | 27 de outubro de 2021 | Em exercício | Lista cívica e coalizão de centro-esquerda | Eleito no segundo turno com 14 261 votos (56,02%). |
A trajetória política de Aiello foi descrita pela imprensa italiana como a passagem de um representante da esquerda comunista tradicional para uma figura amplamente autônoma no âmbito da política cívica local. Na década de 1980, o L'Unità definiu-o como o «prefeito professor» devido à sua abordagem pragmática da administração e à sua presença nos bairros. Em décadas posteriores, jornais como La Repubblica e Il Foglio utilizaram expressões como capopopolo — líder popular — e «o último comunista», destacando sua forte ligação pessoal com o eleitorado e seu perfil de administrador contrário às estruturas partidárias tradicionais.
Formado politicamente no Partido Comunista Italiano, Aiello atribuiu, em uma entrevista concedida ao Il Foglio em 2025, sua ligação com a esquerda histórica a um encontro realizado em Vittoria com Enrico Berlinguer em 1979. Segundo Aiello, Berlinguer interessou-se exclusivamente pelos serviços sociais municipais e não pelas correntes internas do partido. Desse encontro teria surgido posteriormente sua primeira candidatura à Assembleia Regional Siciliana.
Com o passar do tempo, sua posição política assumiu formas cada vez mais autônomas em relação aos partidos nacionais. A ruptura ocorreu em 2008, quando abandonou o Partido Democrático após um confronto aberto com a direção local. Aiello acusou o partido de ter abandonado a representação histórica dos trabalhadores e agricultores em favor de interesses especulativos. Posteriormente, fundou o Movimento de Ação Democrática e passou a integrar a oposição municipal.
Seu pragmatismo territorial manifestou-se nas eleições municipais de 2011, quando alcançou um acordo político com o Movimento pelas Autonomias de Raffaele Lombardo e enfrentou o candidato oficial do Partido Democrático. A imprensa comparou as relações políticas locais com a dinâmica representada pelos personagens Don Camillo e Peppone.
Aiello justificou a aliança com Lombardo definindo-a como uma forma de «perestroika» institucional, destinada a transformar a partir do interior as estruturas tradicionais de poder da Sicília. Em 2012, voltou a integrar o Governo Regional da Sicília, presidido pelo próprio Lombardo, como responsável pela pasta da Agricultura e Florestas.
Nos anos mais recentes, posicionou-se como progressista independente. Na entrevista de 2025, criticou a evolução da linguagem política da esquerda italiana contemporânea, que considerou excessivamente condicionada pelos meios de comunicação e distante das classes populares. Também formulou avaliações críticas sobre a direção do Partido Democrático liderada por Elly Schlein e sobre os referendos italianos de 2025 promovidos pela CGIL, considerando que a complexidade técnica das perguntas havia prejudicado sua compreensão pelo eleitorado comum.
Em janeiro de 2002, Aiello liderou em Roma um protesto de agricultores provenientes da região de Ragusa. Caminhões carregados de produtos agrícolas deslocaram-se até a capital para protestar contra as políticas do Ministério da Agricultura, então dirigido por Gianni Alemanno.
Durante a mobilização, Aiello também criticou alguns programas televisivos apresentados por Bruno Vespa e Maurizio Costanzo, acusando-os de contribuírem para uma representação desfavorável dos produtos agrícolas frescos em comparação com os alimentos conservados industrialmente. O protesto foi noticiado pela imprensa nacional e deu visibilidade ao conflito entre os agricultores sicilianos, as administrações locais e o Governo italiano sobre as políticas agrícolas.
Durante os mandatos municipais compreendidos entre 1995 e 2005, a administração de Aiello promoveu iniciativas destinadas a valorizar o setor vitivinícola local. Entre elas encontravam-se um plano vitivinícola municipal elaborado pelo enólogo Mario Fregoni e o apoio à criação de um consórcio de proteção, no âmbito do processo que conduziu, em 2005, ao reconhecimento da denominação de origem controlada e garantida do Cerasuolo di Vittoria.
Durante mandatos posteriores, a administração apoiou novas iniciativas destinadas a relacionar a viticultura, a gastronomia e a cultura regional. Entre elas encontravam-se a concessão da cidadania honorária a Fregoni por ocasião do quinquagésimo aniversário do reconhecimento DOC do vinho e o cofinanciamento do projeto Parco del Cerasuolo di Vittoria.
A insuficiência das infraestruturas de abastecimento de água de Vittoria foi uma das principais questões administrativas do mandato iniciado em 2021. Representantes da oposição local recordaram, em 2025, as declarações feitas por Aiello durante a campanha eleitoral sobre o abastecimento de água e acusaram sua administração de não ter alcançado a rápida melhoria prometida.
No verão de 2025, os partidos de centro-direita criticaram a gestão municipal da crise hídrica. Responsabilizaram Aiello pelas interrupções no abastecimento e questionaram a não construção das usinas de dessalinização anteriormente propostas.
A administração municipal atribuiu parte dos problemas à gestão da empresa regional de abastecimento Siciliacque S.p.A. Em julho de 2025, Aiello e a empresa chegaram a um acordo sobre medidas emergenciais para enfrentar a crise.
Entre o município e a Siciliacque existia ainda uma disputa judicial relacionada a faturas referentes a 2014 e 2015. Em janeiro de 2026, o Tribunal de Apelação de Catânia condenou o município de Vittoria a pagar mais de 650 000 euros à empresa. A sentença alterou a decisão de primeira instância sobre a tarifa aplicável ao serviço emergencial de abastecimento de água.
Em junho de 2026, o Tribunal de Ragusa condenou Aiello a uma pena de multa por difamação contra Giuseppe Zarba, ex-presidente da associação dos comissários do mercado atacadista de frutas e hortaliças de Vittoria. O processo dizia respeito a declarações feitas por Aiello em maio de 2024.
O Ministério Público havia solicitado a absolvição, considerando que as declarações estavam abrangidas pelo direito à crítica política. O tribunal considerou, porém, que existia responsabilidade penal. O advogado de Aiello, Giuseppe Russotto, anunciou que avaliaria a apresentação de um recurso.
Além de sua atividade política, Aiello publicou várias coletâneas de poesia e o ensaio de caráter autobiográfico La città difficile, publicado em 2016. Nessa obra, aborda as estruturas políticas e criminosas com as quais, segundo sua experiência, os administradores locais da Sicília precisam lidar.