Franco Basaglia

Franco Basaglia
Basaglia em 1979
Nome completoFranco Basaglia
Pseudônimo(s)Franco Basaglia
Conhecido(a) por
Nascimento
Morte
29 de agosto de 1980 (56 anos)

Causa da mortetumor cerebral
Nacionalidadeitaliano
Influências
SepultamentoCemitério de San Michele, Veneza, Itália
Parentesco
CônjugeFranca Ongaro (c. 1953; m. 1980)
Filho(a)(s)2
Educação
Lista
Ocupação
Filiação
Ideias notáveis
Carreira científica
Campo(s)
Websitefondazionebasaglia.it

Franco Basaglia (Gorizia, 11 de março de 1924 — Veneza, 29 de agosto de 1980) foi um psiquiatra italiano. Promoveu uma importante reforma no sistema de saúde mental italiano.

Biografia

Nascido em Veneza em 1924, o segundo de três filhos de uma família de classe média, matriculou-se no Liceu Marco Foscarini, onde obteve seu diploma do ensino médio clássico em 1943. Seu futuro cunhado, Alberto Ongaro, cartunista e escritor, estudou na mesma escola. Foi preso em 1944, fugiu um mês depois e juntou-se aos partisans nas montanhas.

Mais tarde, mudou-se para estudar medicina na Universidade de Pádua, onde conheceu e fez amizade, entre outros, com o pediatra Franco Panizon. Em Pádua, frequentava um coletivo de estudantes antifascistas e, por isso, depois de um deles ter relatado sua participação, foi preso e detido durante vários meses nas prisões da República Social Italiana. Foi aí que amadureceu sua oposição à ilegalidade da reclusão obrigatória e privação da liberdade a partir de métodos de coerção.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, se juntou ao Partido Socialista Italiano, e se formou em 1949. Durante seus anos de universidade, ele não se concentrou exclusivamente nos estudos de medicina, mas também cultivou outros interesses, que mais tarde o influenciariam significativamente. Ele se aprofundou em temas filosóficos e leu autores importantes do existencialismo e da fenomenologia, como Jean-Paul Sartre, Maurice Merleau-Ponty, Edmund Husserl, Martin Heidegger e Ludwig Binswanger.

Em 1953, especializou-se em "doenças nervosas e mentais" na clínica neuropsiquiátrica de Pádua e tornou-se assistente de Giovanni Battista Belloni. No mesmo ano, casou-se com Franca Ongaro, com quem teve um filho, Enrico, em 1953, e uma filha, Alberta, em 1954. Ongaro, inicialmente interessada em literatura, escreveu vários artigos e alguns livros; colaborou com o marido durante muito tempo na redação de alguns de seus textos sobre psiquiatria, entrou para o Parlamento pelo Partido da Esquerda Independente por duas legislaturas e, após a morte do marido, herdou seu legado. Sua esposa fez uma adaptação da Odisseia para crianças, inteiramente ilustrada por um amigo de Hugo Pratt.

Pádua era dominada pelo positivismo e pelo lombrosoísmo. Os clínicos chamavam Basaglia depreciativamente de "o filósofo", devido à sua formação humanista. Eles compartilhavam a tese do organicismo, segundo a qual as doenças psiquiátricas surgiam de defeitos biológicos hereditários. Basaglia entrou em conflito com essas concepções.

Na década de 1960, dirigiu o hospital psiquiátrico de Gorizia, onde juntamente com outros psiquiatras, começou a promover uma série de mudanças práticas e conceituais, expostas no livro "A Instituição Negada" (1968). Entre os co-autores deste livro organizado por Basaglia está Giovanni Jervis, que posteriormente aprofundará estes conceitos teóricos de modo acessível aos leigos no "Manual Crítico de Psiquiatria" (1975), descrevendo ali também a história do movimento, reunido em torno da Associação Psiquiatria Democrática italiana.

Em 1973, o Serviço Hospitalar de Trieste, dirigido por Basaglia, foi considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como referência mundial para reformulação da assistência à saúde mental.

A lei nº 180, ano de 1978 (Lei Basaglia) estabeleceu a abolição dos hospitais psiquiátricos (manicômios) na Itália e está vigente até o presente momento.

Em 1979, Basaglia visitou o Hospital Colônia na cidade de Barbacena, em Minas Gerais, Brasil, tendo-o comparado aos campos de concentração nazistas de Adolf Hitler.

Trabalho

O primeiro relatório substancial de Franco Basaglia foi intitulado A destruição do Hospital Mental como lugar de institucionalização e apresentado por ele no Primeiro Congresso Internacional de Psiquiatria Social, realizado em Londres em 1964. Neste relatório, Basaglia afirmou que "o psiquiatra de hoje parece ter descoberto, de repente, que o primeiro passo para a cura do paciente é o seu retorno à liberdade de que, até agora, o próprio psiquiatra o havia privado" e que "é verdade que a descoberta da liberdade é a mais óbvio que a Psiquiatria poderia alcançar." Em conclusão, Basaglia tentou fixar alguns pontos na tentativa de formar uma alavanca para a descoberta da liberdade:

  1. Pressão sobre a administração da qual o hospital depende, pela ação envolvida de co-responsabilidade pela situação anteriormente mantida.
  2. O despertar da consciência e da co-responsabilidade por parte dos médicos que aceitaram e preservaram esta situação.
  3. A introdução de medicamentos por meio dos quais, a despeito do clima institucionalizado, foi possível a quebra do "vínculo" dos pacientes.
  4. A tentativa de reeducação – teórica e humanizada – das enfermeiras. (Isso, no entanto, ainda está longe de ser alcançado.)
  5. A manutenção – na medida do possível – dos laços do paciente com o mundo exterior (família, amigos, interesses).
  6. A abertura das portas e o início da vida de acordo com o sistema de portas abertas.
  7. A criação de pressupostos do Hospital de Dia, a abrir brevemente, como serviço a tempo parcial.

Em 1968, foi publicado L'istituzione negata  ("A instituição negada"), editado por Franco Basaglia. Amplamente lido em toda a Itália, este livro não apenas documentou e analisou as mudanças em Gorizia, mas também levou o debate anti-institucional para outras áreas: fábricas, universidades e escolas.

Bibliografia selecionada

Filmes sobre Franco Basaglia

Notas

    Referências

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    Ligações externas