| Franco Basaglia | |
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Basaglia em 1979 | |
| Nome completo | Franco Basaglia |
| Pseudônimo(s) | Franco Basaglia |
| Conhecido(a) por |
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| Nascimento | 11 de março de 1924 |
| Morte | |
| Causa da morte | tumor cerebral |
| Nacionalidade | italiano |
| Influências | |
| Sepultamento | Cemitério de San Michele, Veneza, Itália |
| Parentesco |
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| Cônjuge | Franca Ongaro (c. 1953; m. 1980) |
| Filho(a)(s) | 2 |
| Educação | Lista
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| Ocupação |
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| Filiação | |
| Ideias notáveis | |
| Carreira científica | |
| Campo(s) | |
| Website | fondazionebasaglia |
Franco Basaglia (Gorizia, 11 de março de 1924 — Veneza, 29 de agosto de 1980) foi um psiquiatra italiano. Promoveu uma importante reforma no sistema de saúde mental italiano.
Nascido em Veneza em 1924, o segundo de três filhos de uma família de classe média, matriculou-se no Liceu Marco Foscarini, onde obteve seu diploma do ensino médio clássico em 1943. Seu futuro cunhado, Alberto Ongaro, cartunista e escritor, estudou na mesma escola. Foi preso em 1944, fugiu um mês depois e juntou-se aos partisans nas montanhas.
Mais tarde, mudou-se para estudar medicina na Universidade de Pádua, onde conheceu e fez amizade, entre outros, com o pediatra Franco Panizon. Em Pádua, frequentava um coletivo de estudantes antifascistas e, por isso, depois de um deles ter relatado sua participação, foi preso e detido durante vários meses nas prisões da República Social Italiana. Foi aí que amadureceu sua oposição à ilegalidade da reclusão obrigatória e privação da liberdade a partir de métodos de coerção.
Com o fim da Segunda Guerra Mundial, se juntou ao Partido Socialista Italiano, e se formou em 1949. Durante seus anos de universidade, ele não se concentrou exclusivamente nos estudos de medicina, mas também cultivou outros interesses, que mais tarde o influenciariam significativamente. Ele se aprofundou em temas filosóficos e leu autores importantes do existencialismo e da fenomenologia, como Jean-Paul Sartre, Maurice Merleau-Ponty, Edmund Husserl, Martin Heidegger e Ludwig Binswanger.
Em 1953, especializou-se em "doenças nervosas e mentais" na clínica neuropsiquiátrica de Pádua e tornou-se assistente de Giovanni Battista Belloni. No mesmo ano, casou-se com Franca Ongaro, com quem teve um filho, Enrico, em 1953, e uma filha, Alberta, em 1954. Ongaro, inicialmente interessada em literatura, escreveu vários artigos e alguns livros; colaborou com o marido durante muito tempo na redação de alguns de seus textos sobre psiquiatria, entrou para o Parlamento pelo Partido da Esquerda Independente por duas legislaturas e, após a morte do marido, herdou seu legado. Sua esposa fez uma adaptação da Odisseia para crianças, inteiramente ilustrada por um amigo de Hugo Pratt.
Pádua era dominada pelo positivismo e pelo lombrosoísmo. Os clínicos chamavam Basaglia depreciativamente de "o filósofo", devido à sua formação humanista. Eles compartilhavam a tese do organicismo, segundo a qual as doenças psiquiátricas surgiam de defeitos biológicos hereditários. Basaglia entrou em conflito com essas concepções.
Na década de 1960, dirigiu o hospital psiquiátrico de Gorizia, onde juntamente com outros psiquiatras, começou a promover uma série de mudanças práticas e conceituais, expostas no livro "A Instituição Negada" (1968). Entre os co-autores deste livro organizado por Basaglia está Giovanni Jervis, que posteriormente aprofundará estes conceitos teóricos de modo acessível aos leigos no "Manual Crítico de Psiquiatria" (1975), descrevendo ali também a história do movimento, reunido em torno da Associação Psiquiatria Democrática italiana.
Em 1973, o Serviço Hospitalar de Trieste, dirigido por Basaglia, foi considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como referência mundial para reformulação da assistência à saúde mental.
A lei nº 180, ano de 1978 (Lei Basaglia) estabeleceu a abolição dos hospitais psiquiátricos (manicômios) na Itália e está vigente até o presente momento.
Em 1979, Basaglia visitou o Hospital Colônia na cidade de Barbacena, em Minas Gerais, Brasil, tendo-o comparado aos campos de concentração nazistas de Adolf Hitler.
O primeiro relatório substancial de Franco Basaglia foi intitulado A destruição do Hospital Mental como lugar de institucionalização e apresentado por ele no Primeiro Congresso Internacional de Psiquiatria Social, realizado em Londres em 1964. Neste relatório, Basaglia afirmou que "o psiquiatra de hoje parece ter descoberto, de repente, que o primeiro passo para a cura do paciente é o seu retorno à liberdade de que, até agora, o próprio psiquiatra o havia privado" e que "é verdade que a descoberta da liberdade é a mais óbvio que a Psiquiatria poderia alcançar." Em conclusão, Basaglia tentou fixar alguns pontos na tentativa de formar uma alavanca para a descoberta da liberdade:
Em 1968, foi publicado L'istituzione negata ("A instituição negada"), editado por Franco Basaglia. Amplamente lido em toda a Itália, este livro não apenas documentou e analisou as mudanças em Gorizia, mas também levou o debate anti-institucional para outras áreas: fábricas, universidades e escolas.