| Gastrite | |
|---|---|
| Micrografia de gastrite. Coloração H&E. | |
| Especialidade | Gastroenterologia |
| Sintomas | Dor na parte superior do abdómen, náuseas, vómitos, distensão abdominal, perda de apetite, azia |
| Complicações | Hemorragias, úlceras no estômago, tumores no estômago, anemia perniciosa |
| Duração | Aguda ou crónica |
| Causas | Helicobacter pylori, AINEs, álcool, fumar, cocaína, doença grave, doenças autoimunes |
| Método de diagnóstico | Endoscopia, radiografia com contraste, análises ao sangue, análises às fezes |
| Condições semelhantes | Enfarte do miocárdio, inflamação do pâncreas, cólica biliar, úlcera péptica |
| Tratamento | Antiácidos, antagonistas do recetor H2, inibidores da bomba de protões, antibióticos |
| Frequência | ~50% das pessoas em algum momento da vida |
| Mortes | 50 000 (2015) |
| Classificação e recursos externos | |
| CID-11 | DA42 |
| CID-10 | K29.0-K29.7 |
| CID-9 | 535.0-535.5 |
| DiseasesDB | 34500 |
| MedlinePlus | 001150 |
| eMedicine | emerg/820 med/852 |
| MeSH | D005756 |
Gastrite é a inflamação do revestimento do estômago. A doença pode ser aguda ou crónica. O sintoma mais comum é dor na parte superior do abdómen. Os outros sintomas incluem náuseas, vómitos, sensação de dilatação abdominal, perda de apetite e azia. Muitas pessoas não manifestam sintomas. Entre as complicações comuns estão hemorragias, úlceras e tumores no estômago. Quando a doença tem origem autoimune, a falta de vitamina B12 pode diminuir a quantidade de glóbulos vermelhos, uma condição denominada anemia perniciosa.
Entre as causas comuns de gastrite estão a infeção pela bactéria Helicobacter pylori e o consumo de anti-inflamatórios não esteroides. Entre as causas menos comuns estão, entre outras, o consumo excessivo de álcool, de tabaco, de cocaína, doenças graves, doenças autoimunes, radioterapia e doença de Crohn. O diagnóstico pode ser assistido por endoscopia, radiografia e análises ao sangue e às fezes. Os sintomas de gastrite podem ser confundidos com um enfarte do miocárdio. Entre outras doenças com sintomas semelhantes estão a inflamação do pâncreas, cólica biliar e úlcera péptica.
A prevenção consiste em evitar as causas da doença. O tratamento consiste em medicamentos como antiácidos, antagonistas do recetor H2 ou inibidores da bomba de protões. Durante um ataque agudo pode ser administrada lidocaína. Quando a gastrite é causada por anti-inflamatórios não esteroides, o seu consumo pode ser interrompido. A gastrite causada pela bactéria H. pylori pode ser tratada com uma combinação de antibióticos como a amoxicilina e a claritromicina. Para pessoas com anemia perniciosa são recomendados suplementos de vitamina B12, orais ou injetáveis. Os doentes são geralmente aconselhados a evitar alimentos que causem desconforto.
Estima-se que metade da população mundial seja afetada por gastrite em determinado momento da vida. Em 2013 foram registados aproximadamente 90 milhões de novos casos da doença. A doença torna-se mais comum conforme a idade avança. A gastrite, a par de uma condição semelhante denominada duodenite, foram responsáveis por 50 000 mortes em 2015. A bactéria H. pylori foi descoberta por Barry Marshall e Robin Warren em 1981.
Gastrites agudas permitem uma abordagem mais simplificada, por serem de aparecimento súbito, evolução rápida e facilmente associadas a um agente:
Situação bastante conhecida é a hemorragia digestiva superior aguda, com vômitos e evacuações com sangue. Deve-se lembrar que o vômito apresenta como característica a cor vermelho "vivo", ou a presença de coágulos, o que se denomina hematêmese. Em relação à evacuação, como este sangue é digerido por bactérias no decorrer do trânsito intestinal, este se apresenta de cor enegrecida e com odor forte, chamado de melena. No entanto, nos casos em que ocorre um sangramento muito intenso, não há tempo para que ocorra a digestão deste sangue, e desta forma a evacuação também se caracteriza pela eliminação de sangue vermelho "vivo".
A hemorragia digestiva pode ocorrer como complicação de situações graves como o estresse pela longa permanência dos doentes em UTI (Unidade de Tratamento Intensivo), em períodos pós-operatórios, em pacientes com queimaduras em extensas áreas do corpo, em politraumatizados ou em pacientes com infecção generalizada (chamada de septicemia).
Em relação à gastrite crônica, também, existe muita confusão, principalmente no que se refere aos sintomas e à relação com os agentes causadores.
Sabe-se que a bactéria H. pylori pode determinar uma gastrite crônica. Esta bactéria vive muito bem em ambientes ácidos, como é o caso do estômago. No entanto, o Helicobacter pylori leva à destruição da barreira protetora que reveste a mucosa do estômago, permitindo que o ácido gástrico agrida a própria mucosa gástrica, o que leva à inflamação da mesma, caracterizando a gastrite.
Como a infecção pela bactérica é crônica, a inflamação também segue este padrão. Na gastrite crônica atrófica, situação em que diminuem muito as células da mucosa do estômago, existe considerável redução na produção do ácido gástrico, que é importante para a "esterilização" do que ingerimos e para a digestão dos alimentos. A gastrite atrófica deve ser vista com atenção pelo médico e paciente, já que a evolução desta forma de gastrite para a atrofia gástrica, está relacionada com o aumento da incidência de câncer de estômago.
Por vezes, a bile que o fígado descarrega na porção inicial do intestino delgado (chamado de duodeno), reflui para o estômago, causando inflamação crônica.
Estes fatores, atuando isoladamente ou em conjunto, podem determinar gastrite crônica.
Ocorre quando os anticorpos atacam o revestimento mucoso do estômago, provocando o seu adelgaçamento e perda de muitas ou de todas as células produtoras de ácido e de enzimas. Esta perturbação afeta normalmente as pessoas mais velhas. Também tem tendência para ocorrer nas pessoas a quem foi extirpado parte do estômago (procedimento cirúrgico chamado gastrectomia parcial). A gastrite atrófica pode provocar anemia perniciosa porque interfere com a absorção da vitamina B12 presente nos alimentos.
A maioria dos casos crônicos não apresenta sintomas.
Já na gastrite aguda, quando existem queixas, são muito variadas:
Por deficiência de absorção de Vitamina B12 e ácido fólico, pode ocorrer anemia manifestada por:
Exames necessários:
Entretanto, 40% dos casos de gastrite crônica nada mostram. Por isso, considera-se que o diagnóstico das gastrites crônicas é, fundamentalmente, histológico, ou seja, pelo exame microscópico de fragmentos da mucosa colhidos por pinça de biópsia que passa através do próprio endoscópio.
Evitar o uso de medicações irritativas como os anti-inflamatórios e a aspirina, evitar medicamentos sem ordem medica e não ir diretamente na farmácia, pois eles dão remédios apenas para alivio da dor, informando curar seu estômago.
Evitar o abuso de bebidas alcoólicas e do fumo.
Existem controvérsias quanto ao hábito da ingestão de café e chá preto influir nas gastrites, por isso o seu consumo deverá depender da tolerância individual.
A melhoria das condições sanitárias, do tratamento da água de consumo doméstico, da higiene pessoal (lavar as mãos antes de tocar alimentos), dos cuidados no preparo e na conservação dos alimentos, faz decrescer significativamente as vítimas das toxinfecções alimentares (gastroenterites).
O tratamento está relacionado ao agente causador. Nos casos de gastrite aguda associada ao uso de medicações anti-inflamatórias, sua suspensão e/ou substituição, associada ao uso de medicamentos que neutralizem, que inibam ou bloqueiem a secreção ácida do estômago, é o tratamento básico.
A endoscopia, mais utilizada nos casos de gastrite aguda acompanhada de sangramento, além de poder fazer o diagnóstico, pode interromper a hemorragia aplicando variados tratamentos locais. Não há consenso sobre a vantagem de tratar a bactéria Helicobacter pylori quando há gastrite sem úlcera, pois não tem sido observada uma melhora significativa dos sintomas digestivos. Nos casos em que há a indicação do tratamento para a erradicação da bactéria, este consiste na administração de antibióticos e de bloqueadores da produção de ácido gástrico. O tratamento da gastrite consiste na eliminação das suas causas e no uso de medicamentos sob orientação médica. Alguns exemplos de remédios para gastrite são Omeprazol, Ranitidina e Cimetidina, mas a alimentação adequada é muito importante para o sucesso do tratamento.
A gastrite ou inflamação da mucosa do estômago além de se relacionar com o consumo de álcool, também pode ser gerada por infecções e pela ação de remédios anti-inflamatórios não esteroides (como a aspirina).
“Nestes casos ingerir morangos durante ou depois da patologia poderia aliviar a lesão na mucosa gástrica”, sugeriu Maurizio Battino, coordenador do grupo de pesquisa da Universidade Politécnica da Marche, na Itália.