
Medicamento é um produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou elaborado, com finalidade profilática, curativa, paliativa ou de diagnóstico. É composto por um ou mais fármacos, as substâncias responsáveis pelo efeito, e por excipientes, que dão forma, estabilidade e sabor ao produto, apresentados numa forma farmacêutica como comprimido, xarope ou injeção. Na linguagem cotidiana, medicamento é muitas vezes chamado de remédio, termo mais amplo que inclui qualquer recurso usado para tratar uma doença.
O uso de medicamentos, a farmacoterapia, é uma das principais ferramentas da medicina moderna. Sua descoberta e desenvolvimento dependem da farmacologia e da indústria farmacêutica; sua produção, registro, propaganda e venda são regulados por agências sanitárias, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no Brasil, e o Infarmed, em Portugal.
A legislação brasileira define medicamento, desde 1973, como "produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou elaborado, com finalidade profilática, curativa, paliativa ou para fins de diagnóstico". Em Portugal, o Decreto-Lei n.º 176/2006 define medicamento como toda substância ou associação de substâncias apresentada como tendo propriedades curativas ou preventivas de doenças em seres humanos, ou que possa ser usada para estabelecer um diagnóstico ou para restaurar, corrigir ou modificar funções fisiológicas por ação farmacológica, imunológica ou metabólica.
O termo não deve ser confundido com fármaco: o fármaco é a substância ativa, enquanto o medicamento é o produto pronto para uso, que contém o fármaco.

A forma farmacêutica é o estado final em que o medicamento é apresentado. As principais são as sólidas (comprimidos, cápsulas, pós), as semissólidas (pomadas, cremes, géis, supositórios), as líquidas (soluções, xaropes, suspensões, emulsões, injetáveis) e as gasosas (aerossóis e gases medicinais). A escolha da forma depende do fármaco, do paciente e da via de administração: oral, sublingual, retal, cutânea, inalatória ou parenteral (intravenosa, intramuscular e subcutânea, entre outras). A via determina a rapidez com que o fármaco chega à circulação e a fração da dose que efetivamente é absorvida.
No Brasil, a Lei dos Genéricos (Lei nº 9.787/1999) estabeleceu três categorias principais de medicamentos industrializados:
Outras categorias incluem os medicamentos biológicos, como vacinas, hemoderivados e anticorpos monoclonais, os fitoterápicos, obtidos exclusivamente de matérias-primas vegetais, e os medicamentos manipulados, preparados em farmácia a partir de prescrição.
Quanto à forma de venda, os medicamentos dividem-se em isentos de prescrição, que podem ser comprados sem receita, e sujeitos a prescrição. No Brasil, os medicamentos de venda sob prescrição trazem na embalagem uma tarja vermelha, e os que contêm substâncias sujeitas a controle especial, como psicotrópicos e entorpecentes, uma tarja preta, com retenção da receita na farmácia.

Até o século XIX, a maior parte dos medicamentos era preparada individualmente nas boticas. Com a indústria farmacêutica, a produção passou a ser feita em grande escala, e hoje segue normas de boas práticas de fabricação que garantem que cada lote tenha a composição e a qualidade registradas.
A chegada de um novo medicamento ao mercado envolve a pesquisa e o desenvolvimento do fármaco, com estudos pré-clínicos e ensaios clínicos; a produção do fármaco em escala industrial; a fabricação das especialidades farmacêuticas nas suas diversas formas; e a comercialização. Historicamente, a indústria de países em desenvolvimento, como o Brasil, concentrou-se nas etapas finais, de formulação e comercialização, dependendo da importação de fármacos.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, há uso racional de medicamentos quando o paciente recebe o medicamento adequado às suas necessidades clínicas, nas doses corretas, por um período adequado e ao menor custo para si e para a comunidade. O uso inadequado, como a automedicação sem orientação, o uso de antibióticos sem necessidade e a interrupção precoce de tratamentos, pode causar intoxicações, reações adversas e resistência antimicrobiana. A OMS mantém uma lista de medicamentos essenciais, considerados prioritários para os sistemas de saúde.
Alguns autores criticam a medicalização da sociedade, em que a doença passa a ser vista apenas como um sofrimento a eliminar pelo consumo de medicamentos, sem atenção às suas causas, e apontam o papel da propaganda nesse processo.
Parte dos fármacos consumidos é eliminada pela urina e pelas fezes sem ser metabolizada, e as estações de tratamento de esgoto não conseguem removê-los totalmente. Por isso, resíduos de medicamentos são encontrados em rios, lagos e até na água de abastecimento. Um caso conhecido é o do ácido clofíbrico, metabólito de medicamentos para baixar o colesterol, detectado na água de torneira de Berlim. O uso de antibióticos na criação de animais e na aquicultura também contribui para a seleção de bactérias resistentes no ambiente.
O descarte de medicamentos vencidos ou não usados no lixo comum ou no esgoto agrava o problema. No Brasil, desde 2020, um sistema de logística reversa obriga farmácias e drogarias a manter pontos de coleta de medicamentos domiciliares vencidos ou em desuso.