| Ogum | |
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| Nome nativo | Ògún |
| Genealogia | |
| Pais | |
| Irmão(s) | |
| Equivalentes | |
| Santo | |
| Parte da série sobre |
| Candomblé |
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Ogum (em iorubá: Ògún; em castelhano: Oggún; em francês: Ogoun; em fon,Gu) é um vodum loá e orixá do ferro, guerra, agricultura, caminhos, caça, tecnologia e protetor de artesãos e ferreiros.
Derivada do iorubá Ògún yè ("Ogum vive"), a saudação "Ogunhê!" é utilizada para esse orixá no Brasil, assim como "Patakori!", que pode ser entendida como uma saudação que exalta Ogum como força suprema e guia maior, aquele que ocupa um lugar de destaque e liderança espiritual, sendo reverenciado como o “chefe da cabeça” (patak = chefe; ori = cabeça) ou o orixá de maior importância e direção para o indivíduo.
Ogum é uma divindade de culto importante no Brasil devido à sua presença em religiões como a Umbanda, o Candomblé, o Catimbó a Encantaria, o Tambor de Minas, a Jurema Sagrada e os paganismos modernos brasileiros. É geralmente representado e cultuado como uma força da guerra, da abertura de caminhos, da quebra de demandas e da proteção. Alternativamente, quando chamado de Ogum Iara ou em conexão com Iemanjá em lendas ou rituais, associa-se também a praias e águas. Seu domínio pode ser considerado o das ferrovias, estradas e caminhos, e sua cor tradicional é o azul, embora tenha se popularizado sua associação com o vermelho e o branco devido ao sincretismo religioso com São Jorge e ao seu culto associado à malandragem carioca e a malandragem espiritual.
Principalmente no Sudeste brasileiro, Ogum é sincretizado com São Jorge, formando um dos exemplos mais expressivos de sincretismo religioso na cultura brasileira. Diferentemente de outros casos em que o sincretismo apenas mascara o culto de um orixá sob a forma de um santo católico, substituindo sua imagética original, no caso de Jorge e Ogum observa-se uma via de mão dupla. Nessa dinâmica, elementos associados ao orixá se assentam de forma orgânica e significativa que influenciam a imagem de São Jorge e estimulam seu culto popular.
O São Jorge da tradição católica, descrito como um guerreiro casto e devoto, símbolo do combate ao pecado e à heresia, é ressignificado no contexto brasileiro como um guerreiro valente e corajoso, amplamente celebrado com cerveja, samba e feijoada. Além disso, torna-se frequentemente patrono simbólico de categorias sociais historicamente marginalizadas, como sambistas, boêmios e os próprios malandros cariocas.
Um dos reflexos desse processo são as festas de São Jorge realizadas no Rio de Janeiro, celebradas em 23 de abril, data que constitui feriado estadual. Embora incluam missas e rituais católicos tradicionais, essas celebrações se destacam, no contexto urbano, por feijoadas, rodas de samba e outras expressões da cultura popular, atraindo grandes multidões de devotos. Eventos desse tipo ocorrem em diferentes pontos da cidade, como na Concha Acústica da Penha e em bares que organizam o chamado Circuito das Feijoadas, além de se espalharem por diversos municípios do estado.
Essas festividades são frequentemente marcadas por elementos da cultura afro-brasileira, mesmo quando organizadas em contextos católicos, refletindo o processo histórico da influência simbólica de Ogum na religiosidade popular. Nesse sentido, a devoção contemporânea ao santo incorpora camadas culturais associadas ao orixá, ainda que sua matriz católica permaneça distinta em termos teológicos.
Isso, no entanto, não exclui o papel da subordinação simbólica do culto africano ao catolicismo, já que, por mais que o arquétipo de Ogum tenha se sobressaído, o sincretismo é, em sua origem, uma imposição colonial. Além de ser representado com o nome e a imagem de São Jorge, em algumas vertentes das religiões afro-brasileiras, Ogum passa a ser associado às cores vermelho e branco, ao invés do tradicional azul, e ao cavalo, ao invés da serpente, o que mostra que, embora sua influência na imagem de São Jorge, a figura de Ogum também é remoldada historicamente por elementos do santo.
A forma de culto de conexão com Ogum no Brasil pode variar de acordo com a religião e vertente, mas é bastante difundido que Ogum é um orixá associado aos elementos terra e fogo, com domínio sobre a guerra, o progresso, a conquista e a metalurgia, sendo ligado às cores azul-escuro, verde e vermelho, e aos símbolos da bigorna, faca, pá, enxada, espada e outras armas e ferramentas. Suas oferendas podem incluir inhame assado ou cozido, feijoada, farofa de feijão-fradinho, entre outros, entregues em espaços rituais ou em estradas. Outra maneira de invocá-lo e homenageá-lo é por meio dos xirês ou pontos (cantigas).
Ao mesmo tempo em que é descrito como violento e implacável, também é visto como o pai que nunca abandona e sempre protege seus filhos, incluindo ferreiros, agricultores, carpinteiros e outros ligados às manufaturas. Tendo ensinado o homem a forjar o ferro, é considerado um dos pais da humanidade. Por isso, é um orixá muito querido pelos seguidores das religiões e caminhos espirituais que o cultuam, recebendo muitas oferendas e justificando a grande variedade de cantigas religiosas (pontos e xirês) que o homenageiam.
Ogum (em iorubá: Ògún) possui vários nomes iorubás no candomblé, a citar: Ogulê, Ogundelê, Ogundilê (Ògundélé), Ogundilei, Ogum-de-lei, Ogundemenê (Ògúndemonlé). Entre os fons, é chamado Gu.
No vodu haitiano, foi desmembrado numa família de loás que tem Ogum como prenome: Ferreiro (em francês: Ferraille; lit. "ferragem"), Balinjô (Balindjo), Badagris, Panamá, Olixá (em iorubá: Olis̩a), Ossanguê (em francês: Ossangoué; em iorubá: Ossangwé) Axadê (em iorubá: Aṣade), Trovão (em francês: Tonnerre), Xangô (em iorubá: S̩ango), Batalá (Bhathalah), Guerriê, Chatarrá, Chal. Na umbanda, como uma série de entidades, aparece como Beira-Mar/Marinho (quiçá de mariuô), Malê, Dilê (Oggun Nile da santeria), Nagô, Iara (em iorubá: yára; lit. "rápido", "ativo"), Matinada, Metá, Naruê, Oiá, Rompe-Mato, Xoroquê, Mejê ou Mejejê (Ògún méjeje). No batuque, como o orixá Avagã.
Pungo Dibudi na regla kimbisa do Santo Cristo da Boa Viagem, Sarabanda, Vento Mal (Viento Malo) e Cabo em Guerra (Cabo en Guerra) no palo, Acutorio Orgulê (Acutorio Orgullé ararás, Noi (Noy), Nou e Ajuagum (Ajuaggún) no cabildo gangá, Iboru e Bocú nos ritos ijexás. Abo Ichokún, Alagwede, Soude, Corona Apanada e Oguedai (Cuba); Aganju (Linguessou ou Linguesú) (Haiti e República Dominicana), Jiyán Petró e Pier Basicó (Rep. Dominicana), Onsú, Neguê e Belié Belcánascido. Em Trindade e Tobago, os Oguns são Olobá (Ologba), Olopelofonte (Olopelophon), Oromelai (Oromelay), Olomené e Oloremai (Oloremay).
Badagris era originalmente uma divindade iorubá, adotada pelos aradás, cujos atributos são o ferro, a guerra e o relâmpago. Segundo Louis Maximilien, Ferreiro é filho de Badagris e amante de sua madrasta Erzulie e foi sincretizado com São Jorge; Balinjô também é associado a Jorge. Panama é o protetor das palmeiras e é descrito usando chapéu de abas largas com tecido de folhas de palmeira. Olixa é tido como cruel e mal-humorado, enquanto Ossangué faz curas milagrosas. Guerriê porta gorro vermelho e uma espada.
Santiago Maior no vodu haitiano e santeria de Porto Rico No Brasil, é associado a Santo Antônio
João Batista com Ogum Trovão do vodu haitiano e Ogum da santeria de Cuba. Na santeria, Ogum ainda é associado a São Pedro.
Na religião iorubá, é citado como o primeiro orixá a descer ao reino de Ilê-Aiê ("Terra"), com o objetivo de encontrar uma habitação adequada para a futura vida humana e, consequentemente, recebe o nome de Oriki ou Osin Imole, que significa o "primeiro orixá a vir para a Terra." Foi provavelmente a primeira divindade cultuada pelos iorubás.
Considerado senhor do ferro, da guerra, da agricultura e da tecnologia, Ogum era o filho mais velho de Odudua. Este último era o rei fundador da cidade de Ifé, e Ogum assume o título de rei regente da cidade quando seu pai perde momentaneamente a visão.
De acordo com Pierre Verger, o arquétipo de Ogum é o das pessoas fortes, aguerridas e impulsivas, incapazes de perdoar as ofensas de que foram vítimas. Das pessoas que perseguem energicamente seus objetivos e não se desencorajam facilmente. Daquelas que, nos momentos difíceis, triunfam onde qualquer outro teria abandonado o combate e perdido toda a esperança. Das que possuem humor mutável, passando de furiosos acessos de raiva ao mais tranqüilo dos comportamentos. Finalmente, é o arquétipo das pessoas impetuosas e arrogantes, daquelas que se arriscam a melindrar os outros por uma certa falta de discrição quando lhe prestam serviços, mas que, devido à sinceridade e franqueza de suas intenções, tornam-se difíceis de serem odiadas.
Por causa deste contexto, compreende-se a popularidade de Ogum. Especula-se que ele tenha sido a primeira divindade cultuada pelos iorubás na África Ocidental; além disso, era um dos deuses em que os escravos africanos recorriam. Os seguidores de Ogum podem jurar a verdade em tribunais "beijando" um pedaço de ferro ou metal, enquanto que os motoristas carregam um amuleto de Ogum para evitar acidentes de trânsito.
Ogum é conhecido no candomblé como o orixá ferreiro. Ele é irmão de Exu, com quem é considerado dono de todos os caminhos e encruzilhadas, e identificado no jogo do merindilogum pelos odus etaogundá, odi e obeogundá, representado materialmente e imaterial através do assentamento sagrado denominado Ibá de Ogum. Já na santeria, ele é um dos quatro orixás guerreiros, representando o solitário hostil que vaga pelos caminhos. Além disso, Ogum é o dono dos montes junto com Oxóssi e dos caminhos, este último junto com Eleguá.
Ogum é homenageado na música de sucesso "Ogum", gravada originalmente por Zeca Pagodinho, em 2008, homenageando também São Jorge, com quem é sincretizado.
Em 2022 o rapper brasileiro Criolo lançou a canção "Ogum Ogum" em parceria com a cantora cabo-verdiana Mayra Andrade, com quem performou no Rock in Rio naquele ano.