Gulfstream III | |
|---|---|
| Um Gulfstream III de matrícula N80J | |
| Descrição | |
| Tipo / Missão | Jato executivo, transporte militar e plataforma de pesquisa |
| País de origem | Estados Unidos |
| Fabricante | Gulfstream Aerospace |
| Período de produção | 1979–1986 |
| Quantidade produzida | 206 |
| Desenvolvido de | Grumman Gulfstream II |
| Desenvolvido em | Gulfstream IV |
| Primeiro voo em | 2 de dezembro de 1979 |
O Gulfstream III (G-III; designação de fábrica G-1159A) é um jato executivo bimotor fabricado nos Estados Unidos pela Gulfstream Aerospace, em Savannah, no estado da Geórgia. Desenvolvido a partir do Grumman Gulfstream II, incorpora modificações na asa, na fuselagem e nos sistemas de bordo para ampliar o alcance e o desempenho. Seu primeiro voo ocorreu em 2 de dezembro de 1979; a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) certificou o modelo em 22 de setembro de 1980, ano em que entrou em serviço.
Além das operações empresariais, a aeronave foi adaptada para transporte de autoridades, reconhecimento, patrulha marítima, ensaios de voo e pesquisa científica. As versões militares norte-americanas C-20A, C-20B, C-20C, C-20D e C-20E pertencem à família Gulfstream III. As versões C-20F, C-20G e C-20H pertencem à geração posterior, Gulfstream IV; a designação C-20J, embora associada a essa família em alguns textos, consta no catálogo de tipos da FAA como derivada do Gulfstream II.
O Gulfstream III foi desenvolvido em conjunto pela então Grumman e pela Gulfstream American. Os estudos iniciais contemplavam uma asa inteiramente nova, dotada de perfis supercríticos desenvolvidos pela NASA e winglets. A análise dos efeitos sobre massa, arrasto, volume de combustível, custos e desempenho indicou que parte expressiva dos benefícios poderia ser obtida mantendo a estrutura central da asa do Gulfstream II. A opção adotada preservou a caixa estrutural e as superfícies do bordo de fuga, mas alterou o bordo de ataque e acrescentou extensões nas pontas das asas.
Comparada à do Gulfstream II, a asa teve a envergadura aumentada em aproximadamente 1,8 m, e os winglets acrescentaram cerca de 1,5 m de extensão vertical nas extremidades. A fuselagem foi alongada em aproximadamente 0,6 m na região posterior à porta principal, o radome recebeu desenho mais alongado e o para-brisa passou a apresentar curvatura contínua. O modelo também recebeu alterações nos sistemas de piloto automático e nos instrumentos de voo e de motores. Seu peso máximo de decolagem passou a alcançar 31.615 kg nas configurações posteriores.
O primeiro protótipo foi apresentado em setembro de 1979 e voou em 2 de dezembro daquele ano. A certificação do modelo G-1159A pela FAA ocorreu em 22 de setembro de 1980; a produção foi encerrada em 1986, quando o Gulfstream IV assumiu seu lugar na linha de fabricação. Em novembro de 1983, um G-III realizou uma travessia aérea sobre ambos os polos geográficos, feito destacado na cronologia publicada pela fabricante.
As fontes divergem quanto ao número de aeronaves construídas. O levantamento industrial da Forecast International, publicado em 2018, contabiliza 206 unidades. Já a Aircraft Owners and Pilots Association (AOPA) registra 202 unidades em sua retrospectiva de 2012, número igualmente encontrado na bibliografia aeronáutica de 1994. As fontes não esclarecem a razão da diferença entre as contagens.
As aeronaves que ainda operam em determinados espaços aéreos precisam atender às regras aplicáveis de emissão de ruído. Nos Estados Unidos, uma regra de 2013 estabeleceu que, a partir de 31 de dezembro de 2015, jatos civis com peso máximo de até 34.019 kg não poderiam operar normalmente nos 48 estados contíguos caso não cumprissem os limites do padrão Stage 3. Entre as alternativas técnicas de adequação de exemplares G-III estão dispositivos de atenuação do ruído dos motores, conhecidos como hush kits; a regulamentação admite autorizações especiais em situações determinadas. A NASA, por exemplo, registra a instalação desse tipo de equipamento num G-III convertido para pesquisas no Centro de Pesquisa Langley.
Em levantamento de ofertas publicado em 2018, exemplares do Gulfstream III fabricados em 1982 eram anunciados a partir de aproximadamente 695 mil dólares norte-americanos. O valor é um registro histórico do mercado de aeronaves usadas naquela data e não representa cotação atual.

As designações C-20F, C-20G e C-20H referem-se à geração Gulfstream IV, e a designação C-20J figura no catálogo da FAA entre as variantes do Gulfstream II.

A NASA recebeu em 2003 um C-20A anteriormente utilizado pela Força Aérea dos Estados Unidos. A aeronave, de matrícula N802NA e número de fabricação 389, foi modificada pelo Centro de Pesquisa de Voo Armstrong com um suporte ventral capaz de transportar um radar de abertura sintética denominado UAVSAR (Uninhabited Aerial Vehicle Synthetic Aperture Radar). O equipamento permite obter imagens do terreno e medições de deformação relacionadas, entre outros fenômenos, a terremotos, vulcões e movimentos da superfície terrestre.
Outro Gulfstream III da NASA, identificado como N992NA e número de fabricação 309, foi adaptado para transportar o sistema AirMOSS (Airborne Microwave Observatory of Subcanopy and Subsurface), dotado de radar para pesquisar a umidade do solo e outros parâmetros ambientais sob a vegetação. A plataforma é vinculada ao Centro Espacial Lyndon B. Johnson.
No Centro de Pesquisa Langley, um terceiro exemplar de pesquisa, N520NA (NASA 520), foi recebido em dezembro de 2017 após transferência da Força Aérea. A aeronave dispõe de sistemas científicos, portas de observação voltadas para baixo e equipamentos para atender às normas de ruído. A NASA indicava sua utilização em missões de pesquisa ainda em 2026.
A empresa Phoenix Air adquiriu e adaptou aeronaves Gulfstream III, incluindo antigos modelos SMA-3 provenientes da Força Aérea Dinamarquesa. Entre suas aplicações estão vigilância de áreas de testes militares, transporte especializado e missões aeromédicas. Um dos antigos SMA-3 dinamarqueses, registrado como N173PA, recebeu equipamento para isolamento de pacientes com doenças transmissíveis. Durante a epidemia de ébola na África Ocidental, em 2014, o sistema foi empregado em voos de evacuação médica. Reportagem publicada pela AOPA registrou doze missões realizadas até o fim daquele ano; o número refere-se àquele período, e não ao total definitivo de operações posteriores.
A Lockheed Martin modificou um Gulfstream III de matrícula N30LX e número de fabricação 438 como laboratório aéreo de inteligência e vigilância, conhecido como Dragon Star ou Airborne Multi-Intelligence Laboratory. Dotado de sensores ópticos e eletrônicos, o aparelho foi disponibilizado à Força Aérea Italiana em contrato iniciado em 2012 e renovado ao menos até 2016. O emprego histórico está documentado em contrato publicado pelo governo italiano, sem que as fontes citadas confirmem sua continuidade posterior.
A empresa norte-americana Calspan incorporou em 2011 o Gulfstream III N710CF à sua frota de aeronaves-laboratório. Equipado com suportes para cargas externas e instalações de antenas, foi empregado em testes de radares, comunicações e equipamentos aeronáuticos. Em sua descrição de frota consultada em 2026, a empresa informava dispor de dois Gulfstream G-III modificados para ensaios de voo.
A Força Aérea Indiana recebeu aeronaves Gulfstream III modificadas para reconhecimento, entre elas os aparelhos identificados como K2961 (número de fabricação 494) e K2962 (número 495). Fotografias documentam sua utilização nos anos 2000. Fontes especializadas descrevem câmeras destinadas à observação fotográfica a longa distância, mas os registros consultados não estabelecem com segurança a situação operacional atual de cada exemplar.
O Gulfstream III foi utilizado em transporte governamental, missões militares e pesquisas científicas. A lista reúne operadores documentados historicamente; a identificação de uma aeronave em determinado ano não confirma que ela continue em serviço em 2026. O modelo também foi usado por empresas e operadores privados.


Os dados abaixo correspondem à versão de produção G-1159A e têm como fontes principais Jane's Civil and Military Aircraft Upgrades 1994–95, a ficha técnica da AOPA e documentação aeronáutica da NASA.