Gulfstream IV | |
|---|---|
| Um Gulfstream IV-SP pousando no Aeroporto de Londres-Heathrow, em 2007 | |
| Descrição | |
| Tipo / Missão | Jato executivo e aeronave de transporte militar |
| País de origem | Estados Unidos |
| Fabricante | Gulfstream Aerospace |
| Período de produção | 1985–2018 (família, incluindo o G450) |
| Quantidade produzida | 902 (família G-IV/G300/G400/G350/G450) |
| Desenvolvido de | Gulfstream III |
| Desenvolvido em | Gulfstream V e Gulfstream G450 |
| Primeiro voo em | 19 de setembro de 1985 |
O Gulfstream IV (G-IV ou GIV) é uma família de aeronaves a jato bimotoras produzidas pela empresa norte-americana Gulfstream Aerospace, sediada em Savannah, no estado da Geórgia. Desenvolvida a partir do Gulfstream III, foi empregada sobretudo como jato executivo, além de receber adaptações para transporte militar, apoio logístico e pesquisa meteorológica. A família utiliza dois motores turbofan Rolls-Royce RB.183 Tay, montados na parte traseira da fuselagem.
O primeiro exemplar voou em 19 de setembro de 1985, e a certificação pela Administração Federal de Aviação (FAA) ocorreu em 22 de abril de 1987. O desenvolvimento da família levou às variantes G-IV-SP, G300, G400, G350 e G450. A última aeronave G450 foi entregue em janeiro de 2018, encerrando a produção da linhagem. Um levantamento industrial contabilizou 902 unidades somando 537 aeronaves G-IV/G300/G400, onze G350 e 354 G450. O nome G400 usado na série derivada do Gulfstream IV não deve ser confundido com o modelo de nova geração introduzido posteriormente pela fabricante.

A Gulfstream, em colaboração com a Grumman, iniciou o projeto do Gulfstream IV em março de 1983. A aeronave foi concebida como uma evolução do Gulfstream III, com fuselagem alongada, novos motores e modificações na asa para melhorar o desempenho em cruzeiro e a autonomia. O primeiro protótipo, de matrícula N404GA, foi apresentado em 11 de setembro de 1985 e realizou o primeiro voo oito dias depois. Após o programa de ensaios, o modelo recebeu sua certificação da FAA em 22 de abril de 1987. Os primeiros exemplares da série pertenciam à faixa de números de fabricação iniciada em 1000.
A versão G-IV-SP (Special Performance) foi anunciada em 1991 e começou a ser introduzida em 1992, a partir do número de série 1214. Suas modificações ampliaram os limites de peso de operação e a capacidade de transporte em relação ao modelo inicial. Em dezembro de 2002, a Gulfstream concluiu o 500.º exemplar das séries G-IV e G-IV-SP, de número de fabricação 1499. A fabricante passou então a comercializar versões revistas como G300 e G400, apresentadas em setembro de 2002, sendo o primeiro uma configuração de menor alcance e equipamentos e o segundo a opção de especificação mais completa.
Em 2001 começou o desenvolvimento de uma variante aperfeiçoada, inicialmente chamada G-IV-X e posteriormente comercializada como G450. A aeronave incorporou uma seção dianteira semelhante à do Gulfstream G550, uma cabine de pilotagem ampliada e cerca de 30 cm de comprimento adicional. O G450 voou pela primeira vez em 30 de abril de 2003; recebeu certificação em 12 de agosto de 2004, e sua produção substituiu a do G400. A variante G350, certificada no mesmo ano, foi oferecida como alternativa de menor autonomia, com capacidade reduzida de combustível.
A conclusão da produção do G450 ocorreu em janeiro de 2018. A fabricante passou a atender à mesma faixa de mercado com o Gulfstream G500 de nova geração. O total de 365 aeronaves por vezes atribuído ao programa final reúne os 354 G450 e os onze G350, conforme a discriminação das entregas na documentação setorial.
Um levantamento publicado em dezembro de 2018 registrou valores de oferta, em dólares norte-americanos daquele período, entre 1,6 milhão e 4,4 milhões para exemplares G-IV produzidos de 1990 a 1992, entre 1,25 milhão e 5,2 milhões para G-IV-SP de 1992 a 1999, e entre 4,5 milhões e 7 milhões para G300 e G400 com aproximadamente 15 anos de uso. Exemplares G450 fabricados entre 2006 e 2016 eram ofertados por valores entre 9,95 milhões e 23,75 milhões de dólares. Esses valores representam registros históricos do mercado de aeronaves usadas, não preços atuais.
O Gulfstream IV é um monoplano de asa baixa, com duas turbinas instaladas junto à parte posterior da fuselagem, cauda em T e trem de pouso triciclo retrátil. Em relação ao Gulfstream III, o redesenho da asa procurou reduzir o arrasto aerodinâmico em velocidades transônicas sem obrigar a substituir as superfícies de comando já empregadas. Por isso, as modificações principais ficaram concentradas na parte dianteira do perfil, correspondente a aproximadamente 65% da corda da asa, enquanto a região interna teve alterações mais limitadas para não exigir uma reconstrução da estrutura do piso da fuselagem.
O formato da seção externa da asa deslocou e atenuou regiões de ondas de choque, com redução do arrasto em cruzeiro. O aumento da corda também proporcionou maior volume para combustível, enquanto a distribuição de sustentação e a torção geométrica contribuíram para diminuir a velocidade de estol. A combinação dessas medidas com a nova motorização acrescentou mais de 550 km à autonomia em comparação com a geração anterior, nas condições examinadas durante o desenvolvimento.

O projeto também se destacou pela adoção de um painel de instrumentos inteiramente digital, com mostradores eletrônicos que substituíam os instrumentos eletromecânicos convencionais. As primeiras aeronaves receberam aviônicos Honeywell SPZ-8000, enquanto o conjunto SPZ-8400 foi oferecido posteriormente e passou a equipar as últimas versões. As aeronaves da família operam normalmente em cruzeiro próximo de Mach 0,80 a 0,85, a altitudes de até aproximadamente 13.700 m.
O G450 adotou motores Rolls-Royce Tay 611-8C, equipados com controle digital eletrônico integral (FADEC), além de novos reversores de empuxo, naceles, suportes de motor e alterações aerodinâmicas. A versão incorporou sistemas derivados do G550, incluindo componentes do nariz, trem de pouso dianteiro, geração elétrica, pressurização e controle de temperatura. Sua cabine de pilotagem PlaneView dispõe de quatro telas de cristal líquido de aproximadamente 36 cm e pode incluir um visor de apresentação frontal (HUD).

A National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), órgão meteorológico e oceanográfico dos Estados Unidos, utiliza um Gulfstream IV-SP adaptado, de matrícula N49RF e indicativo de chamada NOAA49, também conhecido pelo apelido Gonzo. Adquirida em 1996, a aeronave realiza missões de investigação atmosférica em torno de ciclones tropicais, normalmente voando acima das regiões mais intensas das tempestades. A tripulação transporta meteorologistas, técnicos e instrumentos de pesquisa em altitudes que podem chegar a 13.700 m.
Seu principal instrumento de medição é a radiossonda de queda (dropsonde), lançada durante o voo para registrar pressão atmosférica, temperatura, umidade do ar e ventos à medida que desce até a superfície. Os dados transmitidos à aeronave são utilizados por modelos de previsão no National Hurricane Center e em outros centros de pesquisa. O aparelho também dispõe de um radar Doppler instalado na seção traseira para examinar a estrutura das tempestades. Em 2026, a NOAA continuava a descrever o G-IV-SP como parte de sua frota de pesquisa de furacões.
Em junho de 1987, um Gulfstream IV realizou uma volta ao mundo no sentido oeste em 45 horas e 25 minutos, estabelecendo 22 recordes de sua categoria. Em fevereiro de 1988, outra aeronave percorreu uma rota de circunavegação no sentido leste em 36 horas, oito minutos e 34 segundos, com onze recordes. Em 1993, um G-IV-SP também registrou marcas de velocidade e distância em uma viagem de Tóquio a Albuquerque. Esses resultados foram registrados em compilações especializadas da história do modelo. Allen Paulson, então dirigente da Gulfstream, participou dos voos de 1987 e 1988; o aviador Clay Lacy atribuiu a essa série de operações 35 recordes internacionais de velocidade e distância.

As designações militares norte-americanas C-20F, C-20G e C-20H abrangem derivações do Gulfstream IV. Os modelos C-20A, C-20B, C-20C, C-20D e C-20E são derivados do Gulfstream III, enquanto o C-20J corresponde ao Gulfstream II (modelo G-1159), conforme a classificação de tipos de aeronaves da FAA.
Aeronaves da família Gulfstream IV foram utilizadas por proprietários particulares, empresas, operadores de fretamento executivo, prestadores de serviços de ambulância aérea e programas de propriedade compartilhada. As configurações internas variam entre salões de transporte executivo, disposição de assentos para passageiros e adaptações para equipamentos ou carga.

Entre os operadores documentados em inventários e registros históricos da família figuram:
A presença nessa lista indica uso documentado em determinado período, e não necessariamente operação em 2026. As referências mais antigas não permitem atribuir, sem atualização, quantidades ou situações operacionais atuais a todos os países mencionados.
Em 31 de maio de 2014, um G-IV de matrícula N121JM caiu após ultrapassar o fim da pista durante uma tentativa de decolagem abortada em Bedford, Massachusetts, nos Estados Unidos. Morreram seus sete ocupantes. A investigação da National Transportation Safety Board (NTSB) concluiu que a tripulação não executou a verificação dos comandos de voo, tentou decolar com o sistema de travamento dos comandos (gust lock) acionado e demorou a interromper a decolagem. O órgão também identificou limitações no sistema de intertravamento dos manetes de potência e deficiências na fiscalização de sua certificação.
Em 15 de dezembro de 2021, um Gulfstream G-IV-SP de matrícula HI1050 sofreu um acidente nas proximidades do Aeroporto Internacional Las Américas, na República Dominicana, causando a morte dos nove ocupantes. O acidente está entre as ocorrências fatais registradas para a família.
As especificações a seguir são representativas de diferentes versões da família, conforme os manuais e levantamentos técnicos citados. Os valores de massa, configuração e alcance variam conforme a versão e os equipamentos instalados.
| Característica | G-IV | G-IV-SP | G350 | G450 |
|---|---|---|---|---|
| Tripulação de cabine | 2 pilotos | |||
| Capacidade de passageiros | Até 19, conforme a configuração civil | |||
| Comprimento | 26,92 m | 27,23 m | ||
| Envergadura | 23,72 m | |||
| Área alar | 88,3 m² | |||
| Altura | 7,45 m | 7,67 m | ||
| Massa máxima de decolagem | 33.203 kg | 33.838 kg | 32.160 kg | 33.838 kg |
| Velocidade de cruzeiro | Mach 0,80–0,85 (aproximadamente 850–903 km/h) | |||
| Velocidade máxima | Mach 0,88 (aproximadamente 935 km/h) | |||
| Alcance nominal | 7.815 km | 7.815 km | 7.038 km | 8.056 km |
| Teto operacional | 13.716 m | |||
| Motores | 2 × Rolls-Royce Tay 610-8 ou 611-8 | 2 × Rolls-Royce Tay 611-8 | 2 × Rolls-Royce Tay 611-8C | |
| Empuxo por motor (nominal) | 55,2–61,6 kN | 61,6 kN | Aproximadamente 61,6 kN | |
A identificação de motores instalados em exemplares G-IV difere entre os registros: o cadastro da FAA registra motores Tay 610-8 em um exemplar de 1987, enquanto a folha de certificação do modelo G-IV e a ficha militar do C-20H citam a família Tay 611-8. As especificações acima agrupam essa variação sem supor que todas as aeronaves tenham recebido a mesma motorização. Os valores de massa vazia divulgados para diferentes variantes nem sempre seguem uma definição única de massa básica operacional; por isso, não são comparados nesta tabela. O alcance nominal de 7.815 km para o G-IV e o G-IV-SP corresponde ao valor apresentado em levantamentos técnicos e na documentação militar do C-20H. O G350 emprega uma configuração de combustível distinta, e a autonomia citada para o G450 não deve ser atribuída automaticamente ao G400 de primeira geração.