Harold Bloom (11 de julho de 1930 – 14 de outubro de 2019) foi um crítico literário americano e professor de humanidades na Universidade Yale. Em 2017, Bloom foi chamado de "provavelmente o crítico literário mais famoso do mundo anglófono". Após publicar seu primeiro livro em 1959, Bloom escreveu mais de 50 livros, incluindo mais de 40 livros de crítica literária, vários livros discutindo religião e um romance. Ele editou centenas de antologias sobre inúmeros figuras literárias e filosóficas para a editora Chelsea House. Os livros de Bloom foram traduzidos para mais de 40 idiomas. Ele foi eleito para a Sociedade Filosófica Americana em 1995.
Bloom nasceu na cidade de Nova York em 11 de julho de 1930, filho de Paula (nascida Lev) e William Bloom. Ele morava no Bronx no endereço 1410 Grand Concourse. Ele foi criado como judeu ortodoxo em uma casa de língua iídiche, onde aprendeu hebraico literário; ele aprendeu inglês aos seis anos de idade. O pai de Bloom, um trabalhador da indústria de vestuário, nasceu em Odessa e sua mãe, judia lituana, dona de casa, nasceu perto de Brest-Litovsk, no que hoje é a Bielorrússia. Harold tinha três irmãs mais velhas e um irmão mais velho. Ele foi o último irmão vivo.
Quando menino, Bloom leu Collected Poems de Hart Crane, uma coletânea que inspirou seu fascínio pela poesia ao longo da vida. Bloom estudou na Bronx High School of Science, onde suas notas eram ruins, mas suas pontuações em testes padronizados eram altas. Em 1951, recebeu um diploma de B.A. em clássicos pela Cornell, onde foi aluno do crítico literário M. H. Abrams, e em 1955 um Ph.D. por Yale. Em 1954–55, Bloom foi Bolsista Fulbright no Pembroke College, Cambridge.
Bloom foi um aluno destacado em Yale, onde entrou em conflito com o corpo docente dos Novos Críticos, incluindo William K. Wimsatt. Vários anos depois, Bloom dedicou seu livro A Angústia da Influência a Wimsatt.
Carreira docente
Bloom foi membro do Departamento de Inglês de Yale de 1955 a 2019, dando sua última aula quatro dias antes de sua morte. Ele recebeu uma Bolsa MacArthur em 1985. De 1988 a 2004, Bloom foi Professor Berg de Inglês na Universidade de Nova York, mantendo seu cargo em Yale. Em 2010, tornou-se patrono fundador do Ralston College, uma nova instituição em Savannah, Geórgia, que se concentra em textos primários. Apegado a termos carinhosos, Bloom se dirigia a estudantes e amigos, tanto homens quanto mulheres, como "meu caro".
Vida pessoal e morte
Bloom casou-se com Jeanne Gould em 1958. Eles tiveram dois filhos. Em uma entrevista de 2005, Jeanne disse que ela e Harold eram ambos ateus, o que ele negou: "Não, não, não sou ateu. Não tem graça ser ateu."
Bloom foi tema de um artigo de 1990 na GQ intitulado "Bloom in Love", que o acusava de ter casos com estudantes de pós-graduação do sexo feminino. Ele chamou o artigo de "uma peça nojenta de assassinato de caráter". O amigo e colega de Bloom, o biógrafo R. W. B. Lewis, disse em 1994 que a "vagabundagem [de Bloom], pelo que entendi, é coisa do passado. Odeio dizer isso, mas ele meio que se vangloriava disso, então não foi muito secreto por vários anos." Em um artigo de 2004 para a revista New York, Naomi Wolf escreveu que, quando era estudante de graduação na Universidade Yale em 1983, Bloom colocou a mão na parte interna de sua coxa em um jantar organizado para discutir sua escrita. Bloom "negou veementemente" a acusação. Camille Paglia criticou Wolf, acusando-a de lançar uma caça às bruxas e chamando de "indecente" fazer alegações sobre eventos de 20 anos antes. Em resposta, Andrea Dworkin defendeu a credibilidade de Wolf apesar de suas discordâncias intelectuais e ideológicas, enquanto Jenni Murray, Marcelle d'Argy Smith e Elizabeth Wurtzel responderam de forma mais crítica, lançando dúvidas sobre o relato de Wolf e questionando o longo intervalo entre o incidente alegado e a divulgação de Wolf.
Bloom nunca se aposentou do ensino, jurando que precisaria ser removido da sala de aula "em um grande saco de cadáver". Ele fez cirurgia de coração aberto em 2002 e quebrou as costas após uma queda em 2008. Ele morreu em um hospital em New Haven, Connecticut, em 14 de outubro de 2019. Ele tinha 89 anos.
Carreira de escritor
Defesa do Romantismo
Bloom começou sua carreira com uma sequência de monografias altamente conceituadas sobre Percy Bysshe Shelley (Shelley's Myth-making, Yale University Press, originalmente a tese de doutorado de Bloom), William Blake (Blake's Apocalypse, Doubleday), W. B. Yeats (Yeats, Oxford University Press), e Wallace Stevens (Wallace Stevens: The Poems of Our Climate, Cornell University Press). Nesses livros, ele defendeu os Altos Românticos contra críticos neo-cristãos influenciados por escritores como T. S. Eliot, que se tornou um contraponto intelectual recorrente. Bloom tinha uma abordagem polêmica: seu primeiro livro, Shelley's Myth-making, acusava muitos críticos contemporâneos de puro descuido em suas leituras do poeta.
Teoria da influência
Uma divindade com rosto de leão associada ao Gnosticismo. Bloom frequentemente se referia ao Gnosticismo ao falar sobre questões religiosas gerais e pessoais.
Após uma crise pessoal no final da década de 1960, Bloom se interessou profundamente por Ralph Waldo Emerson, Sigmund Freud e pelas antigas tradições místicas do Gnosticismo, da Cabala e do Hermetismo. Em uma entrevista de 2003 com Bloom, Michael Pakenham, editor de livros do The Baltimore Sun, observou que Bloom há muito se autodenominava um "gnóstico judeu". Bloom respondeu: "Estou usando 'gnóstico' de uma forma muito ampla. Não sou nada se não judeu... Sou realmente um produto da cultura iídiche. Mas não consigo entender um Yahweh, ou um Deus, que pudesse ser todo-poderoso e onisciente e permitiria os campos de extermínio nazistas e a esquizofrenia." Influenciado por suas leituras, ele começou uma série de livros que enfocavam a maneira pela qual os poetas lutam para criar suas visões poéticas individuais sem serem dominados pela influência dos poetas que os inspiraram a escrever.
O primeiro desses livros, Yeats, desafiou a visão crítica convencional da carreira poética de William Butler Yeats. Na introdução desse volume, Bloom estabeleceu os princípios básicos de sua nova abordagem à crítica: "A influência poética, como a concebo, é uma variedade de melancolia ou o princípio da angústia." Novos poetas se sentem inspirados a escrever porque leram e admiraram poetas anteriores, mas essa admiração se transforma em ressentimento quando os novos poetas descobrem que os poetas que idolatravam já disseram tudo o que desejam dizer. Os poetas ficam decepcionados porque "não podem ser Adão de manhã cedo. Houve muitos Adãos, e eles nomearam tudo."
Para escapar desse obstáculo psicológico, segundo Bloom, os poetas devem estar convencidos de que os poetas anteriores erraram em algum lugar e falharam em sua visão, deixando assim aberta a possibilidade de que eles tenham algo a acrescentar à tradição. O amor dos poetas por seus heróis se transforma em antagonismo em relação a eles: "O amor inicial pela poesia do precursor se transforma rapidamente em luta revisionária, sem a qual a individuação não é possível." O livro que se seguiu a Yeats, A Angústia da Influência, que Bloom começou a escrever em 1967, baseou-se no exemplo de The Burden of the Past and The English Poet de Walter Jackson Bate e reformulou em forma psicanalítica sistemática o relato historicizado de Bate sobre o desespero que os poetas dos séculos XVII e XVIII sentiam por sua incapacidade de igualar seus predecessores. Bloom tentou traçar o processo psicológico pelo qual os poetas se libertaram de seus precursores para alcançar suas próprias visões poéticas. Ele traçou uma distinção nítida entre "poetas fortes", que realizam "leituras equivocadas fortes" de seus precursores, e "poetas fracos", que meramente repetem as ideias de seus precursores como se seguissem uma espécie de doutrina. Ele descreveu esse processo em termos de uma sequência de "ratios revisionários" pelos quais os poetas fortes passam no decorrer de suas carreiras.
Adendos e desenvolvimentos de sua teoria
Retrato fotográfico da sobrecapa de Agon: Towards a Theory of Revisionism (1982)
A Map of Misreading continua de onde A Angústia da Influência parou, fazendo vários ajustes no sistema de ratios revisionários de Bloom. Kabbalah and Criticism tenta invocar o sistema interpretativo esotérico da Cabala luriana, conforme explicado pelo estudioso Gershom Scholem, como um sistema alternativo de mapear o caminho da influência poética. Figures of Capable Imagination coletou peças avulsas que Bloom escreveu no processo de composição de seus livros sobre "influência".
Bloom continuou a escrever sobre a teoria da influência ao longo das décadas de 1970 e 1980, e escreveu pouco depois disso que não invocasse suas ideias sobre influência.
Experimento com romance
O fascínio de Bloom pelo romance de fantasia de David Lindsay, A Voyage to Arcturus, levou-o a fazer uma breve pausa na crítica para compor uma sequência para ele. Esse romance, The Flight to Lucifer, foi a única obra de ficção de Bloom.
Crítica religiosa
Bloom então entrou em uma fase do que chamou de "crítica religiosa", começando com Ruin the Sacred Truths: Poetry and Belief from the Bible to the Present (1989). Em The Book of J (1990), ele e David Rosenberg (que traduziu os textos bíblicos) retrataram um dos postulados documentos antigos que formaram a base dos primeiros cinco livros da Bíblia como o trabalho de um grande artista literário que não tinha intenção de compor uma obra dogmaticamente religiosa (ver Javista). Eles imaginaram esse escritor anônimo como uma mulher ligada à corte dos sucessores dos reis israelitas Davi e Salomão–uma especulação que atraiu muita atenção. Mais tarde, Bloom disse que as especulações não foram longe o suficiente, e que talvez devesse ter identificado J com a Bate-Seba bíblica. Em Jesus and Yahweh: The Names Divine (2004), ele revisita parte do território abordado em The Book of J ao discutir o significado de Yahweh e Jesus de Nazaré como personagens literários, ao mesmo tempo em que lança um olhar crítico sobre abordagens históricas e afirma a incompatibilidade fundamental entre cristianismo e judaísmo.
Em The American Religion (1992), Bloom pesquisou as principais variedades de fés religiosas protestantes e pós-protestantes que se originaram nos Estados Unidos e argumentou que, em termos de sua influência psicológica sobre seus adeptos, a maioria tinha mais em comum com o gnosticismo do que com o cristianismo histórico. A exceção eram as Testemunhas de Jeová, que Bloom considera não-gnósticas. Ele também previu que as vertentes mórmon e pentecostal do cristianismo americano superariam as divisões protestantes mainstream em popularidade nas próximas décadas. Em Omens of Millennium (1996), Bloom identifica esses elementos religiosos americanos como estando na periferia de uma antiga – e não inerentemente cristã – tradição religiosa gnóstica que invoca um complexo de ideias e experiências concernentes à angelologia, interpretação de sonhos como profecia, experiências de quase morte e milenarismo.
Em seu ensaio em "The Gospel of Thomas", Bloom escreve que nenhum dos ditos em aramaico no Evangelho de Tomé sobreviveu no idioma original. Marvin Meyer concordou em geral e confirmou ainda que as versões anteriores desse texto foram provavelmente escritas em aramaico ou grego. Meyer termina sua introdução com um endosso de grande parte do ensaio de Bloom. Bloom observa a natureza transcendental do Jesus nos ditos de Tomé fazendo referência ao "paradoxo também do Jesus americano".
O Cânone Ocidental
O Cânone Ocidental (1994), um levantamento das principais obras literárias da Europa e das Américas desde o século XIV, concentra-se em 26 obras que Bloom considera sublimes e representativas de suas nações e do cânone ocidental. Além de análises das várias obras representativas do cânone, a principal preocupação de Bloom no volume era reivindicar a literatura daquilo que ele chamava de "Escola do Ressentimento", os críticos majoritariamente acadêmicos que adotavam um propósito social em seu trabalho. Bloom afirmou que os objetivos da leitura devem ser o prazer estético solitário e a auto-reflexão, e não o objetivo de melhorar a sociedade defendido pelas "forças do ressentimento". Ele considerou estas últimas absurdas, escrevendo: "A ideia de que você beneficia os insultados e feridos lendo alguém de suas próprias origens em vez de ler Shakespeare é uma das ilusões mais estranhas já promovidas por ou em nossas escolas." Sua posição era de que a política não tinha lugar na crítica literária: que uma leitura feminista ou marxista de Hamlet nos diria algo sobre feminismo e marxismo, mas provavelmente nada sobre Hamlet.
Além de considerar quanta influência um escritor teve sobre escritores posteriores, Bloom propôs o conceito de "estranheza canônica" (cf. sinistro) como um parâmetro do mérito de uma obra literária. O Cânone Ocidental também incluía uma lista–notada pelo público em geral com amplo interesse–das obras ocidentais da antiguidade até o presente que Bloom considerava membros permanentes do cânone dos clássicos literários, ou candidatas a esse status. Bloom disse que fez a lista de cabeça a pedido de seu editor, e que não a defendia.
Bloom tinha uma profunda admiração por William Shakespeare, considerando-o o centro supremo do cânone ocidental. A primeira edição de A Angústia da Influência quase evitou completamente Shakespeare, que Bloom então considerava mal tocado pelo drama psicológico da angústia. A segunda edição, publicada em 1997, acrescentou um longo prefácio que em grande parte expunha a dívida de Shakespeare com Ovídio e Chaucer, e seu agon com Christopher Marlowe, que preparou o terreno para ele ao se libertar de tons eclesiásticos e moralizantes.
Em seu levantamento posterior, Shakespeare: The Invention of the Human (1998), Bloom forneceu uma análise de cada uma das 38 peças de Shakespeare, "vinte e quatro das quais são obras-primas". Escrito como um companheiro para o leitor geral e frequentador de teatro, Bloom declarou que a bardolatria "deveria ser ainda mais uma religião secular do que já é". Ele também sustentou na obra que Shakespeare "inventou" a humanidade, na medida em que prescreveu a prática agora comum de nos "ouvirmos" a nós mesmos, o que impulsiona nossas mudanças. Os dois paradigmas de sua teoria eram Sir John Falstaff e Príncipe Hamlet, que Bloom via como representando autossatisfação e autodepreciação, respectivamente. Bloom chamou esses dois personagens, junto com Iago e Cleópatra, de "os quatro personagens shakespearianos mais inesgotáveis à meditação".
Bloom deu seguimento ao seu grande livro sobre Shakespeare com um livro suplementar estendendo seu estudo de Hamlet. O livro suplementar sobre Hamlet foi então ainda mais estendido com volumes separados examinando as principais personalidades em Shakespeare, incluindo um volume para cada um de Cleópatra, Macbeth, Lear, Iago, e Falstaff.
Anos 2000 e 2010
Mídia externa
Bloom consolidou seu trabalho sobre o cânone ocidental com a publicação de How to Read and Why (2000) e Genius: A Mosaic of One Hundred Exemplary Creative Minds (2003). Hamlet: Poem Unlimited (também de 2003) é uma emenda a Shakespeare: Invention of the Human escrita depois que Bloom decidiu que o capítulo sobre Hamlet no livro anterior estava muito focado na questão textual do Ur-Hamlet para cobrir seus pensamentos mais centrais sobre a peça em si. Alguns elementos da crítica religiosa foram combinados com sua crítica secular em Where Shall Wisdom Be Found (2004), e um retorno mais completo à crítica religiosa foi marcado pela publicação de Jesus and Yahweh: The Names Divine (2005). Ao longo da década, ele também compilou, editou e apresentou várias antologias importantes de poesia.
Bloom participou do documentário de Paul Festa de 2006, Apparition of the Eternal Church. Ele se concentra nas reações das pessoas ao ouvir pela primeira vez a peça para órgão de Olivier Messiaen, Apparition de l'église éternelle.
Bloom começou um livro com o título provisório Living Labyrinth, centrado em Shakespeare e Walt Whitman, que foi publicado como The Anatomy of Influence: Literature as a Way of Life (2011).
Em julho de 2011, após a publicação de The Anatomy of Influence e depois de terminar o trabalho em The Shadow of a Great Rock, Bloom estava trabalhando em três outros projetos:
Achievement in the Evening Land from Emerson to Faulkner, uma história da literatura americana seguindo o modelo canônico, que acabou se desenvolvendo em seu livro The Daemon Knows: Literary Greatness and the American Sublime (2015).
The Hum of Thoughts Evaded in the Mind: A Literary Memoir, que acabou se desenvolvendo em seu livro Possessed by Memory: The Inward Light of Criticism (2019), o último livro que Bloom publicou em vida.
uma peça com o título provisório Walt Whitman: A Musical Pageant. Em novembro de 2011, Bloom havia mudado o título para To You Whoever You Are: A Pageant Celebrating Walt Whitman. Este trabalho não foi publicado e não se sabe quanto dele foi concluído.
Influência
Em O Cânone Ocidental, Bloom afirmou que Samuel Johnson era "incomparável por qualquer crítico em qualquer nação antes ou depois dele".
Em 1986, Bloom creditou Northrop Frye como seu precursor mais próximo. Ele disse a Imre Salusinszky em 1986: "Em termos de minhas próprias teorizações... o precursor propriamente dito tem que ser Northrop Frye. Comprei e li Fearful Symmetry uma ou duas semanas depois de ter sido lançado e chegado à livraria em Ithaca, Nova York. Ele arrebatou meu coração. Tentei encontrar um pai alternativo no Sr. Kenneth Burke, que é um sujeito encantador e um crítico muito poderoso, mas não venho de Burke, venho de Frye."
Mas em Anatomy of Influence (2011), Bloom escreveu: "Já não tenho paciência para ler nada de Frye" e nomeou Angus Fletcher entre seus contemporâneos vivos como seu "guia e consciência crítica". Em outro lugar naquele ano, ele recomendou Colors of the Mind de Fletcher e The Mirror and the Lamp de M. H. Abrams. Nesta fase tardia, Bloom também enfatizou a tradição de críticos anteriores como William Hazlitt, Ralph Waldo Emerson, Walter Pater, A. C. Bradley e Samuel Johnson, descrevendo Johnson em O Cânone Ocidental como "incomparável por qualquer crítico em qualquer nação antes ou depois dele". Em seu prefácio de 2012 para The Fourth Dimension of a Poem (WW Norton, 2012), Bloom indicou a influência que Abrams teve sobre ele em seus anos em Cornell.
A teoria da influência poética de Bloom considera o desenvolvimento da literatura ocidental como um processo de empréstimo e leitura equivocada. Os escritores encontram sua inspiração criativa em escritores anteriores e começam imitando-os, mas devem tornar seu próprio trabalho diferente de seus precursores. Como resultado, Bloom argumenta, autores de verdadeiro poder devem inevitavelmente "ler equivocadamente" seus precursores para abrir espaço para novas imaginações.
Observadores frequentemente identificavam Bloom com a desconstrução, mas ele nunca admitiu compartilhar mais do que algumas ideias com os desconstrucionistas. Ele disse a Robert Moynihan em 1983: "O que acho que tenho em comum com a escola da desconstrução é o modo de pensamento negativo ou consciência negativa, no sentido técnico e filosófico do negativo, mas que me chega através da teologia negativa... Não há escapatória, há simplesmente o dado, e não há nada que possamos fazer."
A associação de Bloom com o cânone ocidental provocou um interesse substancial em sua opinião sobre a importância relativa de escritores contemporâneos. No final da década de 1980, Bloom disse a um entrevistador: "Provavelmente o escritor ocidental vivo mais poderoso é Samuel Beckett. Ele é certamente o mais autêntico."
Sobre escritores britânicos, Bloom disse: "Geoffrey Hill é o poeta britânico mais forte atualmente ativo" e "nenhum outro romancista britânico contemporâneo me parece ter a eminência de Iris Murdoch". Após a morte de Murdoch, Bloom expressou admiração pelos romancistas Peter Ackroyd, Will Self, John Banville e A. S. Byatt.
Em Genius: A Mosaic of One Hundred Exemplary Creative Minds (2003), ele chamou o escritor portuguêsJosé Saramago de "o romancista mais talentoso vivo no mundo hoje" e "um dos últimos titãs de um gênero literário em extinção".
Sobre romancistas americanos, Bloom disse em 2003: "há quatro romancistas americanos vivos que conheço que ainda estão trabalhando e que merecem nosso elogio". Dizendo que "eles escrevem o Estilo de nossa Época" e que "cada um compôs obras canônicas", ele os identificou como Thomas Pynchon, Philip Roth, Cormac McCarthy e Don DeLillo. Ele nomeou suas respectivas obras-primas como The Crying of Lot 49, Gravity's Rainbow e Mason & Dixon; Sabbath's Theater e American Pastoral; Blood Meridian; e Underworld. Ele acrescentou a essa estimativa o trabalho de John Crowley, com interesse especial em sua tetralogia Ægypt e no romance Little, Big, dizendo: "apenas um punhado de escritores vivos em inglês pode igualá-lo como estilista, e a maioria deles são poetas... apenas Philip Roth escreve consistentemente no nível de Crowley". Bloom chamou Little, Big de Crowley de "uma obra-prima negligenciada" e "o livro mais encantador do século XX que conheço". Ele escreveu o posfácio de uma edição de 40.º aniversário do romance. Pouco antes de sua morte, Bloom expressou admiração pelas obras de Joshua Cohen, William Giraldi e Nell Freudenberger.
Em Kabbalah and Criticism (1975), Bloom identificou Robert Penn Warren, James Merrill, John Ashbery e Elizabeth Bishop como os poetas americanos vivos mais importantes. Na década de 1990, ele regularmente nomeava A. R. Ammons junto com Ashbery e Merrill, e mais tarde identificou Henri Cole como o poeta americano crucial da geração seguinte a esses três. Ele expressou grande admiração pelos poetas canadenses Anne Carson, particularmente seu romance em versoAutobiography of Red, e A. F. Moritz, a quem Bloom chamou de "um verdadeiro poeta". Bloom também listou Jay Wright como um dos poucos poetas vivos importantes e o melhor poeta americano vivo após a morte de Ashbery.
A introdução de Bloom para Modern Critical Interpretations: Thomas Pynchon's Gravity's Rainbow (1986) apresenta seu cânone do "Sublime Americano do século XX", as maiores obras de arte americanas produzidas no século XX. O dramaturgo Tony Kushner vê Bloom como uma influência importante em seu trabalho.
Recepção
O trabalho de Bloom atraiu respostas polarizadas, mesmo entre estudiosos literários estabelecidos. Bloom foi chamado de "provavelmente o crítico literário mais celebrado dos Estados Unidos". Um artigo do The New York Times de 1994 disse que muitos críticos mais jovens veem Bloom como uma "raridade ultrapassada", enquanto um artigo do New York Times de 1998 o chamou de "um dos críticos contemporâneos mais talentosos".
Em um obituário publicado no The Guardian, Kenan Malik enfatizou a importância do trabalho de Bloom enquanto também argumentava que ele tinha deficiências: "Bloom confundiu julgamento e compreensão. Podemos julgar a qualidade de uma obra literária em seus próprios termos, mas seu contexto social, político e histórico permanece vital para compreendê-la."
Em um ensaio altamente crítico de 2002, Joseph Epstein escreveu que Bloom não "parecia ter ideia de como produzir algo que se aproximasse do esteticamente agradável em sua própria escrita" e como Bloom havia criado um padrão para si mesmo de "empolgação, discurso inflamado e obscuridade confiante". Epstein concluiu que Bloom "reivindicou seu posto de grande crítico através de presunção, pomposidade e pretensão extravagante".
James Wood escreveu: "Vático, repetitivo, imprecisamente reverencial, embora nunca sem um charme peculiar próprio–uma espécie de cafonice, na verdade–Bloom como crítico literário nos últimos anos tem sido amplamente irrelevante." Bloom respondeu a perguntas sobre Wood em uma entrevista dizendo: "Há peças de época na crítica como há peças de época no romance e na poesia. O vento sopra e elas irão embora... Não há nada nesse homem... Não quero falar sobre ele."
No início do século XXI, Bloom frequentemente se via no centro da controvérsia literária após criticar escritores populares como Adrienne Rich, Maya Angelou, e David Foster Wallace. Nas páginas da The Paris Review, ele criticou o poetry slam de tendência populista, dizendo: "É a morte da arte." Quando Doris Lessing recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, ele lamentou o "puro politicamente correto" do prêmio a uma autora de "ficção científica de quarta categoria", embora tenha admitido sua apreciação pelo trabalho anterior de Lessing.
O MormonVoices, um grupo associado à Foundation for Apologetic Information & Research, incluiu Bloom em sua lista dos Dez Principais Declarações Anti-Mórmons de 2011 por dizer: "O atual chefe da Igreja Mórmon, Thomas S. Monson, conhecido por seus seguidores como 'profeta, vidente e revelador', é indistinguível dos oligarcas plutocráticos seculares que exercem poder em nossa suposta democracia." Isso apesar da simpatia de Bloom por Joseph Smith, o profeta fundador do mormonismo, a quem ele chamou de "gênio religioso".
Obras escritas
Livros
Shelley's Mythmaking. New Haven: Yale University Press, 1959.
The Visionary Company: A Reading of English Romantic Poetry. Garden City, N.Y.: Doubleday, 1961. Revised and enlarged edn. Ithaca: Cornell University Press, 1971.
Blake's Apocalypse: A Study in Poetic Argument. Anchor Books: New York: Doubleday and Co., 1963.
The Literary Criticism of John Ruskin.; edited with introduction. New York: DoubleDay, 1965.
Walter Pater: Marius the Epicurean; edition with introduction. New York: New American Library, 1970.
Romanticism and Consciousness: Essays in Criticism.; edited with introduction. New York: Norton, 1970.
Agon: Towards a Theory of Revisionism. New York: Oxford University Press, 1982.
The Breaking of the Vessels. Chicago: University of Chicago Press, 1982.
The strong light of the canonical: Kafka, Freud and Scholem as revisionists of Jewish culture and thought. Published by New York: The City College, 1987.
The Poetics of Influence: New and Selected Criticism. New Haven: Henry R. Schwab, 1988.
Ruin the Sacred Truths: Poetry and Belief from the Bible to the Present. Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 1989.
The Book of J: Translated from the Hebrew by David Rosenberg; Interpreted by Harold Bloom. New York: Grove Press, 1990 ISBN0-8021-4191-9
The Gospel of Thomas: The Hidden Sayings of Jesus; translation with introduction, critical edition of the Coptic text and notes by Marvin Meyer, with an interpretation by Harold Bloom. San Francisco: HarperSanFrancisco, 1992.
"Straight Forth Out of Self", The New York Times, June 22, 1980.
"The Heavy Burden of the Past; Poets", The New York Times, January 4, 1981.
"The Pictures of the Poet; The Painting and Drawings of William Blake, by Martin Butlin. Vol. I, Text. Vol. II, Plates" (review), The New York Times, January 3, 1982.
"A Novelist's Bible; The Story of the Stories, The Chosen People and Its God. By Dan Jacobson" (review), The New York Times, October 17, 1982.
"Isaac Bashevis Singer's Jeremiad; The Penitent, By Isaac Bashevis Singer" (review), The New York Times, September 25, 1983.
"Domestic Derangements; A Late Divorce, By A. B. Yehoshua Translated by Hillel Halkin" (review), The New York Times, February 19, 1984.
"War Within the Walls; In the Freud Archives, By Janet Malcolm" (review), The New York Times, May 27, 1984.
"His Long Ordeal by Laughter; Zuckerman Bound, A Trilogy and Epilogue. By Philip Roth" (review), The New York Times, May 19, 1985.
"A Comedy of Worldly Salvation; The Good Apprentice, By Iris Murdoch" (review), The New York Times, January 12, 1986.
"Freud, the Greatest Modern Writer" (review), The New York Times, March 23, 1986.
"Passionate Beholder of America in Trouble; Look Homeward, A Life of Thomas Wolfe. By David Herbert Donald" (review), The New York Times, February 8, 1987.
"The Book of the Father; The Messiah of Stockholm, By Cynthia Ozick" (review), The New York Times, March 22, 1987.
"A Jew Among the Cossacks; The first English translation of Isaac Babel's journal about his service with the Russian cavalry. 1920 Diary, By Isaac Babel" (review), The New York Times, June 4, 1995.
"Kaddish; By Leon Wieseltier" (review), The New York Times, October 4, 1998.
"View; On First Looking into Gates's Crichton", The New York Times, June 4, 2000.
↑Bloom, Harold. "A Reading", in The Gospel of Thomas: The Hidden Sayings of Jesus. English translation and critical edition of the Coptic text by Marvin W. Meyer. San Francisco: HarperSanFrancisco, 1992, pp. 115 and 119.
↑Mayer, Marvin. "Introduction". The Gospel of Thomas. San Francisco: HarperSanFrancisco, 1992, p. 9.
↑Cleopatra: I Am Fire and Air (Shakespeare's Personalities); Book 2 of 5: Shakespeare's Personalities by Bloom, Harold. Published by Scribner, 2018; ISBN9781501164170.
↑Falstaff: Give Me Life (1) (Shakespeare's Personalities); Book 1 of 5: Shakespeare's Personalities. By Bloom, Harold. Published by Scribner, 2018. ISBN9781501164149.
↑«Interview with Harold Bloom». Stanford Presidential Lectures in the Humanities and Arts. Stanford University. Consultado em 15 de março de 2014. Cópia arquivada em 20 de junho de 2015 Excerto de "Interview: Harold Bloom interviewed by Robert Moynihan" Diacritics: A Review of Contemporary Criticism vol. 13, No. 3 (Fall, 1983), pp. 57–68.
↑Bloom, Harold (2002). Genius: a mosaic of one hundred exemplary creative minds. Nova York: Warner Books. p.648. ISBN0-446-69129-1. There are a few affinities, except perhaps with the admirable Antonia Byatt, in the generation after: novelists I also now admire, like Will Self, Peter Ackroyd, and John Banville.
↑Bloom, Harold (2020). The Bright Book of Life: Novels to Read and Reread. [S.l.]: Alfred A. Knopf. p.504
↑Hollander, John (2002), «Enriching Shadow: A.F. Moritz's Early Poems», in: Moritz, A.F., Early Poems, ISBN9781897414774, Toronto: Insomniac Press
↑Harold Bloom (ed.), Modern Critical Interpretations: Jay Wright, New York: Chelsea House, 2003.
↑Bloom, Harold (2020). Take Arms Against a Sea of Troubles: The Power of the Reader's Mind Over a Universe of Death. [S.l.]: Yale University Press. p.31
↑Harold Bloom (ed.), Modern Critical Interpretations: Thomas Pynchon's Gravity's Rainbow, New York: Chelsea House, 1986.
↑«Visionary Company». Boston Review. Consultado em 23 de setembro de 2015. Arquivado do original em 25 de setembro de 2015
↑"Miss Maya Angelou cannot write her way out of a paper bag!" Kenton Robinson, "Foe To Those Who Would Shape Literature To Their Own End Dissent in Bloom" Hartford Courant October 4, 1994, E.1
Burrow, Colin, "The Magic Bloomschtick" (resenha de Harold Bloom, The American Canon: Literary Genius from Emerson to Pynchon, editado por David Mikics, Library of America, outubro de 2019, 426 pp., ISBN978 1 59853 640 9), London Review of Books, vol. 41, no. 22 (21 de novembro de 2019), pp.21–25. "Harold Bloom será lembrado como um grande provocador – do pensamento, do riso e da resistência. Ele não reconfigurou permanentemente a paisagem literária, mas o caminho idiossincrático que ele trilhou por ela é um que poucos poderiam seguir." (Últimas duas frases da resenha de Burrow, p.25.)
De Bolla, Peter (1988). Harold Bloom: Toward Historical Rhetorics. Nova York, NY: Routledge
«Modern American Critics since 1955». Gale. Dictionary of Literary Biography. 67. 1988
Moynihan, Robert (1986). A Recent Imagining: Interviews with Harold Bloom, Geoffrey Hartman, J. Hillis Miller, Paul De Man. [S.l.]: Archon
Saurberg, Lars Ole (1997). Versions of the Past—Visions of the Future: The Canonical in the Criticism of T.S. Eliot, F.R. Leavis, Northrop Frye, and Harold Bloom. Nova York, NY: St. Martin's Press
Scherr, Barry J. (1995). D. H. Lawrence's Response to Plato: A Bloomian Interpretation. Nova York, NY: P. Lang