| Anne Carson | |
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| CM | |
Carson em 2024 | |
| Nome completo | Anne Patricia Carson |
| Nascimento | 21 de junho de 1950 Toronto, Ontário, Canadá |
| Nacionalidade | canadense |
| Cidadania | Canadá e Islândia |
| Cônjuge | Robert Currie |
| Educação | bacharelado, mestrado e doutorado em estudos clássicos |
| Alma mater | Universidade de Toronto |
| Ocupação |
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| Período de atividade | 1979–presente |
| Principais trabalhos | Eros the Bittersweet, 1986 Autobiography of Red, 1998 Men in the Off Hours, 2000 The Beauty of the Husband, 2001 Red Doc>, 2013 |
| Prêmios | Prêmio Lannan, 1996 Bolsa Guggenheim, 1998 Bolsa MacArthur, 2000 Griffin Poetry Prize, 2001 e 2014 Prêmio do Governador-Geral de poesia em língua inglesa, 2020 T. S. Eliot Prize, 2001 Ordem do Canadá, 2005 Prêmio Princesa das Astúrias de Letras, 2020 Prêmio PEN/Nabokov, 2021 Prêmio Nobel de Literatura, 2026 |
| Gênero literário | Poesia, ensaio e tradução |
Anne Patricia Carson (Toronto, 21 de junho de 1950) é uma poeta, ensaísta e tradutora canadense, com formação em estudos clássicos na Universidade de Toronto e carreira docente em universidades do Canadá e dos Estados Unidos. Desde 1979, lecionou literatura comparada, estudos clássicos e escrita criativa em instituições como a Universidade McGill, a Universidade de Michigan, a Universidade de Nova Iorque e a Universidade de Princeton. Publicou mais de vinte livros de ensaios, poemas e traduções de tragédias gregas antigas.
Recebeu as bolsas Guggenheim e MacArthur, o Prêmio Lannan, duas edições do Griffin Poetry Prize, o T. S. Eliot Prize, o Prêmio Princesa das Astúrias de Letras, o Prêmio do Governador-Geral de poesia em língua inglesa e o Prêmio PEN/Nabokov. Em 2005, tornou-se membro da Ordem do Canadá por seu trabalho na literatura canadense. Foi laureada com o Prêmio Nobel de Literatura de 2026.
Nascida em Toronto em 21 de junho de 1950, Carson cresceu em pequenas cidades canadenses, acompanhando as mudanças da família por causa do trabalho do pai, que era bancário. No ensino médio, uma professora de latim apresentou-lhe a língua e a literatura da Grécia Antiga e passou a lhe dar aulas particulares.
Carson ingressou no St. Michael's College, da Universidade de Toronto, mas interrompeu os estudos ao fim do primeiro ano e novamente ao fim do segundo. Insatisfeita com as exigências do currículo, sobretudo com uma disciplina obrigatória sobre John Milton, trabalhou por algum tempo com artes gráficas. Os estudos clássicos compreendem as línguas e literaturas da Grécia e da Roma antigas. Ao retornar à universidade, concluiu o bacharelado em 1974, o mestrado em estudos clássicos em 1975 e o doutorado na mesma área em 1981. Também estudou métrica grega e crítica textual durante um ano na Universidade de St. Andrews.
Antes de concluir o doutorado, Carson começou a lecionar estudos clássicos na Universidade de Calgary, em 1979, e ingressou na Universidade de Princeton no ano seguinte, onde trabalhou como instrutora e depois como professora assistente, com possibilidade de efetivação. Entre 1986 e 1987, deu aulas no 92nd Street Y, em Nova Iorque, com uma bolsa de residência da Fundação Rockefeller. Como não obteve estabilidade no cargo em Princeton, deixou a universidade em 1987 e lecionou línguas e literatura clássicas na Universidade Emory, em Atlanta, durante um ano. Mudou-se depois para Montreal, onde assumiu a direção da pós-graduação em estudos clássicos da Universidade McGill.
No fim da década de 1990, a McGill cancelou os cursos de pós-graduação em grego antigo, encerrou o Departamento de Estudos Clássicos e transferiu as disciplinas restantes para o Departamento de História. Carson permaneceu como professora associada, mas passou a dedicar metade de cada ano a aulas como convidada em outras instituições. Ocupou a cátedra visitante Norman Freehling na Universidade de Michigan entre 1999 e 2000, lecionou na Universidade da Califórnia em Berkeley na primavera de 2000 e no California College of Arts and Crafts, em Oakland, na primavera de 2001. Em 2000, foi nomeada para a cátedra John MacNaughton de Estudos Clássicos da McGill.
Carson mudou-se para Ann Arbor em 2003 e lecionou estudos clássicos, literatura comparada e língua e literatura inglesas na Universidade de Michigan até 2009. Em 2004, teve cerca de trinta indicações à cátedra de poesia de Oxford, atrás de Christopher Ricks no número de indicações. Seu nome voltou a ser cogitado para o cargo, cujo mandato era de quatro anos, em 2009.
Em 2009, ingressou no programa de escrita criativa da Universidade de Nova Iorque como poeta residente e professora visitante. Com o marido e colaborador Robert Currie, passou a ministrar o curso anual "Egocircus", dedicado à colaboração artística. Foi professora visitante Andrew D. White na Universidade Cornell entre 2010 e 2016, e poeta visitante Mohr no programa de escrita criativa da Universidade Stanford em 2013. Em 2014, ingressou no Bard College, em Annandale-on-Hudson, no estado americano de Nova Iorque, como escritora residente e professora visitante, com aulas de estudos clássicos e escrita. Ao falar dos cargos que assumiu nessa etapa da carreira, usou a expressão "visitante de qualquer coisa", e chamou as décadas em que ensinou grego antigo de "uma alegria completa".
A Royal Society of Literature elegeu Carson para seu programa de escritores internacionais em 2022. Em maio de 2023, a Classical Association anunciou sua nomeação como presidente honorária para o período de 2023 a 2024. Recebeu também o Prêmio Vigdís, concedido por trabalhos dedicados às línguas e culturas do mundo.
O Nobel de Literatura de 2026 premiou sua escrita pela audácia e inventividade, pelo diálogo lúdico com a literatura clássica e pela criação de novas formas literárias que retratam o presente.
Nos ensaios e poemas, Carson retoma, atualiza e traduz a literatura grega antiga e a literatura latina, com referências a Ésquilo, Catulo, Eurípides, Homero, Íbico, Mimnermo, Safo, Simónides, Sófocles, Estesícoro e Tucídides. Sua formação em estudos clássicos e seu interesse por literatura comparada, antropologia, história e artes entram nesses textos, que combinam ideias e temas desses campos.
Textos de Emily Brontë, Paul Celan, Emily Dickinson, Georg Wilhelm Friedrich Hegel, Martin Heidegger, Friedrich Hölderlin, Franz Kafka, John Keats, Gertrude Stein, Simone Weil e Virginia Woolf também fazem parte de sua escrita. Seus livros combinam poesia, ensaio, prosa, crítica, tradução, diálogo dramático, ficção e não ficção. Seus versos podem ser ensaísticos ou narrativos, e os ensaios nem sempre seguem um encadeamento linear, com associações inesperadas e cortes entre ideias.
Até 2021, as primeiras edições de seus dezoito livros de escrita própria haviam sido publicadas nos Estados Unidos pela Alfred A. Knopf, pela New Directions e pela Princeton University Press, no Canadá pela Brick Books e pela McClelland & Stewart, e no Reino Unido pela Bloodaxe Books, pela Jonathan Cape, pela Oberon Books e pela Sylph Editions.
Em 2025, participou de The Great Lakes Suite, álbum da banda canadense de indie rock Rheostatics, recitando poemas inspirados nos Grandes Lagos.
Em Eros the Bittersweet, seu primeiro livro de crítica, publicado em 1986, Carson examina eros como uma experiência em que prazer e dor acontecem juntos. O título remete a "glukupikron", palavra criada por Safo que reúne as ideias de doce e amargo. O livro examina os triângulos do desejo nos textos de Safo, dos autores do romance grego antigo e de Platão. É uma reelaboração da tese de doutorado de 1981, Odi et Amo Ergo Sum, título que significa "Odeio e amo, logo existo". Para Ian Rae, os argumentos sobre o desejo desenvolvidos nesse ensaio voltariam a orientar a poesia de Carson. A aproximação com a literatura grega clássica nesse livro orientou sua maneira de organizar os textos.
Men in the Off Hours, publicado em 2000, reúne poemas curtos, ensaios em verso, epitáfios, prosa comemorativa, entrevistas, roteiros e traduções do grego antigo e do latim, com textos de Álcman, Catulo e Safo, entre outros. Carson se afastou nesse livro dos poemas longos que havia publicado antes. Os textos fazem referência a escritores e artistas e a personagens bíblicos e mitológicos, entre eles Anna Akhmátova, Antígona, Antonin Artaud, John James Audubon, Agostinho de Hipona, Bei Dao, Catherine Deneuve, Emily Dickinson, Tamiki Hara, Hokusai, Edward Hopper, Longino, o personagem bíblico, e Longino, o autor literário, além de Tucídides, Liev Tolstói e Virginia Woolf.
Na cerimônia de doutoramento da Universidade de Toronto em 2012, Carson apresentou "falas curtas", poemas breves sobre temas distintos. Em 2011, participou do projeto Sixty Six Books, do Bush Theatre, com "Jude: The Goat at Midnight", texto baseado na Epístola de Judas da Bíblia do Rei Jaime.
Com Canicula di Anna, publicado em 1984, Carson recebeu seu primeiro prêmio literário, o Betty Colladay Award, da Quarterly Review of Literature. Nos quinze anos que se seguiram à publicação de Eros the Bittersweet, em 1986, o livro alcançou leitores de campos diferentes. John D'Agata avaliou que a recepção começou entre os estudiosos da Antiguidade, passou pelos leitores de não ficção, que encontraram no texto uma retomada dos ensaios líricos de Sêneca, Montaigne e Emerson, e chegou aos poetas na década de 1990, quando uma reedição apresentou a obra a outro público. Em 1999, os leitores da Modern Library escolheram o livro para a lista dos cem melhores títulos de não ficção do século XX. Eros the Bittersweet e Autobiography of Red foram mencionados em um episódio de 2004 da série de televisão The L Word.
A premiação da Quebec Writers' Federation, chamada QSPELL até 1998, selecionou Short Talks entre os finalistas de 1993 e premiou Glass, Irony, and God, Autobiography of Red e The Beauty of the Husband entre 1996 e 2001. O texto "Water Margins" chegou à final do Journey Prize de 1994, e Carson recebeu o Prêmio Lannan de Poesia em 1996 e o Pushcart Prize de 1997 pelo poema "Jaget". Obteve uma bolsa de residência no centro Bellagio da Fundação Rockefeller em 1997, uma Bolsa Guggenheim de Poesia em 1998 e uma Bolsa MacArthur, também chamada de "bolsa para gênios", em 2000.
O National Book Critics Circle Award selecionou Carson como finalista de poesia por Autobiography of Red, em 1998, Men in the Off Hours, em 2000, e Nox, em 2010. Ela e Alice Munro foram as primeiras autoras de fora dos Estados Unidos a concorrer depois que o prêmio passou a aceitar participantes estrangeiros, em 1998. Carson chegou também à final do Forward Prize em 1998 com Glass and God, seu primeiro livro de poesia publicado no Reino Unido. Entre 1999 e 2013, foi finalista do T. S. Eliot Prize quatro vezes. Venceu em 2001 com The Beauty of the Husband, em sua terceira indicação consecutiva, e tornou-se a primeira mulher a receber o prêmio. Na primeira edição do Griffin Poetry Prize, em 2001, venceu com Men in the Off Hours, e foi a primeira pessoa a ganhar o prêmio duas vezes, ao vencer novamente em 2014 com Red Doc>. Também integrou o júri da edição de 2010.
Ao nomear Carson como membro da Ordem do Canadá em 2005, a instituição chamou sua escrita de "uma voz singular na literatura de nosso país". A Universidade de Toronto concedeu-lhe um título honorário em 2012. Em 2014, recebeu um doutorado honorário da Universidade de St. Andrews, onde havia estudado com Kenneth Dover entre 1975 e 1976.
Em 2018, Carson integrou a lista inicial de candidatos ao prêmio de literatura da Nova Academia, criado para substituir, naquele ano, o Nobel de Literatura, que havia sido adiado. Recebeu o Prêmio Princesa das Astúrias de Letras em 2020, cujo júri elogiou a intensidade e a elaboração intelectual de sua escrita e a colocou entre as escritoras de maior destaque de sua época. Em 2021, ganhou o Prêmio PEN/Nabokov pelo conjunto de sua obra, que o júri elogiou pela originalidade mantida ao longo dos anos e pela habilidade com a escrita, e o prêmio do Governador-Geral de poesia em língua inglesa da edição de 2020, por Norma Jeane Baker of Troy. Já havia sido finalista desse prêmio em 2001, por Men in the Off Hours. Wrong Norma, de 2024, integrou a lista inicial de candidatos ao National Book Award de Poesia.
Anne Carson: Ecstatic Lyre, coletânea de ensaios críticos organizada por Joshua Marie Wilkinson e publicada pela editora da Universidade de Michigan em 2015, examina os livros de Carson e suas formas de escrita. Outra coletânea, Anne Carson/ Antiquity, organizada por Laura Jansen e publicada pela Bloomsbury em 2021, estuda o uso da Antiguidade clássica em seus poemas, traduções, ensaios e trabalhos visuais. Em 2023, a Oxford University Press publicou Anne Carson: The Glass Essayist, estudo crítico de Elizabeth Sarah Coles, que recebeu o Pegasus Award de Crítica de Poesia da Poetry Foundation em 2024.
Entre as dez tragédias gregas antigas que Carson traduziu para o inglês estão Agamêmnon, de Ésquilo, Antígona e Electra, de Sófocles, e sete peças de Eurípides, Alceste, Hécuba, Héracles, Hipólito, Ifigênia em Táuris, Orestes e As Bacantes. Traduziu também a poesia de Safo.
As primeiras edições de seus sete livros de tradução foram publicadas nos Estados Unidos pela Alfred A. Knopf, pela Farrar, Straus and Giroux, pela New York Review of Books e pela editora da Universidade de Chicago, e no Reino Unido pela Oberon Books e pela Oxford University Press.
De agosto de 1986 a agosto de 1987, Carson trabalhou na tradução de Electra, de Sófocles, durante sua residência no 92nd Street Y, em Nova Iorque, com uma bolsa da Fundação Rockefeller. A tradução foi publicada em 2001 e passou a integrar An Oresteia, de 2009, vencedor do PEN Award de Tradução de Poesia em 2010. Com Agamêmnon, de Ésquilo, Electra, de Sófocles, e Orestes, de Eurípides, An Oresteia foi encenado pela Classic Stage Company em Nova Iorque em 2009.
Durante uma residência na Academia Americana em Berlim, com a bolsa Anna-Maria Kellen, em 2007, Carson trabalhou na tradução de Prometeu Acorrentado, peça atribuída a Ésquilo, da qual publicou um trecho em 2010.
Uma montagem de sua tradução de Antigone, dirigida por Ivo van Hove e protagonizada por Juliette Binoche, estreou nos Théâtres de la Ville de Luxembourg em 2015. A produção passou por cidades da Europa e dos Estados Unidos, com apresentações no Barbican Centre, em Londres, na BAM, em Nova Iorque, e no Théâtre de la Ville, em Paris.
As notas sobre Carson em suas publicações costumam se limitar à frase "Anne Carson nasceu no Canadá e ensina grego antigo para viver", e a escritora evita falar de sua vida privada e desencoraja leituras autobiográficas de seus textos. Para o crítico Roy Scranton, sua escrita tem um caráter pessoal, embora não seja poesia confessional. Carson afirmou que usa a própria vida de maneira democrática, como um conjunto de fatos entre os outros que existem no mundo.
Durante seu primeiro casamento, que durou oito anos e terminou em 1980, Carson usou o sobrenome Giacomelli. A crítica Daphne Merkin relacionou a experiência desse casamento e de seu fim a "Kinds of Water", publicado em Plainwater, e a The Beauty of the Husband. Carson confirmou que o primeiro marido levou seus cadernos quando se divorciaram, como acontece com a protagonista de The Beauty of the Husband, mas os devolveu depois.
O adoecimento de seu pai, Robert, que tinha doença de Alzheimer, é um dos temas de "The Glass Essay", publicado em Glass, Irony, and God, "Very Narrow", em Plainwater, e "Father's Old Blue Cardigan", em Men in the Off Hours. Esses textos acompanham a perda de suas capacidades físicas e mentais.
Sua mãe, Margaret, nascida em 1913, morreu em 1997, quando Carson escrevia Men in the Off Hours. A escritora encerrou a coletânea com "Appendix to Ordinary Time", texto em prosa que usa frases riscadas dos diários e manuscritos de Virginia Woolf para compor um epitáfio para a mãe. Roy Scranton leu Red Doc> como uma segunda elegia pela morte de Margaret. Carson chamou a mãe de amor de sua vida.
Seu irmão, Michael, foi preso por tráfico de drogas em 1978 e fugiu do Canadá enquanto estava em liberdade sob fiança. Carson não voltou a vê-lo. Escreveu sobre seu desaparecimento em "Water Margins: An Essay on Swimming by My Brother", publicado em Plainwater, em um texto próximo das memórias. Em 2000, Michael telefonou para ela e os dois combinaram um encontro em Copenhague, onde ele morava, mas ele morreu antes que pudessem se reencontrar. Carson compôs um epitáfio para o irmão em 2000 e o publicou em 2010 com o título Nox, livro que Roy Scranton apontou como seu trabalho mais diretamente pessoal.
Carson é casada com o artista Robert Currie, que conheceu em Ann Arbor quando lecionava na Universidade de Michigan. Ao falar do marido, usa a expressão "a pessoa que é meu colaborador e marido". Os dois trabalharam juntos na concepção gráfica dos livros e nas apresentações de Nox e Antigonick. Carson também chama Currie de "o Randomizador" durante o processo de criação.
Carson e Currie receberam a cidadania islandesa em 19 de abril de 2022. Em agosto de 2024, a escritora tornou público seu diagnóstico de doença de Parkinson no texto "Gloves on!", publicado na London Review of Books.