Horologia | |
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| Objeto de estudo | Instrumentos de medição do tempo |
| Subdisciplinas | Relojoaria, cronometria e cronometragem |
Horologia é o estudo dos instrumentos de medição do tempo e da arte de construí-los. Abrange o funcionamento e a fabricação de relógios, sua manutenção e restauração, além da investigação de sua história e do colecionismo.
O termo também pode designar o estudo da medição do tempo, sentido que se sobrepõe ao de cronometria. Embora a relojoaria mecânica ocupe parte desse campo, a horologia também abrange instrumentos elétricos e eletrônicos.
Relógios de sol, ampulhetas e clepsidras medem o tempo por meios diferentes. Os primeiros acompanham o deslocamento de uma sombra, enquanto ampulhetas e clepsidras usam o escoamento de areia e água. Os relógios mecânicos e eletrônicos contam oscilações, produzidas, por exemplo, por um pêndulo ou por um cristal de quartzo.
Entre os instrumentos estudados estão os relógios de pulso, os relógios de ponto, os cronógrafos, os temporizadores e os cronômetros marítimos. Suas construções variam conforme o uso, a forma de apresentação da hora e as condições em que precisam funcionar. Os relógios atômicos empregam transições dos átomos como referências para regular uma oscilação eletromagnética.
O trabalho de relojoaria envolve a montagem e o ajuste dos mecanismos, a identificação de defeitos e a reparação de peças. A conservação e a restauração também se ocupam dos instrumentos antigos. Profissionais, estudiosos e colecionadores participam de associações que oferecem formação, mantêm bibliotecas e publicam trabalhos sobre o assunto.

Os instrumentos para acompanhar a passagem do tempo já eram construídos na Antiguidade. Relógios de sol e de água antecederam os mecanismos de engrenagens. Os relógios mecânicos surgiram na Europa ocidental durante a Idade Média e foram instalados em igrejas e catedrais. A fabricação de relógios portáteis se desenvolveu a partir do século XVI.
Christiaan Huygens inventou o relógio de pêndulo em 1656. Pouco depois, Salomon Coster [en] construiu um relógio baseado nesse projeto, com atraso de oito minutos por semana. Em 1673, Huygens publicou suas investigações sobre os relógios de pêndulo no Horologium Oscillatorium.
A determinação da longitude no mar exigia instrumentos que conservassem a hora de referência durante a viagem. No século XVIII, John Harrison construiu cronômetros capazes de enfrentar as condições de bordo. A comparação entre essa hora e a hora local permitia calcular a longitude.
A eletricidade permitiu construir outros tipos de relógio e distribuir sinais de tempo entre aparelhos distantes. No século XX, os osciladores de quartzo passaram a fornecer uma referência para os relógios eletrônicos. Os relógios atômicos, construídos a partir de 1949, abriram outro caminho para a medição de tempo e frequência.
O Observatório Real de Greenwich, em Londres, conserva os instrumentos marítimos de John Harrison. O observatório também abriga o meridiano de referência que deu origem à longitude de Greenwich. O Clockmakers' Museum [en] foi transferido do Guildhall para o Museu da Ciência de Londres, onde reabriu em outubro de 2015. O Museu Britânico e a Coleção Wallace também possuem coleções de relógios.
A Biblioteca de Guildhall [en], em Londres, guarda acervos especializados em horologia, entre eles a biblioteca da Antiquarian Horological Society. Em Upton, na sede do British Horological Institute, o Museum of Timekeeping [en] reúne relógios, ferramentas, livros e periódicos.
O Museu Cuckooland [en], em Cheshire, reuniu uma coleção de relógios de cuco da Floresta Negra. Na Irlanda, o Museu Irlandês do Tempo [en], em Waterford, abriu em março de 2026 uma galeria dedicada a relógios de cuco da mesma região.
Na Suíça, o Museu Internacional de Horologia [en], em La Chaux-de-Fonds, mantém uma coleção de instrumentos, uma biblioteca e um centro de restauração. O Museu de Horologia de Le Locle [en], em Le Locle, ocupa o Château des Monts e também dispõe de biblioteca e arquivos especializados.
O Musée du Temps [fr], em Besançon, na França, ocupa o Palais Granvelle. Em Portugal, o Museu do Relógio tem núcleos em Serpa, no Convento do Mosteirinho, e em Évora, no Palácio Barrocal. Na Alemanha, o Museu Alemão do Relógio [en], em Furtwangen, reúne instrumentos e uma biblioteca sobre relojoaria.
Nos Estados Unidos, o Museu Nacional de Relógios, em Columbia, na Pensilvânia, mantém uma coleção especializada. Na mesma cidade fica a biblioteca de pesquisa da National Association of Watch and Clock Collectors.
O American Clock & Watch Museum [en] fica em Bristol, em Connecticut, e conserva instrumentos e documentação da indústria relojoeira norte-americana. O Willard House and Clock Museum [en], em Grafton, em Massachusetts, ocupa a casa e a oficina da família Willard e expõe relógios de seus fabricantes.
Associações de relojoeiros, pesquisadores e colecionadores mantêm cursos e publicações sobre horologia. Entre elas estão:
O Salon International de la Haute Horlogerie, conhecido pela sigla SIHH, passou a se chamar Watches and Wonders [en] em 2020. A Geneva Time Exhibition, dedicada a fabricantes independentes, teve sua primeira edição anunciada para janeiro de 2010.
A indústria relojoeira emprega termos franceses para distinguir componentes e formas de fabricação.
| Termo | Significado |
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| Chablon | Movimento de relógio [en] fornecido como um conjunto de componentes desmontados, sem mostrador, ponteiros ou caixa. |
| Ébauche [en] | Movimento incompleto de relógio. A composição do conjunto variou com os métodos de fabricação. Na acepção moderna, faltam os órgãos reguladores, a mola principal, o mostrador e os ponteiros. |
| Établissage [fr] | Fabricação de relógios pela montagem de componentes obtidos separadamente. O processo abrange a inspeção das peças, a montagem e a regulagem do movimento, a instalação do mostrador e dos ponteiros, a colocação na caixa e a inspeção final. |
| Établisseur | Fabricante que monta relógios com componentes comprados de fornecedores. |
| Fábrica, manufatura | Na indústria suíça, manufacture designa uma fábrica que produz o relógio quase por inteiro. Um atelier de terminage realiza a montagem, a regulagem e a colocação dos ponteiros e da caixa. |
| Manufacture d'horlogerie | Fábrica que produz componentes, em especial o ébauche, para seus próprios relógios. |
| Remontoire | Dispositivo que usa uma fonte intermediária de energia para regular a força transmitida ao mecanismo. Em uma construção com mola, essa mola é recarregada em intervalos curtos pela fonte principal de energia. |
| Terminage | Montagem de peças de relógios por encomenda de um fabricante. |
| Termineur | Relojoeiro independente ou oficina que monta relógios, por inteiro ou em parte, com peças fornecidas por um établisseur ou uma manufacture. |