| iFixit | |
|---|---|
| Empresa privada | |
| Atividade | Comércio eletrônico |
| Fundação | 2003 |
| Fundador(es) | Kyle Wiens Luke Soules |
| Sede | San Luis Obispo, Califórnia, Estados Unidos |
| Pessoas-chave | Kyle Wiens (CEO) Luke Soules (CXO) |
| Empregados | 125+ (2016) |
| Produtos | Guias de reparo, peças de reposição, ferramentas |
| Serviços | Treinamento de técnicos independentes; plataforma Dozuki |
| Faturamento | US$ 21 milhões (2016) |
| Website | ifixit |
| Tipo de sítio | Comunidade de reparo / Comércio eletrônico |
|---|---|
| Proprietário(s) | iFixit |
| Fundador(es) | Kyle Wiens Luke Soules |
| Gênero | Guias de reparo |
| Cadastro | Opcional |
| País de origem | |
| Idioma(s) | Mais de 12 |
| Usuários | 1,2 milhão (registrados) |
| Lançamento | 2003 |
| Endereço eletrônico | ifixit |
| Licença | Creative Commons BY-NC-SA |
iFixit (em inglês, pronunciado eye-FIX-it) é uma empresa privada americana sediada em San Luis Obispo, Califórnia, que publica guias de reparo gratuitos no formato wiki para eletrônicos de consumo, eletrodomésticos, veículos e outros produtos, além de vender peças de reposição, ferramentas e acessórios. Fundada em 2003 por Kyle Wiens e Luke Soules no dormitório da California Polytechnic State University (Cal Poly), em San Luis Obispo, a empresa nasceu da frustração dos fundadores ao não encontrarem manuais de reparo para um Apple iBook G3 danificado.
A iFixit é considerada a maior comunidade de reparo online do mundo, com mais de 100 000 guias gratuitos publicados para mais de 7 000 produtos e 94 milhões de usuários alcançados em 2016. A empresa é uma das principais defensoras do movimento pelo direito ao reparo, que busca garantir aos consumidores o acesso a peças, ferramentas e informações para a manutenção e o conserto de seus próprios dispositivos eletrônicos.
Em 2003, Kyle Wiens e Luke Soules eram calouros na California Polytechnic State University (Cal Poly), em San Luis Obispo, Califórnia, tendo ambos crescido no Oregon sem se conhecer antes de ingressar na universidade. Wiens estudava ciência da computação; Soules, engenharia industrial. Os dois se tornaram amigos por compartilharem o interesse em tecnologia e o hábito de desmontar e consertar aparelhos. Wiens, em particular, havia trabalhado durante o ensino médio em uma assistência técnica autorizada da Apple, ganhando 6,50 dólares por hora, e com as economias acumuladas ao longo desse período comprara seu próprio laptop — um Apple iBook G3, modelo popularmente apelidado em inglês de toilet seat Mac ("Mac assento de vaso sanitário") em referência ao seu design arredondado e colorido — por cerca de 850 dólares.
Certo dia, Wiens deixou cair o iBook e danificou a porta de alimentação. Ele sabia que a Apple possuía um manual de reparo para o modelo, pois havia visto documentação técnica durante seu trabalho na assistência autorizada — mas a empresa utilizava direitos autorais para impedir a distribuição dessas instruções ao público, em parte como estratégia para direcionar os consumidores às assistências credenciadas e ao mercado de produtos novos. Sem instruções disponíveis, Wiens e Soules desmontaram o iBook no próprio dormitório da universidade — quebrando algumas travas e perdendo alguns parafusos no processo —, mas conseguiram efetuar o conserto.
A experiência revelou ao mesmo tempo a viabilidade técnica do reparo e a barreira concreta imposta pela ausência de documentação acessível. A frustração de perceber que o processo poderia ter sido muito mais simples com um manual adequado levou os dois a uma decisão: se os fabricantes não forneceriam as instruções, eles mesmos as criariam. A partir daí, Wiens e Soules começaram a adquirir laptops danificados em leilões no eBay para retirar peças funcionais e revendê-las online, suprindo a demanda por componentes caros e de difícil acesso. Em paralelo, elaboraram e publicaram gratuitamente guias de reparo passo a passo para os aparelhos que consertavam, começando por seis modelos de laptops Apple. Assim nasceu a iFixit, estruturada em torno de um modelo simples: oferecer o conhecimento gratuitamente e sustentar a operação com a venda de peças e ferramentas.
A empresa cresceu de forma orgânica ao longo da primeira década, sem recorrer a capital de risco externo — decisão que preservou aos fundadores pleno controle sobre a missão e a cultura organizacional. A cobertura de guias foi progressivamente ampliada para além dos laptops Apple, passando a incluir smartphones, consoles de videogame, eletrodomésticos e uma vasta gama de outros produtos. O modelo wiki adotado permite que membros da comunidade ao redor do mundo contribuam com guias e dicas de reparo; mais da metade dos guias publicados provém de colaboradores voluntários.
Em 2011, Wiens percorreu comunidades em países africanos com uma equipe de documentário para conhecer técnicos que reparavam e reaproveitavam eletrônicos descartados pelo mundo desenvolvido, experiência que aprofundou sua visão sobre o impacto global da cultura do reparo. Em 2016, a empresa contava com 125 funcionários, faturamento anual de 21 milhões de dólares e seus guias haviam sido acessados por 94 milhões de pessoas naquele ano. Em 2022, a iFixit anunciou a abertura de um segundo centro de distribuição e escritório em Chattanooga, Tennessee, com previsão de geração de cerca de 200 empregos na região.

A iFixit disponibiliza todos os seus guias de reparo gratuitamente, sem necessidade de cadastro prévio e sem publicidade no conteúdo editorial. Cerca de 90% da receita provém da venda de peças de reposição e ferramentas; o restante vem do licenciamento da plataforma Dozuki para empresas e do treinamento de técnicos independentes. Em 2011, a empresa já havia formado mais de 15 000 técnicos que utilizavam os recursos da iFixit para gerir seus próprios negócios de reparo.
As teardowns (desmontagens) são um dos pilares estratégicos da empresa. A equipe adquire novos produtos assim que são lançados no mercado, desmonta-os peça por peça, fotografa cada etapa e analisa os componentes internos. As desmontagens atraem ampla cobertura da imprensa especializada e servem de vitrine para as peças e ferramentas vendidas pela empresa. O lançamento anual do iPhone tornou-se o evento de desmontagem mais aguardado da comunidade iFixit, e a empresa realizou desmontagens de todos os principais headsets de realidade virtual comercializados desde o primeiro protótipo Oculus no Kickstarter.
A plataforma opera em mais de 12 idiomas e conta com um programa voltado a oficinas independentes, o iFixit Pro, que oferece preços por atacado e acesso direto a peças originais.
A iFixit desenvolveu um sistema de classificação da reparabilidade dos produtos eletrônicos, atribuindo a cada dispositivo analisado uma nota de 1 a 10 com base em critérios como facilidade de abertura, tipo de fixadores utilizados, disponibilidade de peças avulsas, acesso à documentação técnica e custo e complexidade dos reparos mais comuns. Quanto menor a nota, mais difícil ou economicamente inviável é o reparo pelo próprio consumidor ou por uma oficina independente.
As pontuações são divulgadas anualmente, permitindo ao consumidor comparar marcas e modelos pelo critério da durabilidade e da manutenibilidade, e o sistema tornou-se referência para legisladores que buscam regulamentar o setor de reparos de eletrônicos em diferentes países.
Em 2011, a iFixit lançou o Dozuki, uma plataforma de software como serviço que permite a empresas e organizações criar e publicar sua própria documentação técnica estruturada utilizando a infraestrutura desenvolvida pela iFixit. As revistas Make e Craft, da editora O'Reilly Media, adotaram a plataforma para disponibilizar guias de projetos ao lado de instruções produzidas por suas equipes editoriais.
A iFixit é uma das principais organizações defensoras do movimento pelo direito ao reparo, que defende o acesso de consumidores e oficinas independentes a peças, ferramentas, manuais e informações de diagnóstico de fabricantes de dispositivos eletrônicos. Kyle Wiens testemunhou perante o Congresso dos Estados Unidos e a Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (ITC) em defesa da regulamentação do setor. A empresa também co-fundou a associação The Repair Association, que reúne empresas e ativistas favoráveis à aprovação de leis de direito ao reparo nos Estados Unidos, tendo Wiens exercido a presidência da organização.
Em dezembro de 2022, Nova York tornou-se o primeiro estado americano a sancionar uma lei abrangente de direito ao reparo para dispositivos eletrônicos, o Digital Fair Repair Act. Outros estados, como Califórnia e Colorado, seguiram com legislações similares nos anos seguintes. Internacionalmente, a iFixit atua por meio de sua subsidiária iFixit GmbH, com sede em Stuttgart, Alemanha.
Em 3 de abril de 2014, a iFixit anunciou parceria com a Fairphone, fabricante neerlandesa de smartphones projetados com foco em reparabilidade e responsabilidade socioambiental. Com a parceria, guias de reparo e peças de reposição para produtos Fairphone passaram a estar disponíveis pelos canais de ambas as empresas.
Em março de 2022, a Samsung anunciou parceria com a iFixit para um programa de autoreparo que permitia aos consumidores adquirir peças originais e ferramentas para aparelhos da linha Galaxy. A colaboração foi marcada por restrições impostas pela Samsung, como o limite de sete peças por oficina por trimestre e a exigência de adquirir baterias acompanhadas de telas mesmo quando apenas uma peça precisava ser substituída. Em maio de 2024, a iFixit encerrou formalmente a colaboração, declarando que a Samsung "não parece interessada em viabilizar o reparo em escala".
Em abril de 2022, a Google anunciou parceria com a iFixit para fornecer peças de reposição originais para a linha de smartphones Google Pixel, incluindo guias de reparo detalhados e ferramentas adequadas disponibilizados diretamente pelo canal da iFixit. Diferentemente da parceria com a Samsung, a colaboração com a Google manteve-se ativa e foi progressivamente expandida para novos modelos da série Pixel.
Em dezembro de 2024, a Microsoft e sua divisão Xbox firmaram parceria com a iFixit para disponibilizar guias de reparo e peças de reposição para os consoles Xbox Series X e Series S e para alguns modelos de dispositivos Microsoft Surface.
Durante a pandemia de COVID-19, a iFixit e a CALPIRG, braço californiano do Public Interest Research Group (PIRG), trabalharam em conjunto com hospitais e centros de pesquisa para reunir a maior base de dados conhecida de manuais e guias de manutenção de equipamentos médicos, disponibilizando-a gratuitamente para profissionais de saúde. A iniciativa visava apoiar a manutenção de respiradores e outros equipamentos críticos num momento em que alguns fabricantes restringiam o acesso a informações de manutenção alegando proteção de propriedade industrial.
Em setembro de 2015, a Apple removeu o aplicativo iFixit da App Store após a empresa publicar a desmontagem de uma versão pré-lançamento do Apple TV de 4.ª geração obtida no âmbito do Programa de Desenvolvedores da Apple, violando o acordo de não divulgação assinado pelos fundadores. A conta de desenvolvedor da empresa foi suspensa junto com a remoção. Em resposta, a iFixit declarou que investiria na melhoria do site para dispositivos móveis, de forma que os usuários pudessem acessar o conteúdo pelo próprio navegador.
Em 2014, a iFixit distribuiu gratuitamente 15 000 kits de liberação criados especificamente para a abertura de iPhones, como parte de uma campanha em defesa do direito dos consumidores de acessar e reparar seus próprios dispositivos.
Em abril de 2019, tornou-se público que controladores dos headsets de realidade virtual Oculus Quest e Oculus Rift S continham a inscrição física "Hi iFixit! We See You!" impressa nos componentes internos, indicando que parte da equipe da fabricante acompanhava as desmontagens realizadas pela iFixit e escolheu registrar esse reconhecimento de forma bem-humorada.