Abu Abedalá Maomé ibne Aide ibne Amade Alcatibe Alcoraixi Adimaxequi (em árabe: أبو عبد الله محمد بن عائذ بن أحمد الكاتب القرشي الدمشقي; romaniz.: Abū ʿAbd Allāh Muḥammad ibn ʿĀʾidh ibn Aḥmad al-Kātib al-Qurashī al-Dimashqī; possivelmente Damasco, 150 A.H. (767) – Damasco, 233 A.H. (847)), mais conhecido como Maomé ibne Aide Alcoraixi ou Ibne Aide, e também referido pela cúnia Abu Amade, foi um historiador, escritor e transmissor de hádices árabe muçulmano do Califado Abássida. Especializou-se na biografia e nas campanhas militares de Maomé, bem como na história das conquistas islâmicas. Durante o governo do califa Almamune (r. 813–833), exerceu funções administrativas relacionadas à arrecadação do caraje na Guta de Damasco, na Síria. Era considerado um transmissor confiável de hádices e esteve associado ao mutazilismo e ao cadarismo.
Sua produção historiográfica compreendeu escritos sobre a vida de Maomé, as conquistas muçulmanas, as expedições militares de verão e a história de Damasco. Entre as obras atribuídas a ele destacam-se o Al-Maghāzī, utilizado posteriormente por Ibne Saíde Anáceri, o Al-Futūḥ, o Al-Ṣawāʾif, a Sīra e o Taʾrīkh Dimashq. Embora seus escritos não tenham sido preservados integralmente, parte das notícias que transmitiu sobre a história síria e os primeiros séculos islâmicos chegou à posteridade por intermédio de historiadores como Ibne Açaquir. Sua morte é geralmente situada em Damasco, em 233 A.H. (847), embora as fontes apresentem divergências quanto à data e ao local.
Ibne Aide nasceu em 150 A.H. (767), provavelmente em Damasco, na Síria. O nome de seu avô, geralmente registrado como Amade, também aparece nas fontes como Abederramão, Ubaide Alá ou Saíde. Durante o governo do califa Almamune (r. 813–833), exerceu, entre 813 e 817, o cargo de secretário do divã do caraje da Guta de Damasco. Segundo Franz Rosenthal, sua atividade administrativa na Guta ocorreu sob a autoridade de Almamune, tendo sido responsável pela arrecadação do imposto territorial na região.
Ibne Aide era considerado um estudioso confiável, memorizador de hádices e homem piedoso. Pertencia à corrente mutazilita e era descrito como cadarita. Entre os estudiosos de quem transmitiu hádices estavam Ismail ibne Aiaxe, Alualide ibne Muslim, Iáia ibne Hâmeza Alhadrami, Atafe ibne Calide, Alhaitame ibne Humaide, Alualide ibne Maomé Almauacari, Suaide ibne Abedalazize, Abederramão ibne Magra e Aluaquidi. Entre os que transmitiram tradições recebidas de Ibne Aide figuram Amade ibne Ibraim Albustri, Amade ibne Abi Alhauari, Jafar ibne Maomé Alfiriabi, Abederramão ibne Abedessamade Açulami, Abu Alauas Alucbari, Iacute Alfessaui, Iázide ibne Abedessamade e Abu Zura Abederramão ibne Anre Adimaxequi.
Rosenthal destaca que Ibne Aide transmitiu tradições históricas de Aluaquidi e de Muslim, enquanto suas próprias notícias foram utilizadas por Abu Zura Adimaxequi, Abu Zura Arrazi e Iacute ibne Sufiane. O historiador também lhe atribui uma posição relevante na transmissão da história síria, embora observe que seu nome não aparece com frequência nas fontes históricas mais antigas. Ibne Aide morreu em Damasco, em 25 de Rabi Alarrir de 233 A.H. (8 de dezembro de 847). Açuiuti, entretanto, situou sua morte em Baiaque, enquanto outras tradições indicam os anos de 232 ou 234 A.H. Rosenthal apresenta a data de 25 de Rabi I de 233 A.H. (8 de agosto de 847), registrando também variantes cronológicas e identificando Damasco como local da morte.
Ibne Aide dedicou-se à história da vida e das campanhas militares de Maomé, sendo-lhe atribuídos quatro escritos principais. O Al-Maghāzī (As campanhas militares), que não chegou à atualidade, foi utilizado como uma das principais fontes por Ibne Saíde Anáceri na composição do ʿUyūn al-athar. Este leu parte da obra a Abu Alcácime Quider ibne Abi Alhoceine Alazedi Adimaxequi, de quem recebeu autorização (ijāza) para transmitir seu conteúdo integralmente. Rosenthal menciona ainda o Taʾrīkh Dimashq (História de Damasco), obra extensa dedicada à história da cidade, que teria compreendido dezessete livros. Segundo sua descrição, o trabalho abrangia a história dos califas e de seus servidores, bem como as campanhas militares e as expedições de verão. Parte de seu conteúdo foi preservada por intermédio de autores posteriores, incluindo Ibne Açaquir, que reproduziu notícias atribuídas a Ibne Aide. A obra também é mencionada em relação à transmissão de tradições sobre a história da Síria, embora não tenha sobrevivido integralmente.
O Al-Futūḥ (As conquistas) tratava das conquistas muçulmanas realizadas até a época do autor, enquanto o Al-Ṣawāʾif (As expedições de verão) parece ter abordado as campanhas militares realizadas durante essa estação. Adaabi registrou ambos como uma única obra, intitulada Al-Futūḥ wa-l-Ṣawāʾif. A Sīra (Biografia) abrangia toda a vida de Maomé e, por esse motivo, é considerada uma composição distinta do Al-Maghāzī. As fontes também mencionam outros escritos de Ibne Aide, sem identificá-los. Rosenthal observa que Ibne Aide não deixou marcas significativas na literatura histórica mais antiga conhecida, circunstância que pode estar relacionada à posição desfavorável da tradição historiográfica síria diante da predominância das escolas do Iraque. Ainda assim, considera possível que Ibne Açaquir tenha preservado informações provenientes de sua produção, incluindo notícias sobre a história de Damasco e as campanhas militares. Sua importância reside, portanto, na transmissão de materiais históricos que circularam entre os estudiosos sírios e foram incorporados às compilações posteriores.