Alualide ibne Muslim

 Nota: Para outros significados, veja Alualide.

Alualide ibne Muslim (em árabe: الوليد بن مسلم; romaniz.: al-Walīd ibn Muslim; 119 A.H. / 737 – Dulmarua, outubro de 810) foi um tradicionalista e estudioso das recitações corânicas sírio. Originalmente escravo, esteve ligado à família do governador omíada Maslama ibne Abalmaleque e foi posteriormente alforriado durante o Califado Abássida. Estudou com alguns dos principais tradicionalistas de sua época, entre eles Alauzai, Sufiane Atauri, Sufiane ibne Uiaina, Ibne Juraije, Laite ibne Sade e Maleque ibne Anas. Entre os estudiosos que transmitiram sob sua autoridade estiveram Amade ibne Hambal, Iáia ibne Maine, Isaque ibne Rauai, Saíde ibne Mançor, Ali ibne Almadini, Sanune ibne Saíde, Abedalá ibne Azobair Alhumaidi e Ibne Sade. Considerado um dos principais tradicionalistas da Síria de seu período, Alualide teve especial importância na preservação e transmissão dos hádices de Alauzai, e suas tradições foram incorporadas aos Seis Livros.

Embora geralmente classificado como thiqa (confiável), recebeu críticas por praticar tadlis, por transmitir como marfu tradições originalmente mauquf ou mactu e por cometer erros quando transmitia de memória ou fora de Damasco. Em contrapartida, foi reconhecido pela quantidade de hádices que reuniu e pela capacidade de transmitir narrativas extensas, destacando-se particularmente nas tradições relativas às fitan, malāḥim e maghāzī. Alualide também foi um autor prolífico, sendo-lhe atribuídos cerca de setenta livros e fascículos. Entre as obras conhecidas estão o Kitāb al-Sunan, coletânea de hádices de caráter jurídico utilizada posteriormente por Albaiaqui, o Kitāb al-Maghāzī, sobre as campanhas militares dos primeiros tempos do Islã, o al-Tārīkh, de caráter histórico, e o Siyar al-anbiyāʾ, dedicado às vidas dos profetas.

Vida e formação

Alualide ibne Muslim nasceu em 119 A.H. (737). Como outros membros de sua família, era originalmente um escravo pertencente ao quinto do butim reservado ao Estado e foi colocado a serviço da família de Maslama ibne Abalmaleque, governador omíada. Com a ascensão dos abássidas, passou à posse da nova dinastia e foi alforriado por Alfadle ibne Sale ibne Ali. Apesar disso, procurou seu antigo senhor, Saíde ibne Maslama, e pagou-lhe o valor correspondente à própria liberdade. Alualide recebeu hádices de alguns dos principais tradicionalistas de sua época, entre os quais Alauzai, Sufiane Atauri, Sufiane ibne Uiaina, Ibne Juraije, Ibne Abi Dibe, Laite ibne Sade e Maleque ibne Anas. Dedicou-se também às recitações corânicas, que estudou com Iáia ibne Alharite Adimari, discípulo de Ibne Amir, Ibne Jamaz e Saíde ibne Abedalazize. Por sua vez, estudaram hádice sob sua autoridade Amade ibne Hambal, Iáia ibne Maine, Isaque ibne Rauai, Abu Caitama Zuair ibne Harbe, Saíde ibne Mançor, Ali ibne Almadini, Sanune ibne Saíde, Abedalá ibne Azobair Alhumaidi, Ibne Sade, Ibne Aide e Abu Anre ibne Dacuane. Algumas transmissões que Alualide recebeu de seu próprio discípulo Hixame ibne Amar são citadas pelos estudiosos da metodologia do hádice como exemplos da relação entre transmissores classificados como sābiq e lāḥiq. Nos últimos anos de vida, Alualide permaneceu durante algum tempo em Ramla e, em 194 A.H. (810), realizou o haje. Durante a viagem de regresso, hospedou-se na casa do tradicionalista Harmala ibne Abedalazize Aljuani, em Dulmarua, localidade pertencente ao Uádi Alcura, na estrada entre Medina e Damasco. Morreu ali em Moarrão de 195 A.H. (outubro de 810).

Atividade como tradicionalista

Alualide foi um dos principais tradicionalistas da região da Síria e tornou-se conhecido pela grande quantidade de hádices que transmitiu. Suas tradições foram incorporadas aos Seis Livros, e os estudiosos de crítica de transmissores geralmente o classificaram como thiqa (confiável), embora tenham registrado reservas a respeito de determinados aspectos de sua atividade. Amade ibne Hambal afirmou não ter conhecido entre os tradicionalistas sírios alguém mais inteligente que Alualide e considerou-o um dos que mais transmitiram hádices na Síria. Sua importância foi particularmente grande para a preservação das tradições de Alauzai. A confiança depositada em seu conhecimento desse mestre levou estudiosos a afirmar que quem tivesse registrado por intermédio de Alualide os hádices de Alauzai não precisava lamentar as tradições de outros transmissores que deixara de registrar. As transmissões em que Alualide declarava expressamente ter ouvido Alauzai ou seus outros mestres eram consideradas autênticas, enquanto se recomendava cautela em relação àquelas nas quais não especificava a forma pela qual recebera a tradição. Isso se devia sobretudo à prática do tadlis, que lhe foi atribuída em algumas transmissões de Alauzai e de outros mestres. Segundo os críticos, Alualide persistiu nessa prática apesar das advertências que recebeu. Também foi censurado por transmitir como marfu algumas tradições que originalmente eram mauquf ou mactu, circunstância pela qual recebeu a designação de raffāʿ. Além disso, foram apontados erros nas transmissões que realizou fora de Damasco e naquelas feitas de memória. Em contrapartida, era elogiado por sua habilidade em transmitir narrativas extensas, o que sugere que conservava por escrito em Damasco o material que havia reunido. Alualide destacou-se particularmente pelas tradições relativas às fitan, às malāḥim e às maghāzī, isto é, respectivamente, às provações e conflitos escatológicos, às grandes guerras e às campanhas militares dos primeiros tempos do Islã.

Obras

As fontes atribuem a Alualide cerca de setenta livros, embora Adaabi tenha observado que esse número compreendia obras e fascículos de dimensões variadas. Ainda assim, sua produção foi considerada excepcionalmente abundante para sua época. A reputação de seus escritos era suficientemente elevada para que se afirmasse que quem os dominasse possuiria os conhecimentos necessários ao exercício da função de cádi, indicação de que ao menos parte deles reunia hádices classificados segundo matérias jurídicas. Entre as obras conhecidas figura o Kitāb al-Sunan, coletânea dedicada aos hádices relativos às normas jurídicas. A obra não sobreviveu integralmente, mas foi utilizada por Albaiaqui como uma das fontes de seu al-Sunan al-kubrā. Também são atribuídos a Alualide o Kitāb al-Maghāzī, dedicado às campanhas militares, o al-Tārīkh, de caráter histórico, e o Siyar al-anbiyāʾ, sobre as vidas dos profetas.

Referências

  1. 1 2 Ahatlı 2013, p. 34.
  2. ↑ Ahatlı 2013, pp. 34–35.
  3. 1 2 Ahatlı 2013, p. 35.

Bibliografia