| Jules Richard | |
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| Nascimento | Jules Antoine Richard 12 de agosto de 1862 Blet (Segundo Império Francês) |
| Morte | 14 de outubro de 1956 (94 anos) Châteauroux (Terceira República Francesa) |
| Cidadania | França |
| Alma mater |
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| Ocupação | matemático |
| Distinções |
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| Obras destacadas | paradoxo de Richard |
Jules Richard (Blet, 12 de agosto de 1862 - Châteauroux, 14 de outubro de 1956) foi um matemático francês.
Jules Richard ensinou no ensino médio em Tours, Dijon e Châteauroux. Ele obteve seu doutorado aos 39 anos pela Faculté des Sciences em Paris. Sua tese de 126 páginas discute a superfície-onda de Fresnel. Richard trabalhou primariamente nas fundações da matemática e geometria, relacionando-se com os trabalhos de David Hilbert, von Staudt e Charles Mérav.
Em um tratado mais filosófico sobre a natureza de axiomas na geometria, Richard discute e rejeita os seguintes princípios básicos:
A última proposição foi essencialmente proposta por Immanuel Kant.
Richard chegou ao resultado de que a noção de intensidade de dois objetos e a invariância de um objeto são demasiadamente vagas e precisam ser especificadas mais precisamente. Isto dever ser feito através de axiomas.
Mais adiante, de acordo com Richard, é a principal meta da ciência explicar o universo material. E (apesar de geometria não-euclidiana não ter encontrado aplicações até Albert Einstein publicar sua Teoria da Relatividade em 1915) Richard já havia dito:
Richard correspondeu-se com Giuseppe Peano e Henri Poincaré. Ele se tornou conhecido além de grupos de especialistas ao formular o paradoxo usado extensivamente por Poincaré para atacar a atual Teoria dos Conjuntos.
O paradoxo de Richard foi primeiro descrito em 1905 em uma carta para Louis Olivier, diretor do Revue générale des sciences pures et appliquées. Foi publicado em 1905 no artigo intitulado Les Principes des mathématiques et le problème des ensembles. A Principia Mathematica de Alfred North Whitehead e Bertrand Russel o referencia junto a seis outros paradoxos ligados à auto-referência. Em um dos mais importantes compêndios de lógica matemática, compilado por Jean van Heijenoort, o artigo é traduzido para inglês. O paradoxo pode ser interpretado como uma aplicação do argumento da diagonal de Cantor. Ele inspirou Kurt Gödel e Alan Turing em suas famosas obras. Kurt Gödel considerou seu teorema da incompletude como um análogo ao paradoxo de Richard, que, em sua versão original, diz:
Seja E o conjunto de números reais que pode ser definido por um conjunto finito de palavras. Este conjunto é enumerável. Seja p o n-ésimo número do conjunto E; nós formamos um número N tendo zero para a parte integral e p+ 1 para o n-ésimo decimal, se p não é igual a 8 ou 9, e união no caso contrário. Este número N não pertence ao conjunto E porque ele difere de qualquer número neste conjunto, por exemplo do n-ésimo número vizinho do n-ésimo digito. Porém N foi definido por um número finito de palavras. Ele, portanto, deve pertencer ao conjunto E. Isto é uma contradição.
Richard nunca apresentou este paradoxo em outra forma, porém existem várias versões diferentes, algumas apenas vagamente parecidas com a original. Algumas listadas a seguir.
(A) A versão exposta em Principia Mathematica por Whitehead e Russell é similar à versão original de Richard, porém não precisamente igual. Aqui o digito 9 é trocado pelo digito 0, para que entidades como 1.000... = 0.999... podem quebrar o resultado.
(B) Paradoxo de Berry, primeiramente mencionado em Principia Mathematica como o quinto de sete outros paradoxos, é creditado ao Sr. G. G. Berry da Biblioteca Bodleian. Ela usa “O primeiro número inominável em menos de dez palavras”; na realidade, em inglês ela denota 111,777. Porém “O primeiro número inominável em menos de dez palavras” é por si só um nome consistindo de nove palavras; portanto pelo menos um inteiro não nomeável em menos de dez palavras pode ser nomeado em nove palavras, o que é uma contradição.
(C) Paradoxo de Berry com letras em vez de silabas é comummente relacionado ao conjunto de todos os números naturais que podem ser definidas em menos de 100(ou qualquer outro número grande) letras. Já que os números naturais são um conjunto bem-ordenado, deve existir o menor número que não pode ser definido com menos de 100 letras. Porem este número acaba de ser definido com 64 letras incluindo espaços.
(D) Paradoxo de König também foi publicado em 1905 por Julius König. Todos os números reais que podem ser definidos por um número finito de palavras formam um subconjunto dos números reais. Se os números reais podem ser bem-ordenados, então deve haver um primeiro número real (de acordo com esta ordem) que não pode ser definido por um número finito de palavras. Mas o primeiro número real que não pode ser definido em um número finito de palavras acaba de ser definido em um número finito de palavras.
(E) O menor número natural sem propriedades interessante adquire uma propriedade interessante devido à sua falta de propriedades interessante.
(F) um empréstimo do Paradoxo de Grelling-Nelson. O número de todas as definições finitas é contável. Em ordem lexical, nós obtemos uma sequência de definição D1, D2, D3, ... Agora, uma definição pode definir seu próprio número. Isto seria o caso se D1 lesse "o menor número natural". Pode ocorrer, que uma definição não descreve seu próprio número. Isto seria verdade se D2 lesse "o menor número natural". Além disso, a sentença "esta definição não define seu número" é uma definição finita. Seja Dn. n é descrita por Dn? Se sim, então não, se não, então sim. O dilema é insatisfazível.
Georg Cantor escreveu em uma carta para David Hilbert:
Aqui, Cantor está errado. Hoje nós sabemos que existem incontáveis números reais sem a possibilidade de definição finita.
Ernst Zermelo comenta o argumento de Richard:
Zermelo aponta para a razão pela qual o paradoxo de Richard falha. Sua última proposição, porém, é impossível de se satisfazer. Um número real com infinitos dígitos, que não são determinados por alguma "regra", tem um conteúdo de informação infinitamente grande. Tal número só pode ser identificado por um nome curto se existe pelo menos um ou poucos deles existentes. Se houverem incontáveis números, como é o caso, identificação é impossível.
[This seems to be the only original source, used by all other biographers.]