| Juniper Networks, Inc. | |
|---|---|
Sede da Juniper em Sunnyvale | |
| Cotação | Anteriormente negociada na NYSE como JNPR |
| Atividade | Hardware de rede |
| Fundação | 6 de fevereiro de 1996 |
| Fundador(es) | Pradeep Sindhu |
| Destino | Adquirida pela Hewlett Packard Enterprise |
| Encerramento | 2 de julho de 2025 |
| Sede | Sunnyvale, Estados Unidos |
| Pessoas-chave | Scott Kriens, presidente do conselho de administração Pradeep Sindhu, vice-presidente do conselho de administração Rami Rahim, diretor-executivo |
| Empregados | 11.271 em 2024 |
| Ativos | ↑ US$ 10,0 bilhões em 2024 |
| Receita | ↓ US$ 5,07 bilhões em 2024 |
| Lucro | ↓ US$ 288 milhões em 2024 |
| LAJIR | ↓ US$ 292 milhões em 2024 |
| Sucessora(s) | HPE Networking |
| Website | juniper.net |
| |
Juniper Networks, Inc. foi uma multinacional estadunidense com sede em Sunnyvale, na Califórnia. A empresa desenvolvia e comercializava equipamentos e programas para redes, como roteadores, comutadores, programas de gerenciamento de rede, produtos de segurança de rede e tecnologias de redes definidas por software.
A empresa foi fundada em 1996 por Pradeep Sindhu. Scott Kriens foi seu primeiro diretor-executivo e permaneceu no cargo até setembro de 2008. Grande parte do sucesso comercial inicial da Juniper foi atribuída à gestão de Kriens. A empresa recebeu investimentos de fundos de capital de risco e empresas de telecomunicações em diferentes rodadas antes de abrir seu capital em 1999. Em 2000, sua receita anual chegou a US$ 673 milhões. Em 2001, detinha 37% do mercado de roteadores de núcleo, disputando espaço com a Cisco, que até então dominava o setor. A receita chegou a US$ 1,336 bilhão em 2004 e a US$ 4,63 bilhões em 2014. A Juniper nomeou Kevin Johnson para o cargo de diretor-executivo em 2008, Shaygan Kheradpir em 2013 e Rami Rahim em 2014.
A Juniper Networks se concentrou inicialmente em roteadores de núcleo, usados por provedores de acesso à internet para consultar endereços IP e encaminhar o tráfego de internet. Com a compra da Unisphere, em 2002, a empresa passou a vender roteadores de borda, usados pelos provedores para encaminhar esse tráfego aos consumidores individuais. Em 2003, entrou no mercado de segurança computacional com seu conjunto de ferramentas JProtect. No ano seguinte, adquiriu a empresa de segurança NetScreen Technologies. No início dos anos 2000, a Juniper passou a atender o segmento empresarial, que em 2005 respondia por um terço de sua receita. De 2014 a 2025, concentrou-se no desenvolvimento de novos produtos de redes definidas por software.
Em janeiro de 2024, a Juniper aceitou ser adquirida integralmente pela Hewlett Packard Enterprise, ou HPE, por cerca de US$ 14 bilhões. A aquisição foi concluída em 2 de julho de 2025.

Pradeep Sindhu, cientista do Palo Alto Research Center, o PARC da Xerox, teve a ideia de criar a Juniper Networks durante suas férias em 1995 e fundou a empresa em fevereiro de 1996. Sindhu queria criar roteadores que usassem pacotes de dados e fossem otimizados para o tráfego de internet por meio da comutação de pacotes. Nesse processo, o roteamento e a transferência de dados ocorrem "por meio de pacotes endereçados, de modo que um canal fique ocupado apenas durante a transmissão do pacote e, ao término da transmissão, fique disponível para a transferência de outro tráfego". Os engenheiros Bjorn Liencres, da Sun Microsystems, e Dennis Ferguson, da MCI Communications, juntaram-se a ele.
Sindhu iniciou a Juniper Networks com US$ 2 milhões de capital semente. A empresa recebeu outros US$ 12 milhões em seu primeiro ano de operação. Cerca de sete meses após a fundação, Scott Kriens foi nomeado diretor-executivo para administrar os negócios, e Sindhu assumiu o cargo de diretor técnico. Até fevereiro de 1997, a Juniper havia captado US$ 8 milhões em capital de risco. Ainda naquele ano, recebeu outros US$ 40 milhões em investimentos numa rodada da qual participaram quatro dos cinco maiores fabricantes de equipamentos de telecomunicações, Siemens, Ericsson, Nortel e 3Com. A Juniper também recebeu US$ 2,5 milhões da Qwest e outros investimentos da AT&T.
A Juniper Networks teve receita anual de US$ 3,8 milhões em 1998. No ano seguinte, seu único produto, o roteador M40, já era usado por 50 empresas de telecomunicações. A empresa firmou acordos com a Alcatel e a Ericsson para distribuir o M40 internacionalmente. Abriu uma sede europeia no Reino Unido e outra para a região da Ásia e do Pacífico em Hong Kong. Criou uma subsidiária no Japão e abriu escritórios na Coreia em 1999. Sua participação no mercado de roteadores de núcleo passou de 6% em 1998 para 17,5% no ano seguinte e chegou a 20% em abril de 2000.
A Juniper Networks solicitou o registro de sua oferta pública inicial em abril de 1999 e estreou na NASDAQ em junho. As ações subiram 191% no primeiro dia de negociação, um recorde para o setor de tecnologia, e a empresa atingiu um valor de mercado de US$ 4,9 bilhões. A revista Telephony chamou a Juniper Networks de "a mais nova queridinha de Wall Street". No fim de julho, seu valor de mercado chegou a US$ 7 bilhões. Em um ano, o preço das ações quintuplicou.
A receita da Juniper Networks cresceu 600% em 2000, chegando a US$ 673 milhões. No mesmo ano, a empresa transferiu sua sede de Mountain View para Sunnyvale, na Califórnia.
Em 2001, a Juniper detinha um terço do mercado de roteadores de núcleo de alto desempenho, principalmente às custas das vendas da Cisco Systems. A revista Businessweek afirmou que "os analistas concordavam de forma unânime que os equipamentos da Juniper eram tecnicamente superiores aos da Cisco porque o hardware realizava a maior parte do processamento de dados. Os roteadores da Cisco ainda dependiam de software, o que muitas vezes resultava em velocidades menores". A Cisco, porém, oferecia mais opções de serviços e suporte e já tinha uma posição consolidada no mercado. A imprensa comparava com frequência a disputa entre Juniper e Cisco à história de "Davi e Golias". A Cisco havia crescido por meio de aquisições e se tornado uma grande fornecedora de equipamentos de roteamento para residências, empresas e provedores de internet. A Juniper era vista como a "anti-Cisco", por ser uma empresa pequena e concentrada em um segmento específico.
Em janeiro de 2001, a Cisco lançou um conjunto de roteadores que, na avaliação da Businessweek, buscava conter o avanço da Juniper no mercado. A revista afirmou que o roteador mais potente da Juniper era quatro vezes mais rápido e custava apenas o dobro dos produtos equivalentes da Cisco. A expectativa era de que os roteadores da Cisco não reduzissem a participação crescente da Juniper. Outras empresas, como Lucent, Alcatel e as startups Avici Systems e Pluris, haviam anunciado planos de lançar produtos que superariam a velocidade dos roteadores da Juniper.
A Juniper lançou uma linha de roteadores de borda que lhe permitiu competir com a Cisco nesse segmento. Dois meses após o lançamento, seus roteadores já detinham 9% do mercado. As duas empresas faziam alegações exageradas em suas campanhas de marketing. A Juniper anunciava que seus produtos eram tão estáveis que deixariam os profissionais de TI entediados. A Cisco afirmava que testes de laboratório da publicação Light Reading comprovavam a superioridade de seus produtos sobre os da Juniper, embora a própria publicação tivesse chegado à conclusão oposta. Em 2002, as duas empresas anunciavam repetidamente produtos com especificações de velocidade superiores às da concorrente. A Network World chamou a disputa de "competição de relações públicas baseada em velocidades e capacidades".
Em 2004, a Juniper detinha 38% do mercado de roteadores de núcleo. Em 2007, suas participações nos mercados de roteadores empresariais, de borda e de núcleo eram de 5%, 18% e 30%, respectivamente. A Alcatel-Lucent não conseguiu desafiar a Juniper no mercado de roteadores de núcleo, mas seguiu disputando o de roteadores de borda com ela e com a Cisco.

No fim de 2000, a Juniper criou uma empresa conjunta com a Ericsson para desenvolver e comercializar comutadores para o tráfego de internet em dispositivos móveis. Também formou uma parceria com a Nortel para trabalhar com tecnologias de fibra óptica. Em 2001, lançou um programa de certificação técnica e participou da implantação da primeira rede óptica de internet da China.:12 O crescimento da Juniper desacelerou em 2001, acompanhando a retração do setor de telecomunicações, e sua receita caiu dois terços com o estouro da bolha da Internet. Entre 9% e 10% dos funcionários foram demitidos.
A Juniper já havia se recuperado em 2004, quando ultrapassou US$ 1 bilhão de receita pela primeira vez. Em 2005, a receita chegou a US$ 2 bilhões. A partir de 2004, com a aquisição da NetScreen, a Juniper Networks passou a desenvolver e comercializar produtos para o segmento empresarial. A empresa tentava mudar a percepção de que atendia provedores de internet, e não empresas. Em 2005, os clientes empresariais respondiam por um terço de sua receita, mas a Juniper já havia gasto US$ 5 bilhões em aquisições e pesquisa e desenvolvimento voltados a esse mercado.
Em 2006, mais de 200 empresas dos Estados Unidos retificaram seus resultados financeiros após investigações sobre a atribuição retroativa de datas a opções de ações. Acionistas da Juniper alegaram que a empresa havia usado esse expediente de forma enganosa para beneficiar indevidamente seus altos executivos. Em dezembro de 2006, a Juniper retificou seus demonstrativos financeiros, reconhecendo US$ 900 milhões em despesas para corrigir opções de ações com datas retroativas de 1999 a 2003. Em fevereiro de 2010, firmou um acordo de US$ 169 milhões com os acionistas.
Em julho de 2008, Scott Kriens, o primeiro diretor-executivo da Juniper, assumiu a presidência do conselho de administração. Kevin Johnson, ex-executivo da Microsoft, foi nomeado diretor-executivo. Johnson direcionou mais esforços da empresa ao software e criou uma divisão de soluções de software comandada por Bob Muglia, seu ex-colega na Microsoft. A Juniper também contratou outros ex-executivos da Microsoft para trabalhar em sua estratégia de software e incentivar desenvolvedores a criar programas para o sistema operacional Junos. Firmou parcerias com a IBM, a Microsoft e a Oracle para melhorar a compatibilidade entre seus programas. A família de produtos SSL/VPN Pulse foi lançada em 2010 e vendida a uma empresa de private equity em 2014 por US$ 250 milhões.
Em 2012, a Juniper demitiu 5% de seus funcionários e perdeu quatro executivos de alto escalão. No ano seguinte, Kevin Johnson anunciou que se aposentaria assim que um substituto fosse encontrado. Em novembro de 2013, a Juniper Networks anunciou que Shaygan Kheradpir seria o novo diretor-executivo. Ele assumiu o cargo em janeiro de 2014.
Em janeiro de 2014, o fundo de cobertura Elliott Associates, investidor ativista e acionista da Juniper, defendeu que a empresa reduzisse suas reservas de caixa e cortasse custos. A proposta veio antes da nomeação oficial de Kheradpir. Em fevereiro, a Juniper chegou a um acordo com a Elliott e outros interessados para adotar um Plano Operacional Integrado, chamado IOP na sigla em inglês. O plano previa a recompra de US$ 2 bilhões em ações, a redução de US$ 160 milhões nas despesas operacionais e a nomeação de dois novos integrantes do conselho de administração. Em abril, 6% dos funcionários foram demitidos para reduzir despesas. Em novembro de 2014, Kheradpir renunciou inesperadamente após o conselho de administração avaliar sua conduta numa negociação com um cliente cujo nome não foi divulgado. Rami Rahim, executivo da própria Juniper, assumiu o cargo de diretor-executivo.
Em maio de 2014, a Palo Alto Networks concordou em pagar US$ 175 milhões num acordo para encerrar uma disputa sobre a suposta violação de patentes da Juniper relativas a firewalls de aplicação.
Em 2015, a revista Wired noticiou que a empresa havia encontrado código não autorizado que abria backdoors em seus produtos ScreenOS. A empresa corrigiu o código por meio de atualizações.
Em janeiro de 2024, a empresa aceitou ser comprada pela Hewlett Packard Enterprise por US$ 14 bilhões, numa transação integralmente em dinheiro. A compra buscava ampliar os recursos da HPE em redes e inteligência artificial. Em janeiro de 2025, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, ou DOJ, contestou a aquisição por considerar que ela poderia reduzir a concorrência e a inovação, elevando os preços para os consumidores. Após um acordo com o DOJ, a HPE se comprometeu a vender sua divisão de redes sem fio Instant On e a licenciar o código-fonte do Mist AI, um componente central dos produtos de rede local sem fio da Juniper. A aquisição foi concluída em 2 de julho de 2025. A Juniper foi incorporada à HPE Networking, e Rami Rahim foi nomeado para comandar a divisão. A HPE manteria a comercialização dos antigos produtos da Juniper sob a marca HPE Juniper Networking. Ainda em julho, o Axios noticiou que a Comunidade de Inteligência dos Estados Unidos havia intervindo diretamente para convencer o DOJ a permitir a aquisição. O argumento era que impedir a fusão prejudicaria empresas estadunidenses e fortaleceria concorrentes chinesas, sobretudo a Huawei, o que tornaria a decisão crucial para a segurança nacional.
Até 2001, a Juniper havia feito poucas aquisições de empresas menores, pois seus dirigentes preferiam o crescimento orgânico. O ritmo das aquisições aumentou em 2001 e 2002, com a compra da Pacific Broadband e da Unisphere Networks. Em 2004, a Juniper adquiriu a empresa de segurança de redes NetScreen Technologies por US$ 4 bilhões. No mesmo ano, reformulou o programa de parceiros comerciais da NetScreen e usou sua rede de revendedores para distribuir outros produtos.
A Juniper fez cinco aquisições em 2005, principalmente de startups, por valores entre US$ 8,7 milhões e US$ 337 milhões. Comprou a Redline Networks, fornecedora de produtos de aceleração de aplicações, a Kagoor Networks, do setor de voz sobre IP, e a Peribit Networks, especializada em redes de longa distância, ou WAN. A Peribit e a Redline passaram a integrar um novo grupo de produtos para aplicações, e suas tecnologias foram incorporadas à arquitetura infranet da Juniper. Depois disso, a empresa não fez novas aquisições até 2010.
De 2010 a setembro de 2011, a Juniper fez seis aquisições e investiu em oito empresas. Costumava comprar startups em estágio inicial, desenvolver suas tecnologias e depois vendê-las a clientes que já atendia. Adquiriu duas empresas de vídeo digital, a Ankeena Networks e a Blackwave Inc., além da Trapeze Networks, que desenvolvia programas para redes locais sem fio. Em 2012, comprou a Mykonos Software, que desenvolvia programas de segurança para enganar invasores que já tivessem entrado na rede, e a Contrail Systems, desenvolvedora de controladores de redes definidas por software. Em 2014, adquiriu a WANDL, também do setor de redes definidas por software, ou SDN.
Em abril de 2016, a Juniper concluiu a aquisição da BTI, fornecedora de tecnologias para nuvem e redes metropolitanas. A compra buscava ampliar suas tecnologias e seus serviços de interconexão de centros de dados e transporte óptico de pacotes em redes metropolitanas. Em dezembro de 2016, comprou a AppFormix, startup de gestão e otimização de operações em nuvem. Em 2017, adquiriu a Cyphort, startup do Vale do Silício que desenvolvia programas de análise de segurança. Em novembro de 2018, comprou a HTBASE, empresa de armazenamento em nuvem. Em abril de 2019, adquiriu a Mist Systems, startup de redes locais sem fio, ou WLAN, para ampliar sua oferta de produtos empresariais de redes definidas por software e de serviços em múltiplas nuvens. Em fevereiro de 2022, foi anunciada a aquisição da WiteSand, empresa especializada em soluções de controle de acesso à rede, ou NAC, desenvolvidas para a nuvem e baseadas no modelo de confiança zero.
A Juniper Networks projetava e comercializava produtos de redes de computadores, como roteadores, comutadores e equipamentos de segurança. Começou vendendo roteadores de núcleo para provedores de internet e ampliou sua atuação para roteadores de borda, centros de dados, redes sem fio, redes para filiais e outros dispositivos de acesso e agregação.
Antes de ser adquirida pela HPE, a Juniper ocupava o terceiro lugar em participação no mercado conjunto de roteadores e comutadores usados por provedores de internet. Os levantamentos da Dell'Oro Group a situavam em quarto lugar no mercado de roteadores de borda e em segundo no de roteadores de núcleo, com 25% desse mercado. A empresa também ocupava o segundo lugar no mercado de firewalls, com participação de 24,8%. No segmento de equipamentos de segurança para centros de dados, ficava em segundo lugar, atrás da Cisco. A Juniper oferecia suporte técnico e serviços por meio do programa J-Care.
Em fevereiro de 2020, as famílias de produtos da Juniper abrangiam os itens abaixo.
|
|
O primeiro produto da Juniper Networks foi o Junos, sistema operacional para roteadores lançado em 1 de julho de 1998. Seu primeiro roteador chegou ao mercado em setembro daquele ano. Chamado M40, era um roteador de núcleo destinado a provedores de internet.:8 O equipamento usava circuitos integrados de aplicação específica, ou ASICs, desenvolvidos em parceria com a IBM para encaminhar o tráfego de internet. Sua capacidade de transferência de dados era dez vezes maior que a dos produtos equivalentes da Cisco disponíveis naquele momento. O M40 foi seguido pelo M20, de menor porte, em dezembro de 1999, e pelo M160, em março de 2000.
Até 2000, a Juniper havia desenvolvido cinco sistemas de hardware e lançado sete novas versões do sistema operacional Junos. Em abril daquele ano, lançou a segunda geração dos processadores de internet usados em seus roteadores de núcleo. Em abril de 2002, lançou o primeiro modelo da série T, inicialmente chamada pelo codinome Gibson. Ele conseguia realizar quatro vezes mais consultas de rotas por segundo que o M160. Os primeiros produtos da família TX Matrix, que permitiam combinar até quatro roteadores da série T, foram lançados em dezembro de 2004.
Em 2003, a Juniper já atuava em três segmentos de roteadores, os de núcleo, os de borda e os destinados ao tráfego de redes móveis.:9 Sua primeira expansão para além dos roteadores de núcleo ocorreu com a entrada no mercado de roteadores de borda, ao adquirir a família de produtos da série E, inicialmente chamada ERX, na compra da Unisphere em 2002. Em 2002, Cisco e Juniper passaram a dedicar mais atenção aos roteadores de borda, pois muitos provedores de internet já dispunham de ampla capacidade de transmissão no núcleo de suas redes. No fim de 2003, a Juniper lançou melhorias em seus programas e nos recursos de agregação de banda larga. A empresa detinha então a maior participação nesse mercado, com 52%. Em 2003, entrou no mercado de sistemas de terminação de modems a cabo com a família de produtos da série G, após a compra da Pacific Broadband. A linha foi descontinuada ainda naquele ano.
O primeiro comutador empresarial da Juniper foi o EX 4200, lançado em 2008. Num teste técnico comparativo, a Network World afirmou que o EX4200 teve o melhor desempenho em latência e capacidade de transferência entre os comutadores testados. Seus recursos de multicast, porém, eram "mais recentes e menos maduros" que os demais recursos do produto. A Juniper Networks anunciou o roteador de núcleo T1600, de 1,6 terabit por segundo, em 2007, e o T4000, de 4 terabits por segundo, em 2010. Em 2012, lançou a família ACX de roteadores de acesso universal. Em 2013, lançou novos modelos da família MX de roteadores de borda, apresentou o PTX3000, uma versão menor de seus roteadores de núcleo, e lançou novos roteadores empresariais. Sete meses depois, a Juniper adquiriu a WANDL. Sua tecnologia foi incorporada ao controlador de redes WAN NorthStar, anunciado em fevereiro de 2014.
Em fevereiro de 2011, a Juniper apresentou o QFabric, uma tecnologia baseada em protocolo proprietário para transferir dados por uma rede usando uma única camada de rede. Os produtos que usavam essa tecnologia foram lançados ao longo do ano. Em outubro de 2013, apresentou outra arquitetura de rede, chamada MetaFabric, e uma nova família de comutadores, a QFX5100, que formava uma das bases dessa arquitetura.
Em fevereiro de 2014, a Juniper lançou melhorias de software e hardware para seus roteadores, entre elas aplicações que os provedores poderiam usar para oferecer serviços pela internet aos consumidores. Em dezembro de 2014, apresentou o comutador OCX1100, que podia operar com o sistema operacional Junos ou com o software de código aberto do Open Compute Project.

A Juniper Networks lançou o conjunto de ferramentas de segurança JProtect em maio de 2003. Ele incluía firewalls, monitoramento de fluxos, filtragem e tradução de endereços de rede, ou NAT. Com a compra da NetScreen Technologies em 2004, adquiriu a linha de produtos Juniper Secure Meeting e programas de acesso remoto à área de trabalho. O equipamento de segurança NetScreen-5GT ADSL foi o primeiro novo produto NetScreen lançado pela Juniper após a aquisição e seu primeiro produto sem fio. O primeiro produto da Juniper voltado a pequenas empresas foi um equipamento de acesso remoto lançado em agosto de 2004. Em setembro, foi disponibilizada uma interface aberta para que terceiros desenvolvessem ferramentas para o equipamento.
Em setembro de 2004, a Juniper entrou no mercado de roteadores de acesso empresarial com três modelos que inauguraram a série J. Para comercializá-los, recorreu aos parceiros comerciais que passaram a trabalhar com a empresa após a compra da NetScreen. No fim de 2005, lançou seu primeiro produto dedicado ao controle de acesso à rede. Depois, adquiriu a Funk Software por seus recursos de controle de acesso para comutadores. Uma avaliação publicada pela Network World em 2006 chamou o SSG 520, equipamento da Juniper que combinava firewall e roteamento, de "a primeira ameaça séria" aos produtos concorrentes da Cisco. Em 2008, a Juniper lançou a família de gateways SRX. As vendas foram boas, mas clientes e revendedores começaram a relatar problemas técnicos em 2010. A Juniper só reconheceu esses problemas em 2012, quando passou a fornecer atualizações para os programas dos equipamentos.
Em agosto de 2011, Juniper e AT&T anunciaram que desenvolveriam juntas o aplicativo AT&T Mobile Security, baseado no programa de segurança Pulse da Juniper. Em maio de 2012, a Juniper lançou novos recursos para o programa de segurança na web que havia adquirido da Mykonos Software em fevereiro. O programa da Mykonos buscava enganar invasores ao apresentar vulnerabilidades falsas e acompanhar suas atividades. Em janeiro de 2014, a Juniper anunciou o Firefly Suite, conjunto de produtos de segurança e comutação para máquinas virtuais. No mês seguinte, lançou produtos para enganar invasores por meio de arquivos falsos, senhas incorretas e alterações nos mapas da rede, a fim de confundir quem já tivesse ultrapassado seu perímetro de segurança.

Uma análise do código do firmware ScreenOS, em dezembro de 2015, encontrou uma chave de backdoor que usava o Dual EC DRBG e permitia descriptografar passivamente o tráfego criptografado pelo sistema. O uso desse mecanismo remontava a 2008. Nas versões do ScreenOS de 6.2.0r15 a 6.2.0r18 e de 6.3.0r12 a 6.3.0r20, uma falha de autenticação também permitia que qualquer usuário obtivesse acesso administrativo com uma senha mestra especial. Analistas afirmaram que a backdoor criptográfica ainda existia no ScreenOS. O pesquisador Stephen Checkoway declarou à Wired: "Se essa backdoor não foi intencional, então, na minha opinião, é uma coincidência espantosa".
Em dezembro de 2015, a Juniper Networks anunciou ter descoberto "código não autorizado" no ScreenOS, usado em seus equipamentos NetScreen, presente desde 2012. Havia duas vulnerabilidades. Uma era uma backdoor que permitia acesso de administrador por meio de uma senha. A outra alterava um ponto do Dual EC DRBG, o que presumivelmente dava aos invasores a chave necessária para explorar uma backdoor cleptográfica já existente no ScreenOS, intencional ou não, e descriptografar o tráfego de forma passiva.
Em 2014, a Juniper vinha concentrando seus esforços em redes definidas por software. A empresa adquiriu a Contrail Systems em dezembro de 2012. No mês seguinte, anunciou sua estratégia para esse setor, que previa um novo modelo de licenciamento baseado no uso e novos recursos para o sistema operacional Junos. Em fevereiro de 2013, lançou produtos de SDN, entre eles o programa de provisionamento de aplicações Services Activation Director e o equipamento Mobile Control Gateway.
Em maio de 2013, a Juniper anunciou o JunosV Contrail, controlador de SDN que usava a tecnologia adquirida com a Contrail Systems. Em fevereiro de 2014, lançou novos produtos de SDN, como o programa de gerenciamento de redes Junos Fusion e o controlador NorthStar. O NorthStar ajudava a encontrar o melhor caminho para os dados percorrerem uma rede.
Desde 2009, a Juniper realizava anualmente a competição SDN Throwdown, que incentivava estudantes de universidades de todo o mundo a usar o NorthStar Controller e desenvolver uma solução para otimizar a capacidade de transferência das redes. Na edição de 2019, a equipe liderada por Sumit Maheshwari, da Universidade Rutgers, ficou em primeiro lugar. Jialu Sun, da Universidade de Santa Clara, liderou a equipe que ficou em segundo.
Em março de 2015, a Juniper anunciou atualizações para a família PTX de roteadores de núcleo, a família QFX de comutadores e seus produtos de segurança. Um relatório da consultoria de tecnologia LexInnova situou a Juniper Networks em terceiro lugar entre os detentores de patentes de segurança de redes em junho de 2015, com 2.926 patentes nessa área.
Em outubro de 2018, a Juniper anunciou o EngNet, conjunto de ferramentas e informações para desenvolvedores destinado a ajudar empresas a automatizar suas operações e substituir a interface habitual de linha de comando.
Antes de ser adquirida pela HPE, a Juniper Networks atuava em mais de 100 países. Cerca de 50% de sua receita vinha dos Estados Unidos, 30% da Europa, do Oriente Médio e da África e 20% da Ásia. A Juniper vendia diretamente às empresas e por meio de revendedores e distribuidores, como Ericsson, IBM, Nokia, Ingram Micro e NEC. Cerca de 50% de sua receita vinha de roteadores, 13% de comutadores, 12% de produtos de segurança de TI e 25% de serviços.
Um levantamento da Glassdoor de 2013 apontou que os engenheiros de software da Juniper Networks recebiam os maiores salários do setor de tecnologia, com uma diferença de cerca de US$ 24 mil por ano. A empresa mantinha o programa Juniper Networks Academic Alliance, ou JNAA, para recrutar recém-formados.
Uma análise SWOT da MarketLine avaliou que a Juniper dedicava "grande atenção" à pesquisa e ao desenvolvimento. Os gastos nessa área ficaram entre 22% e 25% da receita de 2011 a 2013. A maior parte da fabricação era terceirizada para a Celestica, a Flextronics e a Accton Technology. A Juniper administrava o Junos Innovation Fund, criado em 2010 com US$ 50 milhões para investir em empresas de tecnologia em estágio inicial que desenvolvessem aplicações para o sistema operacional Junos. Até 2011, a Juniper Networks havia investido em 20 empresas, o equivalente a cerca de 1% a 2% das que havia avaliado para possíveis investimentos.
Em dezembro de 2015, a Juniper lançou uma correção emergencial de segurança para uma backdoor em seus equipamentos. Junto com outra vulnerabilidade, ela permitia contornar a autenticação e descriptografar o tráfego de redes privadas virtuais, ou VPNs, no ScreenOS. Análises apontaram que o mecanismo criptográfico da backdoor havia sido criado pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, a NSA, mas poderia ter sido usado depois por um governo nacional não identificado.