| Qwest Communications International Inc. | |
|---|---|
Logotipo usado de 1996 a 2011 | |
Sede da Qwest em Denver, Colorado | |
| Subsidiária | |
| Cotação | NYSE: Q |
| Atividade | Telecomunicações |
| Fundação | 1996 |
| Fundador(es) | Philip Anschutz |
| Destino | Incorporada pela CenturyLink |
| Encerramento | 1 de agosto de 2011 |
| Sede | 1801 California Street, Denver, Colorado, Estados Unidos |
| Área(s) servida(s) | Internacional |
| Empregados | 30.000 em 2010 |
| Produtos | Telefonia, Internet e Televisão |
| Empresa-mãe | CenturyLink, em 2011 |
| Subsidiárias | Qwest Corporation |
| Ativos | US$ 22,532 bilhões em 2007 |
| Receita | US$ 13,778 bilhões em 2007 |
| LAJIR | US$ 1,730 bilhão em 2007 |
| Renda líquida | US$ 2,917 bilhões em 2007 |
| Antecessora(s) | US West |
| Website | qwest.com |
| |
Qwest Communications International, Inc. foi uma operadora de telecomunicações dos Estados Unidos. Prestava serviço local em 14 estados do Oeste e do Meio-Oeste do país: Arizona, Colorado, Idaho, Iowa, Minnesota, Montana, Nebraska, Novo México, Dakota do Norte, Óregon, Dakota do Sul, Utah, Washington e Wyoming.
Em 22 de abril de 2010, a CenturyLink anunciou que compraria a Qwest por meio de uma troca de ações. A fusão foi concluída em 1 de abril de 2011. A partir de agosto daquele ano, a Qwest passou a operar com o nome CenturyLink. Entre 1999 e 2002, a Qwest envolveu-se em uma fraude contábil. A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, conhecida pela sigla SEC, acusou a empresa de reconhecer de forma fraudulenta mais de US$ 3,8 bilhões em receitas, excluir US$ 231 milhões em despesas e prestar declarações falsas que elevaram substancialmente o preço de suas ações. A SEC afirmou que as ações supervalorizadas permitiram à Qwest concluir a compra da US West. A Qwest pagou uma multa de US$ 250 milhões à SEC, e seu ex-diretor executivo Joseph Nacchio foi condenado por 19 acusações de uso de informação privilegiada.
A Qwest prestava serviços de voz, dados por backbone, Internet e televisão digital em algumas áreas. Suas atividades dividiam-se em serviços por fio, serviços sem fio e outros serviços. O primeiro segmento oferecia voz local e de longa distância, dados e Internet por DSL a consumidores, empresas e clientes atacadistas, além de acesso de rede para o mercado atacadista. Os serviços sem fio eram prestados em parceria com a Verizon Wireless. A empresa também mantinha uma parceria com a DirecTV para oferecer televisão digital. Em Phoenix, Denver, Salt Lake City, Boise e Omaha, oferecia o Qwest Choice TV, depois chamado Qwest Digital Television, um serviço de IPTV por DSL. A oferta deixou de aceitar novos clientes em maio de 2008 e foi encerrada em outubro. A DirecTV tornou-se o único serviço de televisão oferecido pela Qwest, e os assinantes do Qwest Choice TV foram transferidos para ela. O segmento de outros serviços concentrava-se no subarrendamento de imóveis, como espaços em edifícios de escritórios, armazéns e outras propriedades.
A Qwest Communications também oferecia serviços de longa distância e dados de banda larga, além de comunicações de voz e vídeo em escala mundial. Vendia seus produtos e serviços a pequenas empresas, órgãos governamentais e instituições de ensino públicas e privadas por venda direta, telemarketing, agentes terceirizados, seu site e relações com parceiros. Em 13 de setembro de 2005, mantinha 98 lojas em 14 estados. Em 2007, seu patrimônio líquido era de US$ 563 milhões. Sua sede ficava no 1801 California Street, em Denver, um edifício de 53 andares que era o segundo mais alto da cidade. A maior parte dos empregados em funções operacionais ou sem cargo de chefia era representada por dois sindicatos, os Trabalhadores de Comunicações da América e, em Montana, a Irmandade Internacional dos Trabalhadores do Setor Elétrico. A Qwest também mantinha na Índia centros de desenvolvimento de software chamados Qwest Software Services, em Bangalor e Noida, na região de Nova Deli.
A Qwest foi fundada em 1996 por Philip Anschutz e teve uma origem pouco comum. Anschutz, então proprietário da Southern Pacific Transportation Company, criou a subsidiária Southern Pacific Telecommunications Company. A nova empresa começou a instalar uma infraestrutura inteiramente digital de fibra óptica ao longo das ferrovias e a ligá-la a pontos centrais em locais escolhidos para fornecer dados em alta velocidade e serviços T1 a empresas. Em 1997, a Southern Pacific Transportation Company fundiu-se com a Union Pacific, mas os ativos de telecomunicações ficaram fora da fusão ferroviária. A operadora passou a chamar-se Qwest e abriu seu capital em junho de 1997.
A Qwest Communications cresceu depressa. Comprou o provedor de Internet SuperNet em 1997 e, no ano seguinte, adquiriu a LCI, uma operadora de longa distância de baixo custo com instalações em Dublin (Ohio) e McLean (Virgínia). Também comprou em 1998 a Icon CMT, que oferecia hospedagem de sites, e a operadora europeia EUnet International Ltd. Com isso, a Qwest deixou de atender apenas o mercado restrito de dados em alta velocidade para grandes empresas. Passou a combinar seus serviços de dados com uma base de clientes residenciais e empresariais de longa distância que crescia depressa.

A Qwest fundiu-se com a US West, uma das empresas conhecidas como "Baby Bells", em 30 de junho de 2000. A operação, que parecia uma aquisição hostil, custou US$ 48 bilhões. Philip Anschutz ficou com 17,5% da empresa resultante. Diferentemente das fusões anteriores entre Baby Bells, a US West deixou de existir assim que foi absorvida. Suas subsidiárias passaram diretamente para a Qwest.
Uma das condições da fusão obrigava a Qwest a vender suas operações de longa distância na área de 14 estados em que prestava telefonia local. Elas foram vendidas à Touch America, da Montana Power Company. Em 2003, depois que a Touch America pediu falência, a Qwest comprou esses ativos da 360networks. A aquisição encerrou as disputas entre as duas empresas. A Touch America acusava a Qwest de continuar a vender ilegalmente serviços de longa distância no antigo território da US West.
Em 2002, a Qwest acertou a venda de sua divisão de listas telefônicas, a QwestDex, aos fundos de investimento The Carlyle Group e Welsh, Carson, Anderson & Stowe por US$ 7 bilhões. A operação gerou caixa para afastar um pedido de falência, que poderia ter ocorrido devido às dívidas acumuladas desde o estouro da bolha da Internet. A venda terminou em 2004, e a empresa resultante recebeu o nome Dex Media.
A Qwest Communications manteve parcerias com outras empresas de comunicações.
Na Europa, associou-se à operadora neerlandesa KPN para criar a KPNQwest, uma empresa pan-europeia de comunicação de dados e hospedagem. A KPNQwest foi constituída em novembro de 1998 e fez uma oferta pública inicial nas bolsas Nasdaq e de Amsterdã em novembro de 1999. Faliu em 2002.
Nos Estados Unidos, a Qwest associou-se à AT&T e à Verizon para criar o site Movearoo.com. Lançado em 9 de julho de 2008, o site ajudava pessoas em processo de mudança a encontrar prestadores de serviços domésticos disponíveis em sua região.
Uma das reclamações coletivas feitas contra a Qwest dizia respeito à transferência de clientes de telefonia local para o serviço de longa distância da empresa sem autorização. A prática ilegal é chamada de slamming. Em julho de 2000, a Qwest pagou uma multa de US$ 1,5 milhão à Comissão Federal de Comunicações para encerrar as reclamações. Em abril de 2001, pagou US$ 350 mil ao Escritório de Proteção ao Consumidor da Pensilvânia, depois de ser citada pelo estado por propaganda enganosa e slamming. Os acordos também exigiram que todos os vendedores assinassem um compromisso de não praticar slamming, sob pena de demissão.
Entre 1999 e 2002, a Qwest adotou práticas contábeis destinadas a dar a impressão de que seu negócio de telecomunicações, que perdia força, crescia a taxas de dois dígitos. A alta direção dependia de vendas não recorrentes de capacidade de fibra óptica e equipamentos, mas apresentava boa parte do dinheiro aos investidores como receita recorrente de serviços de comunicação.
A SEC acusou a Qwest de reconhecer de forma fraudulenta cerca de US$ 3,8 bilhões em receitas e excluir US$ 231 milhões em despesas. Outros erros contábeis elevaram em US$ 56 milhões a receita de serviços de telefonista, transformaram indevidamente US$ 200 milhões em custos capitalizados e reduziram em US$ 850 milhões as despesas ligadas à fusão com a US West e aos custos de reestruturação.
A Qwest também realizou transações de capacidade de fibra e equipamentos nas quais receitas não recorrentes foram usadas para cumprir projeções trimestrais. A SEC acusou a empresa de prestar declarações falsas ou enganosas sobre sua rede, relações estratégicas, remuneração de executivos e a origem e qualidade do crescimento divulgado.
A Qwest firmou o acordo de compra da US West em julho de 1999. Como o negócio seria pago com ações da Qwest, uma queda prolongada de seu preço permitiria à US West rescindir o acordo. A SEC afirmou que a direção pressionava duramente os empregados para cumprir as projeções de lucro e evitar uma nova queda no preço das ações.
Quando a fusão foi concluída em junho de 2000, as ações da Qwest valiam mais de US$ 50. A SEC declarou depois que os papéis usados como moeda na operação tinham sido substancialmente supervalorizados pelas afirmações falsas e enganosas da empresa. Em outra ação, a SEC afirmou que cerca de US$ 40 bilhões em valores mobiliários da Qwest foram emitidos para a fusão e que a fraude manteve as ações caras o bastante para concluir o negócio.
Depois que os problemas contábeis vieram a público, o valor de mercado da Qwest caiu de cerca de US$ 91 bilhões para US$ 1,9 bilhão. As ações, que haviam superado US$ 60 em 2000, caíram para cerca de US$ 1 em 2002. A empresa refez as contas de aproximadamente US$ 2,2 bilhões em receitas.
Em outubro de 2004, a Qwest aceitou pagar uma multa civil de US$ 250 milhões para encerrar o processo da SEC. O acordo também obrigou a empresa a manter em caráter permanente um diretor de conformidade responsável pelo cumprimento das leis federais do mercado de valores mobiliários.
Em março de 2005, a SEC abriu ações civis relacionadas ao caso contra o ex-diretor executivo Joseph Nacchio e oito outros antigos diretores e empregados da Qwest. Para o órgão, a fraude nas informações divulgadas partira dos escalões mais altos da empresa.
Nacchio foi indiciado em dezembro de 2005 por 42 acusações de uso de informação privilegiada, ligadas à venda de cerca de US$ 101 milhões em ações. Em abril de 2007, o júri o condenou por 19 acusações relativas a US$ 52 milhões em vendas e o absolveu das outras 23. Após recursos e uma nova sentença, Nacchio recebeu uma pena de 70 meses de prisão, multa de US$ 19 milhões e ordem para entregar cerca de US$ 44 milhões.
Acionistas e fundos de pensão moveram ações por fraude no mercado de valores, nas quais acusavam a Qwest e seus executivos de inflar os resultados publicados e o preço das ações. Em 2009, um juiz federal deu aprovação definitiva a acordos conjuntos no valor de US$ 695 milhões. O total reunia cerca de US$ 445 milhões pagos pela Qwest, por seguradoras e por ex-executivos, mais o fundo de reparação de US$ 250 milhões da SEC.
Em 2012, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos distribuiu cerca de US$ 44 milhões confiscados de Nacchio a 112.210 investidores que haviam comprado valores mobiliários da Qwest no período da fraude.
A empresa operacional chamada Qwest Corporation permaneceu como subsidiária da Lumen Technologies e tornou-se ré em um processo sem relação com a antiga fraude contábil da Qwest Communications International.
Em 2021, a Phone Recovery Services abriu uma ação em nome do estado do Novo México. Alegou que a Qwest Corporation e a CenturyTel of the Southwest haviam violado a Lei de Fraudes contra Contribuintes do Novo México ao deixar de faturar, cobrar e repassar certas sobretaxas do serviço de emergência 911 desde 2004. Em agosto de 2024, o júri decidiu em favor da Lumen em todas as alegações que ainda estavam em julgamento. O relatório anual da Lumen de 2024 informou que a autora recorreu e que a Lumen apresentou recurso próprio sobre decisões anteriores de extinção e julgamento sumário.
Em maio de 2006, o USA Today informou que AT&T, Verizon e BellSouth haviam entregado à Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, a NSA, milhões de registros de chamadas telefônicas desde 11 de setembro de 2001. Os dados foram usados para criar o banco de dados de chamadas da NSA, com telefonemas nacionais e internacionais. A Qwest teria sido a única a recusar a entrega, mesmo depois de a NSA advertir que a decisão poderia pôr em risco futuros contratos com o governo. A recusa recebeu elogios de opositores do programa.
No caso American Civil Liberties Union v. National Security Agency, a juíza distrital federal Anna Diggs Taylor decidiu em 17 de agosto de 2006 que o programa de escuta interna do governo era inconstitucional e ordenou seu fim imediato. O governo de George W. Bush recorreu. O tribunal de apelação anulou a decisão de Taylor por entender que os autores não tinham legitimidade para propor a ação.
O ex-diretor executivo da Qwest, Joseph Nacchio, alegou em documentos do recurso que a NSA havia pedido a participação da empresa no programa de escutas mais de seis meses antes dos atentados de 11 de setembro de 2001. Ele situou a reunião em 27 de fevereiro daquele ano. Nacchio também afirmou que a agência cancelara um contrato lucrativo com a Qwest em resposta à recusa. Em 14 de abril de 2009, Nacchio apresentou-se a uma prisão federal em Schuylkill, na Pensilvânia, para começar a cumprir uma pena de seis anos pela condenação por uso de informação privilegiada. A Suprema Corte dos Estados Unidos negou-lhe liberdade durante o recurso no mesmo dia.
O experimento de mídia social e site Thank You Qwest dot Org, criado pelo administrador de sites Richard Kastelein, radicado nos Países Baixos, e pelo jornalista americano expatriado Chris Floyd, acompanhou a recusa da empresa. O projeto recebeu cobertura do programa The Situation Room, da CNN, do USA Today, do The New York Times, do International Herald Tribune, do The Denver Post, do News.com, e do Salt Lake Tribune.
Em 22 de abril de 2010, a CenturyLink anunciou que compraria a Qwest mediante a entrega de 0,1664 ação ordinária da CenturyLink por ação ordinária da Qwest. Os acionistas da CenturyLink ficariam com 50,5% da empresa resultante, e os da Qwest, com os 49,5% restantes. Em 21 de abril de 2010, a compra estava avaliada em US$ 22,4 bilhões, valor que abrangia os US$ 11,8 bilhões em dívida da Qwest existentes em 31 de dezembro de 2009. A partir de 8 de agosto de 2011, a Qwest passou a operar com o nome CenturyLink.
Qwest Communications International, Inc. era a holding. Tinha muitas entidades sob seu controle. As principais unidades operacionais eram: