| Karol Eller | |
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Eller em 2023 | |
| Nome completo | Flávia Caroline de Andrade Eller |
| Nascimento | |
| Morte | |
| Nacionalidade | brasileira |
| Cidadania | brasileira, americana |
| Ocupação | Influenciadora digital, ativista política, servidora pública, promotora de eventos |
Flávia Caroline de Andrade Eller (Governador Valadares, 30 de janeiro de 1987 – São Paulo, 12 de outubro de 2023), mais conhecida como Karol Eller, foi uma influenciadora digital, ativista política e servidora pública brasileiro-americana. Filiada ao Partido Liberal (PL), atuou como assessora parlamentar na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) e foi gerente de jornalismo na Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Ganhou projeção nas redes sociais por seu alinhamento conservador e aproximação com figuras públicas ligadas à direita e a Jair Bolsonaro.
Nascida em Governador Valadares, em Minas Gerais, mudou-se para os Estados Unidos ainda na adolescência, estabelecendo-se na Flórida, onde viveu por cerca de 15 anos. Lá, trabalhou como promotora de eventos e organizadora de shows, especialmente voltados à comunidade brasileira. Suas manifestações em apoio a Jair Bolsonaro tiveram início em 2016, quando passou a rebater opositores que o associavam como sendo contra a população LGBT. Na época, publicou um vídeo justificando sua decisão, como mulher lésbica, de apoiar o então deputado e futuro candidato à presidência da República.
Em 2018, retornou ao Brasil e passou a se envolver mais ativamente na vida pública, aproximando-se da família Bolsonaro e adotando uma postura política alinhada ao conservadorismo.
No final de 2019, foi nomeada para um cargo em Gerência de Jornalismo Web e Radioagência na Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Em março de 2023, começou a trabalhar como assessora parlamentar do deputado estadual Paulo Mansur (PL) na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).
Em julho de 2023, iniciou sua vida partidária ao ser convidada a disputar as eleições municipais de 2024 pelo Partido Liberal (PL) da capital paulista, como candidata à Câmara Municipal de São Paulo (CMSP).
Em dezembro de 2019, Karol afirmou ter sido vítima de agressão homofóbica em um quiosque na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, enquanto estava com a então namorada, a policial civil Suellen Silva dos Santos. Foi espancada a socos e pontapés pelo auxiliar administrativo Alexandre Silva e ficou com o rosto desfigurado. Karol afirmou que o agressor estaria importunando-a, chamando-a de "aberração" e assediando a sua namorada. Por outro lado, o agressor relatou à Polícia Civil que Karol estaria sob efeito de cocaína e que estava manuseando arma de fogo, que não houve motivação homofóbica e que Karol teria iniciado a briga. A Polícia Civil concluiu que não houve motivação homofóbica e indicou a vítima por calúnia, porte ilegal de arma e lesão corporal.
Após a ocorrência, apoiadores de Jair Bolsonaro, como Gabriel Monteiro e Carla Zambelli, bem como entidades LGBTs, manifestaram apoio à influenciadora digital.
Em grupos de militantes de direita, acusaram os movimentos LGBTs pela "falta de solidariedade em razão de a mulher ser uma ferrenha apoiadora do governo [de Jair Bolsonaro]". Do lado da esquerda, declarações como "bem feito" e "pagou pelo que ela pregou" ecoaram. O deputado federal Eduardo Bolsonaro escreveu no Twitter: "Pela direita, o agressor teria pesada prisão. Será que a esquerda apoia tal medida?". O ex-deputado Jean Wyllys, por sua vez, afirmou que "uma fascista lésbica foi vítima da homofobia que sempre negou".
Em 8 de janeiro de 2023, esteve presente nos atos de 8 de janeiro em Brasília, o que levou à sua exoneração do cargo comissionado que havia assumido em novembro de 2019, na Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A exoneração foi assinada por Roni Baksys, então diretor-geral da estatal. Embora tenha participado dos atos ocorridos na Praça dos Três Poderes, e convocado manifestantes para acampamentos estabelecidos em frente a quartéis, ela afirmou num vídeo em suas redes sociais ser contra "qualquer tipo de manifestação que viole a constituição e o Estado Democrático de Direito", e disse ter se retirado do local quando "os ânimos se exaltaram."
Em setembro de 2023, após participar de um retiro religioso na igreja Assembleia de Deus de Rio Verde, em Goiás, declarou publicamente estar renunciando à sua homossexualidade, afirmando que havia abandonado "vícios e desejos da carne". A decisão gerou repercussão, sendo classificada por alguns veículos como tentativa de "cura gay" — prática condenada pelo Conselho Federal de Psicologia. A atitude motivou reações negativas de ativistas e políticos, resultando numa solicitação de apuração sobre o suicídio de Karol ao Ministério Público Federal (MPF) pelos deputados federais do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) Erika Hilton, Luciene Cavalcante e Henrique Vieira. Em relato posterior, o jornalista Tiago Pavinatto, que também é homossexual, contou que, durante o retiro, Karol desabafou com ele em lágrimas, dizendo que estava falhando em reprimir seu desejo por mulheres. Apoiador do conservadorismo, Pavinatto classificou a mistura de política com religião como um "desserviço" e disse que essas terapias são uma forma de "tortura mental", levando à ideação suicida em 90% dos casos e agravando quadros de depressão em 100%.
Karol Eller dizia ser prima de terceiro grau da cantora e compositora Cássia Eller, mas a família da cantora declarou desconhecer qualquer grau de parentesco.
Assumidamente homossexual e conservadora, ficou conhecida por expressar seus posicionamentos e opiniões nas suas redes sociais.
Karol Eller suicidou-se aos 36 anos, na noite de 12 de outubro de 2023, após cair do quinto andar do edifício onde morava, no bairro do Campo Belo, zona sul de São Paulo. A influenciadora já havia exposto publicamente sua luta contra a depressão. Pouco antes da morte, publicou nas redes sociais uma mensagem de despedida, em que dizia ter "perdido a guerra" e pedia perdão à mãe. Um dos seus vizinhos, após ver essa mensagem, interfonou para o seu apartamento e para a portaria. A polícia foi acionada e tentou conversar com Karol no seu apartamento antes do incidente, mas ela já estava na janela. Logo após tirar a própria vida, os bombeiros arrombaram a porta do seu apartamento para "encontrar sua documentação", e encontraram uma quantidade não especificada de medicamentos e manchas de sangue nos móveis sem sinais de luta corporal. O caso foi registrado pela Polícia Civil do Estado de São Paulo como suicídio consumado, pelo 27.º departamento de polícia do bairro Campo Belo. O seu corpo foi sepultado em 15 de outubro de 2023, no Cemitério Memorial Park, em Governador Valadares, sua cidade natal.
A notícia de sua morte foi amplamente comentada por aliados de Jair Bolsonaro, com homenagens de Michelle Bolsonaro, os filhos Eduardo, Flávio e Renan Bolsonaro, além de políticos como Damares Alves, Marcos Pontes, Marcelo Álvaro Antônio e Nikolas Ferreira. A cantora Zélia Duncan também prestou suas condolências e disse que a morte da Karol a "deixou abalada".
Apesar de existirem rumores de que a influenciadora seria prima distante de Cássia Eller, a família de Francisco Eller, filho da cantora, disse desconhecer o parentesco ao Estadão.