| Crioulo da Guiné-Bissau Kriyol (kriol), guinensi (ginensi) | ||
|---|---|---|
| Pronúncia: | [kriˈjol] / [ɡiˈnẽ.si] | |
| Outros nomes: | Crioulo bissau-guineense | |
| Falado(a) em: | Guiné-Bissau, Senegal, Gâmbia | |
| Região: | Alta Guiné | |
| Total de falantes: | c. 1 milhão (2009) | |
| Família: | Línguas crioulas Crioulos portugueses Crioulos afro-portugueses Crioulos da Alta-Guiné Crioulo da Guiné-Bissau | |
| Escrita: | Alfabeto latino | |
| Códigos de língua | ||
| ISO 639-1: | -- | |
| ISO 639-2: | --- | |
| ISO 639-3: | cpp
| |
| Glottolog: | uppe1455
| |
O crioulo da Guiné-Bissau (em crioulo: kriyol, AFI: [kriˈjol]), também conhecido como crioulo bissau-guineense ou guineense, é uma língua crioula de base portuguesa falada principalmente na Guiné-Bissau, em comunidades migrantes no Gâmbia e no sul do Senegal, na cidade de Ziguinchor, onde é conhecido como crioulo de Casamansa. Constitui a língua franca da Guiné-Bissau, sendo utilizada por cerca de 60% da população como meio principal de comunicação. Em 2009, estimava-se que aproximadamente 70% das pessoas o utilizavam como primeira ou segunda língua no país, enquanto apenas 15% na zona rural e 46% na zona urbana falava o português.
A língua pertence ao grupo dos Crioulos da Alta-Guiné, juntamente com o crioulo de Casamansa (considerado dialeto do crioulo da Guiné-Bissau) e crioulo de Cabo Verde. Seu nome nativo é geralmente registrado como kriol ou kriyol, podendo também aparecer como ginensi ou guinensi, já que não há uma ortografia fixa. Seu vocabulário deriva majoritariamente do português, mas também apresenta grandes influências estruturais do wolof e do mandinka, bem como, em menor nível, de fula, biafada, nyun, mankanya, balanta, diola e pepel.
Há três principais variedades dialetais: Bissau–Bolama, Bafatá e Cacheu–Ziguinchor, esta última falada também na região senegalesa da Casamansa e marcada por influência adicional do francês. Dessas variedades, o Bissau-Bolama é o mais influente no país, por ser a variedade da capital (Bissau). Apesar de amplamente falado, a língua ainda não possui estatuto oficial. Entretanto, já houveram projetos de elevá-la à língua oficial da Guiné-Bissau (junto ao português).
O guineense utiliza o alfabeto latino, mas não apresenta uma ortografia única padronizada, apesar de propostas existentes desde a década de 1980. Do ponto de vista linguístico, mantém a ordem básica Sujeito-Verbo-Objeto (SVO) e apresenta características fonológicas e morfológicas próprias, como a tendência de correspondência de /e/ e /o/ do português para /i/ e /u/ em guineense. Além disso, seus verbos são classificados em dinâmicos ou estativos, tendo cada um desses seus próprios modos de indicar os tempos verbais.
O nome crioulo da Guiné-Bissau é um exônimo em língua portuguesa, formado a partir do substantivo crioulo, usado historicamente para designar línguas surgidas em contextos coloniais de contato entre povos europeus e africanos, e do topônimo Guiné-Bissau, país onde a língua é majoritariamente falada.
Entre os endônimos, os falantes nativos utilizam principalmente as formas kriol (ou kriyol), que representam adaptações do termo, em português, “crioulo” ao sistema da própria língua. Outro endônimo registrado é ginensi (ou guinensi), termo que significa literalmente “guineense”, formado a partir do topônimo Guiné, mais o sufixo de gentílico da língua.
O guineense é falado principalmente na Guiné-Bissau, onde funciona como língua franca nacional, e no sul do Senegal, sobretudo na região da Casamansa (Ziguinchor). Também é utilizado por comunidades migrantes na Gâmbia e por membros da diáspora guineense em países europeus, especialmente Portugal, França e Espanha. Na Guiné-Bissau, a língua está presente tanto em áreas urbanas quanto rurais, sendo o meio de comunicação comum entre as diferentes etnias do país, que apresentam diferentes línguas entre si. As estimativas indicam mais de 800 mil usuários do guineense na Guiné-Bissau entre falantes nativos e de segunda língua, além de cerca de 47 mil falantes nativos no Senegal
Atualmente, o guineense apresenta três variantes dialetais, sendo eles: Bissau-Bolama, Batafá e Cacheu-Ziguinchor. Hoje, a primeira é a mais difundida na Guiné-Bissau, já que é a variante da capital (Bissau). Já no Senegal, a variante mais difundida é a Cacheu-Ziguinchor, também conhecida como crioulo de Casamansa, que tem influência do francês.
O guineense é uma língua crioula de base portuguesa pertencente à família dos crioulos da Alta Guiné. Essas línguas foram derivadas do Protocrioulo Potuguês da Alta Guiné (Proto-UGPC) que se desenvolveu desde a colonização portuguesa na região. O crioulo da Guiné-bissau e de Casamansa são continentais, enquanto o crioulo cabo-verdiano e seus dialetos são falados nas ilhas de Cabo-Verde. Há também o papiamento, que é um crioulo de base portuguesa-espanhola, falado atualmente na região do Caribe, mas que a maioria dos linguistas acreditam que se originou na Alta Guiné, devido suas semelhanças ao guineense.
| Proto-UGPC |
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Tendo isso em vista, abaixo segue uma tabela que compara vocabulários entre alguns desses crioulos:
| Comparação entre alguns crioulos da Alta Guiné | |||
|---|---|---|---|
| Português | Crioulo da Guiné-Bissau | Papiamento | Crioulo de Cabo Verde |
| Bom Dia | Bon dia | Bon dia | Bon dia |
| Obrigado | Obrigadu | Danki | Obrigadu |
| Como vai? | Kuma ku bu ta bai? | Con ta bai? | Módi ki bu sa ta bai? |
| Muito bom | I bon dimás | Hopi bon | Sabi dimás |
| Eu estou bem | N' sta diritu | Mi ta bon | N sta dretu |
| Eu, Eu Sou | Ami, ami i | Mi, Mi ta | (A)Mi, Mi e |
| Tenha um bom dia | Pasa un bon dia | Pasa un bon dia | Pasa un bon dia |
| Vejo você depois, Até logo | N' ta odja dipus | Te aworo | N ta odjâ-u dipôs |
| Comida | Bianda; Kumida | Cuminda | Kumida |
| Pão | Pon | Pan | Pon |
| Suco, Refresco, Sumo | Sumu | Refresco | Sumu |
Ainda não há consenso sobre a formação inicial do guineense. Parte dos linguístas defende uma origem continental, associada diretamente ao contato entre portugueses e populações africanas no litoral da atual Guiné-Bissau outras propostas apontam para uma origem insular, ocorrida na ilha de Cabo Verde, sendo essa proposta mais aceita. De acordo com essa segunda hipótese, um protocrioulo de base portuguesa da Alta Guiné (Proto-UGPC) teria surgido entre o final do século XV e o início do século XVI em Santiago (Cabo-Verde), sendo posteriormente levado ao continente por cabo-verdianos que se estabeleceram na região de Cacheu no final do século XVI. Isso teria produzido um “efeito fundador”, responsável pela difusão da língua, a partir da qual se desenvolveriam as variedades atuais.
O contexto desse processo foi marcado pelo contato intenso entre navegadores portugueses e povos africanos falantes de diversas línguas. O primeiro europeu a alcançar a costa da região foi o navegador português Nuno Tristão, em 1446. A partir daí, foram criadas feitorias e, mais tarde, povoações permanentes, como Cacheu, que se tornaram centros de comércio. Antes da presença europeia, grande parte do território integrava o Reino de Gabu, ligado ao Império do Mali, e era habitada por grupos como balantas, fulas e mandingas, cujas línguas exerceram influência estrutural no crioulo formado.
Durante séculos serviu como a principal língua de comunicação cotidiana entre grupos étnicos distintos, enquanto o português permanecia restrito à administração colonial, à Igreja e a uma pequena elite letrada. Ao longo do tempo, o guineense expandiu-se geograficamente, alcançando áreas como Bissau, Geba e Ziguinchor, e desenvolvendo variedades regionais.
A presença do guineense em registros escritos é recente quando comparada à longa tradição oral da língua. Durante séculos, o guineense foi transmitido predominantemente por meio da oralidade, em narrativas, canções, provérbios e performances culturais, enquanto o português ocupava o espaço quase exclusivo da escrita formal. Apenas no século XX começaram a surgir, textos literários e registros que incorporam o guineense como meio de expressão.
Os primeiros textos de autoria guineense que incluem o guineense passaram a aparecer com maior visibilidade entre as décadas de 1920 e 1930, frequentemente em publicações com forte inspiração na paisagem, na vida cotidiana e na experiência colonial. Um marco inicial é o conto “Amor e trabalho”, de James Pinto Bull, publicado em 1952 no Boletim Cultural da Guiné Portuguesa, frequentemente citado como um dos primeiros contos guineenses a registrar o uso literário da língua.
Em relação a prosa, o romance Eterna Paixão (1994), de Abdulai Silla, é considerado um marco na literatura guineense contemporânea, sendo amplamente reconhecido como o primeiro romance publicado por um autor da Guiné-Bissau. Apesar disso, a obra foi escrita em português.
A poesia em crioulo também ganhou espaço a partir da década de 1990. Um exemplo importante é o livro "Kebur – Barkafon di poesia na kriol", publicado em 1996 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (INEP). Desde então, observa-se a ampliação de produções literárias, bem como o surgimento de registros em áudio, vídeo e meios digitais, incluindo músicas, programas de rádio, redes sociais e plataformas online, que contribuem para a documentação e circulação da língua.
O sistema consonantal do guineense apresenta um inventário relativamente estável, composto por fonemas que, em grande parte, correspondem a consoantes também presentes no português, língua que fornece a maior parcela do léxico do idioma. Ao mesmo tempo, o sistema reflete influências de línguas africanas da região, tanto em aspectos fonéticos quanto fonológicos. A seguir, apresenta-se a tabela de consoantes do guineense, organizada segundo o Alfabeto Fonético Internacional (AFI).
| Bilabial | Labiodental | Alveolar | Pós-alveolar | Palatal | Velar | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Plosiva | p b | t d | k g | |||
| Nasal | m | n | ɲ | ŋ | ||
| Tepe ou flepe | ɾ | |||||
| Fricativa | f v | s z | ʃ ʒ | |||
| Aproximante | j | w | ||||
| Aproximante lateral | l | ʎ |
O sistema vocálico do guineense tem sido objeto de debate na linguística, especialmente no que se refere ao número e ao estatuto fonológico das vogais médias. Há consenso quanto à existência das vogais altas /i, u/ e da vogal baixa /a/, enquanto divergências permanecem acerca da distinção entre vogais médias-altas e médias-baixas. Alguns estudos propõem a presença de apenas um grau de abertura para as vogais médias, enquanto outros defendem a oposição fonológica entre /e, o/ e /ɛ, ɔ/. Diante dessa variação de análises, adota-se aqui a descrição mais abrangente, conforme apresentado na tabela a seguir.
↓ Altura | Anterior | Posterior |
|---|---|---|
| Fechada | i | u |
| Semifechada | e | o |
| Semiaberta | ɛ | ɔ |
| Aberta | a |
A ortografia do guineense utiliza o alfabeto latino, e ocorre da esquerda para a direita, e, em geral, cada grafema corresponde a um fonema específico, ainda que haja algumas variações. A tabela a seguir apresenta os grafemas do guineense, seus respectivos fonemas no Alfabeto Fonético Internacional (AFI), exemplos em guineense e aproximações em português brasileiro quando possível, se não, as aproximações se fazem em inglês.
| Grafema | Fonema (AFI) | Exemplo (guineense) | Aproximação (pt/en) |
|---|---|---|---|
| p | p | pape | pai |
| b | b | batata | batata |
| t | t | tiu | tatu |
| d | d | dana | dado |
| k | k | kusa | coisa |
| g | g | géra | gato |
| m | m | mamé | mãe |
| n | n | nóbu | novo |
| nh | ɲ | nha | nhoque |
| n’ | ŋ | N' | singer (en) |
| f | f | fatu | fato |
| v | v | vivi | viver |
| s | s | séku | seco |
| z | z | izami | exame |
| x | ʃ | xa | chá |
| j | ʒ | béju | beijo |
| tx | tʃ | txuba | tchau |
| dj | ʤ | djuda | badge (en) |
| l | l | libru | livro |
| lh | ʎ | bilha | lhama |
| r | ɾ | rema | caro |
| w | w | waga | wine (en) |
| y | j | yagu | yes (en) |
| i | i | misa | missa |
| e | e | sera | cera |
| é | ɛ | séra | pé |
| a | a | kala | calar |
| ó | ɔ | bóta | bota |
| o | o | bota | botar |
| u | u | puspus | tudo |
O guineense não apresenta distinção de artigos definidos e indefinidos como há no do português. Em línguas como o inglês e o português a distinção entre artigos definidos e indefinidos é relacionada com a introdução de informações novas e a introdução de informações já pressupostas. Em guineense, por sua vez, substantivos aparecem sem qualquer determinante, caso sejam uma informação pressuposta (o que em português requereria um artigo definido). Já se forem uma informação nova, faz-se necessário, como no português, o uso do artigo indefinido. Seguem os exemplos abaixo:
Nota-se que não há flexão de número nem gênero, sendo guineense a única partícula responsável pelo artigo indefinido. Entretanto, na maioria dos casos essa partícula não é usada, mesmo para informações novas, sendo o contexto o principal indicador de substantivos definidos ou indefinidos. Ex:
Nesse caso, como não há contexto, não é possível para determinar propriamente a definição ou indefinição do substantivo.
Os pronomes pessoais do guineense podem ser divididos em duas categorias principais: os pronomes não argumentais (Não-A) e argumentais (Arg). De maneira simples, os Não-Arg são pronomes fortes, uma forma enfática usada para dar destaque, não sendo usados sozinhos como sujeito (salvo algumas exceções). Já os Arg, são pronomes fracos que podem ser usados como sujeito (nominativo), objeto de um verbo (objetivo) ou objeto de uma preposição (oblíquo). Ex:
No primeiro exemplo, usa-se somente o pronome n', que faz a função do sujeito da frase. Em português: Eu falo crioulo. Já no segundo exemplo, o pronome n' segue sendo o sujeito, mas o pronome ami exerce ênfase nele. Em português: Eu mesmo falo crioulo/Eu é que falo crioulo. Nota-se que, mesmo quando há o ami na frase, o n' faz-se necessário. Abaixo segue uma tabela que lista os pronomes pessoais da língua e exemplos com cada caso:
| Caso gramatical | Singular | Plural | |||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1a SG | 2a SG | 3a SG | 1a PL | 2a PL | 3a PL | ||
| Não-Arg | ami | abo | el | anos | abos | elis | |
| Arg | Nominativo | n' | bu | i | no | bo | e |
| Objetivo | n' | u | l | no | bo | elis | |
| Oblíquo | mi | bo | el | nos | bos | elis | |
Em relação aos pronomes possessivos, o guineense apresenta dois tipos, os pronomes possessivos adnominais e os predicativos. Os adnominais precedem o substantivo, enquanto os predicativos funcionam como predicativo da frase, tendo um verbo de ligação entre o substantivo e o pronome. Ex:
Abaixo segue uma tabela listando esses pronomes:
| Caso gramatical | Singular | Plural | ||||
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1a SG | 2a SG | 3a SG | 1a PL | 2a PL | 3a PL | |
| Adnominal | nha | bu | si | no | bo | se |
| Predicativo | dimi | dibo | disil | dinos | dibos | diselis |
Nos pronomes relativos, há a diferenciação de perto e longe, bem como flexão no singular e no plural. Abaixo segue uma tabela listando-os e exemplos utilizando-os:
| Singular | Plural | ||
|---|---|---|---|
| Perto | Longe | Perto | Longe |
| es | kil | esis | kilis |
Também há variações destes pronomes, as quais não flexionam entre plural e singular. Es e essis podem ser ditos como e, enquanto kil e kilis podem ser ditos como ki. Além disso, os advérbios li (aqui) e la (lá) são frequentemente usados em conjunto com esses pronomes. Ex:
É importante ressaltar que li pode ser ligado com e, es e esis e la com ki, kil e kilis, mas não o contrário, visto que es...la ou kil...li geraria uma contradição entre perto e longe.
O guineense apresenta quatro diferentes pronomes interrogativos. Abaixo eles estão listados junto de suas respectivas traduções para o português:
O guineense apresenta quatro diferentes pronomes relativos. Abaixo eles estão listados junto de suas respectivas traduções para o português:
Abaixo estão listados pronomes indefinidos do guineense junto de suas respectivas traduções para o português. Nota-se que também não há flexão de número nem gênero.
A distinção de gênero, como feminino ou masculino, não possui força nesse idioma. A maioria dos substantivos não possui distinção de gênero, tendo, nos poucos casos dessa distinção, a possibilidade do gênero ser delimitado por um adjetivo. Ex:
Há mais de um princípio de marcação de plural no guineense. O princípio de marcação 1 consiste na adição do "s" ao fim das palavras, de maneira bem parecida com o que ocorre no português. Nesse caso, não há nenhum outro quantificador na frase, logo, há a marcação do número no substantivo. Ex:
Já o princípio de marcação 2 consiste na ausência de flexão, que ocorre quando já há um quantificador que indica o plural na frase. Ex:
Os verbos em guineense não flexionam entre os diferentes pronomes pessoais. Abaixo segue uma tabela exemplificando com o verbo sta (estar) e o verbo trabadja (trabalhar):
| Singular | Plural | |||||
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1a SG | 2a SG | 3a SG | 1a PL | 2a PL | 3a PL | |
| Sta | n' sta | bu sta | i sta | no sta | bo sta | e sta |
| Trabadja | n' trabadja | bu trabadja | i trabadja | no trabadja | bo trabadja | e trabadja |
Além disso, os verbos são divididos em duas classes: Os verbos dinâmicos e os verbos estativos. Abaixo há uma explicação sobre o que os caracteriza e como cada um deles é flexionado em diferentes tempos verbais.
1. Passado perfectivo
Os verbos dinâmicos expressam eventos ou ações, tais como comprar, ler, ir, observar etc. A forma não marcada desses verbos gera uma interpretação de passado perfectivo, logo, um passado no qual a ação ocorreu por inteira; já teve fim. Ex:
2. Imperfectivo habitual
Para expressar o aspecto imperfectivo, o guineense apresenta duas partículas pré-verbais: o ta e o na. O ta indica o imperfectivo habitual, podendo indicar tanto ações presentes recorrentes como isoladas, porém não progressivas. Ex:
3. Imperfectivo progressivo
A partícula na, por sua vez, indica o imperfectivo progressivo, ações que estão acontecendo no presente. Ex:
4. Pretérito mais-que-perfeito
Há também a partícula pós-verbal ba, que indica o pretérito mais-que-perfeito. Ex:
5. Futuro
Já o futuro, é expresso de maneira composta com o uso do verbo bai (ir), como também pode ocorrer no português. Ex:
1. Presente
Os verbos estativos expressam estado, tais como ser, estar, ter etc. A forma não marcada desses verbos gera uma interpretação de presente. Ex:
2. Pretérito perfeito/imperfeito
A partícula pós-verbal ba também pode ser usada nos verbos estativos, mas diferente dos verbos dinâmicos, nos verbos estativos o ba indica pretérito perfeito/imperfeito. Ex:
3. Futuro
O futuro, assim como nos verbos dinâmicos, é expresso de maneira composta com o uso do verbo bai (ir), como também pode ocorrer no português. Ex:
Sendo um crioulo de base portuguesa, o guineense apresenta a ordem canônica SVO (sujeito–verbo–objeto), a mesma presente no português. Em relação ao alinhamento morfossintático, ele é geralmente descrito como nominativo-acusativo, também semelhante ao do português. Assim, os pronomes pessoais usados como sujeito de verbos intransitivos são os mesmos que funcionam como agentes de verbos transitivos, enquanto o objeto não recebe uma marcação morfológica distinta nos substantivos. Desse modo, como ocorre em outras línguas crioulas atlânticas, as relações sintáticas são indicadas principalmente pela ordem das palavras e pelo uso de partículas funcionais, e não por um sistema desenvolvido de casos gramaticais.. Ex:
Já em relação à negação frásica, esta é feita com o uso da partícula pré-verbal ka, a qual aparece antes do verbo e antes de outras possíveis partículas pré-verbais. Ex:
A seguir está o primeiro artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos em guineense, com sua respectiva tradução para o português.
| Guineense | Português |
| Artigu 1.
Tudu pekaduris ta padidu libri i igual na balur suma na diritus. Suma e dadu kapasidadi di pensa, e tene tambi konsiensia, e dibi di trata nutru suma ermons. |
Artigo 1.
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade. |
Segue abaixo o poema "Kebur" presente na obra "Kebur - Barkafon di poesia na kriol" e sua tradução para o português:
| Guineense* | Português |
| Kebur
Ku no mons preña di fomi korson kingitidu di dur na ñeñu-ñeñu pa no dia di amaña no paranta ku fe No seta mara korson pa mata flemas no toma larmas di no kasabi no fasi tchuba no seta sedu mudu pa iagu kirianu na boka pa no pudi regua no balur aonti no paranta aos no kebra kebur di aos i pa paranta amaña |
Colheita
o coração enrijecido de dor lutamos pelo amanhã plantamos fé fechamos o coração para acabar com o torpor tiramos lágrimas de nossos sofrimento produzimos chuva ficamos mudos para dar água na boca para regar nosso valor ontem plantamos hoje colhemos colheita de hoje para plantar amanhã |
Algumas frases básicas em guineense são:
| Guineense | Pronúncia | Português |
| Bon dia | /ˈbõ ˈdia/ | Bom dia |
| Bo tardi | /ˈbo ˈtaɾdi/ | Boa tarde |
| Bo noti | /ˈbo ˈnoti/ | Boa noite |
| Te logu | /ˈte ˈlɔgu/ | Até logo |
| Sin | /ˈsin/ | Sim |
| Ka | /ˈka/ | Não |
| Obrigadu | /obriˈgadu/ | Obrigado |
| Diskulpa | /disˈkulpa/ | Desculpa |
| Kuma ku bu sta? | /ˈkuma ku bu ˈsta/ | Como você está? |
| N' sta drito | /ŋ ˈsta ˈdrito/ | Eu estou bem |
| Kuma ki bu nomi? | /ˈkuma ki bu ˈnomi/ | Como você se chama? |
| Nha nomi i... | /ɲa ˈnomi i/ | Meu nome é... |
| Abo i di nundé? | /aˈbo i di nunˈdɛ/ | De onde você é? |
| Ami i brasileru | /aˈmi i bɾaziˈleɾu/ | Eu sou brasileiro |
| Bu ta papia purtugis? | /bu ta ˈpapia purtuˈgis/ | Você fala português? |
| N' ka ta papia kriol | /ŋ ka ta ˈpapia kriˈol/ | Eu não falo guineense |
No guineense, os números se fazem a partir de uma adaptação direta dos números em português para o sistema da língua. Abaixo, estão apresentados os numerais cardinais e ordinais da língua.
De 0 a 10:
De 11 a 19:
Dezenas de 20 a 90:
Centenas de 100 a 1000:
Para números combinados, a formação é lógica e regular:
Do 1º ao 10º:
Estão listados abaixo vocabulários de temas específicos, em guineense, relacionados ao cotidiano.
Abaixo estão listados vocabulários relacionados à família em guineense: