Lavra

Lavra
Brasão de armas de Lavra
Gentílicolavrense
Fundação2025-03-14 (refundação)
Governo
 • TipoJunta de freguesia
Área
 • Total10,60 km²
População
 • Total (2011)10 033 hab.
Densidade946,5 hab./km²
OragoDivino Salvador
Sítiohttp://www.perafita-lavra-santacruzbispo.pt/index.php

Lavra é uma vila portuguesa do Município de Matosinhos que é sede da Freguesia de Lavra que tem 12km² de área e 10 033 habitantes (2011).

A Freguesia de Lavra foi extinta em 2013 no âmbito de uma reforma administrativa nacional, tendo sido agregada às freguesias de Perafita e Santa Cruz do Bispo para formar a União das Freguesias de Perafita, Lavra e Santa Cruz do Bispo. Mas em 14 de março de 2025, as freguesias agregadas foram repostas às suas características iniciais pela lei n.º 25-A/2025, pelo que a Freguesia de Lavra foi de novo reposta.

Por seu lado, a povoação de Lavra foi elevada à categoria de vila em 2003.

Etimologia

Tratando-se apenas de uma hipótese proposta pelo Dr. Alberto Sampaio, registada na revista Portugália, a palavra Lavra pode ter surgido de La-abra (que significa: a abra, a angra, o pequeno porto) tendo-se obtido labra e que posteriormente evoluiu para Lavra.

História

Os mais antigos vestígios de presença humana na freguesia são datáveis do segundo milénio a.C.. Trata-se de fossas escavadas no solo da Idade do Bronze, confirmando a importância da região, tanto na Pré-História como na Antiguidade Clássica e Idade Média. Estes vestígios juntam-se a outros já identificados numa sondagem de 2004 junto à Igreja Paroquial que poderão remontar ao terceiro milénio a.C.. Existem ainda vestígios de antas, em particular junto à Igreja Paroquial e no lugar de Antela, que lhes toma o topónimo. Já nas inquirições feitas na compilação das Memórias Paroquiais de 1758, se destacava a presença dessas sepulturas na região:

Regista-se também a presença povoados fortificados dos períodos da Idade do Ferro e romano.

Com a conquista da Península por Augusto e a divisão que impôs à Hispânia, Lavra ficou integrada na província romana de Terraconense. Pela primeira vez, o domínio romano, nas suas mais variadas vertentes, se impôs neste território. É uma realidade nova que se começa a construir num território que, durante séculos, fora vivendo em povoados dispersos e onde o coletivismo era a forma de organização interna dominante nesses mesmos povoados. Os romanos criaram a indústria do garum, da salga do peixe, a qual é conhecida pela arqueologia. Também pela toponímia local (ainda hoje visível nos vários lugares da vila), pode concluir-se que Lavra foi uma importante vila rural romana, chamada vila labra.

No Catálogo dos Bispos do Porto, regista-se que no ano de 1287, a Igreja do Salvador de Lavra era pertença do Mosteiro de Santo Tirso, da Ordem de São Bento. Certas fontes indicam inclusive a existência de um mosteiro desta ordem beneditina, o Mosteiro de S. Salvador de Lavra.

Regista-se ainda que em 1623, a freguesia do Salvador de Lavra registava 510 pessoas em comunhão e 92 menores, sendo comenda da Ordem de Cristo.

Lavra foi também importante no período de restauração do Liberalismo em Portugal, nomeadamente nas Guerras Liberais (1828 - 1834), sendo palco do desembarque do rei D. Pedro IV na Praia dos Ladrões, em Pampelido, que, depois desse acontecimento, a 8 de Julho de 1832, se passou a chamar Praia da Memória, conservando um obelisco em memória do desembarque.

A reforma administrativa de 6 de novembro de 1836, retirou Lavra, na altura constituída por 300 fogos, da administração de Leça do Balio e anexou-a ao concelho de Bouças (atual Matosinhos).

A 17 de junho de 1856, o surto de cólera morbus que atacava o país deu entrada no concelho de Bouças, sendo a freguesia de Lavra uma das mais afetadas. Um dos casos registados que acabou por recuperar foi o do médico Manuel Domingues dos Santos. Os depósitos de algas e sargaços usados para adubo foram apontados como causa da propagação da epidemia na vila de Matosinhos, enquanto que em Lavra a presença de terrenos pantanosos facilitaria a presença de febres intermitentes como a febre tifoide que já tinha atacado a freguesia.

A 3 de junho de 1945, quase um mês depois da rendição incondicional da Alemanha Nazi durante a Segunda Guerra Mundial, o submarino alemão U-1277 foi afundado ao largo do Cabo do Mundo pela própria tripulação para evitar que este caísse em mãos inimigas. A tripulação abandonou a embarcação em barcos de borracha e chegou à costa com a ajuda de pescadores locais de Angeiras. Os tripulantes foram transferidos para o Forte de São João Baptista da Foz, no Porto, e posteriormente enviados para Inglaterra onde permaneceram prisioneiros durante três anos.

Foi elevada a vila em 1 de Julho de 2003.

Geografia

Era a freguesia mais a norte do Município de Matosinhos. Era banhada a oeste pelo oceano Atlântico e fazia fronteira, a norte, com o Município de Vila do Conde, delimitada pelo Rio Onda, com o da Maia a este e a sul com a freguesia de Perafita. Englobava os lugares de Angeiras, Antela, Avilhoso, Cabanelas, Lavra, Paiço, Praia de Angeiras e Pampelido.

O relevo é pouco acidentado elevando-se suavemente desde a linha do mar até ao interior. Existem alguns cursos de água que aqui desaguam sendo o mais importante o Rio Onda.

População

População da Freguesia de Lavra
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
1 481 1 685 1 939 2 164 2 452 2 643 2 950 3 733 4 450 5 064 5 944 7 682 8 894 9 408 10 033
Distribuição da População por Grupos Etários
Ano 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos
2001 1 520 1 383 5 379 1 126 16,2% 14,7% 57,2% 12,0%
2011 1 515 944 6 051 1 523 15,1% 9,4% 60,3% 15,2%

Cultura

Educação

Atualmente, Lavra possuí três escolas de 1.º ciclo e uma de 2.º e 3.º ciclos, sendo esta última a sede do agrupamento.

Património

Bibliografia

Referências

  1. ↑ «Paróquia de Lavra». Anuário Católico. Consultado em 9 de março de 2019
  2. ↑ «População residente, segundo a dimensão dos lugares, população isolada, embarcada, corpo diplomático e sexo, por idade (ano a ano)». Informação no separador "Q601_Norte". Instituto Nacional de Estatística. Consultado em 17 de Março de 2014. Cópia arquivada em 4 de dezembro de 2013
  3. ↑ Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro (Reorganização administrativa do território das freguesias). Acedido a 17 de março de 2014.
  4. ↑ «Reposição de freguesias agregadas». Diário da República. 13 de março de 2025. Consultado em 3 de setembro de 2025
  5. ↑ «Lei n.º 97/2003, de 26 de agosto». diariodarepublica.pt. Consultado em 22 de novembro de 2023
  6. ↑ «LAVRA através dos tempos (Lavra Romana)»
  7. ↑ LUSA (15 de julho de 2021). «Achado arqueológico prova presença humana em Matosinhos há quatro mil anos». Público. Consultado em 24 de julho de 2021
  8. ↑ «Igreja Paroquial de Lavra». Portal do Arqueólogo
  9. ↑ «Antela». Portal do Arqueólogo
  10. ↑ «Anta». Infopédia
  11. ↑ «Lavra, Maia». Torre do Tombo. 1758
    Descripçaõ da freguezia do Salvador de Lavra, da Comarca da Maya no Wikisource em português.
  12. ↑ «Angeses». Portal do Arqueólogo
  13. ↑ «Monte Castro». Portal do Arqueólogo
  14. ↑ Ramos, António Francisco. Lavra. Apontamentos para a sua Monografia. Porto: Imprensa Portuguesa, 1943, p. 23. [S.l.: s.n.]
  15. ↑ da Cunha 1878, pp. 101-102. «Na Era de 1325. anno de Christo 1287. deu o Bispo po D. Viçẽte liçença ao Abbade do mosteiro de Santo Tirso, pera que nas suas Igrejas do Saluador da Laura, S. Lourēço de Armes, Sāta Maria de Villar, o Saluador de Folgoza, & S. Martinho de Couellas, pudessẽ aprezẽtar Abbades adnutũ Regulares, ou seculares, os quaes gastariaõ as rendas destas Igrejas, por ordẽ do Abbade do mesmo mosteiro, (...).»
  16. ↑ SOUSA, Bernardo Vasconcelos e (dir.); PINA, Isabel Castro; ANDRADE, Maria Filomena; SANTOS, Maria Leonor Ferraz de Oliveira Silva (2005). Ordens Religiosas em Portugal. Das Origens a Trento - Guia Histórico. Lisboa: Livros Horizonte. 51 páginas. ISBN 972-24-1433-X
  17. ↑ da Cunha 1878, p. 328. «O Saluador da Laura. Tem o fantissimo Sacramẽto. De comunhao 510. pessoas, menores 92. He Comenda de Chrifto Rende duzētos mil reis. Vigairaria.»
  18. ↑ «Nova organização dos distritos Administrativos do Reino : Decreto de 6 de Novembro de 1836». Arquivo Municipal do Porto. 24 de dezembro de 1836. pp. 181–185
  19. ↑ Portugal Conselho de Saude Publica do Reino (1858). Relatorio da epidemia de cholera-morbus em Portugal: nos annos 1855 e 1856. [S.l.]: Imprensa nacional. 108 páginas
  20. 1 2 «U-1277, um submarino alemão afundado em Matosinhos». RTP Ensina
  21. 1 2 «Submarino de Angeiras U 1277». Portal do Arqueólogo
  22. 1 2 «Mergulho». CM Matosinhos
  23. ↑ Corazzi 1878, p. 117.
  24. ↑ Corazzi 1878, p. 136.
  25. ↑ Corazzi 1878, p. 263.
  26. ↑ Corazzi 1878, p. 603.
  27. ↑ «LAVRA através dos tempos (LAVRA no Concelho de Matosinhos)»
  28. ↑ Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
  29. ↑ «Escolas do Agrupamento». Consultado em 9 de março de 2019
  30. ↑ «Angeiras». Portal do Arqueólogo. Consultado em 24 de julho de 2021
  31. ↑ «Tanques Escavados nos Rochedos da Praia de Angeiras». monumentos.gov. Consultado em 9 de março de 2019
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