| Leda Verdiani Tfouni | |
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| Nascimento | Bocaina |
| Cidadania | Brasil |
| Alma mater | |
| Ocupação | linguista, professora universitária |
| Orientador(a)(es/s) | Angela Kleiman |
Leda Verdiani Tfouni é uma linguista e professora universitária brasileira. É reconhecida como pioneira nos estudos sobre letramento e alfabetização no Brasil, tendo publicado algumas das primeiras obras a definir e distinguir os termos no contexto nacional.
É professora titular da Universidade de São Paulo (USP), atuando no campus de Ribeirão Preto, e pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Sua abordagem teórica articula a linguística, a análise do discurso de linha francesa e a psicanálise.
Graduou-se em Letras Anglo-Germânicas pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), campus de Araraquara. Obteve o mestrado em Aquisição da Linguagem pela Universidade da Califórnia e o doutorado em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), defendido em 1986.
No início de sua trajetória, atuou como professora no Colégio de Aplicação da USP e no Ginásio Experimental II (GEPE), experiências que despertaram seu interesse pelo fracasso escolar e pela exclusão social, levando-a a investigar o que chamou de "o lado do avesso" das práticas de linguagem.
Ingressou como docente no Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FFCLRP-USP), onde lidera o grupo de pesquisa "A Análise do Discurso e suas Interfaces: Letramento, Autoria e Psicanálise".
A obra de Leda Tfouni é central para a compreensão das relações entre alfabetização e letramento no Brasil. Segundo Magda Soares, Tfouni foi uma das responsáveis pela "invenção do letramento" no país, ao trazer para o debate acadêmico a necessidade de nomear práticas de leitura e escrita que ultrapassam a simples codificação e decodificação.
Tfouni estabelece uma distinção teórica fundamental, citada recorrentemente na literatura da área:
Para Tfouni, o letramento diz respeito às mudanças sociais e discursivas de uma sociedade letrada, afetando inclusive indivíduos não alfabetizados (analfabetos) que vivem nessa sociedade e participam indiretamente de práticas letradas. Magda Soares destaca que, na concepção de Tfouni, "o letramento focaliza os aspectos sócio-históricos da aquisição de um sistema escrito por uma sociedade", enquanto a alfabetização se restringe à instrução formal e individual.
Avançando em relação aos modelos pedagógicos, Tfouni propõe uma teoria da autoria baseada na análise do discurso e na psicanálise. Ela argumenta que a dicotomia oralidade/escrita deve ser superada pela noção de autoria, que é a capacidade do sujeito de controlar a dispersão e a "deriva" dos sentidos (a "equivocidade" da língua).
Segundo Tfouni , a autoria não depende da escolarização formal; adultos não alfabetizados podem apresentar alto grau de letramento e autoria em suas narrativas orais, enquanto sujeitos escolarizados podem produzir textos escritos com baixa autoria (sem "ponto de estofo" ou coerência discursiva).
Na década de 1980, suas pesquisas sobre o saber de adultos não alfabetizados tiveram repercussão para além da academia. A autora afirma que o dramaturgo Lauro César Muniz baseou-se em seus trabalhos para criar o personagem Sassá Mutema da novela O Salvador da Pátria (1989), um boia-fria que, apesar de analfabeto, demonstrava complexa sabedoria política e discursiva.