Os limonoides constituem um grupo biologicamente ativo de compostos químicos orgânicos naturais pertencentes à classe dos tetranortriterpenoides. Caracterizados estruturalmente como triterpenos altamente modificados e oxigenados, estas substâncias sofrem uma degradação metabólica na qual perdem quatro carbonos terminais da sua cadeia lateral, apresentando obrigatoriamente um anel furânico acoplado ao carbono C-17. Ocorrem de forma predominante em espécies botânicas da ordem Sapindales, manifestando uma abundância notável nas famílias Rutaceae, onde se incluem os citrinos, e Meliaceae, com destaque para a árvore nim. Na indústria alimentar, estes metabolitos secundários desempenham um papel crítico devido ao fenómeno do amargor retardado em sumos processados; a rutura celular liberta precursores insípidos que, sob a influência da acidez e de enzimas específicas, se convertem em limonina livre, um composto fortemente amargo. Sob a perspetiva ecológica e agrónoma, os limonoides funcionam como potentes fitoalexinas protetoras contra a herbivoria, sendo a azadiractina o exemplo mais conhecido devido à sua capacidade de atuar como inseticida e repelente natural ecológico que desregula o crescimento de insetos fitófagos. Paralelamente, o interesse biomédico em torno destas moléculas tem-se expandido substancialmente devido às suas promissoras atividades farmacológicas demonstradas em laboratório, as quais abrangem propriedades anti-inflamatórias, antibacterianas, antivirais e, de forma muito significativa, um potencial quimiopreventivo e anticarcinogénico pela indução de enzimas desintoxicantes e modulação de vias de proliferação celular em tumores de mamíferos.