| Losharik | |
|---|---|
| Operador | Marinha da Rússia |
| Fabricante | Sevmash |
| Batimento de quilha | 1988 |
| Lançamento | 13 de agosto de 2003 |
| Identificação | AS-12 ou AS-31 |
| Estado | Inativo |
| Características gerais | |
| Tipo de navio | Submarino |
| Classe | Projeto 10831 ou 210 |
| Deslocamento | 1 600 t (superfície) 2 100 t (submerso) |
| Maquinário | 1 reator nuclear |
| Comprimento | 60 ou 70 m |
| Propulsão | 1 hélice |
| Velocidade | 30 nós (57 km/h) |
| Profundidade | 2 000 a 2 500 m |
| Tripulação | 25 |
Losharik (em russo: Лошарик) é a alcunha de um submarino russo. Um nome popular, mas incorreto (que muitas fontes da mídia ainda utilizam) para esse tipo de submarino é Projeto 210. O nome real é AS-12 (em russo: АС-12, onde "АС" significa "Атомная Станция" do termo naval oficial russo "атомная глубоководная станция", em português "estação nuclear em águas profundas") do Projeto 10831. É alimentado por um reator nuclear e acredita-se ser capaz de operar a uma profundidade de muitos milhares de metros devido aos elementos únicos de construção esférica. A profundidade operacional exata é desconhecida, mas sabe-se que este submarino operou a cerca de 2000 a 2500 metros de profundidade no Ártico em 2012. Para a Organização do Tratado do Atlântico Norte, o nome deste submarino é NORSUB-5.
A alcunha foi sugerida pelos construtores do casco multi-esférico e foi tirado de um personagem de desenho animado russo de mesmo nome, Losharik, um cavalo de brinquedo composto de pequenas esferas. O nome Losharik é uma palavra-valise: "лошадь" ("loshad" - cavalo) e "шарик" ("sharik" - pequena esfera).
A quilha do submarino foi batida em 1988, mas o navio não foi lançado ao mar até agosto de 2003 devido a dificuldades financeiras e ao colapso da União Soviética. A embarcação é designada para missões de pesquisa, resgate e operações militares especiais, sendo operada pela Direção-Geral de Pesquisa em Águas Profundas (em russo: Главное управление глубоководных исследований [GUGI]), subordinada diretamente ao Ministério da Defesa da Rússia.

Acredita-se que o casco de pressão do submarino seja constituído por até sete esferas interconectadas de titânio; essa arquitetura restringe o espaço interno para acomodações da tripulação e equipamentos, mas confere resistência estrutural consideravelmente ampliada. A embarcação é impulsionada por um reator nuclear, e sua profundidade operacional exata não consta em informações públicas abertas. Sabe-se que o submarino operou a cerca de 2 000–2 500 metros (6 600–8 200 ft) de profundidade no Oceano Ártico em 2012 e possui capacidade para ser transportado no ventre de um submarino modificado da classe Delta III.
A embarcação tem sido descrita como um "submarino espião", potencialmente capaz de interceptar ou cortar cabos submarinos de telecomunicações. A Rússia divulgou pouquíssimas informações oficiais a respeito do projeto e existem raras fotografias da embarcação; a imagem mais nítida teria sido capturada inadvertidamente durante uma sessão fotográfica da revista Top Gear Rússia em Arcangel.
O apelido Losharik deriva do casco multiesférico da embarcação, inspirado em um personagem da animação soviética Losharik, um cavalinho de brinquedo formado por pequenas esferas articuladas. A palavra losharik é uma amálgama lexical dos termos russos "лошадь" (loshad, "cavalo") e "шарик" (sharik, "pequena esfera" ou "bolinha"). A designação da OTAN para este submarino é NORSUB-5.
A embarcação foi descrita em um relatório reservado do Comando Norte dos Estados Unidos (USNORTHCOM) como um "alvo escuro" (dark target) cujas movimentações deveriam ser monitoradas de perto.
O submarino do Projeto 09852 Belgorod (uma modificação da classe Oscar II) foi especialmente adaptado a partir de 2012 para transportar o Losharik acoplado em sua quilha inferior, prestando suporte às operações da GUGI. As modificações incluíram tanto a remoção do compartimento de tubos lançadores de mísseis de cruzeiro para abrir espaço a uma nova doca de cerca de 18 metros de comprimento — capaz de acomodar minisubmarinos de operações especiais, como o Losharik ou a classe Paltus — quanto o prolongamento da seção de proa para 38 metros a fim de abrigar os novos torpedos não tripulados de propulsão nuclear Poseidon. O Belgorod pode conter um lançador rotativo capaz de alojar até seis torpedos Poseidon.
Um incêndio deflagrou a bordo da embarcação em 1 de julho de 2019 enquanto esta realizava medições batimétricas do fundo marinho em águas territoriais russas. Quatorze tripulantes morreram por inalação de fumaça ou gases tóxicos. Sete dos mortos detinham a patente de capitão de 1.ª classe (equivalente a capitão de mar e guerra) e dois haviam sido condecorados com o título de Herói da Federação Russa. O comandante do submarino, Denis Dolonskiy, estava entre as vítimas fatais. A concentração de oficiais de tão alta patente em uma única embarcação pode ser um indício de que o submarino executava uma missão de elevado risco ou testava uma nova capacidade militar no momento do sinistro. Em termos comparativos, o submarino Kursk — que afundou com todos os tripulantes a bordo após um desastre similar — contava com 118 tripulantes, dos quais apenas dois tinham a patente de capitão de 1.ª classe.

O fogo começou por volta das 20h30min (horário de Moscou), supostamente a uma profundidade de 300 metros (980 ft), e foi extinto pela própria tripulação. Pescadores na baía de Ura relataram ter avistado um submarino emergir velozmente por volta das 21h30min e encontrar-se com um navio de guerra e dois rebocadores. O Losharik foi posteriormente rebocado para a base da Frota do Norte em Severomorsk, onde cinco sobreviventes foram hospitalizados com intoxicação por fumaça e concussões. Um especialista civil encontrava-se a bordo no momento do sinistro e sobreviveu após ser transferido para um compartimento menos atingido do submarino.
Relatórios iniciais indicaram que o Losharik não estava acoplado ao seu submarino-mãe quando o fogo começou no compartimento de baterias e que apenas cinco tripulantes estavam em serviço de quarto no momento do acidente, com os demais supostamente dormindo; como resultado, apenas os cinco homens de quarto teriam conseguido vestir os conjuntos de respiração autônoma a tempo. Informações posteriores divergiram, sustentando que o Losharik ou já estava acoplado ao submarino-mãe no momento do incêndio (havendo divergência sobre se a nave-mãe era o BS-136 Orenburg ou o BS-64 Podmoskovye), ou em processo de acoplamento, o qual foi concluído com sucesso a despeito das chamas. Os tripulantes combateram o incêndio por mais de 40 minutos e solicitaram autorização para evacuar em direção ao submarino-mãe quando o suprimento de oxigênio de seus respiradores portáteis se esgotou. Consta que, a certa altura, o submarino-mãe enviou uma equipe de resgate de quatro homens — possivelmente os quatro militares condecorados postumamente como Heróis da Federação Russa (Voskresenskiy, Somov, Oparin e Solovyev) — para auxiliar os tripulantes a bordo do Losharik. Outras fontes sugerem que Solovyev resgatou pessoalmente o único civil a bordo. No total, acredita-se que cinco tripulantes (supostamente todos do próprio Losharik) tenham sobrevivido ao desastre. Além do fogo, ocorreu ao menos uma explosão a bordo do Losharik durante o incidente. Conforme a situação se deteriorava, a guarnição do submarino-mãe temeu pela segurança de sua própria embarcação e isolou as comportas de conexão com o Losharik. Uma fonte afirma que a tripulação inundou o Losharik, embora não esteja claro se tal manobra poderia ser comandada a partir do submarino-mãe. Outros relatos confirmam a ocorrência de inundação, mas apontam que ela foi provocada pela explosão, que rompeu e danificou o casco do Losharik. Avaliações preliminares indicaram que os compartimentos operacionais do submarino sofreram danos gravíssimos, resultando na destruição dos sistemas rádio-eletrônicos, automação, acústica, equipamentos de navegação e suportes vitais de sobrevivência. Os compartimentos de engenharia que abrigavam o reator nuclear permaneceram intactos.
O incidente representou a maior perda de vidas a bordo de um submarino russo desde o acidente do K-152 Nerpa em 2008, no qual morreram 20 homens. O comandante-em-chefe da Marinha Russa, Nikolai Yevmenov, instaurou um inquérito para apurar as causas do fogo, e o presidente Vladimir Putin enviou o ministro da Defesa, Serguei Choigu, para acompanhar as investigações e prestar contas do ocorrido. Em 2 de julho, Choigu apresentou um relatório sobre o incêndio a Putin, Comandante Supremo das Forças Armadas da Rússia, durante reunião de emergência no Kremlin. Inicialmente, alguns veículos de imprensa criticaram o governo russo alegando tentativas de encobrir o acidente e traçando paralelos com a tragédia do submarino Kursk; alguns analistas chegaram a comparar o episódio ao acidente nuclear de Chernobil, embora o fato tenha sido oficialmente comunicado à população um dia após o ocorrido.
Jornalistas especularam que os marinheiros que morreram teriam se sacrificado para salvar a embarcação, trancando-se voluntariamente no compartimento em chamas para conter o fogo. Em 7 de julho de 2019, durante o funeral militar dos tripulantes, o capitão Sergei Pavlov, assessor do comando naval russo, declarou que a guarnição havia "evitado uma catástrofe de proporções planetárias". A Autoridade Norueguesa de Radiação e Segurança Nuclear declarou ter recebido notificação das autoridades russas a respeito de uma explosão de gás a bordo do submarino, afirmação que foi contestada pelo governo da Rússia.
Em 4 de julho, anunciou-se que o incêndio tivera origem no compartimento de baterias. O ministro da Defesa, Serguei Choigu, confirmou também que a embarcação era dotada de propulsão nuclear, mas que o reator atômico fora hermeticamente isolado das chamas. Segundo Choigu, o submarino poderia ser reparado e reconduzido ao serviço ativo.
Em 5 de julho, quatro dos marinheiros foram condecorados postumamente com o título de Herói da Rússia, enquanto os outros dez receberam a Ordem da Coragem.
Os seguintes marinheiros perderam a vida no incidente de 1 de julho de 2019:
Todos os 14 marinheiros foram sepultados com honras militares no Cemitério Serafimovskoe, em São Petersburgo, em 6 de julho de 2019.
A perícia técnica indicou que o incêndio começou com uma forte explosão no compartimento de baterias do submarino. As baterias em combustão alimentaram as chamas, a despeito dos esforços da tripulação para conter o fogo. O Losharik fora projetado originalmente para operar com baterias de prata-zinco fabricadas na Ucrânia. Com a deterioração das relações entre Rússia e Ucrânia decorrente da Guerra em Donbas, os acumuladores ucranianos foram substituídos por baterias de íon de lítio produzidas pela empresa Rigel (Ригель), de São Petersburgo, homologadas para uso em submarinos. Os peritos investigaram se os testes de segurança dessas baterias foram satisfatórios antes de sua instalação. Outras hipóteses aventadas incluíram sobrecargas anormais nas baterias provocadas por um curto-circuito em outro ponto da embarcação, ou sabotagem. Em virtude de sua concepção ultrassecreta e da provável natureza confidencial da missão, o governo russo manteve rígida reserva de informações sobre o caso, postura compartilhada pelos governos dos Estados Unidos e da Noruega, que podem ter monitorado o episódio por sensores eletrônicos.
Trabalhos de grande envergadura para reparar o submarino foram noticiados em 2020. Estimava-se que a embarcação permaneceria fora de serviço até 2024 ou 2025, embora relatos de 2025 tenham indicado o início de novos testes de mar pós-reforma naquele mesmo ano. Informações não confirmadas sugeriram que o submarino teria retornado às operações ativas em 2026.