| Manuel de Mello | |
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| Nascimento | 26 de julho de 1895 Sintra |
| Morte | 15 de outubro de 1966 São Martinho |
| Sepultamento | Cemitério dos Prazeres |
| Cidadania | Portugal |
| Ocupação | empresário |
| Distinções |
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Manuel Augusto José de Mello GOC • GCB • GCMAI (São Martinho, Sintra, 26 de Julho de 1895 – Prazeres, Lisboa, 15 de Outubro de 1966) foi um empresário português.
Manuel de Mello descendia da alta aristocracia portuguesa por via paterna — a família, com ligações estreitas à Casa Real, tinha os títulos que remontam ao tempo da Monarquia Absoluta, de Conde de São Lourenço, de Marquês de Sabugosa e de Conde do Cartaxo.
A família materna — os Lima Mayer —, em que sobressai a figura do negociante Adolfo de Lima Mayer (seu avô), era de origem judaica e tinha ascendência francesa (o seu trisavô, António Simão Mayer chegara a Portugal durante as Invasões Napoleónicas; era capitão no Exercito do General Junot).
Depois da instauração da República, Manuel de Mello viajou com os seus irmãos para a Suíça, onde chegou a frequentar — sem concluir — o Curso Superior de Comércio, no Instituto Comercial de Zurique.
A cumprir o serviço militar, no Exército Português (arma de Artilharia), foi mobilizado para a Primeira Guerra Mundial, em 1914, na patente de Oficial Miliciano.
A vida do jovem aristocrata mudaria ao casar com Amélia da Silva, filha de Alfredo da Silva. Em virtude do casamento, Manuel de Mello viria a dedicar a sua vida ao grupo empresarial iniciado pelo homem que ficaria conhecido como o maior industrial da primeira metade do século XX português — o Grupo CUF. De resto, passaria à história a resposta de Alfredo da Silva a Manuel de Mello, quando este lhe propôs o casamento com a sua filha:
| “ | Casa-se também com a CUF? | ” |
Assim, com apenas 23 anos iniciou o desempenho de funções na CUF. Aos 47, após a morte do sogro, e acumulando uma significativa experiência, assumia a sua liderança.
Durante o seu período na CUF, a empresa consolidou-se e conheceu um fortíssimo crescimento e expansão, diversificando de maneira muito significativa as suas áreas de negócio — desde logo, cresceu no setor químico (setor que remonta aos primórdios da Companhia União Fabril), com a criação da União Fabril do Azoto (1948) e a União Fabril Farmacêutica (1951) —; além disso, expandiu a sua atividade a um sem número de áreas — entre outras, à indústria metalúrgica, por exemplo, com a Companhia Portuguesa do Cobre (1943); à indústria agroalimentar (azeites, óleos alimentares, bebidas, etc.), através, nomeadamente, da Sovena (1956) e da Compal (adquirida pelo Grupo em 1963); às celuloses, com a participação na fundação da Celbi (1965), em parceria com a empresa sueca Billerud; no têxtil, entre outros, com a Companhia Têxtil do Punguè (1959); nos detergentes, com a Sonadel (detentora da marca Super Pop); nos componentes elétricos, com a Efacec (1948), fruto de uma parceria com os belgas da ACEC (Ateliers de Construtions Électriques de Charleroi); na construção e reparação naval, com a concessão dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo e a fundação da Lisnave (1961); nos transportes, aéreos e marítimos, com a TAP, a Soponata e a Companhia Nacional de Navegação (operações realizadas via a sociedade afim da CUF, Sociedade Geral de Indústria Comércio e Transportes, por vezes designada apenas como "Sociedade Geral" (de que Manuel de Mello foi igualmente administrador-gerente)); na promoção imobiliária e turística, com a Sodim; na banca e nos seguros, com a aquisição do Banco Aliança, do Porto, formando o Banco Totta-Aliança (1961) (o Totta fora adquirindo ainda no tempo de Alfredo da Silva) e com o desenvolvimento da seguradora Império.
Manuel de Mello permaneceu na administração da empresa até meados dos anos 1960, quando a doença de Parkinsson o levou a delegar funções no seu filho mais velho, Jorge de Mello, ao qual se juntaria o mais novo, José Manuel. Seriam os dois filhos rapazes, bem como irmão de Manuel, Diogo de Mello, e o primo António Vasco — entre outros quadros de fora da família que chegavam à gestão da empresa, que se foi profissionalizando — a assegurar a continuidade do Grupo CUF.
Na terceira geração da família (uma geração "Silva", uma "José de Mello" e outra "Silva/José de Mello"), representada pelos filhos de Manuel, o Grupo continuou a crescer — chegou aos anos 1970 como a quinta indústria química da Europa e o maior grupo empresarial da Península Ibérica.
Além do empenho na consolidação da posição do Grupo na economia, reconhece-se na liderança de Manuel de Mello o investimento no bem-estar social dos seus colaboradores, de que são exemplos a construção do primeiro Hospital da CUF, próximo da Avenida Infante Santo, em Lisboa, inaugurado em 1945; o forte investimento na promoção do desporto, em torno do Clube União Fabril, criado em 1937; as colônias de férias para as famílias dos trabalhadores, situadas em Sintra. De referir que, aquando do 25 de abril de 1974, o Grupo CUF contabilizava mais de 100 mil colaboradores.
Morreu a 15 de outubro de 1966, vítima de uremia, aos 71 anos, no Hospital da CUF, freguesia dos Prazeres, em Lisboa. Foi sepultado no Cemitério dos Prazeres.
Nasceu a 26 de julho e foi batizado a 2 de agosto de 1895 na freguesia de São Martinho, em Sintra. Era filho varão terciogénito de D. Jorge José de Mello, 2.º Conde do Cartaxo, e de sua mulher Maria Luísa de Lima Mayer, doméstica, natural de Lisboa (freguesia de São José), cujo pai era de ascendência Judaica Asquenaze e Sefardita e cuja mãe era prima-irmã do 1.º Visconde de Benalcanfor e sobrinha materna do 1.º Visconde dos Olivais.
A 26 de maio de 1919, casou civilmente em Lisboa (freguesia de Santa Catarina), com Amélia Dias de Oliveira da Silva (Lisboa, Santa Justa, 21 de Dezembro de 1896 – Lisboa, Santa Catarina, 25 de Janeiro de 1958), filha unigénita e universal herdeira de Alfredo da Silva, trineto dum Francês, e de sua mulher Maria Cristina de Resende Dias de Oliveira, trineta dum Italiano. Foram seus filhos Maria Cristina, Jorge, Maria Amélia e José Manuel da Silva José de Mello.
Foi sogro de António Champalimaud e de José Maria Borges Coutinho do Espirito Santo Silva (filho de José Ribeiro do Espírito Santo Silva e sobrinho de Ricardo do Espírito Santo Silva), casados, respetivamente, com as suas filhas Maria Cristina e Maria Amélia José de Mello.
Foi tio-avô de Fernando Ulrich e primo-tio-avô de Isabel Moreira.
Foi condecorado pelo Estado Português:
Foi condecorado pelo Estado Francês:
Igualmente em sua homenagem foi dado o seu nome à Rua D. Manuel de Mello, no Monte Estoril, em Cascais.