| Marcelo da Veiga | |
|---|---|
| Nome completo | Marcelo Francisco Veiga da Mata |
| Nascimento | 3 de outubro de 1892 |
| Morte | São Tomé, São Tomé e Príncipe |
| Nacionalidade | Santomense |
| Ocupação | Poeta e jornalista |
| Outras ocupações | Camponês e deputado |
| Principais trabalhos | O Canto do Ossôbó |
Marcelo Francisco Veiga da Mata (Santo António, 3 de outubro de 1892 — São Tomé, 3 de março de 1976) foi um camponês, jornalista, poeta e ativista anticolonial santomense. É considerado um dos nomes fundamentais do nacionalismo e do anticolonialismo no arquipélago, e um dos fundadores da santomensidade literária.
Nascido na Ilha do Príncipe em 1892, Marcelo da Veiga mudou-se para Portugal aos 11 anos de idade, onde residiu até 1928. Em Lisboa, estudou no Colégio Calipolense, no Liceu Pedro Nunes e no Liceu Passos Manuel. Pela Universidade de Lisboa, chegou a cursar medicina e depois direito, não concluindo nenhum dos dois cursos.
Seu primeiro poema data de 1917, denominado "Evocações", escrito enquanto cursava direito em Lisboa. Seu estilo literário no período é classificado como de "intimidade romântica e simbolista" e de fascínio da humanidade pela natureza. Nesse período, conhece a obra literária de Caetano da Costa Alegre.
Já na ilha do Príncipe, a partir de 1928, passa a trabalhar em sua roça, local de onde começa a tomar consciência acerca das difíceis condições de trabalho e sobrevivência no regime colonial, tema que começa a ser retratado em seus escritos, como o poema "África é nossa!" de 1935, tornando-se, assim, um precursor do movimento negritude.
Estando em São Tomé e Príncipe, em 1953 ocorreu o massacre de Batepá, que o marcou profundamente. A partir desse período, engajou-se na escrita da denúncia da situação do país, das monoculturas de exportação em vez da produção alimentícia e do regime do contrato de semi-escravatura.
Em 1958/1959, integrou o grupo político clandestino Convergência de Lutas, liderado por Guadalupe de Ceita e composto, dentre outros nomes, por Ohnet dos Santos, Miguel Trovoada e Leonel Mário d'Alva. Em 19 de agosto de 1959, foi preso pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) devido ao teor de seus poemas nacionalistas e à sua militância pública contra a precária situação socioeconômica do arquipélago. Foi julgado no Tribunal Militar, em Luanda, ficando detido na Cadeia Central de São Tomé. Ali escreve um de seus mais famosos poemas, intitulado "A minha pena". Foi posto em liberdade vigiada na ilha do Príncipe em 1960. Enquanto estava preso, em setembro de 1960, a articulação do seu grupo político (Convergência de Lutas) resultou na fundação, em Librevile (Gabão), do Comité de Libertação de São Tomé e Príncipe (CLSTP).
Após conseguir se livrar da liberdade vigiada, muda-se para Amadora, Portugal, em 1962. Ao conhecer seus poemas, Alfredo Margarido o incluiu na obra por ele organizada, intitulada "Poetas de S. Tomé e Príncipe", publicada em 1963. Isso lhe rendeu o primeiro reconhecimento como escritor, o que lhe incentivou a escrever, época em que constituiu um grupo de literatura santomense em Lisboa, que incluía Francisco José Tenreiro, Mário Domingues, António Tomás Medeiros, Salustino da Graça do Espírito Santo, Almada Negreiros e Manuela Margarido, e que incluía outros nomes como Hernâni Cidade e Manuel dos Santos Lima. Alguns dos principais escritos desse período são "A língua própria" (1963) e o "O idioma é a pátria" (1967). Passa a ser jornalista do Correio de África.
Retornou à ilha do Príncipe brevemente em 1971 para uma visita familiar. Retornaria definitivamente à ilha do Príncipe em 1973, voltando a trabalhar no campesinato em sua roça. Em 1974, com a Revolução dos Cravos, volta a integrar o movimento nacionalista pelo Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP, sucessor do CLSTP), articulando politicamente a classe trabalhadora campesina da ilha do Príncipe.
Elege-se deputado pelo MLSTP nas eleições para a Assembleia Constituinte de julho de 1975. Em 5 de novembro de 1975 torna-se um dos signatários da primeira Constituição Nacional.
Morreu de causas naturais, em 3 de março de 1976, enquanto deputado.
A coletânea "O Canto do Ossôbó", obra em seu nome mais conhecida, foi organizada por Manuel Ferreira e publicada postumamente em 1989.
Nas celebrações alusivas aos 50 anos da independência do país, realizadas em junho de 2025, foi reconhecido como um dos fundadores da santomensidade literária.