Marcos Rey

Edmundo Donato
Pseudônimo(s)Marcos Rey
Nascimento
Morte
1 de abril de 1999 (74 anos)

Nacionalidadebrasileiro
ParentescoMário Donato (irmão)
OcupaçãoEscritor e roteirista
Principais trabalhosMalditos paulistas (1980)
PrémiosTroféu Juca Pato (1995)

Edmundo Donato (São Paulo, 17 de fevereiro de 1925 – São Paulo, 1 de abril de 1999), mais conhecido pelo pseudônimo Marcos Rey, foi um escritor e roteirista brasileiro.

Biografia

Edmundo Donato nasceu em 1925, em São Paulo. Seu pai, gráfico e encadernador, trabalhava na editora de Monteiro Lobato. Seu irmão era o também escritor Mário Donato. Aos dez anos, contraiu hanseníase (então conhecida como lepra), tendo sido internado à força pelo Departamento de Profilaxia da Lepra de São Paulo em diversos sanatórios e hospitais, e tendo fugido várias vezes. Nos anos 1940, com a descoberta das sulfonas, o escritor foi curado, mas a doença deixou sequelas em suas mãos, que frequentemente escondia. O fato só foi divulgado após a morte de Rey; o estigma da doença o envergonhava.

Aos 16 anos, publicou seu primeiro conto, Ninguém entende Wiu-Li, no jornal Folha da Manhã. Aos 20 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde o risco de ser internado era menor. Lá, trabalhou como tradutor. Voltou para São Paulo para trabalhar na Rádio Excelsior.

Escreveu livros para adultos, como Um gato no triângulo (1953), O enterro da cafetina (1967), Memórias de um gigolô (1968) e Malditos paulistas (1980), mas ficou especialmente conhecido como autor de literatura infanto-juvenil com livros como O Mistério do Cinco Estrelas (1981), O Rapto do Garoto de Ouro (1982) e Um Cadáver Ouve Rádio (1983) que foram publicados pela Série Vaga-Lume, da Editora Ática.

Três de seus livros (Memórias de um Gigolô, O Enterro da Cafetina e Café na Cama) foram adaptados para o cinema.

Também escreveu roteiros para televisão, como as novelas O Grande Segredo (1967), A Moreninha (1975), e a série Sítio do Pica-Pau Amarelo (1977). Durante a década de 1970, foi roteirista de pornochanchadas.

Foi fundador da União Brasileira dos Escritores (UBE) onde criou o prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano. Foi eleito para a Academia Paulista de Letras em 1986, tomando posse em 29 de outubro de 1987. Ocupou a cadeira nº 17 em substituição a Ernâni Silva Bruno.

Vida pessoal e morte

Marcos Rey foi casado com Palma Bevilacqua Donato (1928–2019) por 39 anos. Ele morreu em 1º de abril de 1999, aos 74 anos, às 15h15 no Hospital Paulistano de complicações de uma cirurgia que foi verificado um tumor em estágio avançado. Foi velado na sede da Academia Paulista de Letras e o corpo foi cremado no Crematório da Vila Alpina. Suas cinzas foram espalhadas de helicóptero por São Paulo pela viúva.

Prêmios

Ano Obra Categoria Premiação Ref.
1995 — Intelectual do Ano Prêmio Juca Pato
1994 O Último Mamífero do Martinelli Contos / Crônicas / Novelas 36.º Prêmio Jabuti
1968 O Enterro da Cafetina Contos / Crônicas / Novelas 10.º Prêmio Jabuti

Livros publicados

Literatura infanto-juvenil
Literatura adulta

Homenagem

Na cidade de São Paulo há uma biblioteca municipal que recebeu o nome do escritor. Trata-se da Biblioteca Marcos Rey que fica localizada no bairro do Campo Limpo, na Zona Sul.

Referências

  1. ↑ «Cadeira nº.17 - Marcos Rey». Academia Paulista de Letras (APL)
  2. ↑ «Taca-le pau, Marcos». Tribuna Paraná. 2 de julho de 2014. Consultado em 21 de agosto de 2021
  3. 1 2 Ribeiro, Luiz Antonio (25 de fevereiro de 2025). «Centenário de Marcos Rey, autor da Coleção Vagalume, passa praticamente esquecido no Brasil». JornalNota. Consultado em 3 de abril de 2025
  4. ↑ «Folha de S.Paulo - Escritor também foi perseguido - 18/09/2005». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 3 de abril de 2025
  5. ↑ México, Wladir Dupont, da Cidade do (20 de julho de 2004). «O cronista maior da grande cidade». Observatório da Imprensa. Consultado em 3 de abril de 2025
  6. ↑ «A biografia secreta de Marcos Rey». Estadão. Consultado em 3 de abril de 2025
  7. 1 2 3 «Centenário de Marcos Rey: relembre suas obras publicadas». Bravo!. Consultado em 3 de abril de 2025
  8. ↑ «Memórias de um Gigolô». AdoroCinema. Consultado em 29 de novembro de 2025
  9. ↑ Armando Antenore (6 de agosto de 1995). «Secretaria faz mostra com filmes de Valadão - 6/8/1995». Folha de S.Paulo. Consultado em 29 de novembro de 2025
  10. ↑ «Café na Cama». AdoroCinema. Consultado em 29 de novembro de 2025
  11. ↑ «O centenário de Marcos Rey, o mestre dos mistérios juvenis - PGL». pgl.gal. 8 de março de 2025. Consultado em 3 de abril de 2025
  12. 1 2 «Análise: Centenário do escritor Marcos Rey passa quase despercebido». Folha de S.Paulo. 21 de fevereiro de 2025. Consultado em 3 de abril de 2025
  13. ↑ «Opinião | O centenário de Marcos Rey». Estadão. Consultado em 22 de abril de 2025
  14. ↑ «Juca Pato - Intelectual do Ano». União Brasileira de Escritores (UBE)
  15. ↑ «Premiados 1994». Prêmio Jabuti
  16. ↑ «Premiados 1968». Prêmio Jabuti
  17. ↑ «Biblioteca homenageia Marcos Rey, escritor que retratou São Paulo». G1. 10 de março de 2015. Consultado em 26 de abril de 2024