São Paulo é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está situado na Região Sudeste e tem por limites os estados de Minas Gerais a norte e nordeste, Paraná a sul, Rio de Janeiro a leste e Mato Grosso do Sul a oeste, além do Oceano Atlântico a sudeste. É dividido em 645 municípios e sua área total é de 248 219,481 km², o que equivale a 2,9% da superfície do Brasil, sendo pouco maior que o Reino Unido. Sua capital é o município de São Paulo e seu atual governador é Tarcísio de Freitas. O nome do estado deriva da sua capital, assim batizada por ter sido fundada, em 1554, no dia 25 de janeiro, dia da conversão do apóstolo Paulo de Tarso ao cristianismo.
Com 46 milhões de habitantes, cerca de 22% da população brasileira, é o estado mais populoso do Brasil e a subdivisão nacional mais populosa do continente americano, com mais habitantes do que todos os outros países da América do Sul, exceto Argentina e Colômbia. A população paulista é uma das mais diversificadas do país e descende principalmente de italianos, de portugueses, de povos nativos, de africanos e de migrantes de outras regiões do país. Outras grandes correntes imigratórias, como de árabes, alemães, chineses, espanhóis e japoneses, também tiveram presença significativa na composição étnica da população local.
A colonização do território paulista teve início em 1532, quando o português Martim Afonso de Sousa fundou a Vila de São Vicente, o núcleo da Capitania de São Vicente. No século XVII, os bandeirantes paulistas intensificaram a exploração do interior da colônia, o que expandiu os domínios portugueses na América do Sul e catalisou a formação do contínuo cultural da Paulistânia. No século XVIII, após a instituição da Capitania de São Paulo, a região começou a ganhar peso político. Depois da independência do Brasil, proclamada na cidade de São Paulo, o estado se consolidou como um importante produtor agrícola (principalmente de café) durante o Império, o que acaba por criar uma rica oligarquia rural regional, que iria se alternar no comando do governo brasileiro com as elites mineiras durante o início do período republicano. No final do século XIX, São Paulo é um dos primeiros estados a iniciar um processo de industrialização em larga escala, impulsionado pelo capital cafeeiro e pela imigração italiana, e a população paulista passou por um rápido processo de urbanização.
Além de possuir a maior produção industrial e de pesquisa e desenvolvimento do país, a economia paulista é a maior da federação brasileira e representa cerca de um terço do PIB do país, o equivalente à soma das economias de Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia, o que tornou o estado conhecido como a "locomotiva do Brasil". São Paulo também é o destino turístico brasileiro mais procurado por turistas nacionais e internacionais. Possui indicadores socioeconômicos superiores aos de grande parte das demais unidades federativas, como IDH, acesso à rede de esgoto, educação básica, média de anos de estudo, pessoas com nível superior completo, taxa de homicídios, renda domiciliar, PIB per capita, expectativa de vida, mortalidade infantil e taxa de pobreza.

A ocupação humana do território correspondente ao atual estado de São Paulo antecede em milhares de anos a colonização portuguesa. Vestígios arqueológicos encontrados em diferentes regiões indicam a presença de populações caçadoras-coletoras e, posteriormente, de grupos que desenvolveram práticas agrícolas e produziram artefatos cerâmicos.
No litoral paulista, destacam-se os sambaquis, sítios arqueológicos construídos por populações que exploravam recursos costeiros. No interior, pesquisas arqueológicas identificaram vestígios de diferentes tradições cerâmicas, entre elas Itararé-Taquara, Uru e Aratu-Sapucaí. Ainda no interior, nos sítios arqueológicos Alice Boer, Bastos, Boa Esperança II, Caetetuba e Lagoa do Camargo, foram identificados instrumentos de pedra lascada. Pesquisas arqueológicas também registraram vestígios nos sítios Água Vermelha, Brito, Estrela do Norte e Foz do Mojiguaçu, situados no Planalto Ocidental Paulista.

Antes da chegada dos portugueses, o território paulista era ocupado por numerosos povos indígenas, com diferentes línguas e práticas culturais. Entre eles estavam os guaianases, guaranis, tupinambás, tupiniquins e outros povos pertencentes a diferentes tradições linguísticas, incluindo os grupos de línguas do tronco macro-jê.
Nas primeiras décadas do século XVI, a região de Cananéia, no litoral sul paulista, teria sido um dos locais de contato entre populações indígenas e europeus. Entre os personagens associados à presença europeia na região destaca-se o português Cosme Fernandes, o Bacharel de Cananeia, que teria aportado na região na expedição portuguesa de 1501 a 1502, comandada por Gonçalo Coelho e Américo Vespúcio.
Em 1530, a Coroa portuguesa enviou uma expedição comandada por Martim Afonso de Sousa, cuja esquadra teria chegado à região de Cananéia em 12 de agosto de 1531, ancorando nas proximidades da Ilha do Bom Abrigo. Em 22 de janeiro de 1532, Martim Afonso fundou a vila de São Vicente, reconhecida pela maioria dos historiadores como a cidade mais antiga do Brasil. Vizinho a São Vicente, em 22 de abril do mesmo ano, foi fundado o povoado de Itanhaém, elevado à categoria de vila em 1561. Também na década de 1530, a ocupação portuguesa avançou na porção setentrional da ilha de São Vicente, onde ocorreu a formação do núcleo de povoamento que daria origem a Santos, elevado à categoria de vila em 1546.

Ainda em 1532, no dia 22 de agosto, a vila de São Vicente realizou a primeira eleição do continente americano, que visava eleger os representantes do Conselho Municipal. Martim Afonso também ordenou a construção de uma igreja na vila, que fora destruída por uma ressaca na década seguinte.
Em 1534, o rei D. João III dividiu a América Portuguesa em capitanias hereditárias, entre elas a dewe São Vicente, concedida a Martim Afonso, e a de Santo Amaro, doada a seu irmão Pero Lopes de Sousa. A primeira se estendia desde a ilha de São Francisco do Sul até a Ilha de Santo Amaro (atual Guarujá), e desta até Ubatuba constituía-se a Capitania de Santo Amaro. Devido a divergências sobre os limites do Tratado de Tordesilhas (1494), os colonizadores portugueses logo entraram em conflito com os espanhóis, estes liderados por Ruy Garcia de Mosquera, desencadeando a Guerra de Iguape (1534-1536). Em 1538, foi oficialmente fundado o povoado de Iguape, no litoral sul da capitania de São Vicente, cujo primeiro núcleo de povoamento se estabeleceu na região de Icapara.
Martim Afonso trouxe da Ilha da Madeira as primeiras mudas de cana-de-açúcar para a capitania. Assim se instalaram os primeiros engenhos de açúcar em São Vicente e também em Santo Amaro, entre os quais o Engenho do Governador, erguido por volta de 1534. A produção de açúcar logo se desenvolveu na faixa litorânea, com o uso da mão-de-obra indígena, muitas vezes escravizada. No entanto, a crescente expansão da produção açucareira na Zona da Mata do Nordeste, favorecida por condições naturais e econômicas mais vantajosas, contribuiu para a perda de importância e a decadência dos engenhos vicentinos, o que intensificou a busca por metais preciosos. Isso levou os colonizadores a subir a Serra de Paranapiacaba, uma vertente da Serra do Mar, alcançando o Planalto Paulista, onde, em 8 de abril de 1553, surgiu o povoado de Santo André da Borda do Campo, fundado pelo governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa, a pedido do português João Ramalho, um dos primeiros habitantes da região.


Em 25 de janeiro de 1554, um grupo de membros da Companhia de Jesus, entre os quais o noviço José de Anchieta e o padre Manuel da Nóbrega, começou a erguer um barracão de taipa de pilão entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí, e ali foi celebrada uma missa naquele mesmo dia, presidida pelo padre Manuel de Paiva onde hoje está o Pátio do Colégio. Assim nascia o povoado de São Paulo de Piratininga (atual cidade de São Paulo), elevado à categoria de vila em 1560, quando foi instalada a primeira Câmara Municipal. Neste mesmo ano, Manuel de Paiva fundou o povoado de Nossa Senhora da Conceição de Guarulhos e, por ordem do governador-geral Mem de Sá, foi dissolvido o povoado de Santo André da Borda do Campo, em meio aos conflitos com os indígenas que resistiam à ocupação de seus territórios e à dificuldade de defesa.
Em julho de 1562, a vila de São Paulo de Piratininga foi atacada por grupos indígenas contrários à presença portuguesa e à escravização dos povos originários, no episódio conhecido como Cerco de Piratininga. A ofensiva contou com a participação de lideranças indígenas como Piquerobi e seu filho Jaguaranho, sobrinho de Tibiriçá que, em contrapartida, liderava a defesa da vilas. Em dois dias de confrontos, os atacantes foram repelidos, assegurando a permanência do núcleo colonial no Planalto Paulista.
As vilas de São Paulo de Piratininga e São Vicente se constituíram nos principais pontos de partida de expedições destinadas à exploração do interior do território. Essas incursões tinham entre seus objetivos a captura e escravização de indígenas, a procura por metais preciosos e a exploração de áreas ainda desconhecidas. Tais expedições ficaram conhecidas como bandeiras, sendo a primeira delas comandada por Brás Cubas e Luís Martins, ainda em 1562.

A expansão territorial promovida pelas bandeiras, associada à utilização de caminhos terrestres e rotas fluviais, como o Rio Tietê, contribuiu para a formação e consolidação de diversos núcleos de povoamento, dentro e fora do território do atual estado de São Paulo. Entre os principais bandeirantes associados à exploração do território paulista, destacaram-se Fernão Dias e Raposo Tavares, além de Bartolomeu Bueno (Anhanguera), Borba Gato, Manuel Preto, Nicolau Barreto, entre outros. Entretanto, essas expedições também foram marcadas por práticas violentas contra as populações indígenas, incluindo captura, escravização e conflitos relacionados à ocupação de territórios.
Em 1623, como consequência de uma disputa hereditária entre dois primos herdeiros de Martim Afonso de Sousa, o Conde de Monsanto e a Condessa de Vimieiro, pela posse da capitania de São Vicente, esta se fundiu com a capitania de Santo Amaro. As terras de Condessa de Vimieiro se tornaram a capitania de Itanhaém, administrada por ela de 1624 até sua morte em 1645.
Devido aos conflitos entre jesuítas e bandeirantes acerca da escravização dos indígenas, em 1640, os padres da Companhia de Jesus foram expulsos da Capitania de São Vicente, retornando apenas treze anos depois. Em 1641, no contexto das tensões políticas provocadas pelo fim da União Ibérica e consequente restauração da independência de Portugal no ano anterior, teria ocorrido na vila de São Paulo a aclamação de Amador Bueno. O movimento pretendia romper com a administração portuguesa e proclamar Amador Bueno rei da capitania. Contudo, ele teria recusado tal aclamação, jurando fidelidade ao rei D. João IV, e se refugiando no Mosteiro de São Bento.
Em 22 de março de 1681, o Marquês de Cascais transferiu a sede da capitania de São Vicente para São Paulo, o que gerou resistência do parte da câmara vicentina.

No final do século XVII, bandeirantes paulistas que adentraram o interior do território em busca de riquezas encontraram ouro na região do Quadrilátero Ferrífero. A descoberta das jazidas provoca uma corrida em direção às Minas Gerais, atraindo milhares de pessoas e despertando grande interesse da Coroa Portuguesa, o que, porém, gerou conflito com os bandeirantes paulistas, que reivindicavam para si o direito exclusivo de explorar a produção aurífera. Assim, entre 1707 e 1709, ocorreu a Guerra dos Emboabas, que terminou com a derrota dos paulistas e a vitória dos emboabas, como eram denominados os forasteiros vindos de Portugal e de outras partes da colônia que também buscavam enriquecer com a mineração. Após o término do conflito, foi criada a Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, que, em 1720, foi desmembrada em duas capitanias, São Paulo e Minas Gerais. Em 11 de julho de 1711, a vila de São Paulo foi elevada à categoria de cidade.
Enquanto Minas Gerais prosperava com o ouro, a Capitania de São Paulo entrou em decadência, perdendo protagonismo político e econômico, além de enfrentar dificuldades financeiras e administrativas. Essa fragilidade, somada ao interesse da Coroa em fiscalizar diretamente a produção aurífera, levou à extinção da Capitania de São Paulo em 9 de maio de 1748, passando ela a ser subordinada ao Rio de Janeiro. Antes, São Paulo já perdera território com a criação das capitanias do Rio Grande de São Pedro (1737), atual Rio Grande do Sul; de Santa Catarina (1738); de Goiás e de Mato Grosso, as duas últimas em 1748.
Somente em 6 de janeiro de 1765 a capitania seria recriada, porém com território menor, sem a margem esquerda do rio Sapucaí, anexada a Minas Gerais em 1764, e com território equivalente aos atuais estados de São Paulo, Paraná e parte de Santa Catarina. Com a restauração da capitania, o cultivo da cana-de-açúcar se desenvolveu e novas vilas foram criadas sob a administração de Morgado de Mateus (1765-1775), como São José dos Campos (1767), Itapeva (1769), Apiaí (1771), Paraibuna (1773), São Luiz do Paraitinga (1773) e Campinas (1774). Entre 1790 e 1792, durante o governo de Bernardo José de Lorena, foi construída a Calçada do Lorena, o primeiro caminho pavimentado que atravessava a Serra do Mar e facilitava o escoamento da produção açucareira do Planalto Paulista até o litoral, contribuindo para o desenvolvimento das atividades agrícolas e comerciais da capitania.


Nas primeiras décadas do século XIX, o Vale do Paraíba paulista destacou-se como a região pioneira na expansão da cafeicultura na capitania de São Paulo, enriquecendo rapidamente cidades como Jacareí, Areias, Silveiras, Lorena, São José do Barreiro e Bananal. Enquanto no Vale formava-se uma elite cafeeira e escravocrata, o interior da província continuava dependente da cana-de-açúcar.
Em 1820, o rei D. João VI transferiu a vila de Lages para a capitania de Santa Catarina e, em 1821, São Paulo, como todas as outras capitanias, tornou-se uma província do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Em 7 de setembro de 1822, Dom Pedro I proclamou, às margens do riacho do Ipiranga, na cidade de São Paulo, a independência do Brasil.
Em 1827, D. Pedro I fundou a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, a primeira faculdade de direito do país, junto com a Faculdade de Direito de Olinda, em Pernambuco. Já em 1835 foi fundada a Assembleia Legislativa da Província de São Paulo, instalada no dia 2 de fevereiro no Pátio do Colégio. Em 12 de outubro daquele mesmo ano, o paulista Diogo Antônio Feijó assumiu a regência, até renunciar em 19 de setembro de 1837. Feijó foi, ao lado de Rafael Tobias de Aguiar, um dos protagonistas da Revolução Liberal de 1842, movimento que teve Sorocaba como um de seus principais centros. Também na década de 1840 foi construída a Estrada da Maioridade, nova ligação terrestre entre o Planalto Paulista e o litoral, destinada a permitir a circulação de veículos de tração animal, em substituição à antiga Calçada do Lorena, que não comportava esse tipo de transporte. A estrada foi inaugurada em 1846 pelo imperador D. Pedro II.
Em 29 de agosto de 1853, por lei provincial, São Paulo perdeu território, com a criação da província do Paraná. Já em 1867, ocorreu a abertura da ferrovia São Paulo Railway, ligando Santos a Jundiaí, passando por São Paulo e, em 1868, foi fundada a Companhia Paulista de Estradas de Ferro (CPEF). Em 1872, ano de fundação da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, ocorreu o primeiro censo demográfico realizado no Brasil (o único do Império), e a população da província de São Paulo era a quarta maior do Império do Brasil, com 837 354 habitantes, dos quais 156 612 escravizados.
No ano seguinte, ocorreu a Convenção de Itu, que resultou na fundação do Partido Republicano Paulista (PRP), o primeiro da causa republicana do Brasil. Em 1875, foi fundada a Estrada de Ferro Sorocabana e entrou em operação a Estrada de Ferro do Norte, precursora da Estrada de Ferro Central do Brasil. No começo daquele ano, surgiu o jornal A Província de São Paulo, que, no final de 1889, passou a se chamar O Estado de S. Paulo.
Nos anos 1880, a exaustão dos solos do Vale do Paraíba contribuiu para o declínio do cultivo do café na região, enquanto a produção cafeeira se expandiu em direção ao nordeste paulista e, posteriormente, já no século XX, ao extremo oeste paulista e ao norte do Paraná. A expansão cafeeira impulsionou a chegada de imigrantes europeus e asiáticos, que substituíram a mão de obra escravizada nas fazendas de café. Estima-se que, dos cerca de quatro milhões de imigrantes que o Brasil recebeu entre 1880 e 1930, cerca de 70% se estabeleceram em São Paulo.
A expansão da malha ferroviária em direção ao oeste paulista, rumo ao rio Paraná, favoreceu a ocupação territorial de áreas até então pouco exploradas, contribuindo para o surgimento de diversos núcleos de povoamento ao longo dos séculos XIX e XX, muitos dos quais posteriormente foram elevados à categoria de municípios.
Em 15 de novembro de 1889, a monarquia foi derrubada e o Brasil se tornou república. São Paulo, como as demais províncias, tornou-se um estado, sendo governado durante quase um mês por um triunvirato. Em 20 de novembro de 1889, por decreto federal, a Assembleia Legislativa Provincial se transformou na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), responsável por promulgar, em 15 de dezembro de 1890, a primeira constituição paulista. A nova constituição determinava que o poder legislativo paulista era bicameral, composto pelo Senado Estadual e pela Câmara dos Deputados que, juntos, formavam o Congresso do Estado de São Paulo, instalado solenemente em 8 de junho de 1891.
Em 1894, o paulista de Itu Prudente de Morais, um dos membros do primeiro triunvirato que governara São Paulo, foi eleito Presidente da República, governando o Brasil até 1898 e sendo sucedido pelo também paulista Campos Sales (1898-1902), responsável por instaurar a política dos governadores, que consistia em uma articulação entre o governo federal e as oligarquias estaduais em troca de apoio político. São Paulo, assim, aproximou-se politicamente de sua vizinha Minas Gerais, maior colégio eleitoral do país na época, o que consolidou, nas décadas seguintes, a predominância dos dois estados na política nacional, dando origem à política do café com leite. A expressão faz referência à força econômica do café paulista e, de forma simbólica, à produção leiteira mineira.

Em 1902, outro paulista assumiu a Presidência da República, Rodrigues Alves, que governara São Paulo entre 1887 e 1888, ainda como província de São Paulo e, após sua transformação em estado de São Paulo, de 1900 até 1902 e novamente de 1912 a 1916. Em 1906, diante da crescente produção de café, principal produto de exportação brasileiro naquele período, e da queda de seu preço no mercado internacional, os presidentes estaduais de São Paulo (Jorge Tibiriçá), Rio de Janeiro (Nilo Peçanha) e Minas Gerais (Francisco Antônio de Sales) assinaram, na cidade paulista de Taubaté, um convênio que estabelecia uma política de valorização do produto. Dois anos depois, em 18 de junho de 1908, o navio Kasato Maru chegou ao porto de Santos, marcando o início da imigração japonesa no Brasil.


De 1916 a 1920, assumiu a presidência do estado Altino Arantes, que governou durante parte da Primeira Guerra Mundial e enfrentou a greve geral de 1917, a pandemia de gripe espanhola e a grande geada de 1918 e uma invasão de gafanhotos no interior paulista. Também em 1918, o ex-presidente Rodrigues Alves foi eleito Presidente da República, mas não tomou posse devido à gripe espanhola que contraiu, vindo a falecer em janeiro de 1919. Arantes foi sucedido por Washington Luís, que governou São Paulo de 1920 a 1924 e chegou à Presidência da República em 1926. Em 1922, ano das comemorações do centenário da independência do Brasil, ocorreram a inauguração do Monumento à Independência (ainda inacabado), na capital, como também da Bolsa Oficial de Café e do Monumento dos Andradas na Praça da Independência, em Santos.
No início da presidência de Carlos de Campos (1924-1927), ocorreu em São Paulo, tanto na capital quanto no interior, a Revolta Paulista de 1924, durante 23 dias, no qual aconteceram destruições, depredações e bombardeios por parte do governo federal. A revolta tinha como objetivo derrubar o governo do presidente brasileiro Artur Bernardes, exigindo sua renúncia. Os rebeldes foram derrotados e rumaram para o Paraná, onde se uniram a militares gaúchos e formaram a coluna Miguel Costa-Prestes.
Em março de 1930, o presidente de São Paulo, Júlio Prestes, foi eleito Presidente da República, mas não tomou posse, impedido pela Revolução de 1930. O movimento também derrubou o governo de Washington Luís, poucos dias antes do término do mandato, como também pôs ao fim aos sucessivos governos do PRP, partido que governou São Paulo durante a maioria da República Velha.

Após a revolução de 1930, com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, São Paulo passou a ser governado por interventores federais nomeados pelo novo presidente e logo se revoltou com essa situação, desencadeando a Revolução Constitucionalista a partir de 9 de julho de 1932, à qual também aderiram forças do sul de Mato Grosso, atual Mato Grosso do Sul. Governava São Paulo o interventor Pedro de Toledo, deposto com o fim do movimento em 2 de outubro seguinte. Apesar da derrota dos paulistas, uma de suas principais reivindicações prosperou: Vargas convocou eleições para uma Assembleia Constituinte em 1933 e uma nova Constituição foi promulgada em 1934, ano em que foi criada a Universidade de São Paulo (USP). Em 9 de julho de 1935, a ALESP promulgou a nova constituição estadual. Até abril de 1938, o estado foi governado por dezesseis interventores federais.
Em 1939, durante a interventoria de Ademar de Barros (1938-1941), foi iniciada a construção do Edifício Altino Arantes, projetado para ser a sede do Banco do Estado de São Paulo (BANESPA), e da rodovia Anchieta (SP-150), que faz a ligação entre a capital paulista e a Baixada Santista. No ano seguinte, teve início a construção da rodovia Anhanguera, inicialmente ligando a cidade de São Paulo a Jundiaí. Outra realização de Ademar foi a retificação do leito do rio Tietê. Após ter sua pedra fundamental lançada em 1938, em 1944 foi inaugurado o Hospital das Clínicas da USP pelo sucessor de Ademar, Fernando de Sousa Costa (1941-1945). Em 1946,foi adotada a atual bandeira estadual.
Em 1947, São Paulo voltou a eleger seus governadores de forma direta, sendo vencedor o ex-interventor Ademar de Barros. Em sua nova passagem pelo executivo paulista, concluiu obras que iniciara ainda no período de interventor, como o Edifício Altino Arantes (1947) e as primeiras pistas das rodovias Anchieta (1947) e Anhanguera (1948). Nas eleições de 1950, Ademar conseguiu eleger Lucas Garcez (1951-1955) como seu sucessor, mas os dois romperam politicamente em 1953, ano em que foi inaugurada a segunda pista da Anhanguera, a primeira rodovia duplicada do Brasil. Na segunda metade daquela década, quando Juscelino Kubitschek ocupava o cargo de presidente do Brasil (1956-1961), foram lançadas as bases da indústria automotiva na região do Grande ABC, que se transformaria no maior aglomerado industrial da América Latina.
Garcez foi sucedido por Jânio Quadros que, após ter sido prefeito da capital (1953-1954), governou o estado entre 1955 e 1959, quando passou o governo para Carvalho Pinto (1959-1963). Em sua gestão, iniciou a construção de várias usinas hidrelétricas e, no final de 1962, criou a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Ademar de Barros voltou a governar São Paulo em 1963, tendo transferido a sede do governo paulista do Palácio dos Campos Elíseos para o Palácio dos Bandeirantes em 22 de abril de 1965.

Em março de 1964, ocorre a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, primeiramente na capital no dia 19 e, cinco dias depois, em Santos. A marcha protestava contra o governo de João Goulart, visando destituí-lo do poder, o que se concretizaria dias depois com a eclosão de um golpe militar, que resultou na instauração de uma ditadura. O governador Ademar de Barros, inicialmente aliado do novo regime, foi mantido no cargo, mas depois rompeu com o governo federal, sendo, em 6 de junho de 1966, cassado pela ditadura, tendo seus direitos políticos suspensos por dez anos e exilando-se em Paris, na França, onde viveu até sua morte em 1969. Antes, em 25 de janeiro de 1968, a sede do legislativo estadual se muda para sua atual sede, o Palácio 9 de Julho.
Com a cassação de Ademar, seu vice, Laudo Natel, completou o mandato, que se encerrou em 31 de janeiro de 1967, com a posse de Abreu Sodré, eleito pela Assembleia Legislativa ainda em 1966. Sodré governou até 1971, quando o ex-governador Laudo Natel voltou ao governo paulista pelos quatro anos seguintes, período este que coincidiu com a fase mais dura da ditadura militar.
A partir da década de 1970, sob a atuação e o planejamento do Estado, intensificou-se em São Paulo um processo de relativa desconcentração industrial na capital e área metropolitana, caracterizado pela expansão das atividades produtivas em direção ao interior paulista, com vários segmentos industriais deslocando-se para as regiões de Campinas, Vale do Paraíba, Baixada Santista, Sorocaba, Ribeirão Preto e outras regiões paulistas ou até mesmo para fora do estado. Esse processo foi favorecido pela ampliação da infraestrutura de transportes, sobretudo pela expansão e modernização da malha rodoviária paulista, e esteve associado ao avanço da urbanização, que se intensificou especialmente ao longo da década de 1980.
Durante o governo de Paulo Egydio Martins (1975-1979), foi criada a Universidade Estadual Paulista (UNESP) e inaugurada a primeira pista da rodovia dos Imigrantes, ambas no ano de 1976, como também a rodovia dos Bandeirantes, em 1978. Neste último ano eclodiu, no ABC Paulista, a greve dos metalúrgicos, que continuaria nos dois anos seguintes. Ainda em 1978, a Assembleia Legislativa elegeu Paulo Maluf governador de São Paulo e José Maria Marin como vice, tendo este assumido o governo em 1982 com a saída do seu titular para concorrer à Câmara dos Deputados.
O ano de 1982 também foi marcado pela volta das eleições diretas para governador, ocasião na qual saiu vitorioso o candidato André Franco Montoro, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), um dos líderes do processo de redemocratização do Brasil nos anos 1980. Durante sua administração, houve investimentos em infraestrutura de transportes, com a pavimentação de estradas vicinais, modernização ferroviária e hidroviária e avanço das obras da hidrovia Tietê–Paraná, favorecendo o escoamento da produção agrícola e a integração econômica do estado.
Após ter se iniciado em Pernambuco em 1983, o movimento Diretas Já, que reivindicava a volta das eleições diretas para Presidente da República, chegou a São Paulo ainda naquele ano, em 27 de novembro, em frente ao estádio do Pacaembu. No ano seguinte, a mobilização ganhou maior dimensão, com manifestações nos dias 25 de janeiro, na Praça da Sé, e 16 de abril, quando ocorreu uma grande passeata desde a Praça da Sé até o Vale do Anhangabaú. Em 20 de janeiro de 1985, foi inaugurado o Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos, construído com o intuito de desafogar o tráfego no Aeroporto de Congonhas.
Com a redemocratização do Brasil, Franco Montoro permaneceu no governo paulista até 15 de março de 1987, quando assumiu Orestes Quércia (1987-1991), do PMDB, eleito em 1986 e vice de Franco em 1982. Em 5 de outubro de 1989, foi promulgada a atual Constituição paulista e, no ano seguinte, Quércia conseguiu eleger Fleury Filho, também do PMDB, como seu sucessor no governo paulista.

Na eleição de 1994, venceu Mário Covas, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), partido que governaria São Paulo quase ininterruptamente de 1995 a 2022. Covas criou o Programa Estadual de Desestatização, que privatizou várias empresas estatais, e foi reeleito em 1998, vindo a falecer durante o seu segundo mandato, em 6 de março de 2001, em decorrência de falência múltipla dos órgãos. O vice, Geraldo Alckmin, assumiu em seu lugar e governou São Paulo até 2006, após ser reeleito em 2002, e novamente entre 2011 e 2018. Também governaram São Paulo, entre 2006 e 2010, Cláudio Lembo (2006), vice-governador que assumiu com a renúncia de Alckmin, José Serra (2007-2010) e Alberto Goldman (2010).
Em 2014, São Paulo registrou sua pior seca desde 1964, levando várias cidades do estado à crise hídrica. Entre 2020 e 2022, São Paulo seria afetado pela pandemia de COVID-19, que deixou mais de 175 mil mortos no estado. Governava o estado João Doria (2019-2022), sucedido por Rodrigo Garcia (2022) e este por Tarcísio de Freitas, do Republicanos, encerrando assim o ciclo do PSDB em São Paulo após 28 anos. Tarcísio seria eleito em 2022 em segundo turno, com a maior votação da história do estado, recorde superado com sua reeleição em 2026 em primeiro turno.

São Paulo é uma das 27 unidades federativas do Brasil, localizado a sudoeste da região Sudeste. Com grande parte de seu território acima do Trópico de Capricórnio, ocupa uma área de 248 222 km², sendo a décima segunda unidade da federação em área do Brasil (2,917% do território nacional) e a segunda do Sudeste, depois de Minas Gerais.
Banhado pelo Oceano Atlântico, limita-se com os estados de Minas Gerais a norte e nordeste, Paraná a sul, Rio de Janeiro a leste e Mato Grosso do Sul a oeste, tendo 3 671 km de linha divisória. A distância linear entre os seus pontos extremos norte e sul é de 611 km e 923 km de leste a oeste. São Paulo segue o horário de Brasília, que é três horas atrasado em relação ao Meridiano de Greenwich.



São Paulo apresenta um relevo relativamente elevado, possuindo 85% de sua superfície na faixa de 300 a 900 m de altitude, 8% abaixo dos 300 m e os 7% restantes acima de 900 m. Seu ponto culminante é a Pedra da Mina, na Serra da Mantiqueira, cujo pico está a 2 798 m de altitude, um dos cinco mais altos do Brasil. Por outro lado, Campos do Jordão é o município cuja sede municipal é a mais alta do Brasil, com altitude de mais de 1 600 m.
O território paulista está localizado majoritariamente sobre um grande planalto que se estende por cerca de 600 km na direção sudeste-noroeste, em cuja porção leste é delimitado por uma estreita faixa de planície costeira, que é cortada por uma escarpa íngreme conhecida como Serra do Mar, com altitudes que variam entre 800 e 1100 metros. O relevo do estado é em cinco principais áreas: a planície litorânea, a Serra do Mar, o planalto cristalino, a depressão periférica e o planalto ocidental.
A planície litorânea possui dimensões variadas, estreitando-se ao norte de Santos, onde a Serra do Mar quase atinge o oceano, e aumentando progressivamente sua extensão conforme se aproxima do Vale do Ribeira, onde alcança 60 km de largura. Essa unidade de relevo é formada por baixadas fluviomarinhas recentes, resultantes da sedimentação que preencheu antigos golfões. A região da Baixada Santista é marcada por um complexo sistema de canais e ilhas, como a de São Vicente e a de Santo Amaro.
A Serra do Mar forma o rebordo oriental do planalto paulista. Na divisa com o Rio de Janeiro até Santos, apresenta-se como uma escarpa contínua e elevada e de Santos até a divisa com o Paraná possui uma forma sucessões de vales estreitos e cristas, moldadas pela erosão fluvial, especialmente do rio Ribeira de Iguape e seus afluentes. O Planalto Cristalino, constituído de rochas cristalinas como gnaisse e granitos, está no sudeste do estado e exibe colinas de declividade suave e vales amplos. Possui altitudes médias que variam dos 700 a 2000 m. Destacam-se, nessa região, a Serra da Mantiqueira, que demarca o sul da divisa com Minas Gerais, e o Vale do Paraíba, depressão alongada entre as serras do Mar e da Mantiqueira ao longo do rio Paraíba do Sul.
A depressão periférica estende-se em arco a oeste do planalto cristalino, situando-se cerca de 200 metros abaixo do nível geral dos planaltos adjacentes, expondo formações sedimentares paleozoicas, mais vulneráveis à erosão. A oeste dessa depressão, soergue-se a serra Geral, escarpa basáltica de cerca de 200 metros, que constitui o rebordo oriental do planalto ocidental paulista.
O planalto ocidental ocupa aproximadamente metade do território do estado e apresenta inclinação suave para o oeste, com altitudes que decrescem de aproximadamente 700 metros para 300 metros. É caracterizado por ser uma extensa cuesta, formada por camadas basálticas intercaladas com arenitos. A rede hidrográfica, composta por afluentes da margem esquerda do rio Paraná, molda profundamente o planalto, dividindo-o em espigões orientados predominantemente no sentido sudeste–noroeste.
A depressão periférica, o planalto ocidental e as cuestas formam a Bacia Sedimentar do Paraná, que possui solos basálticos, latossólicos, terras roxas e podzólicos. O Planalto Atlântico é formado por cambissolos, latossolos, neossolos litólicos e solos podzólicos.

São Paulo possui seu território dividido em 21 bacias hidrográficas, inseridas em três regiões hidrográficas, sendo a maior delas a do Paraná, que cobre grande parte do território estadual. Destaca-se o Rio Grande, que nasce em Minas Gerais e separa este de São Paulo ao norte e, ao se juntar com o Rio Paranaíba, forma o Rio Paraná, que separa São Paulo de Mato Grosso do Sul.
Dois importantes rios paulistas, afluentes da margem esquerda do Rio Paraná, são o Paranapanema, com 930 km de extensão e um divisor natural entre São Paulo e Paraná na maior parte do seu curso, e o Tietê, maior rio totalmente paulista, que possui uma extensão de 1 136 km e percorre o território estadual de sudeste a noroeste, desde sua nascente, em Salesópolis, até a foz, entre os municípios de Castilho e Itapura.

A região hidrográfica do Atlântico Sudeste compreende, em geral, apenas pequenos rios que descem da vertente da Serra do Mar e atravessam a planície litorânea em direção ao Atlântico. O rio Paraíba do Sul, formado pela junção dos rios Paraitinga e Paraibuna, é o maior e mais importante deles, com 1 150 km de extensão, cruzando a região do Vale do Paraíba Paulista e penetrando no estado do Rio de Janeiro, onde se situa a maior parte de seu curso.
O extremo sul paulista, na divisa com o estado do Paraná, está inserido na região hidrográfica do Atlântico Sul, sendo também formada por rios de pequeno porte que desembocam diretamente no oceano, sendo o rio Ribeira do Iguape, que dá nome ao Vale do Ribeira, o mais importante curso d'água desta região. Outros importantes rios paulistas são: Jacaré-Guaçu, Jacaré-Pepira, Moji-Guaçu, Pardo, do Peixe, Piracicaba e Turvo.

No estado de São Paulo, ocorrem sete tipos diferentes de clima. O clima tropical de altitude (Cwa, segundo a classificação climática de Köppen-Geiger) é o dominante nas regiões central, leste e oeste. Essa variação é caracterizada pelo inverno seco e ameno, com temperatura média inferior a 18 °C, e verão úmido e quente, com temperatura média superior a 18 °C. Nas regiões norte e noroeste paulista o clima se torna tropical de savana (Aw), com invernos amenos e secos e verões quentes e úmidos, porém a temperatura média do mês mais frio é superior a 18 °C. Enquanto isso, no sul e sudoeste do estado há dominância do clima subtropical (Cfa), com invernos frios, verões quentes e o mês mais seco com precipitação média acima de 30 mm.
Nas áreas serranas, como as serras da Mantiqueira e do Mar, faz-se presente o clima subtropical de altitude (Cwb), com invernos secos, verões úmidos e temperaturas amenas. A média do mês mais quente é menor do que 22 °C. Nas áreas serranas mais elevadas, a exemplo de Campos do Jordão, é encontrado o clima temperado (Cfb), tendo como características invernos frios, verões amenos e chuvas bem distribuídas na maior parte do ano. As geadas são relativamente mais intensas e comuns nesses pontos. No litoral predomina o tipo climático Af, com ausência de estação seca, tão úmido quanto o clima equatorial amazônico, e temperatura média do mês mais frio superior a 18 °C. Por fim, o clima tropical de monção (Am) é registrado em pontos isolados do sul paulista, diferenciando-se do clima tropical equatorial principalmente por possuir uma curta estação seca.

São Paulo sofre influência de frentes frias durante todo o ano, sendo que no inverno esses sistemas são os principais responsáveis pela precipitação e queda de temperatura. Contudo, a influência de sistemas de alta pressão dificulta a ocorrência de chuva nas áreas interioranas no inverno, caracterizando a estação seca na maior parte do estado. Entre a primavera e o verão ocorre o enfraquecimento desses sistemas, o que favorece a penetração da umidade oriunda da Amazônia. As condições úmidas, em associação à elevação das temperaturas, propiciam a formação de instabilidade e chuva. Assim, ocorre maior organização de convecção tropical, ao mesmo tempo que a umidade trazida pelas frentes frias também consegue atuar com maior intensidade, configurando a estação chuvosa. A época de chuvas intensas e de curta duração (apelidadas de "chuvas de verão") no estado de São Paulo começa por volta do mês de setembro e se estende até abril.
Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a menor temperatura registrada no estado de São Paulo foi de −7,3 °C em 1.º de junho de 1979, na cidade de Campos do Jordão, e a maior atingiu 43,5 °C em Lins na tarde do dia 7 de outubro de 2020, superando os 43 °C de máxima registrados em Iguape no dia 3 de fevereiro de 1933.

São Paulo possui seu território inserido, em sua maior parte, no bioma da Mata Atlântica, cuja formação inicial cobria pouco mais de dois terços do território paulista e hoje se encontra apenas espalhada em vários fragmentos, restando hoje 32,6% dos remanescentes originais, a maior parte nas encostas da Serra do Mar. No bioma do cerrado, típico de áreas do centro-oeste paulista, este número é ainda menor, de apenas 3%. No litoral existem pequenas áreas de dunas, com espécies vegetais adaptadas ao calor e à salinidade, além das restingas e dos manguezais, este último na foz dos rios. Por se situar no encontro das zonas tropical e temperada do planeta, São Paulo possui sua fauna e flora constituídas por espécies de regiões tanto tropicais quanto subtropicais, parte delas endêmicas.
Em 2020, apenas 22,9% do território paulista, ou 5 670 532 hectares (ha), eram cobertos por vegetação nativa, tanto intocadas quanto em estágio de regeneração. Nesse mesmo ano, São Paulo possuía 102 unidades de conservação de caráter estadual e mais treze federais, dentre áreas de proteção ambiental e de relevante interesse ecológico, estações ecológicas, florestas e parques nacionais e estaduais, refúgios de vida silvestre, reservas extrativistas e de desenvolvimento sustentável e ainda as reservas particulares de patrimônio natural (RPPN).
A abertura de áreas para a agricultura, em especial durante a expansão cafeeira em direção ao oeste nos séculos XIX e XX, além da formação de paisagens artificiais e o uso da madeira como combustível ou matéria-prima, levaram a uma quase completa devastação da cobertura vegetal primitiva do estado de São Paulo e, por consequência, algumas espécies se tornaram ameaçadas de extinção. Além da perda de biodiversidade, São Paulo também sofre de outros problemas ambientais crônicos, como a introdução de espécies exóticas invasoras, a poluição do ar provocada pelos automóveis e indústrias e a poluição hídrica, com o lançamento de dejetos nos corpos hídricos sem tratamento.
| Crescimento populacional | |||
|---|---|---|---|
| Censo | Pop. | %± | |
| 1872 | 837 354 | ||
| 1890 | 1 384 753 | 65,4% | |
| 1900 | 2 282 279 | 64,8% | |
| 1920 | 4 592 188 | 101,2% | |
| 1940 | 7 180 316 | 56,4% | |
| 1950 | 9 134 423 | 27,2% | |
| 1960 | 12 974 699 | 42,0% | |
| 1970 | 17 958 693 | 38,4% | |
| 1980 | 25 375 199 | 41,3% | |
| 1991 | 31 546 473 | 24,3% | |
| 2000 | 36 969 476 | 17,2% | |
| 2010 | 41 262 199 | 11,6% | |
| 2022 | 44 411 238 | 7,6% | |
| Fonte: IBGE | |||
Segundo o censo demográfico de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), São Paulo é a unidade federativa mais populosa do Brasil, com 44 411 238 habitantes (21,8% da população brasileira), apresentando crescimento de aproximadamente 7,65% em relação ao censo de 2010. Sua densidade demográfica, em 2022, era de 178,92 habitantes por quilômetro quadrado (hab/km²).
São Paulo, a capital, é o município mais populoso, concentrando 25,7% da população estadual e 5,64% da população do Brasil, com 11 451 999 habitantes e uma densidade de 7 528,26 km². O estado possui ainda os dois únicos municípios não capitais mais populosos do país acima de um milhão de habitantes, Guarulhos e Campinas. Por outro lado, Borá era o município paulista menos populoso, com apenas 907 habitantes e 7,62 hab.km², enquanto a menor densidade era verificada em Iporanga, com apenas 3,51 hab./km².
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado de São Paulo é considerado muito alto conforme dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Em 2024, o seu valor era 0,838, estando na segunda colocação a nível nacional (a primeira considerando os estados), depois do Distrito Federal (0,850), e na primeira a nível regional. Considerando-se o índice de longevidade, seu valor é de 0,854 (1.º), o valor do índice de educação é 0,828 (2.º) e o de renda 0,796 (5.º).
Em São Paulo se situam 59 dos cem municípios com o melhor IDH a nível nacional, inclusive os dois primeiros colocados: São Caetano do Sul (0,862) e Águas de São Pedro (0,854), e Santos em 6.º, segundo dados do último Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil, divulgado em 2013 com dados referentes a 2010. Por outro lado, o município com o menor IDH a nível estadual (e na 3312.ª colocação no país) era Ribeirão Branco (0,639), no Vale do Ribeira, a região mais pobre do estado de São Paulo, com indicadores sociais inferiores às médias estaduais.

A distribuição da população paulista apresenta forte concentração nas áreas metropolitanas e nos principais centros urbanos do interior. A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), também conhecida como Grande São Paulo, foi instituída pela lei complementar federal nº 14 de 1973 e é formada por 39 municípios paulistas, alguns deles conurbados com a cidade-núcleo, São Paulo, formando uma grande mancha urbana contínua. É a região metropolitana mais populosa do Brasil e uma das maiores do mundo. Dos seis municípios brasileiros com maior densidade demográfica, cinco deles estão na RMSP: Taboão da Serra (13 416,81 hab/km²), Diadema (12 795,69 hab/km²), Osasco (11 217,4 hab/km²), Carapicuíba (11 201,99 hab/km²) e São Caetano do Sul (11 805,23 hab/km²).
Posteriormente, por leis complementares estaduais, foram criadas as regiões metropolitanas da Baixada Santista (1996), a primeira do país fora das capitais; Campinas (2000); Vale do Paraíba e Litoral Norte (2012); Sorocaba (2014); Ribeirão Preto (2016); Piracicaba (2021), Jundiaí (2021) e São José do Rio Preto (2021). Também existe, sem o status de região metropolitana, a Aglomeração Urbana de Franca (2018). Com exceção de Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, as demais formam, junto com a Grande São Paulo, a Macrometrópole Paulista, também conhecida como Complexo Metropolitano Expandido, que engloba 174 municípios (incluindo também a região de Bragança Paulista) e uma população superior a 33 milhões de habitantes.
| Concentrações urbanas mais populosas de São Paulo Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) | |||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
São Paulo Campinas | |||||||||||
| Posição | Localidade | Pop. | Posição | Localidade | Pop. | ||||||
| 1 | São Paulo | 20 673 280 | 11 | Franca | 397 769 | ||||||
| 2 | Campinas | 2 093 118 | 12 | Bauru | 394 254 | ||||||
| 3 | Baixada Santista | 1 672 991 | 13 | Presidente Prudente | 357 402 | ||||||
| 4 | São José dos Campos | 1 589 875 | 14 | Caraguatatuba–Ubatuba–São Sebastião | 344 383 | ||||||
| 5 | Sorocaba | 945 097 | 15 | Limeira | 313 836 | ||||||
| 6 | Ribeirão Preto | 861 177 | 16 | Itu–Salto | 302 559 | ||||||
| 7 | Jundiaí | 843 633 | 17 | Araraquara | 296 196 | ||||||
| 8 | São José do Rio Preto | 660 744 | 18 | São Carlos | 287 035 | ||||||
| 9 | Americana–Santa Bárbara d'Oeste | 482 606 | 19 | Mogi Guaçu–Mogi Mirim | 257 511 | ||||||
| 10 | Piracicaba | 478 347 | 20 | Indaiatuba | 255 739 | ||||||

A composição étnica da população do estado de São Paulo foi influenciada pela presença dos povos indígenas, pela colonização europeia, pela escravização de africanos e pelos movimentos migratórios internos. Desde o século XVI, a ocupação do território paulista envolveu populações de diferentes origens, que participaram da expansão demográfica e econômica em direção ao interior do estado. A mão de obra indígena desempenhou papel importante nas atividades agrícolas durante o século XVII, enquanto a presença africana tornou-se mais significativa ao longo do século XVIII, acompanhando a expansão das atividades econômicas.
A imigração internacional exerceu papel importante na formação étnica da população paulista, especialmente entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX. Nesse período, o estado recebeu imigrantes de diferentes nacionalidades, destacando-se italianos, portugueses, espanhóis, japoneses e alemães, além de sírios, libaneses e outros grupos. Esses imigrantes estabeleceram-se tanto nas áreas rurais quanto nos centros urbanos.
A migração interna também desempenhou papel importante na formação demográfica e cultural da população paulista, especialmente ao longo do século XX. O estado recebeu migrantes provenientes de diferentes regiões brasileiras, sobretudo do norte de Minas Gerais e do Nordeste brasileiro. Entre as décadas de 1930 e 1950, a chegada desses trabalhadores foi favorecida por políticas de recrutamento. Conforme pesquisa de autodeclaração do censo de 2022, 57,78% da população paulista declarou-se branca, 32,96% parda, 7,99% preta, 1,16% amarela e 0,11% indígena e 0,01% não declarou. O município com maior percentual de brancos é Águas de São Pedro, com 80%; Itaoca, no Vale do Ribeira, é o mais pardo (62,89%); Iporanga, também no Vale do Ribeira, possui o mais percentual de pretos (16,26%); a maior concentração de amarelos está em Bastos (10,33%), enquanto Avaí é o município mais indígena de São Paulo (15,06%).
Ainda segundo o mesmo censo, da população com idade igual ou superior a dez anos, 52,24% eram católicos apostólicos romanos, 27,33% evangélicos, 10,46% não tinham religião, 2,90% eram espíritas, 1,47% umbandistas e/ou candomblecistas e 0,03% adeptos de tradições indígenas. Outras denominações totalizavam 5,4% e 0,18% não declarou ou não sabiam sua religião. Dentre os municípios, Lagoinha, no Vale do Paraíba, é o mais católico (85,57% dos habitantes com dez anos ou mais), enquanto Torre de Pedra é o mais evangélico (59,43%). O maior percentual de pessoas sem religião era verificado em Balbinos (29,53%).

A presença da Igreja Católica no território paulista remonta ao século XVI, durante a colonização portuguesa. Em 25 de janeiro de 1554, missionários da Companhia de Jesus estabeleceram o colégio religioso que deu origem ao povoamento de São Paulo de Piratininga, atual cidade de São Paulo.
Inicialmente, São Paulo esteve subordinado à administração eclesiástica de Salvador, criada em 1551 e, a partir de 1575, ao vicariato do Rio de Janeiro, transformada em diocese em 1676. Somente em 6 de dezembro de 1745, o Papa Bento XIV criou a primeira diocese paulista, como sede na cidade de São Paulo, por meio da bula Candor Lucis Aeternae, desmembrando-a do Rio de Janeiro. A nova diocese compreendia um vasto território, que ultrapassava os limites do atual estado de São Paulo, estendendo-se desde o sul de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul.
Em 7 de junho de 1908, a Diocese de São Paulo foi elevada à dignidade de arquidiocese metropolitana e seu território foi dividido em cinco novas dioceses: Botucatu, Campinas, Ribeirão Preto, São Carlos e Taubaté. Em 1924, foram criadas as dioceses de Santos e Sorocaba, seguidas por Bragança Paulista (1925), Lins (1926) e Assis (1928). Em 1929, surgiram as dioceses de Jaboticabal e São José do Rio Preto. Nas décadas seguintes, foram criadas as dioceses de Lorena (1937), Piracicaba (1944), Marília (1952) e Santo André (1954).

Em 1958, as dioceses de Botucatu, Campinas e Ribeirão Preto foram elevadas a arquidioceses metropolitanas, enquanto a Arquidiocese de Aparecida foi criada, formando novas províncias eclesiásticas. A expansão prosseguiu com a criação das dioceses de Jales (1959), Presidente Prudente (1960), São João da Boa Vista (1960), Mogi das Cruzes (1962), Bauru (1964), Jundiaí (1966) e Itapeva (1968).
Na década de 1970, surgiram as dioceses de Franca (1971), Barretos (1973), Registro (1974) e Limeira (1976). Durante a década de 1980, foram criadas as dioceses de Guarulhos e São José dos Campos (1981) e, em 1989, foi a vez de Campo Limpo, Osasco, Santo Amaro e São Miguel Paulista. Em 1992, Sorocaba tornou-se arquidiocese metropolitana e, ainda na mesma década, foram instituídas as dioceses de Araçatuba (1994), Amparo (1997), Itapetininga (1998), Ourinhos (1998) e Caraguatatuba (1999).
No século XXI, foram criadas a Diocese de Catanduva (2000), a Diocese de Votuporanga (2016) e a Diocese de Jaú (2024). Em 2025, a diocese de São José do Rio Preto fora elevada à dignidade de arquidiocese, a sétima do estado. Todo o território paulista pertence ao Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Historicamente, o estado de São Paulo já esteve entre os mais violentos do Brasil, especialmente durante a década de 1990. De acordo com o Mapa da Violência 2011, em 1998 o estado ocupava a 5ª posição nacional em taxas de homicídios, com 39,7 mortes por 100 mil habitantes. Entretanto, ao longo dos anos seguintes, apresentou uma redução significativa, passando para a 25ª posição em 2008, quando a taxa caiu para 14,9 homicídios por 100 mil, representando uma diminuição de 62,4% no período.
Essa tendência de redução também pode ser observada nos indicadores mais recentes. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, São Paulo registrou, em 2025, uma taxa de 7,8 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, a segunda menor do país, depois de Santa Catarina. Os municípios com as maiores taxas de violência letal eram Rio Claro e Caraguatatuba, ambos com 17,6 mortes por 100 mil habitantes, seguido por Araçatuba (15,8 por 100 mil), Pindamonhangaba (15,6), Caçapava (15), Votuporanga (14,9), Itapecerica da Serra (12,3), Itapevi (12,3), Bauru (12,2) e Itaquaquecetuba (11,7).

Apesar desses avanços, o estado ainda enfrenta desafios relacionados à criminalidade, especialmente aos crimes contra o patrimônio. Em 2025, São Paulo liderou o país em números absolutos de roubos e furtos de celulares, com mais de 250 mil ocorrências, embora tenha apresentado uma redução de 6,2% em comparação ao ano anterior.
Outro desafio para a segurança pública paulista é a presença de organizações criminosas, especialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior facção criminosa do Brasil. Criado em 1993, no sistema prisional paulista, o PCC expandiu sua atuação para diferentes regiões do país e até mesmo para o exterior, envolvendo-se principalmente com o tráfico de drogas, o comércio de armas de fogo e outras atividades criminosas.
A superlotação do sistema penitenciário é mais um desafio para a segurança pública. Em julho de 2026, São Paulo possuía cerca de 229,4 mil pessoas privadas de liberdade, enquanto a capacidade de seu sistema prisional era de cerca de 153,9 mil vagas, resultando em um déficit superior a 75 mil vagas. Ademais, 74% das unidades prisionais operavam acima de sua capacidade.

De acordo com a constituição do estado de São Paulo, promulgada em 5 de outubro de 1989 e alterada por posteriores emendas constitucionais, são poderes do estado, independentes e harmônicos entre si, o executivo, o legislativo e o judiciário. São símbolos oficiais do estado a bandeira, o brasão e o hino.
O poder executivo paulista é exercido pelo governador, que é eleito em sufrágio universal pelo voto direto e popular para um mandato de quatro anos, podendo ser reeleito para mais um mandato. Sua sede é o Palácio dos Bandeirantes, que abriga o governo paulista desde 19 de abril de 1964, quando substituiu o Palácio dos Campos Elíseos.
O poder legislativo é unicameral, constituído pela assembleia legislativa, localizada no Palácio 9 de Julho e constituída por 94 deputados estaduais. No Congresso Nacional, São Paulo possui a maior representação dentre as unidades federativas do Brasil, com setenta deputados federais, além de três senadores.
O poder judiciário tem como instância máxima o tribunal de justiça, localizado no Palácio da Justiça, composto por desembargadores. Representações deste poder estão espalhadas por todo o território estadual através de comarcas. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), São Paulo possui o maior colégio eleitoral do Brasil, com mais de 33 milhões de eleitores, ou aproximadamente 22% do eleitorado brasileiro.
Depois de Minas Gerais, São Paulo é o estado brasileiro com mais municípios, totalizando 645, a grande maioria deles criados por desmembramento, sendo os mais recentes criados pela lei estadual 9 330, de 27 de dezembro de 1995, e instalados oficialmente em 1997. Iguape, no litoral sul do estado, é o maior município paulista em extensão territorial, e Águas de São Pedro, enclave de São Pedro, o menor.
Desde 1970, por sucessivas leis estaduais, foram criadas e alteradas regiões administrativas e regiões de governo, estabelecidas com o objetivo de centralizar as atividades das secretarias estaduais. Para fins estatísticos, os municípios são agrupados pelo IBGE em regiões geográficas imediatas. O território estadual é dividido em 53 regiões imediatas. As regiões imediatas, por sua vez, são agrupadas em onze regiões geográficas intermediárias.


A economia do estado de São Paulo é a maior entre as unidades federativas do Brasil, equivalente a 31,5% do PIB nacional em 2023, caracterizada pela diversificação das atividades produtivas nos setores agropecuário, industrial, comercial e de serviços.
A formação dessa estrutura econômica está historicamente relacionada à expansão da cafeicultura, à implantação das ferrovias, à imigração e ao desenvolvimento industrial, especialmente a partir do final do século XIX. A produção cafeeira, inicialmente concentrada no Vale do Paraíba, expandiu-se para o interior, favorecida pelas melhorias na infraestrutura de transportes e pelo crescimento do mercado externo. Posteriormente, a imigração e a ampliação do mercado consumidor contribuíram para o desenvolvimento das primeiras indústrias, cuja expansão se intensificou após a crise econômica de 1929.
Atualmente, São Paulo concentra o maior parque industrial do país, além de apresentar expressiva produção agropecuária e um setor terciário diversificado, que abrange comércio, transportes, tecnologia, serviços especializados e atividades financeiras. A cidade de São Paulo, capital estadual, constitui o principal centro econômico e financeiro do Brasil, reunindo sedes de grandes empresas, instituições bancárias e a B3, a segunda maior bolsa de valores do mundo, em valor de mercado.

O agronegócio do estado de São Paulo constitui um dos segmentos da economia paulista, com atuação voltada tanto ao abastecimento interno quanto ao mercado externo. O setor é marcado pela diversidade produtiva, abrangendo cadeias como açúcar, etanol, café, frutas, carnes, soja, sucos e citricultura, diversificação que contribui para a capacidade de adaptação do agro paulista diante de oscilações do mercado internacional. Em 2023, o agronegócio paulista alcançou 609,7 bilhões de reais, correspondendo a 18,9% do PIB estadual, 5,6% do PIB brasileiro e 23,6% de todo o PIB nacional do agronegócio. A distribuição dessas atividades apresenta diferenças regionais, associadas às condições naturais, à infraestrutura produtiva e à especialização econômica. Em 2021, os municípios de Itapeva, Itatiba, Pedregulho, Mogi das Cruzes e Holambra apresentavam os maiores valores adicionados brutos da agropecuária no estado, segundo dados do IBGE.
São Paulo ocupa a liderança nacional na produção de frutas. Em 2020, foram produzidas aproximadamente 18,11 milhões de toneladas, volume equivalente a 34,76% da produção brasileira e superior a três vezes o registrado pela Bahia, segundo maior produtor do país, com pouco mais de 5 milhões de toneladas. O estado destaca-se como principal produtor nacional de frutas como laranja, com mais de 13,7 milhões de toneladas e 77,54% da produção nacional, além de limão, abacate, banana, caqui, figo e tangerina. Mesmo em culturas nas quais não lidera a produção brasileira, como cacau, goiaba, jabuticaba, manga, melancia, pêssego e uva, São Paulo mantém participação relevante, consolidando sua importância no setor agrícola do país. Também concentra parcela significativa da produção e exportação nacional de produtos como açúcar, etanol, suco de laranja, carnes, papel e celulose. Apresenta especialização produtiva em diferentes regiões, com destaque para a produção de cana-de-açúcar em áreas do interior paulista, café na região de Franca, banana na região de Santos, além da pecuária bovina, produção de ovos e de leite em diferentes polos regionais.
Os principais destinos das exportações do agronegócio paulista incluem China, países da União Europeia, Estados Unidos e Índia. Em 2025, a China manteve-se como o principal parceiro comercial do setor, concentrando cerca de 24% das exportações agropecuárias do estado e movimentando mais de 6,8 bilhões de dólares, valor 16,7% superior ao registrado no ano anterior. Na sequência apareceram os países da União Europeia, com 4,1 bilhões de dólares em importações, além dos Estados Unidos e da Índia. Entre os principais produtos exportados ao mercado chinês destacaram-se carnes, soja, produtos sucroalcooleiros e produtos florestais.



O setor secundário da economia paulista caracteriza-se pela diversificação das atividades industriais, compreendendo a indústria de transformação, a indústria extrativa, a construção civil e os serviços industriais de utilidade pública. Cinco segmentos respondem por mais da metade do PIB industrial paulista: produtos alimentícios, produtos químicos, derivados de petróleo, veículos automotores e máquinas e equipamentos.
A partir da década de 1970, a indústria paulista passou por um processo de desconcentração territorial, caracterizado pela redução da participação relativa da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) na produção industrial estadual e pela expansão das atividades industriais em municípios do interior. Entretanto, a desconcentração ocorreu de maneira seletiva, com a tendência de permanência das atividades industriais de maior intensidade tecnológica na RMSP, enquanto segmentos menos intensivos em tecnologia passaram a se deslocar para outras regiões. Esse movimento esteve associado a fatores como os custos de instalação e operação na metrópole, a ampliação da infraestrutura de transportes e a formação de novos polos industriais, especialmente nos eixos rodoviários que conectam a capital a Campinas, Sorocaba e São José dos Campos.
Entre 2003 e 2021, a participação da RMSP no valor da transformação industrial estadual diminuiu de 38,4% para 28,4%. Destacam-se as indústrias química, farmacêutica, de material de transporte, borracha e plástico e máquinas e equipamentos. No interior, as regiões de Campinas, Sorocaba e São José dos Campos apresentam forte presença das indústrias de material de transporte, química e de máquinas e equipamentos, enquanto a região de Santos concentra atividades relacionadas aos combustíveis, à química e à metalurgia. As regiões de Ribeirão Preto, Barretos, Bauru, Marília e São José do Rio Preto destacam-se pela indústria alimentícia e pela produção de biocombustíveis, ao passo que Franca e Presidente Prudente possuem atividades ligadas ao setor de couros e calçados.
A Região Administrativa Central, onde se localizam Araraquara e São Carlos, apresenta atividades nos setores alimentício, de máquinas e equipamentos, têxtil e de confecções, enquanto a região de Itapeva se destaca pelas indústrias alimentícia, de papel e celulose e de produtos minerais não metálicos. Outras especializações incluem as indústrias química e alimentícia na região de Registro e os setores alimentício, químico e de material de transporte na região de Araçatuba. Depois da capital, Paulínia possui o maior PIB industrial do estado, seguido por Guarulhos, São José dos Campos, São Bernardo do Campo e Cubatão.

O setor terciário constitui a principal atividade econômica do estado de São Paulo, abrangendo o comércio e uma ampla variedade de serviços, incluindo atividades financeiras, imobiliárias, profissionais, científicas e técnicas, transportes, armazenagem, informação e comunicação. A RMSP, especialmente a capital estadual, destaca-se pela concentração de serviços empresariais especializados e atividades financeiras, exercendo funções de gestão e comando econômico em escala nacional.
A distribuição territorial das atividades terciárias está relacionada à hierarquia da rede urbana paulista, na qual a capital exerce influência nacional e outros centros urbanos desempenham funções regionais. Segundo o IBGE, a capital paulista ocupa a categoria de Grande Metrópole Nacional, enquanto Campinas é classificada como metrópole. Além dos serviços tradicionais, as regiões metropolitanas paulistas apresentam atividades empresariais intensivas em conhecimento, relacionadas à inovação e à prestação de serviços especializados às empresas.
Entre os municípios paulistas, São Paulo, Guarulhos, Campinas, São Bernardo do Campo e Osasco destacam-se pelos maiores valores adicionados brutos do setor de serviços. No interior, além de Campinas, sobressaem Sorocaba, São José dos Campos e Ribeirão Preto.




O turismo no estado de São Paulo corresponde a quase 10% do PIB estadual e compreende diferentes modalidades, incluindo o turismo cultural, de negócios e eventos, religioso, rural, de natureza e de sol e praia. A atividade turística no estado de São Paulo apresenta distribuição regional diversificada, abrangendo a RMSP, o litoral e diferentes áreas do interior, onde o turismo se relaciona às características de cada região. A política estadual de turismo contempla a classificação de municípios como estâncias turísticas e municípios de interesse turístico, mediante critérios estabelecidos por lei.
Na RMSP, o turismo concentra-se especialmente na capital, que se destaca pelas atividades de negócios e eventos, associadas à realização de feiras comerciais, congressos e encontros profissionais. A cidade de São Paulo também reúne atrativos culturais, históricos e de lazer, incluindo museus, centros culturais e espaços urbanos utilizados na promoção turística. A capital paulista também é destaque no turismo gastronômico, depois de ter recebido o título de "Capital Mundial da Gastronomia" e apontada, em 2023, como um dos dez principais destinos gastronômicos do planeta. Outros municípios da RMSP com reconhecimento turístico estadual são as estâncias turísticas de Embu das Artes, Ribeirão Pires e Salesópolis, além dos municípios de interesse turístico de Guararema, Juquitiba, Mairiporã, Mogi das Cruzes, Pirapora do Bom Jesus, Poá, Santa Isabel e São Bernardo do Campo.
O litoral se constitui em uma importante área de turismo de sol e praia, abrangendo a Baixada Santista, o litoral norte e o litoral sul. Na Baixada Santista, a expansão do turismo de veraneio influenciou a ocupação territorial e a urbanização da faixa litorânea, contribuindo para a valorização imobiliária e a verticalização das áreas próximas às praias, enquanto no litoral norte a atividade turística está associada à valorização das praias e das paisagens naturais e à presença de áreas protegidas. No litoral sul, os municípios de Cananéia, Iguape e Ilha Comprida, situados no Vale do Ribeira, apresentam diversidade ecológica e cultural de interesse turístico.
No interior de São Paulo, o turismo apresenta diferentes modalidades, incluindo o turismo rural, cultural, religioso, gastronômico, de natureza e de aventura. No Vale do Paraíba, Aparecida destaca-se como destino de peregrinação religiosa, em razão do Santuário Nacional de Aparecida. Na Serra da Mantiqueira, municípios como Campos do Jordão, Santo Antônio do Pinhal e São Bento do Sapucaí (onde se localiza a Pedra do Baú) se destacam por atividades relacionadas ao lazer, ao turismo de natureza e à visitação de áreas serranas.
Na região central, Brotas destaca-se pelo ecoturismo e pelo turismo de aventura e ainda o turismo rural. No nordeste paulista, Ribeirão Preto destaca-se pelo turismo de negócios e eventos e pelo turismo de lazer, impulsionado pela importância regional do agronegócio, pela infraestrutura hoteleira e pela realização de feiras e congressos como a Agrishow, enquanto Batatais destaca-se pelo patrimônio histórico e artístico, especialmente pelas pinturas de Candido Portinari na Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus da Cana Verde. No noroeste, Olímpia constitui um destino turístico associado aos parques aquáticos e às águas termais, além de sediar um festival de folclore, realizado desde 1965. No oeste paulista, Presidente Epitácio, às margens do rio Paraná, destaca-se no turismo de pesca, enquanto Rancharia possui potencial para o ecoturismo. Em outras regiões do interior, as estâncias hidrominerais do Circuito das Águas Paulista, como Águas de Lindóia e Serra Negra, complementam a diversidade turística estadual, destacando-se pela tradição do turismo associado às águas minerais desde as décadas de 1930 e 1940.


A assistência à saúde no estado de São Paulo é realizada por uma rede de estabelecimentos públicos, filantrópicos e privados, que compreende unidades de atenção primária, serviços especializados, hospitais gerais e instituições de ensino e pesquisa. A constituição paulista estabelece, em seu artigo 219, que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Os poderes públicos estadual e municipais devem garantir o acesso universal e igualitário aos serviços de saúde, a assistência integral e a implementação de políticas sociais, econômicas e ambientais destinadas à promoção do bem-estar e à redução dos riscos de doenças. A Constituição também estabelece diretrizes para a organização do Sistema Único de Saúde (SUS) no território paulista, incluindo a descentralização administrativa, a municipalização dos serviços, a regionalização do atendimento e a gratuidade da assistência.
A organização regional dos serviços públicos de saúde no estado de São Paulo é realizada por meio de dezessete departamentos regionais de saúde (DRS), unidades administrativas vinculadas à Secretaria de Saúde, cuja estrutura foi estabelecida em 2006. Entre as atribuições dos departamentos estão o planejamento regional dos serviços de saúde, a articulação entre o governo estadual e os municípios, o acompanhamento de indicadores epidemiológicos, a avaliação da assistência prestada à população e o apoio à organização das redes de atendimento. Também lhes compete participar do planejamento dos investimentos em saúde, acompanhar a aplicação de recursos do SUS e promover ações de qualificação dos profissionais da área.
O estado de São Paulo abriga hospitais de referência nacional e internacional, distribuídos entre a capital e municípios do interior. Na cidade de São Paulo, destacam-se o Hospital Israelita Albert Einstein, o Hospital Sírio-Libanês, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o Hospital do Coração, o Hospital Santa Catarina Paulista e o Hospital de Clínicas da USP. Essas instituições figuraram entre os 250 hospitais mais bem classificados do mundo na edição de 2026 do ranking World's Best Hospitals, elaborado pela revista Newsweek. Também se destaca o Instituto Butantan, um destacado centro de pesquisa científica fundado em 1901 e o maior produtor de vacinas e soros da América Latina, sendo também o principal produtor de imunobiológicos do país.

No interior paulista, também se destacam instituições hospitalares reconhecidas em classificações nacionais, como o Centro Médico de Campinas e Hospital UNIMED, ambos em Campinas; o São Joaquim Hospital e Maternidade, em Franca; o Hospital São Lucas, em Ribeirão Preto, que também figuraram na classificação brasileira do World's Best Hospitals 2026. Entre os hospitais públicos e universitários do interior, destacam-se o Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP e o Hospital Estadual de Sumaré. Este último foi classificado em primeiro lugar em uma avaliação nacional de hospitais públicos do SUS, divulgada em 2026.
Na rede pública, oito hospitais paulistas figuraram entre os dez primeiros colocados do prêmio Melhores Hospitais Públicos do Brasil 2026, organizado pelo Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e outras entidades. Foram classificados, além do Hospital Estadual de Sumaré (1º lugar), o Centro de Referência da Saúde da Mulher (3º), o Hospital de Transplantes do Estado de São Paulo (4º), o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (6º), o Hospital Geral de Itapecerica da Serra (7º), o Hospital Estadual de Sapopemba (8º), o Hospital Municipal Cidade Tiradentes (9º) e o Hospital Geral de Itapevi (10º).
Apesar de concentrar hospitais de referência nacional e internacional, o estado de São Paulo apresenta desafios na saúde pública, entre os quais as desigualdades regionais no acesso aos serviços de saúde, a superlotação de unidades hospitalares na capital e no interior, a dificuldade de acesso a leitos e também a sobrecarga dos profissionais.

Contemplado por um expressivo número de renomadas instituições de ensino e centros de excelência, São Paulo é o maior polo de pesquisa e desenvolvimento do Brasil, sendo responsável sozinho por aproximadamente 40% da produção científica brasileira. A taxa de alfabetização indicada pelo censo demográfico do IBGE de 2022 foi de 98,1%, a 3.ª mais alta do país. Possui as mais altas classificações no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Em 2023, São Paulo possuía mais de 500 cientistas (mais de 40% dos pesquisadores brasileiros) entre os mais influentes do mundo, de acordo com a Elsevier e a Universidade de Stanford.
O sistema estadual de ensino abrange diferentes níveis e modalidades educacionais. A constituição paulista estabelece que a educação deve se fundamentar nos princípios da liberdade e da solidariedade humana, visando ao desenvolvimento integral da pessoa, à formação para o exercício da cidadania e ao domínio dos conhecimentos científicos e tecnológicos. No âmbito da educação básica, os municípios são prioritariamente responsáveis pelo ensino fundamental e pela educação pré-escolar, enquanto o estado deve assegurar a manutenção e a expansão do ensino médio público e gratuito, bem como do ensino superior, integrado aos demais níveis de ensino, cuja organização deve considerar a ampliação da oferta de vagas e a preservação da qualidade acadêmica e da pesquisa.

Por lei, anualmente deve ser destinado um mínimo de 25% da receita resultante de impostos para a educação e ao menos 1% da receita tributária estadual à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Cabe também ao poder público promover e incentivar o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológica, conferindo prioridade à pesquisa científica e orientando a pesquisa tecnológica para a solução de problemas sociais e ambientais e o desenvolvimento do sistema produtivo.
Entre as muitas instituições de ensino superior, destacam-se a Universidade de São Paulo (USP), classificada como a melhor da América Latina e frequentemente citada entre as melhores universidades do mundo, alcançando a 22.ª posição em 2021; a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), a maior produtora de patentes de pesquisa no Brasil; a Universidade Estadual Paulista (UNESP), a 485ª melhor universidade do planeta e a 16ª melhor da América Latina. As três universidades, todas mantidas pelo governo paulista, são mantidas por cerca de 10% arrecadação estadual advinda do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e por verbas advindas de instituições públicas de fomento à pesquisa, com destaque para a FAPESP e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (antigo Conselho Nacional de Pesquisa, cuja sigla, CNPq, foi mantida). Desde 2012 o governo paulista também mantém a Universidade Virtual do Estado de São Paulo (UNIVESP), instituição exclusivamente de educação a distância.
Dentre as mantidas pelo governo federal destacam-se a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), a Universidade Federal do ABC (UFABC) e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), esta última um centro de referência no ensino de engenharia. O estado também possui universidades privadas de grande reputação nacional e internacional, como a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a Universidade Presbiteriana Mackenzie, a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), a Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) e o Instituto de Ensino e Pesquisa (INSPER).
No campo da ciência e da tecnologia, São Paulo detém importantes institutos de pesquisa, entre eles: Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), Instituto Butantan, Instituto Biológico, Instituto Pasteur, o Instituto de Medicina Tropical (IMTSP), Instituto Florestal, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNS) e Instituto Agronômico de Campinas (IAC).

O estado de São Paulo concentra a mais moderna infraestrutura em larga escala do país, sendo a única equivalente aos países desenvolvidos e a única que, por consequência, é capaz de fornecer diversidade industrial. Seu sistema rodoviário é o maior dentre as unidades federativas do Brasil. Em novembro de 2021, o estado tinha, entre rodovias federais, municipais e estaduais, uma rede de 199 975 km (176 675 km municipais, 22 219 km estaduais e 1 075 km federais) com 34 753 km pavimentados, e destes, 6 346 km são rodovias de pista dupla (2 faixas ou mais de tráfego em cada sentido). Com 654 km, a Rodovia Raposo Tavares (SP-270) é a mais extensa rodovia do estado de São Paulo e liga a capital, onde tem início no Butantã, ao oeste paulista, estendendo-se até a divisa com Mato Grosso do Sul em Presidente Epitácio.
As rodovias paulistas são consideradas as mais modernas e, em comparação com as outras rodovias brasileiras, as melhores do país em termos de estado geral de conservação. A administração de algumas delas foi transferida à iniciativa privada a partir do final da década de 1990, dentro de um programa mais amplo de privatização. As empresas vencedoras do processo licitatório foram obrigadas a realizar uma série de investimentos e a cumprir metas de qualidade, mas, apesar da melhoria nas estatísticas de acidentes, a cobrança de um valor de pedágio considerado alto para os padrões brasileiros provoca críticas ao modelo de privatização.
No transporte aéreo, São Paulo possui o aeroporto mais movimentado do Brasil em número de passageiros, o Aeroporto Internacional Governador André Franco Montoro, em Guarulhos, administrado pela Infraero, que também é responsável pelos aeroportos de Viracopos (em Campinas), São José dos Campos, Campo de Marte e Congonhas, sendo os dois últimos em São Paulo. Há também vários outros aeroportos menores, tanto públicos quanto privados.
No transporte ferroviário, são mais de 5 000 km de ferrovias destinadas ao transporte de carga, desde o rio Paraná até o litoral paulista. Na Grande São Paulo, as linhas de metrô são operadas pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Companhia do Metropolitano de São Paulo (METRÔ) e concessionárias privadas, possuindo uma malha total de mais de 370 km de trilhos, composta por 13 linhas e mais de 180 estações.
Por sua vez, no transporte marítimo, o estado de São Paulo conta com dois grandes portos: São Sebastião e Santos, este último o maior do Brasil e o 39.° do mundo em movimentação de cargas conteinerizadas. São Paulo é ainda servido pela hidrovia Tietê-Paraná, a principal hidrovia do Mercosul, com mais de 2 000 km de vias navegáveis, dos quais 800 km somente no estado, mais especificamente no rio Tietê.
O fornecimento de energia elétrica em território paulista é feito por quatorze empresas, sendo a principal delas a Companhia Energética de São Paulo (CESP), a terceira maior do Brasil, responsável pela administração de três usinas hidrelétricas integradas ao Sistema Interligado Nacional (SNI): Jaguari, Paraibuna e Porto Primavera, sendo as duas últimas primeiras na região do Vale do Paraíba, dentro na bacia do rio Paraíba do Sul, e a última no rio Paraná, entre Rosana (SP) e Batayporã (MS). No curso do mesmo rio também ficam outras duas importantes hidrelétricas de São Paulo: Ilha Solteira (a maior do estado), entre os municípios de Ilha Solteira (SP) e Selvíria (MS), e Jupiá, entre Castilho (SP) e Três Lagoas (MS), ambas administradas pela GTC Brasil. Existem outras hidrelétricas menores, as principais ao longo dos rios Tietê, Grande e Paranapanema, todos afluentes do rio Paraná.
Na área de saneamento, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP) é a principal empresa do ramo no estado e uma das maiores da América Latina, prestando assistência em 375 (dos quais 371 integralmente e quatro em parceria com a iniciativa privada) dos 645 municípios paulistas. Em todo o estado, a SABESP administra mais de 250 estações de tratamento de água, cujo sistema de abastecimento possui uma extensão de quase 78 000 km de tubulações e atende a mais de 28 milhões de consumidores, sendo que cerca de 24,5 milhões também têm acesso ao esgotamento sanitário que, com uma rede coletora de 50 000 km de extensão, é responsável pelo transporte de grande parte dos esgotos a um total de 571 estações, a maior delas localizada em Barueri, na Grande São Paulo, com capacidade para tratar 12 m³/s, ou 12 000 L/s.
Historicamente, São Paulo sempre se destacou na primeira posição no que concerne ao acesso ao saneamento básico, segundo dados do IBGE, sendo o estado com mais cidades nas melhores posições. Em números absolutos, no ano de 2022, 95,1% da população paulista tinham acesso à rede de água tratada, 90,5% possuíam acesso à coleta de esgoto e 99% eram atendidos pelo serviço de coleta de lixo, que é quase todo despejado em aterros tanto sanitários quanto controlados. Apesar dos elevados índices, ainda existem, embora em pequena quantidade, despejos de esgotos e descarte de lixo irregulares sem tratamento no solo e em corpos hídricos.

No campo da televisão, o estado de São Paulo foi pioneiro com a criação da primeira emissora do país, a TV Tupi, pelo empresário paraibano Assis Chateaubriand, em setembro de 1950. Outras emissoras paulistas que ganharam projeção nacional foram o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), da Rede Bandeirantes (pertencente ao Grupo Bandeirantes), Rede Record, TV Gazeta, RedeTV! e a TV Globo São Paulo (antiga TV Paulista), todas situadas na região metropolitana de São Paulo.
Dois dos mais influentes jornais do país, a Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo, são paulistas e mantém suas sedes na capital. São Paulo também concentra um grande número de editoras que produzem algumas das principais publicações brasileiras, entre os quais a Editora Abril, que publica atualmente mais de cinquenta títulos com circulação de 188,5 milhões de exemplares, em um universo de quase 28 milhões de leitores e 4,1 milhões de assinaturas, sendo a maior do segmento na América Latina. Entre as principais publicações da editora está a Revista Veja, a revista com maior tiragem do país.

A cultura do estado de São Paulo reúne manifestações artísticas, tradições populares e práticas culturais associadas à formação histórica e social de sua população. Entre as influências que contribuíram para sua constituição encontram-se as tradições indígenas, portuguesas e africanas, além das práticas culturais introduzidas e transformadas por diferentes grupos de imigrantes. Essa diversidade manifesta-se em expressões culturais tradicionais, como a cultura caipira, e em diferentes formas de produção artística.
O dia 9 de julho, desde 1997, é feriado estadual. A data marca o início da Revolução Constitucionalista de 1932, movimento armado liderado por forças paulistas contra governo de Getúlio Vargas.
As artes plásticas se desenvolveram a partir de diferentes tradições e movimentos artísticos, com destaque para a pintura regionalista, o modernismo, o concretismo e a arte contemporânea. No final do século XIX, destacou-se Almeida Júnior, cuja produção retratou aspectos do cotidiano rural e da relação entre os personagens e o ambiente em que viviam, especialmente em obras como Caipira picando fumo (1893), Cozinha caipira (1895) e Violeiro (1899). Outro representante da pintura paulista foi Benedito Calixto, nascido em Itanhaém, cuja produção incluiu paisagens e pinturas históricas, como Proclamação da República (1893) e Fundação de São Vicente (1900).
No início do século XX, São Paulo tornou-se, ao lado do Rio de Janeiro, um dos principais centros do modernismo no Brasil, tendo como um dos marcos a Semana de Arte Moderna de 1922, realizada no Theatro Municipal. Entre os artistas plásticos paulistas associados ao evento destacaram-se Anita Malfatti, Yan de Almeida Prado e Inácio da Costa Ferreira (Ferrignac). Embora não tenham participado do evento, os paulistas Tarsila do Amaral e Candido Portinari tornaram-se dois dos principais representantes da pintura modernista brasileira. Enquanto Tarsila combinou influências das vanguardas europeias com elementos da cultura nacional, enquanto Portinari se destacou pela representação de temas sociais, especialmente do trabalho e da população rural brasileira.
Na segunda metade do século XX, a produção artística paulista diversificou-se com o desenvolvimento da arte abstrata e do concretismo, marcado por debates entre figurativismo e abstracionismo e pela formação do Grupo Ruptura, em 1952, na cidade de São Paulo. A capital paulista se consolidou como um importante centro de circulação e difusão das artes visuais, especialmente com a criação da Bienal Internacional de Arte, em 1951. Na arte contemporânea, destacam-se ainda Vik Muniz, paulistano e conhecido por suas obras fotográficas produzidas a partir de materiais não convencionais, e Os Gêmeos, dupla formada pelos irmãos paulistanos Gustavo Pandolfo e Otávio Pandolfo, conhecidos por seus murais de grafite e intervenções urbanas.
O artesanato se constitui em uma atividade cultural e econômica presente em diferentes regiões do estado de São Paulo, apresentando características associadas à diversidade ambiental e à formação histórica e cultural de sua população. A produção artesanal reúne conhecimentos e técnicas tradicionais, utilizando matérias-primas regionais na confecção de peças de cerâmica, trançados em fibras vegetais, entalhes e produtos de tecelagem. Entre outras atividades manuais encontram-se o bordado, o crochê e o tricô. Essas práticas contribuem para a preservação de conhecimentos tradicionais e da identidade cultural, enquanto a organização de grupos produtivos e a participação em feiras e eventos favorecem sua divulgação e comercialização.

A arquitetura paulista reúne manifestações de diferentes períodos históricos e correntes estilísticas, refletindo as transformações econômicas, sociais e culturais do estado. Do período colonial, destacam-se construções religiosas e residenciais e e edificações preservadas em núcleos históricos do litoral e do interior, incluindo edificações erguidas em taipa de pilão, técnica construtiva cuja utilização esteve associada aos conhecimentos e às práticas de trabalhadores de diferentes origens culturais, incluindo africanos escravizados.
A expansão da economia cafeeira, especialmente a partir de meados do século XIX, promoveu transformações na paisagem arquitetônica paulista, com a construção de solares e palacetes destinados às elites rurais e urbanas. Essas edificações, frequentemente associadas ao ecletismo, destacaram-se tanto em cidades do interior quanto na capital.

A industrialização também deixou importantes testemunhos arquitetônicos, sobretudo em antigas fábricas têxteis construídas entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX. Esses edifícios apresentam características da arquitetura colonial brasileira e de modelos industriais europeus, como o chamado estilo Manchester, marcado pelo uso de tijolos aparentes, fachadas simétricas e construções de múltiplos pavimentos.
Ao longo do século XX, a arquitetura moderna adquiriu destaque na produção arquitetônica paulista, com a atuação de profissionais como Abrahão Sanovicz, Eduardo Kneese de Mello, Ícaro de Castro Mello, José Maria Gandolfo, Joaquim Guedes, Rino Levi e Ubyrajara Gilioli. A produção modernista caracterizou-se pela adoção de novas soluções estruturais, pelo emprego expressivo do concreto armado e pela valorização da integração entre edifícios e espaços coletivos.

As primeiras experiências cinematográficas em São Paulo ocorreram no final do século XIX, com a chegada das exibições de filmes ao estado, documentadas na capital paulista em 1896. Nas primeiras décadas do século XX, a expansão das salas de cinema acompanhou o crescimento urbano da cidade de São Paulo, enquanto a produção cinematográfica também se desenvolvia em municípios do interior. Um dos principais marcos da indústria cinematográfica paulista foi a criação da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, em São Bernardo do Campo que, durante seu período de atividade, entre 1949 e 1954, produziu dezoito longas-metragens de ficção, como O Cangaceiro e Sinhá Moça, ambos de 1953.

Na década de 1960, o cinema paulista passou por transformações estéticas e temáticas, com a valorização do cinema autoral e o desenvolvimento de produções experimentais associadas ao cinema marginal, destacando-se obras como São Paulo S.A. (1965), de Luís Sérgio Person, e O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla. Entre as décadas de 1960 e 1980, a região da Boca do Lixo, no centro de São Paulo, se constituiu em um dos principais polos de produção cinematográfica do país. Entre os cineastas associados à região destacou-se Ozualdo Candeias, diretor de A Margem (1967) e outras produções cinematográficas. Em 1977, o crítico de cinema e jornalista Leon Cakoff criou a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, hoje um dos principais festivais cinematográficos da América Latina.
A partir da década de 1980, a produção cinematográfica paulista passou por um processo de diversificação, marcado pelo declínio da Boca do Lixo e pela consolidação de novos núcleos de produção independente. Entre os cineastas associados a essa geração, vinculados à Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA-USP), estão Djalma Batista, Chico Botelho, Sérgio Bianchi e Suzana Amaral. As produções desse período também conquistaram diversos prêmios nacionais e internacionais, com destaque para A Marvada Carne (1985), exibido no Festival de Cannes, e A Hora da Estrela (1985) e Vera (1986), premiados com o Urso de Prata no Festival Internacional de Cinema de Berlim, na Alemanha. No início da década de 1990, a cinematografia paulista, assim como a nacional, enfrentou uma grave crise, agravada pela extinção da Embrafilme e do Conselho Nacional de Cinema (Concine) durante o governo Collor. Somente em meados de 1994 e 1995 a produção cinematográfica paulista acompanhou o processo nacional conhecido como Cinema de Retomada, caracterizado pela recuperação da atividade cinematográfica.
No século XXI, São Paulo consolidou-se, ao lado do Rio de Janeiro, como um dos principais polos de produção cinematográfica do Brasil. Entre os longas-metragens dos anos 2000 destacam-se Cronicamente Inviável (2000), de Sérgio Bianchi; Bicho de Sete Cabeças (2001), de Laís Bodanzky; e O Invasor (2002), de Beto Brant. Na década de 2010, ganharam destaque, dentre outros, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014), de Daniel Ribeiro, e Era o Hotel Cambridge (2017), de Eliane Caffé. Nos anos 2020, a produção paulista continuou a abranger diferentes gêneros e formatos, incluindo filmes como O Livro dos Prazeres (2022), de Marcela Lordy, e O Estranho (2023), de Flor Dias e Juruna Mallon.
A gastronomia paulista apresenta influências de diferentes tradições culturais, destacando-se a culinária caipira e as contribuições dos imigrantes europeus, em especial italianos. A culinária caipira, desenvolvida durante o período colonial, formou-se a partir da combinação de técnicas e ingredientes portugueses e indígenas, sobretudo guaranis, caracterizando-se pelo uso de milho, feijão e carne suína. Essa tradição alimentar difundiu-se por outras regiões do território brasileiro, incluindo partes dos atuais estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.
A imigração italiana, intensificada a partir das últimas décadas do século XIX, também contribuiu para a transformação dos hábitos alimentares paulistas, especialmente nas regiões produtoras de café. No interior do estado, os imigrantes incorporaram alimentos como arroz e feijão às suas refeições, enquanto a população local passou a ter maior contato com produtos e preparações da culinária italiana. A expansão de padarias e de estabelecimentos comerciais especializados favoreceu a circulação de novos ingredientes e práticas alimentares, contribuindo para a diversificação da gastronomia regional. No litoral, predomina-se a culinária caiçara.
Entre os pratos típicos e originários do estado de São Paulo, destacam-se: afogado, bananinha, bauru, bolinho caipira, caipirinha, camarão na moranga, coxinha, curau, cuscuz paulista, dadinho, feijão carioca, feijão tropeiro, linguiça calabresa, meca santista, paçoca de amendoim, pastel de feira, pé de moleque, picanha e parmegiana, além do virado à paulista, preparado com feijão, toucinho e farinha de milho, acompanhado de alimentos como arroz, couve, bisteca suína, linguiça, ovo frito, torresmo e banana à milanesa. Em fevereiro de 2018, o prato foi reconhecido como patrimônio cultural imaterial do estado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT), em razão de sua importância histórica e cultural.
As origens da literatura escrita de tradição europeia no território paulista remontam ao século XVI, durante o período colonial, especialmente com a atuação dos missionários da Companhia de Jesus. Entre esses religiosos destacou-se José de Anchieta, que chegou ao Brasil em 1553 e participou da fundação do Colégio de São Paulo de Piratininga (1554), tendo produzido poesias, textos religiosos e peças teatrais utilizando diferentes idiomas, entre eles português, espanhol, latim e tupi. Sua produção literária esteve associada à evangelização e à educação dos povos indígenas, sendo considerado um dos pioneiros da literatura colonial brasileira.
Durante o século XIX, a literatura paulista ganhou maior projeção com o desenvolvimento do romantismo e a consolidação de São Paulo como centro de formação intelectual, especialmente após a criação da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (1827). Nesse ambiente, destacou-se Álvares de Azevedo, um dos principais representantes do ultrarromantismo brasileiro. Na passagem para o século XX, a literatura paulista voltou-se também para a representação da vida rural e da cultura caipira, destacando-se Monteiro Lobato, que apresentou uma visão crítica desse universo em Urupês (1918), e Cornélio Pires, que se dedicou à valorização e à divulgação das tradições caipiras.
Nas primeiras décadas do século XX, São Paulo tornou-se um dos principais centros da renovação estética e cultural brasileira, especialmente por meio do modernismo. Realizada na capital paulista em 1922, a Semana de Arte Moderna reuniu escritores e artistas que propunham novas formas de expressão, inspiradas nas vanguardas europeias, e questionavam as convenções artísticas tradicionais, como Mário de Andrade, autor de Pauliceia Desvairada, além de Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia.
Na segunda metade do século XX, a literatura paulista também se destacou pela diversidade de suas narrativas, com Lygia Fagundes Telles, cuja obra abordou tensões sociais e conflitos humanos, e Ignácio de Loyola Brandão, que desenvolveu boa parte de sua obra durante a ditadura militar brasileira, regime do qual era crítico. Destacou-se também Hilda Hilst que, embora natural de Jaú, desenvolveu parte significativa de sua produção literária na Casa do Sol, em Campinas, onde passou a residir em 1966.
Na literatura infantojuvenil, destacou-se Ruth Rocha, cuja obra aborda temas relacionados à infância e à educação. Na poesia, os irmãos Haroldo de Campos e Augusto de Campos, juntamente com Décio Pignatari, participaram do desenvolvimento da poesia concreta. Na literatura contemporânea, ganharam visibilidade narrativas voltadas às experiências das periferias urbanas, destacando-se Ferréz, cuja produção se insere na chamada literatura marginal.

A música e a dança paulistas reúnem manifestações associadas às tradições caipira, caiçara e afro-brasileira, abrangendo expressões culturais da capital, do interior e do litoral. A música caipira, vinculada à cultura popular, ampliou sua circulação com as gravações fonográficas e a radiodifusão. Entre as manifestações tradicionais do interior estão os fandangos caipiras, incluindo o fandango de chilenas, cuja prática passou por transformações ao longo do tempo. No litoral sul de São Paulo, o fandango caiçara constitui uma expressão musical e coreográfica associada ao modo de vida das comunidades rurais litorâneas. Suas músicas e danças estão relacionadas ao trabalho coletivo, ao entretenimento e às festividades religiosas. A manifestação também envolve instrumentos como a viola e a rabeca, além da transmissão de práticas culturais entre gerações.
As manifestações musicais e coreográficas afro-brasileiras também integram as tradições culturais paulistas. Entre elas destaca-se o samba rural, cuja formação histórica é relacionada ao jongo e às práticas musicais das populações negras nas antigas fazendas do interior. Entre suas expressões encontram-se o batuque de umbigada e o samba de bumbo. Essas manifestações combinam música, dança e instrumentos de percussão, especialmente os bumbos.

Entre as danças tradicionais paulistas destaca-se a catira, também conhecida como cateretê, típica do interior e caracterizada por sequências rítmicas de sapateados e palmas, geralmente acompanhadas pela viola caipira. No contexto urbano, o samba-rock desenvolveu-se nos bailes das comunidades negras da cidade de São Paulo, combinando movimentos de dança a dois com influências de diferentes ritmos populares.
Entre os músicos paulistas de projeção nacional destacam-se o compositor de música erudita Carlos Gomes, conhecido por suas óperas, como O Guarani e Salvator Rosa; os representantes da música caipira e sertaneja de raiz Tonico & Tinoco e Inezita Barroso; Sérgio Reis, intérprete de sucessos como O Menino da Porteira e Panela Velha; e o violonista Dilermando Reis, conhecido por suas composições instrumentais, choros e valsas. No samba destacou-se Adoniran Barbosa, autor de composições como Saudosa Maloca, Samba do Arnesto e Trem das Onze, enquanto na música popular brasileira (MPB) estão Jair Rodrigues e Toquinho, ao passo que Rita Lee se tornou uma das principais representantes do rock nacional. Entre os nomes ligados a outras vertentes da música paulista estão a dupla pop Sandy & Júnior; Luiz Tatit, fundador do grupo Rumo e os rappers Mano Brown, um dos integrantes do grupo Racionais MC's, e Emicida, uma das maiores revelações do hip-hop do Brasil.

Os dois primeiros teatros paulistas eram casas de ópera que se localizavam na cidade de São Paulo e surgiram ainda no século XVIII. A primeira se localizava entre os largos de São Bento e do Rosário, mas deixou de existir em data incerta. A segunda, que funcionava ao lado do Pátio do Colégio, entrou em operação em 1765 e foi demolida por volta de 1870.
Os espaços mais antigos ainda em funcionamento na capital são o Theatro Municipal de São Paulo e o Theatro São Pedro, inaugurados, respectivamente, em 1911 e 1917, sendo o primeiro palco da Semana de Arte Moderna de 1922. Também se destacam os teatros Renault (1929), Cultura Artística (1950), Arthur Azevedo (1952) e Oficina (1958).
Dentre os espaços teatrais históricos fora da capital estão o Teatro Guarany, inaugurado em 1882 e um dos mais antigos do Brasil ainda em funcionamento, e o Teatro Coliseu, de 1909, sendo ambos em Santos; o Teatro Polytheama, em Jundiaí (1911), e o Theatro Pedro II, em Ribeirão Preto, inaugurado formalmente em 1930 e reinaugurado em 1996 após um incêndio em 1980.

O estado de São Paulo possui diversos museus dedicados à preservação do patrimônio cultural, histórico e artístico, distribuídos pela capital, pelo litoral e pelo interior. Na cidade de São Paulo, destacam-se o Museu do Ipiranga, fundado em 1893 e inaugurado em 1895, considerado o museu público mais antigo da capital, e a Pinacoteca do Estado de São Paulo, fundada em 1905. Outras instituições de destaque são o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) e a Casa das Rosas, ambos na Avenida Paulista; o Museu da Língua Portuguesa, dentro da Estação da Luz o Museu da Imigração; o Paço das Artes; o Museu Afro Brasil Emanoel Araújo, dentro do Parque Ibirapuera; o Museu de Arte Sacra de São Paulo; o Museu da Imagem e do Som; o Museu Catavento; o Museu das Culturas Indígenas; o Museu das Favelas e o Museu do Futebol, dentro do estádio do Pacaembu; e o Museu da Diversidade Sexual; o Memorial da Resistência e a Casa Guilherme de Almeida.
No litoral paulista está o Museu do Café, localizado em Santos, instalado no edifício da antiga Bolsa Oficial de Café, que preserva a memória da cafeicultura e sua importância para o desenvolvimento econômico e social do estado. No interior, encontram-se, dentre outros, o Museu Solar do Barão, em Jundiaí, instalado na antiga residência do Barão de Jundiaí e dedicado à preservação da história regional; o Museu Padre Lima, em Itatiba, que reúne documentos, fotografias e objetos relacionados à história municipal; o Museu Felícia Leirner, em Campos do Jordão, que apresenta esculturas ao ar livre e integra o complexo cultural do Auditório Claudio Santoro; o Museu Casa de Portinari, em Brodowski, dedicado à preservação da residência e da obra do pintor Candido Portinari; e o Museu Histórico e Pedagógico Índia Vanuíre, em Tupã, voltado à preservação e à valorização das culturas indígenas.


O patrimônio cultural do estado de São Paulo compreende bens materiais e imateriais que representam a história e a identidade cultural paulista, incluindo edificações, monumentos, sítios arqueológicos, paisagens e manifestações culturais tradicionais. Sua preservação é realizada por órgãos das esferas federal, estadual e municipal, entre eles o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT), responsável pela proteção de bens de interesse cultural no âmbito estadual. Desde sua criação, em 1968, o CONDEPHAAT tombou mais de 500 bens, incluindo edificações, monumentos, conjuntos urbanos e áreas naturais.
Entre os bens materiais protegidos pelo IPHAN encontram-se edificações e espaços públicos da Aldeia de Carapicuíba, os conjuntos históricos de Iguape e São Luiz do Paraitinga e a vila ferroviária de Paranapiacaba. O patrimônio ferroviário também possui exemplares protegidos em municípios como Avaré, Cruzeiro, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Sumaré. O estado abriga ainda numerosos sítios arqueológicos, incluindo sambaquis associados à ocupação humana do litoral paulista.
O patrimônio imaterial paulista abrange manifestações culturais de origem indígena, afro-brasileira e caiçara, além de saberes e práticas tradicionais preservados por diferentes comunidades. Entre os bens registrados pelo IPHAN estão o jongo, reconhecido em 2005, e o Fandango Caiçara, registrado em 2012 e praticado em comunidades do litoral sul. Em 2024, o samba de bumbo paulista foi reconhecido como patrimônio cultural do Brasil, em razão de sua relevância histórica e cultural para as comunidades afro-brasileiras do estado.
O futebol expandiu-se rapidamente em território paulista entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, inicialmente praticado em clubes ligados às elites e, posteriormente, difundido entre trabalhadores e imigrantes. São Paulo possui equipes de expressiva trajetória no esporte brasileiro, entre elas o Corinthians, o Palmeiras, o São Paulo e o Santos. O Campeonato Paulista de Futebol (informalmente conhecido como Paulistão), disputado desde 1902, é a mais antiga competição estadual de futebol do país, tendo sido organizado inicialmente pela Liga Paulista de Futebol e, desde 1941, pela Federação Paulista de Futebol. Além dos clubes da capital e da Baixada Santista, municípios do interior mantêm uma longa tradição futebolística, com equipes como o Ponte Preta, de Campinas, o clube de futebol mais antigo em atividade no estado e o segundo do país.
Outras modalidades possuem tradição esportiva no estado de São Paulo, especialmente o basquetebol e o automobilismo. No basquetebol, destaca-se a cidade de Franca, declarada Capital Nacional do Basquete em 2026 por lei federal e sede do maior campeão da modalidade no país, o Franca Basquetebol Clube, que conquistou tanto títulos nacionais quanto internacionais, incluindo a Copa Intercontinental FIBA de 2023.
O automobilismo também possui importância na história esportiva paulista, sobretudo pela realização de provas internacionais no Autódromo José Carlos Pace, conhecido como Interlagos, na capital. O circuito recebeu sua primeira etapa válida pelo campeonato mundial de Fórmula 1 em 1973 e voltou a sediar regularmente o Grande Prêmio do Brasil a partir de 1990 e, desde 2021, sedia o Grande Prêmio de São Paulo. No atletismo, destaca-se a Corrida Internacional de São Silvestre, realizada na capital paulista desde 1925 no último dia de cada ano e considerada uma das principais provas de corrida de rua do mundo.
O litoral paulista é propício à prática do surfe e de modalidades náuticas, como a vela. A praia de Maresias, em São Sebastião, já recebeu competições profissionais de surfe e está associada à trajetória de atletas como Gabriel Medina e Miguel Pupo. Na Baixada Santista, a baía de Santos constitui um dos locais de realização de regatas e competições de vela.
São Paulo também se destaca pela formação de atletas de projeção nacional e internacional, incluindo campeões e medalhistas olímpicos em diferentes modalidades, dentre os quais Rebeca Andrade, a maior medalhista olímpica do Brasil, com seis medalhas, seguido por Robert Scheidt, com cinco, além de Adhemar Ferreira da Silva e Maurício Lima, ambos bicampeões olímpicos; Aurélio Miguel, César Cielo, Maurren Maggi, Thiago Braz e Beatriz Souza, campeões olímpicos em diferentes modalidades, dentre outros.
No esporte paralímpico, destacam-se nadador Daniel Dias, o maior medalhista paralímpico do país, que conquistou 27 medalhas; o judoca Antônio Tenório, tetracampeão paralímpico e a atleta Elizabeth Gomes, bicampeã paralímpica no lançamento de disco, além dos nadadores Gabriel Bandeira e Samuel de Oliveira; a judoca Alana Maldonado; a halterofilista Mariana D'Andrea; o taekwondista Nathan Torquato e o atirador Alexandre Galgani.
A formação de atletas de alto rendimento no estado também está associada à atuação de clubes poliesportivos, como o Esporte Clube Pinheiros, fundado em 1899, na capital paulista. O clube mantém instalações destinadas ao treinamento e à realização de competições em diferentes modalidades olímpicas, incluindo atletismo, natação, judô, ginástica artística, esgrima, remo e polo aquático.