Calor

 Nota: Este artigo é sobre uma forma de transferência de energia. Para outros significados, veja Calor (desambiguação).
Calor
Barra metálica incandescente.
Info/Grandeza física
Uma barra metálica incandescente, emitindo luz em razão de sua temperatura, é frequentemente percebida como uma fonte de calor.
Símbolos
Unidade no SI joule (J)
Outras unidades caloria
Em unidades de base do SI kg·m2·s−2
Dimensão

Em termodinâmica, calor é a energia em transferência entre um corpo e seu meio, exceto quando essa transferência ocorre por trabalho termodinâmico ou por transferência de matéria.

O trabalho termodinâmico é definido por mudanças nas variáveis macroscópicas de estado do sistema, em pares conjugados como pressão e volume, ou magnetização e intensidade de campo magnético, e não por efeitos mecânicos ou de outra natureza no meio. A definição termodinâmica de calor exclui os demais modos definidos de transferência, para manter uma distinção lógica estrita entre eles.

Durante a transferência, o calor não é necessariamente conservado, pois pode ser gerado, embora não destruído, pelo atrito. Na termodinâmica, a temperatura é definida em termos macroscópicos pelos conceitos de calor e trabalho. Calor não é variável nem função de estado, e sim uma quantidade de processo. Um sistema termodinâmico não contém calor.

O calor pode entrar ou sair de um corpo material por condução térmica, por radiação eletromagnética ou pelo atrito causado por movimento mecânico macroscópico. Quando o calor é gerado por atrito, parte dele pode terminar em cada um dos dois corpos envolvidos. Quando a energia entra ou sai de um corpo por transferência de matéria, não é possível separá-la de modo único em trabalho e calor.

Ao assumir a conservação do calor numa transferência, a calorimetria o mede pelos efeitos sobre os estados dos corpos que interagem, por exemplo pela quantidade de gelo derretida ou pela mudança da temperatura de um corpo.

No Sistema Internacional de Unidades (SI), a unidade de medida do calor é o joule (J).

Notação e unidades

Como forma de energia, o calor tem como unidade o joule (J) no Sistema Internacional de Unidades (SI). Em aplicações de engenharia também se usa a caloria. A unidade padrão da taxa de aquecimento é o watt (W), definido como um joule por segundo.

O símbolo para o calor foi introduzido por Rudolf Clausius e Macquorn Rankine por volta de 1859.

Por convenção, o calor liberado por um sistema para o meio é uma quantidade negativa como parcela da energia interna, . Quando um sistema absorve calor do meio, ele é positivo, . A taxa de transferência de calor, ou fluxo de calor por unidade de tempo, é representada por , mas não é a derivada temporal de uma função de estado, que também pode ser escrita com a notação de ponto, porque o calor não é uma função de estado. O fluxo de calor é a taxa de transferência de calor por unidade de área da seção transversal, expressa em watts por metro quadrado.

Como é uma quantidade de processo, seu valor entre dois estados não é determinado apenas pelos estados inicial e final. Processos diferentes que ligam os mesmos estados podem envolver quantidades diferentes de calor e trabalho, embora tenham a mesma variação de energia interna.

História

Na linguagem comum, palavras como o inglês heat ou warmth, o francês chaleur, o alemão Hitze ou Wärme, o latim calor e o grego θάλπος podem se referir à energia térmica, à temperatura ou à percepção humana delas. Mais tarde, chaleur, como usado por Sadi Carnot, heat e Wärme também se tornaram termos científicos equivalentes nas fases iniciais da termodinâmica. A ideia de que o calor seria uma forma separada de matéria teve longa presença na história das ciências e esteve ligada à teoria do flogisto, à teoria calórica e ao fogo como elemento clássico. Muitos experimentos antigos, realizados com cuidado, praticamente eliminavam o atrito, o trabalho mecânico e termodinâmico e a transferência de matéria, examinando apenas a transferência de energia por condução térmica e radiação. Esses resultados davam apoio racional à teoria calórica. Para explicar também mudanças de energia interna causadas por atrito e por trabalho mecânico e termodinâmico, a teoria calórica foi substituída, perto do fim do século XVIII, pela teoria "mecânica" do calor.

Século XVII e início do século XVIII

"Calor é movimento"

Galileu Galilei

Quando cientistas do início da Idade Moderna passaram a adotar a ideia de que a matéria é formada por partículas, tornou-se comum supor uma relação estreita entre calor e movimento dessas partículas. Alguns chegaram a afirmar a equivalência entre os dois conceitos. Em 1620, o filósofo inglês Francis Bacon escreveu: "Não se deve pensar que o calor gera movimento, ou que o movimento gera calor, embora isso seja verdadeiro em certos aspectos, mas que a própria essência do calor [...] é movimento e nada mais". Acrescentou que não se tratava de um "movimento do todo", e sim das pequenas partículas do corpo. Em Il Saggiatore, publicado em 1623, Galileu Galilei apresentou o calor como um artefato da mente.

“ ... sobre a proposição "o movimento é a causa do calor" [...] suspeito que as pessoas em geral tenham uma ideia muito distante da verdade. Elas acreditam que o calor é um fenômeno real, ou uma propriedade [...] que reside de fato no material pelo qual sentimos que somos aquecidos. ”

Galileu escreveu que calor e pressão seriam apenas propriedades aparentes causadas pelo movimento das partículas, este sim um fenômeno real. Em 1665, e de novo em 1681, o polímata inglês Robert Hooke repetiu que o calor nada mais seria do que o movimento das partículas constituintes dos objetos. Em 1675, seu colega, o cientista anglo-irlandês Robert Boyle, também afirmou que esse movimento constituía o calor.

John Locke

Filósofos também trataram do calor na linguagem comum. Um exemplo é esta passagem de 1720 do filósofo inglês John Locke:

“ Calor é uma agitação muito rápida das partes imperceptíveis do objeto, que produz em nós a sensação pela qual denominamos o objeto quente. Assim, aquilo que em nossa sensação é calor, no objeto nada mais é do que movimento. Isso se evidencia pela maneira como o calor é produzido, pois vemos que esfregar um prego de latão sobre uma tábua o deixa muito quente, e os eixos de carroças e coches muitas vezes aquecem e, às vezes, chegam a incendiar-se pelo atrito do cubo da roda contra eles. ”

Quando Bacon, Galileu, Hooke, Boyle e Locke escreveram "calor", talvez se referissem mais ao que se chama de "temperatura". Até meados do século XVIII não havia uma distinção clara entre calor e temperatura. A diferença entre a energia interna de um corpo e a transferência de energia como calor só ficou clara em meados do século XIX.

A explicação de Locke sobre o calor foi citada repetidas vezes pelo físico inglês James Prescott Joule. A transferência de calor também era explicada pelo movimento de partículas. O físico e químico escocês Joseph Black escreveu: "Muitos supuseram que o calor é um movimento trêmulo [...] das partículas da matéria, movimento que [...] imaginavam ser comunicado de um corpo a outro". O livro Heat Considered as Mode of Motion, de John Tyndall, publicado em 1863, difundiu entre o público de língua inglesa a ideia do calor como movimento. A teoria também foi desenvolvida em publicações científicas em francês, inglês e alemão.

Século XVIII

Calor e temperatura

Brook Taylor

Distinções não formuladas entre calor e "quente" podem ser muito antigas. O calor podia ser visto como algo dependente da quantidade de uma substância quente, vagamente separado da qualidade de estar quente. Em 1723, o matemático inglês Brook Taylor mediu a temperatura, pela expansão do líquido num termômetro, de misturas com diferentes quantidades de água quente e fria. Como esperado, o aumento da temperatura foi proporcional à parcela de água quente na mistura. A última frase de seu relato expressa implicitamente a distinção entre calor e temperatura.

“ Enchi sucessivamente os recipientes com uma, duas, três etc. partes de água quente em ebulição, e o restante com água fria [...] Depois de observar primeiro onde o termômetro se encontrava na água fria, verifiquei que sua elevação a partir daquela marca [...] era rigorosamente proporcional à quantidade de água quente na mistura, isto é, ao grau de calor. ”

Resfriamento evaporativo

William Cullen

Em 1748, The Edinburgh Physical and Literary Essays publicou o relato de um experimento do médico e químico escocês William Cullen. Cullen usou uma bomba de vácuo para reduzir a pressão em um recipiente com éter dietílico. O éter entrou em ebulição sem que calor fosse retirado dele, e sua temperatura diminuiu. Em 1758, num dia quente em Cambridge, na Inglaterra, Benjamin Franklin e o cientista John Hadley mantiveram o bulbo de um termômetro de mercúrio molhado com éter e usaram foles para evaporar o líquido. A cada nova evaporação, o termômetro indicava uma temperatura mais baixa, até chegar a cerca de −14 °C.

Descoberta do calor específico

Em 1756, ou pouco depois, Joseph Black, amigo e ex-assistente de Cullen, iniciou um estudo extenso sobre o calor. Em 1760, percebeu que, quando duas substâncias diferentes de mesma massa e temperaturas distintas eram misturadas, o número de graus de variação de temperatura em cada uma era diferente, embora o calor recebido pela substância mais fria fosse igual ao perdido pela mais quente. Black relatou um experimento realizado por Daniel Gabriel Fahrenheit a pedido do médico neerlandês Herman Boerhaave. Para tornar a explicação mais clara, apresentou uma variante hipotética, mas realista. Se massas iguais de água a 37,8 °C e de mercúrio a 65,6 °C fossem misturadas, a temperatura da água aumentaria cerca de 11,1 °C e a do mercúrio cairia cerca de 16,7 °C, até ambas chegarem a aproximadamente 48,9 °C, embora o calor recebido pela água e o perdido pelo mercúrio fossem iguais. A comparação tornou mais nítida a diferença entre calor e temperatura e introduziu o conceito de calor específico, que varia entre substâncias. Black escreveu: "O mercúrio [...] tem menor capacidade para a matéria do calor do que a água".

Graus de calor

Nos estudos de calor específico, Black usou uma unidade de calor que chamou de "graus de calor", em oposição a simples "graus" de temperatura. A unidade dependia do contexto e só podia ser usada quando as demais condições eram idênticas. Baseava-se na mudança de temperatura multiplicada pela massa da substância envolvida.

“ Se a pedra e a água [...] tivessem o mesmo volume [...] a água fosse aquecida em 10 graus e a pedra [...] resfriada em 20 graus, mas se [...] a pedra tivesse apenas a quinquagésima parte do volume da água, ela teria de estar [...] 1.000 graus mais quente antes de ser mergulhada na água do que está agora, pois de outro modo não poderia ter comunicado 10 graus de calor à [...] água. ”

Descoberta do calor latente

Joseph Black

Sabia-se que, quando a temperatura do ar subia acima do ponto de congelamento e o ar se tornava a fonte evidente de calor, a neve derretia muito lentamente e a temperatura da água resultante ficava próxima do ponto de fusão. Em 1757, Black começou a investigar se o calor era necessário para fundir um sólido independentemente de qualquer aumento de temperatura. Até onde sabia, a opinião comum era que a fusão vinha inevitavelmente acompanhada de um pequeno aumento de temperatura e não exigia calor adicional além do necessário para esse aumento. Black logo mostrou que, durante a fusão, era necessário muito mais calor do que poderia ser explicado por qualquer elevação de temperatura. Também mostrou que um líquido libera calor ao congelar, em quantidade muito maior do que a simples redução de temperatura explicaria.

Em 1762, Black apresentou esses estudos a uma sociedade de professores da Universidade de Glasgow. Ele colocou massas iguais de gelo a 0 °C e de água a cerca de 0,6 °C em dois recipientes idênticos e bem separados. O ar da sala, mantido a cerca de 8,3 °C, aqueceu uniformemente a água e o gelo até aproximadamente 4,4 °C. Em unidades convertidas para a escala Celsius, a água havia recebido cerca de 3,9 "graus de calor". O gelo foi aquecido por 21 vezes mais tempo e, por isso, teria recebido cerca de 81,7 "graus de calor". A temperatura do gelo aumentou cerca de 4,4 °C. O gelo havia absorvido cerca de 4,4 "graus de calor", que Black chamou de calor sensível, manifestado por mudança de temperatura e passível de ser sentido e medido. Outros 77,2 "graus de calor" foram absorvidos como calor latente, manifestado pela mudança de fase e não por mudança de temperatura.

Black mostrou depois que água a 80 °C era necessária para derreter uma massa igual de gelo até que tudo chegasse a 0 °C. Assim, pareciam ser necessários cerca de 80 "graus de calor" na escala Celsius para derreter o gelo. O valor moderno do calor de fusão do gelo corresponderia a cerca de 79,5 "graus de calor Celsius" nessa forma de comparação.

Por fim, Black elevou a temperatura de uma massa de água e depois vaporizou uma massa igual por aquecimento uniforme. Mostrou que eram necessários cerca de 461 "graus de calor Celsius" para a vaporização, novamente com base no tempo necessário. O valor moderno do calor de vaporização da água corresponderia a cerca de 537 "graus de calor Celsius" na mesma forma de comparação.

Primeiro calorímetro

Diagrama do calorímetro de gelo de Lavoisier e Laplace
Calorímetro de gelo de Lavoisier e Laplace

Um calorímetro é um aparelho usado para medir capacidade térmica e também o calor absorvido ou liberado em reações químicas ou mudanças físicas. Em 1780, o químico francês Antoine Lavoisier usou um aparelho desse tipo, ao qual deu o nome de "calorímetro", para investigar o calor liberado pela respiração, observando quanto esse calor derretia a neve ao redor do equipamento. Um chamado calorímetro de gelo foi usado em 1782 e 1783 por Lavoisier e seu colega Pierre-Simon Laplace para medir o calor liberado em diferentes reações químicas. O calor liberado derretia uma quantidade determinada de gelo, e o calor necessário para fundir certa massa de gelo já era conhecido.

Termodinâmica clássica

A compreensão moderna do calor costuma ser atribuída em parte à teoria mecânica do calor proposta por Benjamin Thompson em 1798, no ensaio An Inquiry Concerning the Source of the Heat Which Is Excited by Friction, que postulou um equivalente mecânico do calor. A colaboração entre Nicolas Clément e Sadi Carnot, autor de Réflexions sur la puissance motrice du feu, na década de 1820 desenvolveu ideias relacionadas. Em 1842, Julius Robert von Mayer gerou calor por atrito em polpa de papel e mediu a elevação da temperatura. Em 1845, Joule publicou o artigo The Mechanical Equivalent of Heat, no qual apresentou um valor numérico para a quantidade de trabalho mecânico necessária para "produzir uma unidade de calor", com base na geração de calor pelo atrito durante a passagem de eletricidade por um resistor e pela rotação de pás numa cuba de água. A teoria da termodinâmica clássica amadureceu nas décadas de 1850 e 1860.

Clausius (1850)

Em 1850, Clausius, diante dos resultados experimentais de Joule sobre a produção de calor por atrito, rejeitou a doutrina calórica da conservação do calor:

“ Se admitirmos que o calor, como a matéria, não pode diminuir em quantidade, também teremos de admitir que ele não pode aumentar. Mas é quase impossível explicar o aumento de temperatura causado pelo atrito sem supor um aumento real da quantidade de calor. Os cuidadosos experimentos de Joule, nos quais o calor foi desenvolvido de maneiras muito diferentes pela aplicação de força mecânica, estabeleceram quase com certeza não apenas a possibilidade de aumentar a quantidade de calor, mas também o fato de que o calor recém-produzido é proporcional ao trabalho empregado em sua produção. Pode-se acrescentar que muitos fatos conhecidos recentemente tendem a derrubar a hipótese de que o calor seja ele próprio um corpo e a mostrar que consiste no movimento das partículas últimas dos corpos. ”

A função de processo foi introduzida por Rudolf Clausius em 1850. Clausius a chamou pelo termo composto alemão Wärmemenge, traduzido como "quantidade de calor".

James Clerk Maxwell (1871)

Em Theory of Heat, de 1871, James Clerk Maxwell apresentou quatro condições para a definição de calor:

  • é algo que pode ser transferido de um corpo para outro, em conformidade com a segunda lei da termodinâmica
  • é uma quantidade mensurável e pode ser tratada matematicamente
  • não pode ser tratado como uma substância material, pois pode ser convertido em algo que não é uma substância material, como trabalho mecânico
  • calor é uma das formas de energia.

Bryan (1907)

Em 1907, G. H. Bryan publicou uma investigação sobre os fundamentos da termodinâmica, Thermodynamics: an Introductory Treatise dealing mainly with First Principles and their Direct Applications, pela B. G. Teubner, em Leipzig. Bryan escrevia quando a termodinâmica já estava estabelecida empiricamente, mas ainda havia interesse em especificar sua estrutura lógica. O trabalho de Carathéodory, publicado em 1909, pertence ao mesmo momento. Bryan era físico, enquanto Carathéodory era matemático.

Bryan iniciou o tratado com um capítulo introdutório sobre as noções de calor e temperatura. Apresentou um exemplo no qual a noção de aquecimento como elevação da temperatura de um corpo entra em conflito com a noção de aquecimento como fornecimento de uma quantidade de calor a esse corpo.

Definiu transformação adiabática como aquela em que o corpo não recebe nem perde calor. Essa definição não é igual à de uma transformação adiabática que ocorre num corpo encerrado por paredes impermeáveis à radiação e à condução.

Bryan reconheceu a calorimetria como meio de medir quantidade de calor. Também observou que a água tem uma temperatura de densidade máxima, o que a torna inadequada como substância termométrica perto dessa temperatura. Seu objetivo era lembrar por que os termodinamicistas preferiam uma escala absoluta de temperatura, independente das propriedades de uma substância termométrica específica.

O segundo capítulo começou pelo reconhecimento do atrito como fonte de calor, a partir dos trabalhos de Benjamin Thompson, Humphry Davy, Robert Mayer e James Prescott Joule.

Bryan formulou a primeira lei da termodinâmica, ou princípio de Mayer-Joule, nos seguintes termos:

“ Quando o calor é transformado em trabalho ou, inversamente, o trabalho é transformado em calor, a quantidade de calor ganha ou perdida é proporcional à quantidade de trabalho perdida ou ganha. ”

Também escreveu:

“ Se o calor for medido em unidades dinâmicas, o equivalente mecânico torna-se igual à unidade, e as equações da termodinâmica assumem uma forma mais simples e simétrica. ”

Ele explicou por que a teoria calórica de Lavoisier e Laplace fazia sentido no âmbito da calorimetria pura, embora não explicasse a conversão de trabalho em calor por mecanismos como atrito e condução de eletricidade.

Depois de definir racionalmente a quantidade de calor, passou à segunda lei, incluindo a definição de Kelvin para temperatura termodinâmica absoluta.

Na página 34, escreveu:

“ §41. Irrealidade física dos processos reversíveis. Na natureza, todos os fenômenos são irreversíveis em maior ou menor grau. Os movimentos dos corpos celestes oferecem as aproximações mais próximas de movimentos reversíveis, mas os movimentos que ocorrem na Terra são amplamente retardados por atrito, viscosidade, resistência elétrica e outras resistências. Se as velocidades relativas dos corpos em movimento fossem invertidas, essas resistências ainda retardariam os movimentos relativos e não os acelerariam, como deveriam se os movimentos fossem perfeitamente reversíveis. ”

No §47, na página 39, Bryan enunciou o princípio da conservação da energia.

No §49, na página 40, escreveu:

“ Em relação aos fenômenos irreversíveis, devem ser admitidos os seguintes axiomas.
# Se um sistema puder sofrer uma mudança irreversível, ela ocorrerá.
# Uma mudança perfeitamente reversível não pode ocorrer por si mesma. Tal mudança só pode ser entendida como a forma-limite de uma mudança irreversível.
”

No §55, na página 46, ao tratar de sistemas fechados em contato térmico, escreveu:

“ Somos assim levados a postular um sistema no qual a energia pode passar de um elemento para outro por outro meio que não seja a realização de trabalho mecânico. ”

Na página 47, ainda tratando de sistemas fechados em contato térmico, escreveu:

“ §58. Quantidade de calor. Definição. Quando a energia flui de um sistema, ou parte de um sistema, para outro por outro meio que não a realização de trabalho, a energia assim transferida é chamada de calor. ”

Na página 48, escreveu:

“ §59. Quando dois corpos atuam termicamente um sobre o outro, as quantidades de calor recebida por um e perdida pelo outro não são necessariamente iguais.
No caso de corpos separados por uma distância, o calor pode ser retirado do meio intermediário ou fornecido a ele.
A quantidade de calor recebida por qualquer porção do éter pode ser definida da mesma maneira que a recebida por um corpo material. [Bryan tratava da radiação térmica.]
Outra exceção ocorre quando há deslizamento entre dois corpos ásperos em contato. A soma algébrica dos trabalhos realizados é diferente de zero porque, embora a ação e a reação sejam iguais e opostas, as velocidades das partes dos corpos em contato são diferentes. Além disso, o trabalho perdido no processo não aumenta a energia potencial mútua do sistema e não há meio intermediário entre os corpos. A menos que a energia perdida possa ser explicada de outra maneira, como quando o atrito produz eletrificação, decorre do princípio da conservação da energia que a soma algébrica das quantidades de calor recebidas pelos dois sistemas é igual à quantidade de trabalho perdida por atrito.
”

Essa ideia voltou a ser exposta em detalhe por Bridgman em 1941.

Carathéodory (1909)

Uma definição frequente de calor em termodinâmica baseia-se no trabalho de Constantin Carathéodory de 1909 e se refere a processos num sistema fechado. Carathéodory respondeu a uma sugestão de Max Born para que examinasse a estrutura lógica da termodinâmica.

A energia interna de um corpo em um estado arbitrário pode ser determinada pelas quantidades de trabalho realizado adiabaticamente pelo corpo sobre o meio quando parte de um estado de referência . Esse trabalho é avaliado por grandezas definidas no meio do corpo. Supõe-se que possa ser avaliado com precisão, sem erro causado por atrito no meio. O atrito dentro do corpo não é excluído por essa definição. A realização adiabática de trabalho é definida por paredes adiabáticas, que permitem a transferência de energia como trabalho, mas nenhuma outra transferência de energia ou matéria. Em particular, não permitem a passagem de energia como calor. Por essa definição, o trabalho realizado adiabaticamente em geral é acompanhado de atrito dentro do sistema termodinâmico ou do corpo. Carathéodory também postulou a existência de paredes não adiabáticas, diatérmicas, permeáveis apenas ao calor.

Para definir a quantidade de energia transferida como calor, costuma-se imaginar que um estado arbitrário de interesse seja alcançado a partir do estado por um processo com dois componentes, um adiabático e outro não adiabático. Por conveniência, o componente adiabático pode ser entendido como a soma do trabalho realizado pelo corpo por mudança de volume, mediante movimento das paredes enquanto a parede não adiabática é temporariamente tornada adiabática, e do trabalho adiabático isocórico. O componente não adiabático é então um processo de transferência de energia através da parede que deixa passar apenas calor, tornada acessível para essa transferência, do meio para o corpo. A mudança de energia interna necessária para chegar ao estado a partir do estado é a diferença entre as duas quantidades de energia transferida.

Embora Carathéodory não tenha formulado ele mesmo essa definição, tornou-se comum em estudos teóricos definir o calor recebido pelo corpo a partir do meio, no processo combinado de mudança do estado para o estado , como a mudança de energia interna menos a quantidade de trabalho realizado pelo corpo sobre o meio no processo adiabático:

Nessa definição, por rigor conceitual, a quantidade de energia transferida como calor não é especificada diretamente pelo processo não adiabático. Ela é definida pelo conhecimento de duas variáveis, a mudança da energia interna e a quantidade de trabalho adiabático realizada no processo combinado de mudança do estado de referência para o estado arbitrário . Isso não envolve explicitamente a quantidade de energia transferida no componente não adiabático do processo combinado. Supõe-se que a energia necessária para passar de a , a mudança da energia interna, seja conhecida independentemente do processo combinado, por uma determinação num processo puramente adiabático, como na determinação da energia interna do estado .

O rigor procurado nessa definição vem da admissão de apenas uma forma de transferência de energia como fundamental, a energia transferida como trabalho. A transferência de energia como calor é uma quantidade derivada. A singularidade do trabalho nesse esquema é tomada como garantia de rigor conceitual. Essa construção depende da ideia de que alguns processos sem atrito e sem outras formas de dissipação na transferência de energia podem ser realizados fisicamente. A segunda lei da termodinâmica estabelece, porém, que processos desse tipo não são encontrados na natureza.

Antes da definição matemática rigorosa de calor baseada no artigo de Carathéodory de 1909, calor, temperatura e equilíbrio térmico eram apresentados em livros de termodinâmica como conceitos primitivos conjuntos. Carathéodory iniciou seu artigo de 1909 afirmando: "A proposição de que a disciplina da termodinâmica pode ser fundamentada sem recorrer a nenhuma hipótese que não possa ser verificada experimentalmente deve ser vista como um dos resultados mais dignos de atenção da pesquisa em termodinâmica realizada durante o último século". Ao tratar do ponto de vista adotado pela maioria dos autores dos cinquenta anos anteriores, escreveu: "Existe uma grandeza física chamada calor que não é idêntica às grandezas mecânicas, massa, força, pressão etc., e cujas variações podem ser determinadas por medições calorimétricas". James Serrin iniciou uma exposição da termodinâmica com as palavras: "Na seção seguinte, usaremos as noções clássicas de calor, trabalho e quente como elementos primitivos [...] Que o calor seja um primitivo adequado e natural para a termodinâmica já era aceito por Carnot. Sua permanência como elemento primitivo da estrutura termodinâmica decorre do fato de sintetizar um conceito físico essencial e de seu uso bem-sucedido em trabalhos recentes para unificar diferentes teorias constitutivas".

Essa forma tradicional de apresentar os fundamentos da termodinâmica reúne ideias que podem ser resumidas pela afirmação de que a transferência de calor decorre exclusivamente da não uniformidade espacial da temperatura e ocorre por condução e radiação, de corpos mais quentes para corpos mais frios. Às vezes se afirma que essa apresentação tradicional depende necessariamente de raciocínio circular.

Uma abordagem alternativa para definir a quantidade de energia transferida como calor tem estrutura lógica diferente da formulação de Carathéodory.

Nela, a calorimetria é aceita como modo primário e direto de medir a quantidade de energia transferida como calor. A temperatura é tomada como um dos conceitos primitivos e é usada na calorimetria. Pressupõe-se que existam processos físicos em quantidade suficiente para permitir a medição de diferenças de energia interna. Esses processos não se restringem a transferências adiabáticas de energia como trabalho. Incluem a calorimetria, que é a forma prática mais comum de determinar diferenças de energia interna. A temperatura necessária pode ser empírica ou termodinâmica absoluta.

A formulação de Carathéodory, por sua vez, não usa calorimetria nem temperatura na definição primária da quantidade de energia transferida como calor. Ela considera a calorimetria apenas uma forma secundária ou indireta de medição. A quantidade de energia transferida como calor em um processo é definida de modo primário e direto como uma quantidade residual, calculada pela diferença entre as energias internas dos estados inicial e final do sistema e o trabalho efetivamente realizado pelo sistema durante o processo. Supõe-se que essa diferença de energia interna tenha sido medida antes por processos de transferência puramente adiabática de energia como trabalho, levando o sistema entre os estados inicial e final.

A construção de Carathéodory pressupõe que existam fisicamente processos adiabáticos em quantidade suficiente para que não seja necessário recorrer à calorimetria na medição da energia transferida como calor. Essa pressuposição é essencial, mas não é expressamente chamada de lei da termodinâmica nem de axioma da formulação. A existência física desses processos adiabáticos é, em grande parte, uma suposição. Na maior parte dos casos, os processos postulados não foram verificados empiricamente.

Planck (1926)

Em sua tese de 1879 e, de forma mais explícita, em 1926, Planck defendeu que a geração de calor por atrito fosse vista como a maneira mais específica de definir calor. Planck criticou Carathéodory por não tratar desse ponto. Carathéodory era matemático e preferia formular o problema em termos de processos adiabáticos. Planck, como físico, deu atenção ao atrito.

Transferência de calor

Uma ferradura aquecida reúne, no mesmo exemplo, condução no metal, convecção no ar quente ascendente e radiação térmica visível no brilho avermelhado.

Transferência de calor entre dois corpos

Ao tratar da condução, Partington escreveu: "Se um corpo quente é colocado em contato condutor com um corpo frio, a temperatura do corpo quente diminui e a do corpo frio aumenta, e diz-se que uma quantidade de calor passou do corpo quente para o corpo frio".

Sobre a radiação, Maxwell escreveu: "Na radiação, o corpo mais quente perde calor e o corpo mais frio recebe calor por meio de um processo que ocorre em algum meio intermediário, sem que esse meio se torne quente por isso".

Maxwell escreveu que a convecção, por si só, "não é um fenômeno puramente térmico". Em termodinâmica, a convecção em geral é entendida como transporte de energia interna. Quando a convecção é confinada e circulatória, porém, pode ser vista como um intermediário que transfere energia como calor entre um corpo-fonte e um corpo-destino, porque transfere apenas energia, e não matéria, da fonte ao destino.

Pela primeira lei aplicada a sistemas fechados, a energia transferida apenas como calor sai de um corpo e entra em outro, alterando a energia interna de cada um. A transferência de energia como trabalho entre corpos é uma forma complementar de alterar energias internas. Embora não seja rigorosa no sentido estrito dos conceitos físicos, uma formulação comum é dizer que calor e trabalho podem ser convertidos um no outro.

Máquinas cíclicas que usam apenas transferências de calor e trabalho têm dois reservatórios térmicos, um quente e outro frio. Elas podem ser classificadas pela faixa de temperaturas do corpo de trabalho em relação a esses reservatórios. Numa máquina térmica, o corpo de trabalho permanece mais frio que o reservatório quente e mais quente que o reservatório frio. Nesse sentido, usa a transferência de calor para produzir trabalho. Numa bomba de calor, o corpo de trabalho, em etapas diferentes do ciclo, fica mais quente que o reservatório quente e mais frio que o reservatório frio. Nesse sentido, usa trabalho para produzir transferência de calor.

Máquina térmica

Na termodinâmica clássica, um modelo comum é a máquina térmica. Ela é formada por quatro corpos, o corpo de trabalho, o reservatório quente, o reservatório frio e o reservatório de trabalho. Um processo cíclico deixa o corpo de trabalho no mesmo estado e pode ser imaginado como repetido indefinidamente. As transferências de trabalho entre o corpo de trabalho e o reservatório de trabalho são concebidas como reversíveis, por isso basta um reservatório de trabalho. São necessários, porém, dois reservatórios térmicos, porque a transferência de energia como calor é irreversível.

Em um ciclo, o corpo de trabalho retira energia do reservatório quente e a envia aos outros dois reservatórios, o de trabalho e o frio. O reservatório quente sempre fornece energia e o reservatório frio sempre a recebe. A segunda lei da termodinâmica impede um ciclo no qual nenhuma energia seja recebida pelo reservatório frio. Máquinas térmicas alcançam maior eficiência quando a razão entre as temperaturas inicial e final é maior.

Bomba de calor ou refrigerador

Outro modelo comum é a bomba de calor ou o refrigerador. Novamente há quatro corpos, o corpo de trabalho, o reservatório quente, o reservatório frio e o reservatório de trabalho. Um ciclo começa com o corpo de trabalho mais frio que o reservatório frio. Energia é então recebida como calor pelo corpo de trabalho a partir do reservatório frio. O reservatório de trabalho realiza trabalho sobre o corpo de trabalho, aumentando sua energia interna e deixando-o mais quente que o reservatório quente. O corpo de trabalho quente transfere calor ao reservatório quente, mas ainda permanece mais quente que o reservatório frio. Em seguida, ao se expandir sem transferir calor a outro corpo, o corpo de trabalho torna-se mais frio que o reservatório frio. Pode então receber novamente calor do reservatório frio e iniciar outro ciclo.

O dispositivo transporta energia de um reservatório mais frio para outro mais quente. Esse transporte não é entendido como ação de um agente inanimado isolado, e sim como resultado do emprego de trabalho. O trabalho vem do reservatório de trabalho e não de um único processo termodinâmico simples, mas de um ciclo de operações termodinâmicas e processos dirigido por um agente que controla o funcionamento. O ciclo permanece, por isso, compatível com a segunda lei da termodinâmica. A eficiência de uma bomba de calor, que pode ser maior que a unidade quando expressa como coeficiente de desempenho, é melhor quando a diferença de temperatura entre os reservatórios quente e frio é menor.

Essas máquinas têm dois usos funcionais, distinguindo-se o reservatório-alvo do reservatório de recurso, ou do meio. Uma bomba de calor transfere calor do reservatório de recurso para o reservatório quente, que é o alvo. Um refrigerador transfere calor do reservatório frio, que é o alvo, para o reservatório de recurso. O reservatório-alvo pode ser entendido como sujeito a vazamentos térmicos. Quando o alvo perde calor para o meio, usa-se bombeamento de calor. Quando o alvo recebe calor do meio, usa-se refrigeração. As máquinas empregam trabalho para compensar essas trocas.

Visão macroscópica

Planck distinguiu três abordagens conceituais para o calor. Uma é a abordagem microscópica, ou teoria cinética. As outras duas são macroscópicas. Numa delas, a lei da conservação da energia é tomada como anterior à termodinâmica e os processos são analisados mecanicamente, como no trabalho de Helmholtz. Essa é a abordagem mecânica usada com frequência na teoria termodinâmica. A outra é propriamente termodinâmica e trata o calor como conceito primitivo. A partir dele, por indução científica, chega-se à lei da conservação da energia. É também a abordagem prática na qual a quantidade de calor é medida por calorimetria.

Bailyn também separou as abordagens macroscópicas em mecânica e termodinâmica. A visão termodinâmica foi usada pelos fundadores da termodinâmica no século XIX. Nela, a quantidade de energia transferida como calor é um conceito primitivo compatível com um conceito também primitivo de temperatura, medido em primeiro lugar por calorimetria. Um calorímetro é um corpo no meio do sistema, com temperatura e energia interna próprias. Quando é ligado ao sistema por um caminho que permite transferência de calor, as mudanças no calorímetro medem essa transferência.

A visão mecânica foi iniciada por Helmholtz e desenvolvida e usada no século XX, em grande parte pela ação de Max Born. Nela, a quantidade transferida como calor é um conceito derivado, definido para sistemas fechados como a energia transferida por mecanismos diferentes da transferência como trabalho. O trabalho é tomado como conceito primitivo da termodinâmica e definido pela mecânica macroscópica. Born observou que a transferência de energia interna entre sistemas abertos que acompanha a transferência de matéria "não pode ser reduzida à mecânica". Nessa situação, não há uma definição fundamentada das quantidades de energia transferidas como calor ou como trabalho.

Na descrição termodinâmica de processos fora do equilíbrio, ainda assim se considera o efeito de um gradiente de temperatura imposto pelo meio através do sistema quando não existe barreira física ou parede entre o sistema e o meio, isto é, quando ambos são abertos um ao outro. A impossibilidade de uma definição mecânica baseada em trabalho nessa situação não altera o fato físico de que um gradiente de temperatura produz um fluxo difusivo de energia interna. Na visão termodinâmica, esse fluxo pode ser tratado como candidato ao conceito de transferência de energia como calor.

Também podem atuar outros fatores que provocam fluxo difusivo de energia interna, como um gradiente de potencial químico que impulsiona transferência de matéria e um gradiente de potencial elétrico que impulsiona corrente elétrica e iontoforese. Esses efeitos em geral interagem com o fluxo difusivo de energia interna provocado pelo gradiente de temperatura. Essas interações são chamadas de efeitos cruzados.

Se os efeitos cruzados que produzem transferência difusiva de energia interna também fossem chamados de transferências de calor, em alguns casos violariam a regra de que a transferência pura de calor ocorre apenas na direção descendente de um gradiente de temperatura, nunca na direção ascendente. Também entrariam em conflito com o princípio de que toda transferência de calor é do mesmo tipo, princípio baseado na ideia de condução de calor entre sistemas fechados.

Pode-se tentar definir de modo restrito o fluxo de calor provocado apenas por um gradiente de temperatura como um componente conceitual do fluxo difusivo de energia interna. Na visão termodinâmica, isso exige cálculos cuidadosos baseados em conhecimento detalhado dos processos e uma avaliação indireta. Se não houver transferência de matéria nem efeitos cruzados, a noção termodinâmica e a noção mecânica coincidem, como em sistemas fechados.

Quando há transferência de matéria, porém, as leis exatas pelas quais o gradiente de temperatura produz fluxo difusivo de energia interna em geral precisam ser supostas e, em muitos casos, são praticamente impossíveis de verificar. O cálculo do componente de "fluxo puro de calor" dentro do fluxo difusivo de energia interna passa, então, a depender de hipóteses difíceis de testar. Essa é uma razão para tratar o calor como conceito especializado, relacionado de maneira primária e precisa a sistemas fechados e aplicável apenas de modo bastante restrito a sistemas abertos.

Em muitos textos desse campo, usa-se a expressão "fluxo de calor" quando o que se quer dizer com maior precisão é fluxo difusivo de energia interna. Esse emprego é remanescente de uma linguagem antiga, já abandonada em formulações estritas, que atribuía a um corpo um "conteúdo de calor".

Visão microscópica

Na teoria cinética dos gases, o calor é explicado em termos dos movimentos e interações microscópicos das partículas constituintes, como elétrons, átomos e moléculas. A energia cinética das partículas constituintes não é, por si, calor. Ela é um componente da energia interna.

Em termos microscópicos, o calor é uma quantidade de transferência e é tratado por uma teoria de transporte, não como energia cinética de partículas localizada de modo permanente. A transferência de calor surge de gradientes ou diferenças de temperatura, por meio da troca difusiva de energia cinética e potencial microscópica das partículas em colisões e outras interações. Francis Bacon expressou cedo essa ideia de modo ainda impreciso. Formulações precisas e detalhadas foram desenvolvidas no século XIX.

Na mecânica estatística, para um sistema fechado, sem transferência de matéria, calor é a transferência de energia ligada a uma ação microscópica desordenada sobre o sistema, associada a mudanças nos números de ocupação dos níveis de energia do sistema sem mudança nos valores dos próprios níveis de energia. O trabalho termodinâmico macroscópico também pode alterar os números de ocupação sem mudar os valores dos níveis de energia. O que distingue a transferência como calor é que ela decorre inteiramente de ação microscópica desordenada, inclusive transferência radiativa. Uma definição matemática em termos de microestados pode ser formulada para pequenos incrementos de trabalho adiabático quase estático por meio da distribuição estatística de um conjunto de microestados.

Calorimetria

A quantidade de calor transferida pode ser medida por calorimetria ou determinada por cálculos baseados em outras grandezas.

A calorimetria é a base empírica da ideia de quantidade de calor transferida num processo. O calor transferido é medido por mudanças num corpo de propriedades conhecidas, como elevação de temperatura, mudança de volume ou comprimento ou mudança de fase, como a fusão do gelo.

O cálculo da quantidade de calor transferida pode usar uma quantidade hipotética de energia transferida como trabalho adiabático e a primeira lei da termodinâmica. Esse é o método principal em muitos estudos teóricos da quantidade de calor transferida.

Engenharia

Uma barra de ferro incandescente, da qual a transferência de calor para o ambiente ocorre principalmente por radiação térmica

A disciplina da transferência de calor, em geral tratada como parte da engenharia mecânica e da engenharia química, estuda métodos aplicados pelos quais a energia térmica é gerada, convertida ou transferida de um sistema para outro. Embora a definição de calor já implique transferência de energia, a expressão transferência de calor mantém um uso tradicional amplo em muitas áreas da engenharia e na linguagem comum.

Uma análise termodinâmica pode determinar a energia total transferida entre estados de equilíbrio, mas não determina, por si só, a rapidez com que essa transferência ocorre. A engenharia de transferência de calor estuda as taxas de transferência, os gradientes de temperatura e a evolução espacial e temporal desses processos.

A transferência de calor costuma ser apresentada por três mecanismos, condução térmica, convecção térmica e radiação térmica. Em análises de engenharia, também pode aparecer junto à transferência de massa e ao calor envolvido em mudanças de fase.

A radiação térmica é radiação eletromagnética e não se restringe à faixa do infravermelho. Sua distribuição espectral depende da temperatura do corpo emissor. Corpos próximos da temperatura ambiente, porém, emitem grande parte de sua radiação térmica no infravermelho.

A convecção pode ser tratada como efeito combinado de condução e escoamento de fluido. Do ponto de vista termodinâmico, o calor entra num fluido por difusão e aumenta sua energia. O fluido transporta, ou advecta, essa energia interna aumentada, e não calor como conteúdo armazenado, de um lugar para outro. Depois ocorre uma segunda interação térmica que transfere calor para outro corpo ou sistema, novamente por difusão. Todo o processo é frequentemente chamado de mecanismo de transferência de calor. Em sentido termodinâmico estrito, porém, o aquecimento e o resfriamento ocorrem nas duas extremidades do escoamento condutivo, não pelo transporte de matéria em si. Por isso, a convecção pode produzir uma transferência líquida de calor sem que cada etapa do processo seja, isoladamente, transferência de calor.

Na engenharia, a convecção é chamada de natural quando o movimento do fluido surge de diferenças de densidade e do empuxo produzido pelo aquecimento. É chamada de forçada quando o escoamento é imposto por dispositivos como ventiladores ou bombas.

Calor latente e calor sensível

Joseph Black

Em uma palestra de 1847 intitulada On Matter, Living Force, and Heat, James Prescott Joule tratou os termos calor latente e calor sensível como componentes do calor ligados a fenômenos físicos distintos, respectivamente à energia potencial e à energia cinética das partículas. Ele chamou de energia latente a energia possuída pelo afastamento das partículas, quando a atração atuava por uma distância maior, uma forma de energia potencial. O calor sensível foi relacionado à energia do movimento das partículas, isto é, à energia cinética.

Calor latente é o calor liberado ou absorvido por uma substância química ou por um sistema termodinâmico durante uma mudança de estado da matéria que ocorre sem alteração de temperatura. O processo pode ser uma transição de fase, como a fusão do gelo ou a ebulição da água.

Quando a mudança de fase ocorre em condições nas quais o calor latente específico pode ser tratado como constante, a quantidade de calor transferida é

Nessa expressão, é a massa da substância.

Capacidade térmica

A capacidade térmica é uma grandeza mensurável igual à razão entre o calor adicionado a um objeto e a mudança de temperatura resultante. A capacidade térmica molar é a capacidade térmica por unidade de quantidade de uma substância pura, cuja unidade no SI é o mol. A capacidade térmica mássica, também chamada de calor específico, é a capacidade térmica por unidade de massa de um material. A capacidade térmica é uma propriedade física da substância e depende do estado e das propriedades da substância considerada.

Para um processo termodinâmico especificado, a capacidade térmica e o calor específico podem ser escritos como

Quando pode ser tratado como constante no intervalo de temperatura e não ocorre mudança de fase,

Se o calor específico variar de modo apreciável com a temperatura, a forma correspondente é

Para sistemas compressíveis, a capacidade térmica depende das condições impostas ao processo. Duas grandezas comuns são , medida a volume constante, e , medida a pressão constante. Sob as condições usuais em que o único trabalho é o de expansão, o calor transferido a volume constante corresponde à variação da energia interna e, a pressão constante, à variação da entalpia.

Os calores específicos de gases monoatômicos, como o hélio, são quase constantes com a temperatura. Gases diatômicos, como o hidrogênio, têm alguma dependência da temperatura, e gases triatômicos, como o dióxido de carbono, apresentam dependência maior.

Antes do desenvolvimento das leis da termodinâmica, o calor era medido pelas mudanças nos estados dos corpos participantes.

Algumas regras gerais, com exceções, podem ser enunciadas. A maior parte dos corpos se expande quando aquecida. Nessas condições, aquecer um corpo a volume constante aumenta a pressão que ele exerce sobre as paredes que o confinam, enquanto aquecê-lo a pressão constante aumenta seu volume.

A maior parte das substâncias possui três estados da matéria reconhecidos de forma habitual, sólido, líquido e gasoso. Algumas também podem existir como plasma. Muitas têm estados adicionais e mais diferenciados, como vidro e cristal líquido. Em muitos casos, a temperatura e a pressão fixas, uma substância pode existir em mais de um estado distinto da matéria no mesmo corpo. O gelo, por exemplo, pode flutuar num copo de água. Gelo e água constituem então duas fases dentro do corpo. A regra das fases estabelece condições para a coexistência de fases distintas.

Em geral, a uma pressão fixa, há uma temperatura definida na qual o aquecimento faz um sólido fundir ou evaporar e outra na qual o aquecimento faz um líquido evaporar. O resfriamento produz os efeitos inversos. Esses casos comuns permitem medir o aquecimento por mudanças de estado de um corpo. Corpos desse tipo são chamados de corpos termométricos e permitem definir temperaturas empíricas. Antes de 1848, todas as temperaturas eram definidas dessa maneira. Isso criava uma relação estreita entre calor e temperatura, embora os dois conceitos já fossem vistos como distintos, sobretudo por Joseph Black na segunda metade do século XVIII.

Há exceções que rompem essa relação aparente entre calor e temperatura. Elas deixam claro que definições empíricas de temperatura dependem das propriedades específicas de determinadas substâncias termométricas e não podem, por isso, receber o nome de "absolutas". A água, por exemplo, contrai-se ao ser aquecida perto de 277 K. Não pode ser usada como substância termométrica nessa faixa. Em certa faixa de temperatura, o gelo também se contrai quando aquecido. Muitas substâncias podem ainda existir em estados metaestáveis, como sob pressão negativa, que persistem apenas por períodos curtos e em condições muito específicas. Fatos desse tipo, às vezes chamados de "anômalos", estão entre as razões para a definição termodinâmica da temperatura absoluta.

Nos primeiros métodos de medição de temperaturas altas, outro fator teve uso prático. Josiah Wedgwood usou em seu pirômetro a contração de uma amostra de argila para estimar a temperatura atingida num processo. Quanto maior a temperatura, maior a contração. Esse era o único método razoavelmente confiável disponível para medir temperaturas acima de 1.000 °C. A contração, porém, é irreversível. A argila não volta a se expandir ao esfriar. Por isso, podia ser usada na medição, mas apenas uma vez. Ela não é um material termométrico no sentido comum da expressão.

A definição termodinâmica da temperatura absoluta, por sua vez, faz uso essencial do conceito de calor, com as devidas restrições.

"Quente"

A propriedade de estar quente é um tema da termodinâmica que pode ser definido sem recorrer ao conceito de calor. Seu exame leva ao conceito de temperatura empírica. Todos os sistemas físicos são capazes de aquecer ou resfriar outros. Em comparações de quão quente um corpo está, os termos "mais quente" e "mais frio" são definidos pela regra de que o calor flui do corpo mais quente para o corpo mais frio.

Se um sistema físico for muito não homogêneo, mudar com grande rapidez ou variar de modo irregular, como em turbulência, pode ser impossível caracterizá-lo por uma temperatura. Ainda assim, pode ocorrer transferência de energia como calor entre ele e outro sistema. Se o estado físico de um sistema for regular e persistir por tempo suficiente para que ele alcance equilíbrio térmico com um termômetro determinado, então ele possui uma temperatura nessa escala. Um termômetro empírico registra o grau de quão quente está esse sistema. Essa temperatura é chamada de empírica. Truesdell escreveu sobre a termodinâmica clássica: "A cada instante, atribui-se ao corpo um número real chamado temperatura. Esse número é uma medida de quão quente está o corpo".

Sistemas físicos turbulentos demais para possuir temperatura ainda podem diferir quanto ao quão quentes estão. Diz-se que o sistema que transfere calor a outro é o mais quente dos dois. Para que um sistema tenha temperatura termodinâmica é preciso mais. Seu comportamento deve ser regular o bastante para que sua temperatura empírica seja a mesma em todos os termômetros adequadamente calibrados e escalonados. Nesse caso, a propriedade de quão quente ele está pode ser situada numa variedade unidimensional. Essa é uma das razões pelas quais o calor, nas formulações de Carathéodory e Born, é definido apenas como transferência que ocorre por meios diferentes do trabalho ou da transferência de matéria. A temperatura é deliberadamente omitida dessa definição.

A mesma questão explica a formulação explícita da lei zero da termodinâmica. Se três sistemas físicos, , e , não estiverem cada um em seu próprio estado de equilíbrio termodinâmico interno, pode acontecer, com conexões físicas adequadas entre eles, de aquecer , aquecer e aquecer . Em situações fora do equilíbrio, ciclos de fluxo são possíveis.

Nos sistemas termodinâmicos em equilíbrio interno, isso não ocorre. Essa propriedade particular do equilíbrio termodinâmico interno exige que a lei zero seja enunciada de modo explícito. A relação "não é mais frio que" entre sistemas físicos gerais fora do equilíbrio não é transitiva. Já a relação "não tem temperatura menor que" entre sistemas termodinâmicos em seus próprios estados de equilíbrio interno é transitiva. Segue-se que a relação "está em equilíbrio térmico com" também é transitiva, uma das formas de enunciar a lei zero.

Assim como a temperatura pode não estar definida para um sistema suficientemente não homogêneo, a entropia também pode não estar definida para um sistema que não esteja em seu próprio estado de equilíbrio termodinâmico interno. A "temperatura do Sistema Solar", por exemplo, não é uma grandeza definida. Da mesma forma, a "entropia do Sistema Solar" não é definida na termodinâmica clássica. Não foi possível definir a entropia fora do equilíbrio como um único número para um sistema inteiro de modo plenamente satisfatório.

Termodinâmica clássica

Calor e entalpia

Para um sistema fechado, do qual matéria não entra nem sai, uma forma da primeira lei da termodinâmica afirma que a mudança de energia interna do sistema é igual à quantidade de calor fornecida ao sistema menos a quantidade de trabalho termodinâmico realizada pelo sistema sobre o meio. Esta seção usa a convenção de sinal em que o trabalho realizado pelo sistema é positivo. Outra convenção, adotada pela IUPAC e por muitos livros de físico-química, como os de Peter Atkins e Ira Levine, toma como positivo o trabalho realizado pelo meio sobre o sistema.

A fórmula pode ser reescrita como definição da quantidade de energia transferida como calor, baseada apenas no conceito de trabalho adiabático, se for definido e medido exclusivamente por processos de trabalho adiabático:

O trabalho termodinâmico realizado pelo sistema ocorre por mecanismos definidos pelas variáveis de estado termodinâmicas do próprio sistema, como seu volume , e não por variáveis que dependem necessariamente de mecanismos no meio. Entre estes últimos está o trabalho de eixo, além do trabalho isocórico.

A energia interna é uma função de estado. Em processos cíclicos, como o funcionamento de uma máquina térmica, as funções de estado da substância de trabalho voltam aos valores iniciais quando o ciclo termina.

A diferencial, ou incremento infinitesimal, da energia interna num processo infinitesimal é uma diferencial exata .

Em contraste, nenhum dos incrementos infinitesimais e representa a mudança de uma função de estado do sistema. Os incrementos infinitesimais de calor e trabalho são diferenciais inexatas. A integral de qualquer diferencial inexata num processo em que o sistema sai de um estado termodinâmico e volta a ele não precisa ser igual a zero.

A segunda lei da termodinâmica, examinada na seção sobre calor e entropia, estabelece que, se calor for fornecido a um sistema num processo reversível, o incremento de calor e a temperatura formam a diferencial exata

Aqui, , a entropia do corpo de trabalho, é uma função de estado. De modo semelhante, para uma pressão bem definida atrás de uma fronteira que se move lentamente, em regime quase estático, a diferencial de trabalho e a pressão se combinam para formar

Aqui, é o volume do sistema, uma variável de estado. Para sistemas de pressão e temperatura uniformes, sem mudança de composição,

Essa equação diferencial permite tratar a energia interna como uma função de suas variáveis naturais e . A representação da energia interna na relação termodinâmica fundamental é escrita como

A volume constante,

A pressão constante,

A entalpia é definida por

A entalpia pode ser tratada como uma função de suas variáveis naturais e . A representação da entalpia na relação termodinâmica fundamental é escrita como

As representações da energia interna e da entalpia são transformadas parciais de Legendre uma da outra. Contêm a mesma informação física escrita de maneiras diferentes. Assim como a energia interna, a entalpia expressa como função de suas variáveis naturais é um potencial termodinâmico e contém a informação termodinâmica sobre um corpo.

Se uma quantidade de calor for adicionada a um corpo enquanto ele realiza apenas trabalho de expansão sobre o meio,

Se o processo ocorrer a pressão constante, com , o trabalho de expansão realizado pelo corpo será . Pela primeira lei,

Também,

Por substituição,

Essa última igualdade vale a pressão constante e sem trabalho elétrico. Nessas condições, o aumento de entalpia é igual à quantidade de calor adicionada ao sistema. Essa relação fundamenta a determinação calorimétrica das mudanças de entalpia em reações químicas. Como muitos processos ocorrem à pressão atmosférica constante, a entalpia às vezes recebe o nome enganoso de "conteúdo de calor" ou "função calor", embora dependa fortemente das energias de ligações covalentes e das forças intermoleculares.

Em função das variáveis naturais e da função de estado , a mudança do estado 1 para o estado 2 pode ser escrita como

A pressão constante, a segunda integral é nula:

A temperatura é dada identicamente por

Logo,

Nesse caso, a integral especifica uma quantidade de calor transferida a pressão constante e sem trabalho elétrico.

Calor e entropia

Rudolf Clausius

Em 1856, Rudolf Clausius, ao tratar de sistemas fechados sem transferência de matéria, definiu o segundo teorema fundamental, a segunda lei da termodinâmica, na teoria mecânica do calor. Se duas transformações que podem substituir uma à outra sem exigir qualquer outra mudança permanente forem chamadas de equivalentes, a geração de uma quantidade de calor a partir de trabalho à temperatura terá o "valor de equivalência":

Em 1865, Clausius definiu a entropia, simbolizada por , de modo que o fornecimento de uma quantidade de calor à temperatura aumente a entropia do sistema em

Numa transferência de energia como calor sem realização de trabalho, a entropia muda no meio que perde calor e no sistema que o recebe. O aumento da entropia do sistema pode ser separado em duas parcelas. Uma delas, , corresponde ou compensa a mudança da entropia do meio. A outra, , pode ser entendida como entropia gerada ou produzida no sistema e é chamada de não compensada. A relação é

Usando os índices para sistema, para a parcela compensada, para a parcela não compensada e para o meio, a mesma relação pode ser escrita como

A parcela compensada satisfaz

A mudança total de entropia no sistema e no meio é, portanto,

Diz-se então que uma quantidade de entropia foi transferida do meio para o sistema. Como a entropia não é uma grandeza conservada, esse uso da palavra "transferida" difere do uso mais geral, em que a quantidade transferida é conservada.

A segunda lei da termodinâmica exige que, numa transferência espontânea de calor em que a temperatura do sistema seja diferente da temperatura do meio,

Para análise matemática das transferências, consideram-se processos idealizados chamados de reversíveis, nos quais a temperatura do sistema difere apenas infinitesimalmente da temperatura do meio e a transferência ocorre a uma taxa imperceptivelmente lenta.

Para um processo reversível idealizado, uma quantidade de calor transferida , uma diferencial inexata, pode ser escrita como , com uma diferencial exata:

Essa igualdade vale apenas para uma transferência idealizada sem produção de entropia, isto é, sem entropia não compensada.

Se o processo for natural e irreversível, há produção de entropia, com

Clausius chamou a quantidade

de "calor não compensado", expressão que não corresponde à terminologia usada na termodinâmica posterior. Nesse caso,

Obtém-se a desigualdade

Ela expressa a segunda lei da termodinâmica para sistemas fechados.

Na termodinâmica fora do equilíbrio que usa a aproximação de equilíbrio termodinâmico local, emprega-se uma notação específica. Supõe-se que a transferência de energia como calor ocorra através de uma diferença infinitesimal de temperatura, de modo que o elemento do sistema e seu meio tenham praticamente a mesma temperatura . Escreve-se

Por definição,

A produção interna de entropia é escrita como

A segunda lei para um processo natural estabelece que

Ver também

Notas

  1. ↑ Esses "graus de calor" dependiam do contexto e só podiam ser usados quando as condições eram idênticas, exceto pelo único fator investigado. Nos estudos de calor específico, os "graus de calor" se baseavam na mudança de temperatura multiplicada pela massa. Nos estudos de calor latente, baseavam-se na mudança de temperatura multiplicada pelo tempo decorrido. Essas unidades não eram equivalentes.
  2. ↑ Lavoisier escreveu: "Reconheço que o nome calorímetro, que lhe dei, derivado em parte do grego e em parte do latim, está até certo ponto sujeito a crítica. Mas, em questões de ciência, um pequeno desvio da etimologia estrita, para dar clareza à ideia, é desculpável, e eu não poderia derivar o nome inteiramente do grego sem aproximá-lo demais dos nomes de instrumentos conhecidos empregados para outros fins."

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Citações

  1. ↑ Denbigh escreveu em nota de rodapé que devia essa observação à correspondência com E. A. Guggenheim e N. K. Adam. Concluiu: "Parece, contudo, que, quando um sistema pode trocar calor e matéria com o ambiente, é impossível fazer uma distinção inequívoca entre a energia transportada como calor e pela migração de matéria sem já pressupor a existência do 'calor de transporte'." Denbigh, K. G. (1951), p. 56.
  2. ↑ "O calor deve, portanto, consistir ou em força viva ou em atração através do espaço. No primeiro caso, podemos imaginar as partículas constituintes dos corpos aquecidos, no todo ou em parte, em estado de movimento. No segundo, podemos supor que as partículas sejam afastadas pelo processo de aquecimento, de modo a exercer atração através de um espaço maior. Inclino-me a acreditar que as duas hipóteses se mostrarão válidas, que em alguns casos, especialmente no calor sensível, ou aquele indicado pelo termômetro, o calor consistirá na força viva das partículas dos corpos em que é induzido, enquanto em outros, sobretudo no calor latente, os fenômenos serão produzidos pela separação entre partícula e partícula, fazendo com que se atraiam através de um espaço maior." Joule, J. P. (1884).

Bibliografia citada

Bibliografia adicional

Ligações externas