Maria Bonomi

Maria Bonomi
Nascimento8 de julho de 1935 (91 anos)
novara
CidadaniaBrasil
Alma mater
Ocupaçãoescultora, gravador, artista gráfica, pintora
Distinções
Página oficial
http://www.mariabonomi.com.br

Maria Anna Olga Luisa Bonomi (Meina, 8 de julho de 1935) é uma artista plástica ítalo-brasileira que trabalha como gravadora, escultora, pintora, muralista, curadora, figurinista, cenógrafa e professora.

Biografia

Neta de Giuseppe Martinelli, construtor do primeiro arranha-céu da América Latina, o Edifício Martinelli, datado de 1929, emigrou para o Brasil em 1946, fixando-se em São Paulo. Filha de mãe brasileira, Georgina Martinelli Bonomi e pai italiano Ambrógio Bonomi, a família deixa a Europa no rastro da Segunda Guerra Mundial.

Por volta de 1946-1947 Maria passa a estudar no Colégio Des Oiseaux, onde conclui o colegial clássico. Em 1950 Georgina a leva até o ateliê de Lasar Segall que, após averiguar a pasta da iniciante, telefona para a pintora Yolanda Mohalyi, solicitando que ela guie a futura artista. Com Yolanda Mohalyi, Maria Bonomi continua a desenhar e já dá início ao uso do guache, do lavis e do óleo.

É válido ressaltar que, desde tenra idade, Maria Bonomi estava inserida nos circuitos da arte. Nesse momento, os amigos pessoais da família passarão a ser em breve algumas das personalidades mais importantes do país: Pietro Maria Bardi, Lina Bo Bardi e Ciccillo Matarazzo.

Em 1952, a artista viaja para Europa, hospeda-se com seu tio Ginetto Luigi Bonomi e visita ateliês e coleções de arte da Itália, convivendo com colecionadores, restauradores e artistas, entre eles Marino Marini, Mario Sironi e Alberto Magnelli. Futuramente, é através de seu tio que Maria conhece, em Roma, o artista Enrico Prampolini.

Entre 1953-1954 a artista volta ao Brasil, prosseguindo seus estudos com Karl Plattner, ajudando-o mais adiante na execução do Painel das Folhas, junto de Wesley Duke Lee.

Por volta de 1954-1955 Maria conhece Lívio Abramo e após insistências, como conta Maria, ele a aceita como aprendiz. A partir daí inicia-se lixando madeira, afiando instrumental e imprimindo as matrizes de Abramo em papel arroz; após esse contato com o material de xilogravura ela começa a gravar em linóleo, gradativamente prosseguindo para a gravura em madeira, de fio e de tôpo.

Em 1956 Maria escreve um artigo que é publicado na XXe Siècle (Paris) intitulado "Rencontre Avec Sophie Tauber-Arp". viaja novamente para a Europa e em 1957 passa a visitar o ateliê de Emilio Vedova em Veneza, na Itália. Junto dele, frequenta museus e galerias da Áustria, Bélgica e Holanda. Partindo da Europa, Bonomi vai para os Estados Unidos (possivelmente no final de 1957). Nesse mesmo ano, acompanhada de Henri Zerner, começa a frequentar o ateliê gráfico de Tânia Grossman, onde habitualmente encontrava Rauschenberg, Jasper Johns, Lee Bontecou e Lee Krasner, pintora abstrata norte-americana e viúva de Pollock.

Por volta de 1958, iniciou o curso Museum Training I com o professor Weinberger, oferecido pela New York University e desenvolvido majoritariamente nas dependências do Metropolitan Museum of Art. Na mesma época, cursou Advanced Graphic Arts com Hans Müller e Fine Arts com Meyer Schapiro, ambos na Columbia University. Ainda naquele ano, estudou com o artista chinês Seong Moy e, em junho, recebeu uma bolsa da Ingram-Merril Foundation para frequentar o Pratt-Contemporaries Graphic Art Centre, centro de estudos gráficos vinculado ao Pratt Institute, em Nova Iorque.

De volta ao Brasil, em 1959, frequenta a oficina de gravura em metal de Johnny Friedlaender (1912-1992), no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ). Em 1960, em São Paulo, funda o Estúdio Gravura, com Lívio Abramo, de quem foi assistente até 1964. Em 1961, Bonomi se casa com o diretor Antunes Filho e tem um filho no ano seguinte chamado Cássio Luis Bonomi Antunes. Conectada com o universo das peças teatras que o diretor produz, a artista cria juntamente ao marido um programa de televisão intitulado "TV Arte", onde convida personalidades do mundo artístico. Dentre elas estão: Hilda Hilst, Arcângelo Ianelli, Dora Vasconcellos e Viveca Lindfors. O programa fora veiculado pela emissora Excelsior, que deixou de existir.

A partir dos anos 1970, passa a dedicar-se também à escultura. Produz também grandes painéis para espaços públicos, sendo amplamente reconhecida e aclamada por suas obras, nacional e internacionalmente.

Por volta de 1972, passa a explorar novas possibilidades para a matriz de gravura, criando peças em poliéster colorido, entre elas Solombras, em homenagem à poeta Cecília Meireles. Também desenvolveu desenhos para azulejos destinados às Indústrias Matarazzo e estampas para tecidos da Rhodia, participando de projetos que reuniram importantes artistas brasileiros, entre eles Fayga Ostrower.

Com base em suas experiências em cenografia e artes gráficas, Bonomi tem seus projetos de arte pública marcados pela monumentalidade. Entre 1974-1976 realizou seu primeiro grande trabalho em concreto, o altar da igreja Mãe do Salvador (igreja da Cruz Torta), em São Paulo.

Em 1999, defende sua tese de doutorado Arte Pública. Sistema Expressivo/Anterioridade, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP).

Em 2001, foi agraciada com a comenda da Ordem do Rio Branco e, em 25 de outubro de 2010, recebeu a Ordem do Ipiranga, no grau Grande Oficial, pelo Governo do Estado de São Paulo.

A artista foi uma das personagens reais retratadas pelos autores Alcides Nogueira e Maria Adelaide Amaral na minissérie Um Só Coração, exibida em 2004 pela Rede Globo, tendo sido interpretada pela atriz Maria Luísa Mendonça.

Bonomi desenvolveu projetos de ilustração de livros em parceria com escritoras com quem também matinha laços de amizade, como Cecília Meireles e Hilda Hilst. As obras resultantes dessas colaborações estão Qadós e Ou Isto ou Aquilo. A artista ainda faz parte do desenvolvimento do livro O Elogio da Xilo - Situações Xilográficas, em conjunto com Haroldo de Campos, resultando em um conjunto de gravuras e textos.

Exposições

Maria Bonomi participou ao longo de sua trajetória de importantes mostras coletivas nacionais e internacionais, consolidando sua projeção no circuito artístico brasileiro e estrangeiro. Sua presença em exposições de grande destaque teve início na década de 1950, quando integrou a III Bienal de São Paulo (1955); I Biennale de Paris, Musée d'Art Moderne (1959); V Bienal de São Paulo. Onde expôs juntamente a outras artistas abstratas, como: Edith Behring; Ione Saldanha; Maria Leontina; Sheila Brannigan; Lygia Clark; Yolanda Mohalyi e entre outros.

Nos anos seguintes participou da IX Bienal de São Paulo (1967), mais uma vez acompanhada de outras artistas como Fayga Ostrower e Felícia Leirner. Esteve também na V Bienal de Paris (1967) e a II Bienal Nacional de Artes Plásticas (1968).

Na década de 1970, participou da XXXVI Bienal de Veneza (1972), da XII Bienal de São Paulo (1973) e da 9° Bienal Internacional de Gravura do Japão (1974-1975), ao passo que também integrou exposições voltadas à difusão da gravura brasileira em instituições nacionais e internacionais. Em 1985, representou o Brasil na 16° Bienal Internacional de Artes Gráficas de Ljubljana, na então Iugoslávia.

A partir dos anos 2000, esteve presente em diversas bienais dedicadas à gravura e às artes visuais na América Latina, incluindo a Bienal de Gravura de Santo André, a Bienal de San Juan del Grabado Latinoamericano y del Caribe, a Bienal de Miniaturas Gráficas Luisa Palácios, a Bienal Argentina de Gráfica Latinoamericana e a Bienal Barro de América. Além disso, também esteve presente na 2° Bienal Internacional de Arte de Pequim (2005) e da II Bienal Internacional Ceará de Gravura (2006).

Nos decênios subsequentes sua produção continuou a ser apresentada em exposições coletivas de destaque, entre elas mostras organizadas por instituições como o Sesc, a Pinacoteca do Estado de São Paulo e o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo. Em 2017, participou da 32° Bienal de Artes Gráficas de Ljubljana, e, em 2018, da 5° Bienal Internacional de Gravura de Araraquara. Em 2024, integrou a 60° Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza, destacando sua relevância no cenário artístico ainda atualmente.

Premiações na Bienal Internacional de Arte de São Paulo:

Ao longo da década de 1960, destacou-se nas premiações das Bienais Internacionais de São Paulo, recebendo o Prêmio Aquisição João A. da Costa Dória na V Bienal (1959), o Prêmio Aquisição Drury's S/A na VII Bienal (1963) e o prêmio de Melhor Gravador Nacional na VIII Bienal (1965).

Nas Bienais Internacionais de São Paulo, além de Maria Bonomi, outras artistas brasileiras também foram premiadas ao longo das diferentes edições, especialmente nas décadas de 1950 e 1960. Entre essas artistas estão Tarsila do Amaral, Maria Leontina, Maria Martins, Elisa Martins da Silveira, Felícia Leirner, Fayga Ostrower, Zélia Salgado, Lygia Clark, Yolanda Mohaly, Isabel Pons, Anna Letycia Quadros, Sheila Brannigan, Liuba Wolf e Wega Nery.

Exposições Individuais

Exposições coletivas recentes

Homenagem à Imigração Italiana no Brasil

Em 2025, Maria Bonomi criou uma escultura especial para o Prêmio Ciccillo Matarazzo per Italiani nel Mondo, comemorando os 150 anos da imigração italiana no Brasil. A obra, em bronze e aço, simboliza a fusão entre o "velho mundo" e o "novo mundo", representando a jornada dos imigrantes italianos em busca de uma nova vida no país. Elementos como casas italianas, uma vela de navio e formas ascendentes evocam a esperança e a prosperidade dos que chegaram ao Brasil.

Galeria - Arte Pública

Referências

  1. ↑ LAUDANNA, Mayra. Maria Bonomi: da gravura à arte pública. São Paulo: EDUSP/Imprensa Oficial, 2007.
  2. ↑ Maria Bonomi. Disponível em: <https://mariabonomi.com.br/artista_biografia.asp>. Acesso em: 19 jun. 2026.
  3. ↑ Maria Bonomi. Disponível em: <https://mariabonomi.com.br/artista_biografia.asp>.
  4. ↑ OLIVEIRA, Alecsandra Matias de. Poética da memória: Maria Bonomi e epopeia paulista. Tese (Doutorado em Artes) – Universidade de São Paulo, 2008.
  5. ↑ Maria Bonomi. Disponível em: <https://mariabonomi.com.br/artista_biografia.asp>.
  6. ↑ Maria Bonomi. Disponível em: <https://mariabonomi.com.br/artista_biografia.asp>. Acesso em: 19 jun. 2026.
  7. ↑ Maria Bonomi. Disponível em: <https://mariabonomi.com.br/artista_biografia.asp>. Acesso em: 19 jun. 2026.
  8. ↑ Maria Bonomi. Disponível em: <https://mariabonomi.com.br/escritos_decenio_1950.asp>. Acesso em: 21 jun. 2026.
  9. ↑ OLIVEIRA, Alecsandra Matias de. Poética da Memória: Maria Bonomi e epopéia paulista. 2008. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo.
  10. ↑ Maria Bonomi. Disponível em: <https://mariabonomi.com.br/artista_biografia.asp>.
  11. ↑ Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais. Maria Bonomi
  12. ↑ «A artista plástica Maria Bonomi é homenageada no Palácio dos Bandeirantes». Memorial da América Latina. 4 de novembro de 2010. Consultado em 12 de março de 2018. Arquivado do original em 12 de junho de 2018
  13. ↑ «Maria Bonomi completa 90 anos defendendo a arte independente». VEJA SÃO PAULO. Consultado em 21 de junho de 2026
  14. ↑ MUSEU DE ARTE MODERNA DE SÃO PAULO. Catálogo 3ª Bienal. São Paulo: Museu de Arte Moderna de São Paulo, 1955. Disponível em: https://bienal.org.br/biblioteca/catalogo-54/. Acesso em: 22 jun. 2026.
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  17. ↑ MUSEU DE ARTE MODERNA DE SÃO PAULO. V Bienal de São Paulo: catálogo geral. São Paulo: Museu de Arte Moderna de São Paulo, 1959. Disponível em: https://bienal.org.br/biblioteca/catalogo-52/. Acesso em: 22 jun. 2026.
  18. ↑ FUNDAÇÃO BIENAL DE SÃO PAULO. Catálogo 11ª Bienal de São Paulo. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1971. Disponível em: https://bienal.org.br/biblioteca/catalogo-46/. Acesso em: 22 jun. 2026.
  19. ↑ BONOMI, Maria. Exposições coletivas. Disponível em: http://www.mariabonomi.com.br/artista_exposicoes_coletivas.asp. Acesso em: 22 jun. 2026.
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  21. ↑ BONOMI, Maria. Exposições coletivas. Disponível em: http://www.mariabonomi.com.br/artista_exposicoes_coletivas.asp. Acesso em: 22 jun. 2026.
  22. ↑ BONOMI, Maria. Exposições coletivas. Disponível em: http://www.mariabonomi.com.br/artista_exposicoes_coletivas.asp. Acesso em: 22 jun. 2026.
  23. ↑ BONOMI, Maria. Exposições coletivas. Disponível em: http://www.mariabonomi.com.br/artista_exposicoes_coletivas.asp. Acesso em: 22 jun. 2026.
  24. ↑ BONOMI, Maria. Prêmios. Disponível em: http://www.mariabonomi.com.br/artista_premios.asp. Acesso em: 22 jun. 2026.
  25. ↑ Maria Bonomi. «Prêmios». Consultado em 22 junho 2026
  26. ↑ CERCHIARO, Marina Mazze. Escultoras e bienais: a construção do reconhecimento artístico no pós-guerra. 2020. Tese (Doutorado em Estética e História da Arte) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2020. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/93/93131/tde-17062021-114037/publico/2020_MarinaMazzeCerchiaro_VCorr.pdf. Acesso em: 22 jun. 2026.
  27. ↑ «Maria Bonomi». www.mariabonomi.com.br. Consultado em 21 de junho de 2026
  28. ↑ «Maria Bonomi». www.mariabonomi.com.br. Consultado em 22 de junho de 2026
  29. ↑ «Escultura de Maria Bonomi será entregue durante Prêmio Ciccillo Matarazzo». Estadão. Consultado em 13 de maio de 2025

Ligações externas