| Max Romeo Maxwell Livingston Smith | |
|---|---|
Max Romeo em 2022 | |
| Informações gerais | |
| Nome completo | Maxwell Livingston Smith |
| Também conhecido(a) como | Max Romeo |
| Nascimento | 22 de novembro de 1947 Saint Ann, Jamaica |
| Origem | Saint Ann |
| País | Jamaica |
| Morte | 11 de abril de 2025 (77 anos) Saint Andrew |
| Gênero | |
| Ocupação | |
| Instrumento | Vocal |
| Período em atividade | 1966–2025 |
| Afiliação | The Upsetters |
Max Romeo, batizado Maxwell Livingston Smith, (Saint Ann, 22 de Novembro de 1947 – Saint Andrew, 11 de abril de 2025) foi um cantor e compositor jamaicano de reggae que fez bastante sucesso na Jamaica, e no Reino Unido. Ele se estabeleceu como uma das figuras mais emblemáticas do roots reggae, gênero marcado por forte teor espiritual, político e de protesto social.
Romeo foi responsável por criar um sub-gênero do reggae, denominado lyrics, onde eram cantadas as músicas com três vozes, dando uma conotação vocal mais elaborada nas mesmas. Lançou o sucesso Wet Dream.

Saiu de casa com apenas 14 anos, onde foi trabalhar em uma plantação de cana de açúcar em um condado da Jamaica chamado Clarendon Parish, mais precisamente no sistema de irrigação das plantações, onde começava a cantarolar para que o tempo passasse.
Em 1965 juntou-se com Kenneth Knight e Lloyd Shakespeare formando um trio denominado The Emotions, também nessa época trabalhou como auxiliar de gravações para a gravadora "Ken Lack's Caltone Records" grupo não obteve tanto sucesso em suas apresentações, Mas Lack ofereceu uma oportunidade para acompanhar o cantor Smith, onde começaram a compor no mesmo dia.
Em 1966, o grupo lançou sua primeira canção, pela própria Lack Records, "(Buy You) A Rainbow".
Em 1968, Romeo mudou-se para o Reino Unido, onde escreveu diversas canções novas para um álbum de Derrick Morgan, "Hold You Jack".
Retornou para a jamaica em 1970, trazendo novas influências para o que seria de fato a origem do Reggae. Max Romeo lançou seu segundo álbum "Let the Power Fall" em 1971, com músicas politizadas em apoio ao Partido Nacional Popular (PNP), sendo a faixa-título o hino da campanha de 1972. Trabalhou com o produtor Lee "Scratch" Perry no álbum "Revelation Time" (1975) e lançou "War Ina Babylon" (1976), considerado seu melhor trabalho, com o sucesso da canção, "Chase the Devil". Após desentendimentos com Perry, produziu Reconstruction (1977), com menor sucesso.
Mudou-se para Nova York em 1978 e coescreveu o musical Reggae. Participou do álbum Emotional Rescue dos Rolling Stones em 1980 e, em 1981, lançou "Holding Out My Love to You", sem êxito comercial. Nos anos seguintes, teve pouca visibilidade musical, trabalhando em uma loja de eletrônicos, até retornar à Jamaica, incentivado por John Holt.
Nos anos 1990, voltou a gravar no Reino Unido, lançando álbuns com Jah Shaka e Mafia & Fluxy. Em 2014, lançou Pai e Filhos com seus filhos, e sua filha Xana Romeo também iniciou carreira musical. Em 2023, processou a Universal Music Group por US$ 15 milhões, alegando não receber royalties há mais de 50 anos.
Romeo faleceu em 11 de abril de 2025 aos 80 anos de problemas cardíacos.
Antes de consolidar sua carreira no cenário internacional como um dos expoentes do roots reggae de teor político-religioso na década de 1970, o cantor e compositor jamaicano Max Romeo (nascido Maxwell Livingston Smith) obteve proeminência comercial através da vertente lírica conhecida na Jamaica como slackness. Caracterizado por composições de forte teor sexual, trocadilhos de duplo sentido e picardia, esse estilo era executado sob as bases rítmicas do rocksteady e do early reggae (ou skinhead reggae). O Impacto de "Wet Dream" e a Censura.
O marco inicial e de maior impacto comercial dessa fase ocorreu em 1968 com o lançamento do single "Wet Dream", produzido por Bunny Lee. A faixa apresentava uma lírica explicitamente erótica para os padrões radiofônicos da época, o que resultou no banimento imediato de sua execução na British Broadcasting Corporation (BBC) no Reino Unido.
Apesar da censura institucional, o registro fonográfico alcançou expressivo sucesso comercial no mercado britânico, impulsionado pelo consumo da juventude local e da subcultura skinhead original. A canção atingiu a 10ª posição na parada oficial de singles do Reino Unido (UK Singles Chart) em maio de 1969, permanecendo no gráfico por 26 semanas e acumulando mais de 250 mil cópias vendidas. Diante das controvérsias, Romeo sustentava publicamente uma defesa satírica, alegando que a letra versava de forma literal sobre goteiras no telhado de uma residência.
Em 1968, o cantor adotou o nome artístico de Max Romeo e decidiu iniciar sua trajetória solo. Seus primeiros singles focavam em baladas românticas de apelo pop, mas que não engajaram comercialmente. A grande virada — e a primeira grande polêmica — veio no final daquele ano.
No início dos anos 1970, Max Romeo passou por uma profunda transformação espiritual e ideológica, abraçando formalmente a fé Rastafari. Suas letras abandonaram a safadeza juvenil para se tornarem crônicas afiadas da realidade social e política da Jamaica. Em 1972, ele apoiou ativamente a campanha eleitoral do primeiro-ministro Michael Manley do Partido Nacional do Povo (PNP), gravando canções de forte apelo popular como "No Joshua No".
O auge de sua maturidade artística aconteceu quando ele se associou ao genial e excêntrico produtor Lee "Scratch" Perry e sua banda de estúdio, The Upsetters. Dessa parceria nasceu o álbum fundamental do movimento roots: "War Ina Babylon" (1976), lançado internacionalmente pela gravadora Island Records. O disco traduzia perfeitamente a tensão política, a violência urbana de Kingston e o misticismo religioso.
Foi exatamente no álbum War Ina Babylon que o mundo conheceu "Chase the Devil" (1976), faixa composta em parceria entre Max Romeo e Lee Perry. A introdução clássica, onde Romeo profere.
| “ | Lucifer, son of the morning, I'm gonna chase you out of Earth. | ” |
— Max Romeo | ||
| “ | Lúcifer, filho da alva, eu vou expulsar você da Terra. |
” |
— Max Romeo | ||
,dita o tom da canção. Anos mais tarde, em uma entrevista à BBC News, Romeo explicou o verdadeiro conceito da composição: o "diabo" ali retratado não era uma figura folclórica com cauda e chifres, mas sim toda a negatividade, maldade e opressão cultivadas na mente humana e nas estruturas de poder da sociedade. A metáfora de vestir uma "iron shirt" (camisa de ferro) simbolizava a couraça e a força espiritual necessárias para resistir às injustiças cotidianas ("Babilônia").
A faixa ganhou status cult devido à engenharia sonora executada no lendário estúdio Black Ark de Lee Perry. Utilizando técnicas primitivas de gravação em quatro canais, Perry adicionou linhas de baixo profundas e um uso cirúrgico de delays e ecos que davam à voz de Romeo e aos vocais de apoio masculinos uma atmosfera etérea e urgente. Perry gostava tanto do instrumental que o reaproveitou para a faixa "Croaking Lizard", do Prince Jazzbo, e criou o clássico remix dub "Disco Devil".
Após o sucesso dos anos 70, Max Romeo enfrentou dificuldades contratuais e mudou-se temporariamente para Nova Iorque em 1978, onde chegou a participar de musicais e gravou backing vocals para o álbum "Emotional Rescue dos Rolling Stones". Ao longo das décadas seguintes, retornou à Jamaica e manteve uma rotina constante de turnês mundiais (principalmente na Europa, onde o roots reggae possui um público altamente fiel).
A exposição gerada por Grand Theft Auto: San Andreas abriu as portas dos palcos para Romeo apresentar sua mensagem a um público jovem e renovado nos anos 2000 e 2010. Ele continuou se apresentando ao lado de seus filhos, que também seguiram carreira musical, mantendo viva a chama do reggae clássico até sua morte em 2025, deixando "Chase the Devil" eternizada tanto na história da música jamaicana quanto na cultura pop dos videogames.
No enredo de GTA San Andreas, o protagonista Carl "CJ" Johnson enfrenta um ecossistema moldado por traições, gangues violentas e policiais corruptos (liderados pelo antagonista Frank Tenpenny). Quando o jogador sintoniza a rádio K-JAH West e ouve "Chase the Devil", ecoando pelos alto-falantes enquanto cruza as estradas de terra de Red County ou as rodovias ensolaradas que cercam San Fierro, cria-se uma catarse perfeita. A mensagem da música sobre resistir ao mal casa diretamente com a luta de CJ para sobreviver em um mundo corrompido.
A curadoria da Rockstar Games ao escolher a faixa ajudou a consolidar a atmosfera nostálgica do início dos anos 1990 — período em que o jogo é ambientado e época em que o grupo britânico de música eletrônica The Prodigy havia acabado de utilizar o sample da canção de Romeo para criar o hit raver "Out of Space" (1992).
Max Romeo moveu uma ação judicial contra a gravadora Universal Music Group (UMG) e a editora PolyGram Publishing, Inc. O litígio, protocolado em 2023 em um tribunal de Nova Iorque fundamenta-se em alegações de quebra de contrato, falta de pagamento de royalties e ausência de transparência na prestação de contas de suas obras musicais gravadas na década de 1970.
Max Romeo consolidou-se como uma das figuras centrais do roots reggae global, especialmente após o lançamento do álbum "War Ina Babylon" (1976), produzido por Lee "Scratch" Perry e lançado pela Island Records (cujo catálogo foi posteriormente adquirido pela Universal Music). O álbum contém algumas das faixas mais célebres do gênero, incluindo: "Chase the Devil" "One Step Forward" "War Ina Babylon" Ao longo das décadas, o catálogo de Romeo manteve relevância comercial contínua devido ao licenciamento para compilações, trilhas sonoras de cinema e jogos eletrônicos (como o jogo Grand Theft Auto: San Andreas), além do uso extensivo de samples por artistas de alta visibilidade internacional. A faixa "Chase the Devil", por exemplo, foi utilizada como base para as canções "Out of Space", do grupo de música eletrônica The Prodigy, e "Lucifer", do rapper norte-americano Jay-Z.
A petição inicial alega que, apesar do sucesso comercial duradouro e das receitas geradas pelo uso de suas obras, o artista recebeu valores irrisórios ou nulos decorrentes desses licenciamentos. A defesa do músico sustenta que os contratos originais estipulavam uma divisão de 50% dos lucros provenientes do licenciamento de direitos autorais e fonográficos com terceiros.
O caso insere-se em um debate mais amplo na historiografia da música contemporânea sobre a exploração econômica de artistas pioneiros do reggae jamaicano por grandes conglomerados de mídia. Juristas e historiadores da música apontam que contratos firmados nas décadas de 1960 e 1970 frequentemente careciam de proteções adequadas aos criadores, resultando em litígios tardios à medida que catálogos antigos ganhavam nova sobrevida comercial na era digital e do streaming.
A discografia de Max Romeo: