
Calimba ou ambira (também grafado mbira)(português de Moçambique) ou quissanje (também grafado quiçanje e quiçanja) (português de Angola) é um instrumento musical idiofónico, de origem africana, pertencente à família dos lamelofones, que se toca dedilhando teclas ou lamelas metálicas.
A ambira é composta por um conjunto de teclas metálicas, de diferentes comprimentos, alinhadas em fila sobre uma base de madeira, as quais são tangidas com os dedos.
O substantivo «calimba» provém do étimo banto, Kalimba.
Os substantivos «ambira» e «mbira» provêm do xona e significam «teclar» ou «dedilhar».
Os substantivos quissanje, quiçanje e quiçanja provêm do quimbudo kisanji.
As mbiras consistem numa caixa de ressonância, ou reverberação, feita em madeira e numa placa de metal sobre a qual se alinham e prendem várias tiras de metal espalmado, a que se chamam lamelas, que funcionam como teclas de diferentes tamanhos, cuja vibração produz sons em escalas sonoras diferentes.
Os tocadores fazem vibrar as lamelas com as pontas dos dedos, ou mesmo com as unhas, enquanto que, com os dedos mindinhos de ambas as mãos, batucam entre a placa de metal e a caixa de ressonância, variando deste modo as tonalidades, entre sons mais graves ou agudos. As melodias tocadas na mbira podem ser acompanhadas, ou não, por cânticos e instrumentos de percussão.
Há uma grande variedade de tipos de mbira, sendo que algumas variedades não usam a placa de metal entre a caixa de ressonância e as tiras de lamelas, ao passo que outras se servem de maior ou menor número de lamelas. Com efeito, em Moçambique conhece-se uma variante da mbira, com 15 a 17 lamelas, de constituição mais robusta, conhecida como mbira nhunga-nhunga.
Noutros casos, ainda, a caixa de ressonância é feita com metade de uma cabaça.
Os primeiros lamelofones surgiram no Vale de Zambeze, próximo ao atual Zimbábue, na África Subsaariana. Eram feitos de materiais como madeira da palmeira de ráfia e outros materiais vegetais; datam de cerca de 1000 a.C. Posteriormente, este instrumento dispersou-se pelo continente africano, adquirindo características diferentes, como o número de teclas ou lamelas (por vezes, também, elas-próprias designadas mbiras) e os materiais acoplados às teclas para alterar o som.
As mbiras rastreiam as suas origens aos povos Xonas, que consistem num vasto conjunto agregado de povos que actualmente predominam no Zimbabwe, centro de Moçambique e sul do Malawi.
Tradicionalmente, a mbira era tocada em cerimónias, denominadas mbahamba, em que se propiciam os espíritos dos antepassados, os chamados mudzimu (plural vadzimu).
A mbira, na qualidade de objecto cultural material entre os povos Xona-Caranga, e em particular entre os Ndaus, teria um valor simbólico de mediador entre os homens e os espíritos, neste caso em específico os espíritos dos antepassados, os mudzimu. Mas as suas valências não se limitam a este âmbito ritualista, marcando presença também em contextos mais lúdicos, serve igualmente de intermediário das sociabilidades que se geram entre tocadores e ouvintes, em ambientes de familiares e de festividade.
Hoje em dia, a fim de promover a recuperação das tradições musicais e de combater o estigma de ruralidade que envolve a mbira, o governo moçambicano criou o «Festival da Mbira», que tem decorrido todos os anos, desde 2017, como plataforma de formação, apresentação e debate, reunindo músicos emergentes, investigadores e artesãos, relacionados com a mbira.