Retratado em 1953 na revista O Cruzeiro | ||
| Informações pessoais | ||
|---|---|---|
| Nome completo | Milton Alves da Silva | |
| Data de nascimento | 16 de outubro de 1930 | |
| Local de nascimento | Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil | |
| Nacionalidade | brasileiro | |
| Data da morte | abril de 1972 | |
| Local da morte | São Paulo, São Paulo, Brasil | |
| Altura | 1,84m | |
| Informações profissionais | ||
| Posição | volante (1949–1957) zagueiro (1958–1963) | |
| Clubes profissionais | ||
| Anos | Clubes | Jogos e gol(o)s |
| 1949 1950–1955 1955–1960 1961–1962 1962 1963 |
Corinthians-RS Internacional Peñarol River Plate → San Telmo (emp.) Metropol |
|
| Seleção nacional | ||
| 1952–1955 1954 |
Rio Grande do Sul Brasil |
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Milton Alves da Silva, mais conhecido como Salvador (Porto Alegre, 16 de outubro de 1930 - São Paulo, abril de 1972), foi um futebolista brasileiro que jogava como volante, no início da carreira, e zagueiro, ao final. Foi o primeiro brasileiro a vencer a Copa Libertadores da América: venceu precisamente a edição inaugural, com o Peñarol, além de entrar nas estatísticas da competição também como um dos jogadores presentes na primeira partida da história do torneio.
Também é um dos maiores ídolos do Internacional, eleito por três vezes para o time colorado dos sonhos, em eleições promovidas pela revista Placar em 1982, em 1994 e em 2006. Ganhou o apelido ainda em jogos colegiais, por marcar gols descritos como "salvadores". Ele, porém, se consagraria como volante, ou centromédio, como a posição também era chamada. O Peñarol o contratou para que sucedesse precisamente Obdulio Varela nessa posição do campo.
Dotado de fôlego equiparado ao de um maratonista, Salvador era elogiado por lançamentos "perfeitos" (na descrição de Carlitos) e pela capacidade de organizar o jogo. Gradualmente, passou a ser escalado de modo mais recuado, como zagueiro, posição em que já atuava quando venceu aquela Copa Libertadores de 1960.
Nativo do bairro porto-alegrense do Menino Deus, começou a praticar futebol no Pão dos Pobres, colégio em que estudou dos oito aos dezoito anos e onde formou-se como impressor de tipografia. Foi ali que, destacando-se em partidas interclasses até contra alunos mais velhos, obteve o apelido de Salvador. Na versão mais difundida, pela frequência de gols "salvadores". Em outra versão, por "carregar nas costas" a equipe colegial; em outra, por alguma semelhança física com alguém que já teria o mesmo apelido.
Após deixar o colégio, ele inicialmente seguiu praticando futebol de modo recreativo, em jogos de várzea, nas folgas de seu trabalho. Foi assim prospectado pelo Força e Luz, em 1949, época em que este clube ainda se chamava Corinthians. O treinador era Otto Bumbel.
Segundo o próprio jogador, não ganhou muito dinheiro no Força e Luz, mas, em compensação, muita experiência. Foi no "Forcinha" que o apelido de Salvador se disseminou definitivamente, diante do temor dele de que ser noticiado pelo nome real pudesse lhe causar problemas no emprego que possuía em paralelo ao esporte. Ele gostava da alcunha, como contou em 1953 para O Cruzeiro: "muita gente não gosta de apelido. Comigo dá-se o contrário. Sei que Milton foi um grande poeta inglês, mas o Salvador foi muito mais, redimiu o mundo. E, às vezes, quando o meu time vence e escrevem que joguei tão bem que fiz jus ao meu nome de guerra, sinto-me tremendamente envaidecido".

Vindo do Força e Luz, chegou ao Internacional a tempo de obter o campeonato gaúcho de 1950. O título de 1950 foi o primeiro de quatro títulos estaduais seguidos do chamado "Rolinho", como era apelidada aquela geração colorada sucessora do "Rolo Compressor" da década de 1940. Salvador esteve em todo o tetracampeonato, declarando que "juntava o útil ao agradável", pois atuava no clube pelo qual torcia.
A conquista estadual de 1952 incluiu gol dele, seu único em Grenais, em goleada de 5-1 (no antigo estádio dos Eucaliptos) em 7 de dezembro, pela fase citadina do certame. Naquele mesmo ano, começou a participar também da Seleção Gaúcha, defendendo-a no Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais daquele ano, quando o certame era valorizado. Na edição de 1952, o Rio Grande foi semifinalista.
Já a ocasião que Salvador considerava como sua maior alegria como jogador colorado foi o honroso empate em 1-1 dentro do estádio Centenario frente a Seleção Uruguaia, então campeã do mundo, em 23 de março de 1953. A Celeste utilizou na ocasião Roque Máspoli, Matías González, Víctor Rodríguez Andrade, Julio Pérez, Óscar Míguez e Juan Alberto Schiaffino, todos presentes no Maracanaço, bem como William Martínez, reserva naquele título e futuro companheiro do próprio Salvador na defesa do Peñarol. Um ano depois daquela vitória, comentou que "naquele dia eu senti que algo de grandioso nós tínhamos conquistado".
Também em 1953, passou a ser considerado pela Seleção Brasileira, figurando entre os pré-convocados ao Copa América daquele ano, embora não tivesse oportunidade "porque Danilo, Ely e Bauer, em grande forma, não davam chance a ninguém", segundo palavras dele próprio para a revista O Cruzeiro. Anos depois, para a Manchete Esportiva, complementou que era visto como ainda jovem demais. Nas eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 1954, ocorridas entre fevereiro e março do próprio ano de 1954, ele não chegou a entrar em campo, mas esteve entre os convocados aos jogos contra Chile e Paraguai.
Sua única partida pelo Brasil deu-se precisamente em 1954, em 9 de maio, em amistoso pré-Copa contra um combinado da Colômbia. O Brasil venceu por 2-0, com Salvador entrando no decorrer do jogo para substituir Brandãozinho, no Maracanã. Integrou a lista de pré-convocados à Copa do Mundo FIFA de 1954, mas terminou não mantido para a convocação final. A própria possibilidade de sua presença, no contexto da época, era um logro raríssimo para jogadores de fora de Rio de Janeiro ou São Paulo, tardando-se até a Copa do Mundo FIFA de 1966 para que o Brasil levasse a um Mundial um futebolista que atuasse no Rio Grande do Sul (Alcindo). Uma lesão, porém, o teria atrapalhado, assim como a preocupação da comissão em satisfazer a todos do Eixo Rio-São Paulo a ponto de rigorosamente metade dos 22 convocados ser de algum dos quatro grandes cariocas e a outra metade ser oriunda do trio paulistano acrescido da Portuguesa. Nas primeiras semanas depois do corte, Salvador, em junho, descrevia o momento com sua maior tristeza no futebol, embora declarasse respeitar a opção do treinador Zezé Moreira e desejasse sorte aos convocados. Um ano depois, mais resignado, afirmava que sua presença entre os pré-convocados era sua principal alegria, juntamente com aquele empate contra o Uruguai.
Ainda em 1954, em 20 setembro, ele participou de Grenal amistoso, mas dos mais recordados: foi válido pelas festividades de inauguração do estádio Olímpico Monumental e terminou com goleada de 6-2 sobre os anfitriões. O clássico também lhe trouxe questionamentos: o centromédio chegou a polemizar por fraturar a perna do adversário Xisto em outro Grenal, lance que chegou a rotular Salvador como um jogador violento. Ao todo, Salvador disputou por 22 vezes o clássico, sendo derrotado em apenas duas.
O passo do tempo voltou a reconhecê-lo como um futebolista de jogadas limpas e habilidosas, mas Salvador chegou mesmo a ter até mesmo sua importância contestada; em maio de 1955, pouco após a saída dele, um comentarista já alertava: "vi muitos torcedores e técnicos de café dizerem que Salvador não jogava nada, que quem jogava era o Oreco, o Odorico e etc e ele jogava nas costas dos outros. Salvador foi e os outros ficaram e o Internacional não se acerta". A venda coincidiu com o início de longo período de pouquísimos títulos: o Inter pôde terminar campeão estadual de 1955, mas dali até o ano de 1969 só venceu o certame de 1961, intercalando um pentacampeonato e um heptacampeonato gremista. Salvador não permaneceu para o título de 1955, realizando ainda em 9 de janeiro daquele ano seu último Grenal (vitória de 2-1); nove dias depois, já fazia sua primeira partida pelo Peñarol.
O negócio com o Peñarol foi, na época, a contratação mais cara envolvendo um futebolista do Rio Grande do Sul, girando em torno de um milhão de cruzeiros. Ao todo, Salvador tem conhecidas 187 partidas e quatorze gols como jogador do Internacional. Foi incluído entre os cem maiores ídolos dos primeiros cem anos do clube, em edição especial preparada pela revista Placar comemorativa ao centenário colorado, em 2009.
A revista Placar também elegeu por três vezes Salvador para o time dos sonhos do Inter, escalando-lhe no meio-campo juntamente com Carpegiani e Falcão nessas três ocasiões, em 1982, 1994 e 2006. Em nova eleição promovida em 2025 pela revista, os eleitores já preferiram inserir Andrés D'Alessandro junto aos outros dois.

Salvador foi contratado em 1955 pelo Peñarol, com a finalidade de substituir Obdulio Varela, que ia parar de jogar. Já em 18 de janeiro o brasileiro foi testado pela primeira vez, em vitória amistosa por 2-0 contra o Estrela Vermelha, que visitava o estádio Centenario. Nessa ocasião, porém, ainda não estava transferido definitivamente: Peñarol e Internacional seguiam acertando a negociação ao longo de fevereiro, aguardando-se o desfecho do Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais para a transferência se efetivar; a Seleção Gaúcha foi eliminada já em março nas semifinais. Com isso, o segundo jogo de Salvador pelo novo clube tardou até abril, em derrota de 3-2 para o Flamengo.
Obdulio fez sua última partida em 14 de maio daquele ano, contra o Danubio. Curiosamente, quatro dias depois, em 18 de maio, houve jogo entre Inter e Peñarol, fazendo com que Salvador enfrentasse a ex-equipe. Em empate encerrado em 3-3 no Centenário, entrou no decorrer do jogo, a partir do intervalo.
Ele não foi o primeiro a ter defendido Internacional e Peñarol, já havendo o antecedente do também brasileiro Pirillo na década de 1940. O intercâmbio, contudo, se tornou mais numeroso depois da estadia de Salvador: o argentino Elio Montaño chegou a jogar nos dois clubes já em 1959. Alfredo Lamas e o chileno Elías Figueroa foram alguns dos nomes seguintes, entre o final da década de 1960 e o início da de 1970; no início da década de 1980, as duas diretorias trocaram o brasileiro Jair por Rubén Paz no mesmo negócio. Diego Aguirre também jogou por ambos naquela década, tornando a defendê-los como treinador já na década de 2010, em que Jorge Fossati também treinou as duas equipes. Óscar Aguirregaray, Nicolás Freitas, Diego Forlán, Ronaldo Conceição (brasileiro) e Abel Hernández foram outros atletas que desde a década de 1990 apareceram em comum, em relação de amizade que se consolidou entre os dois clubes e suas torcidas.
Os primeiros títulos de Salvador como carbonero vieram em 1956, em sequência de competições amistosas, a exemplo da "Copa Competencia", do "Campeonato de Honor", do "Torneio Triangular Santiago do Chile" ou da "Copa Embajada del Uruguay en Costa Rica", todas naquele ano. Embora até então não conseguisse o título de campeão uruguaio, seu sucesso em um cenário que valorizava jogadores aguerridos faziam de Salvador ser visto como convocável em potencial para a Copa do Mundo FIFA de 1958, especialmente porque seu contrato com o Peñarol venceria ainda em 31 de janeiro daquele ano, fator essencial à medida em que na época o Brasil não convocava quem atuasse fora do país. Ele declarava que voltaria "correndo" ao país se de fato fosse chamado, mas antevia a possibilidade do Peñarol pedir alto demais para liberar seu passe; detalhou que uma oferta de repatriação pelo Internacional em 1956 teria se inviabilizado com os dirigentes uruguaios orçando em 200 mil cruzeiros.
Permanecendo no Uruguai, país de nascimento de uma filha, o brasileiro tornou-se presença recorrente no início do primeiro pentacampeonato uruguaio seguido da equipe, iniciado exatamente em 1958. Naquele momento, ele já vinha sendo escalado como zagueiro do flanco direito, em dupla com William Martínez. Néstor Gonçalves havia estreado em 1957 e imediatamente se firmado como novo volante central. A conquista do campeonato uruguaio de 1958, o primeiro desde 1954, veio com apenas um ponto de vantagem sobre o arquirrival Nacional.
O bicampeonato seguido em 1959, por sua vez, só foi assegurado já no ano seguinte, após a dupla Nacional e Peñarol ter terminado igualada na liderança. Mesmo sem ter participado da temporada regular de 1959, o reforço Alberto Spencer, contratado em janeiro de 1960, foi autorizado a participar do jogo extra determinado pelo regulamento, em final travada em 20 de março de 1960. Salvador foi um dos sete aurinegros que terminaram a partida, com o Superclásico encerrado com quatro expulsões para cada lado e vitória peñarolense por 2-0. Praticamente um mês depois, o brasileiro participou do jogo inaugural da Copa Libertadores da América, em goleada de 7-1 sobre o Jorge Wilstermann, em 19 de abril de 1960.

Os carboneros avançaram também sobre o San Lorenzo e eventualmente foram campeões, com Salvador presente nas duas partidas finais com o Olimpia e tornando-se o primeiro brasileiro a vencer a competição. Salvador teve também a atuação mais elogiada dentre os jogadores do Peñarol no empate sem gols contra o Real Madrid no jogo de ida da primeiro Mundial Interclubes; ele e Néstor Gonçalves souberam anular Alfredo Di Stéfano e Ferenc Puskás no Estádio Centenario. Contudo, o adversário sagrar-se-ia campeão ao golear no Santiago Bernabéu. A viagem à Europa incluiu posterior amistoso seis dias mais tarde contra o Milan, com Salvador presente em vitória de 2-0 dentro de San Siro.
O último título de Salvador com o Peñarol foi o torneio uruguaio do mesmo ano de 1960, com o tricampeonato seguido do chamado primeiro Quinquenio de Oro se assegurando em 18 de dezembro, em triunfo de 3-1 sobre o Cerro. Em 29 de dezembro, foi então acertada sua venda ao River Plate, com a equipe argentina permitindo-lhe que passasse ainda em Montevidéu as festas de fim de ano. A negociação envolveu a troca com o peruano Juan Joya, por sua vez encaminhado pelo River ao Peñarol.
O brasileiro tem conhecidas 209 partidas e cinco gols marcados pela equipe uruguaia.
Salvador chegou a Buenos Aires em contexto de contratação em larga escala de brasileiros por equipes argentinas: ele chegou a integrar um elenco riverplatense om outros três conterrâneos - Moacyr, Delém e Roberto Frojuello. A boa pré-temporada europeia, na qual Salvador atuou em famosa vitória de 5-2 dentro de Turim sobre a Juventus, porém, foi seguida de uma performance aquém do esperado no campeonato argentino. Nele, figurou em curioso Superclásico em que todos os quatro gols foram de brasileiros: Delém para o River, enquanto Paulo Valentim fez os três do Boca Juniors, pelo campeonato de 1961.
Salvador jogou ao todo quatorze vezes na primeira divisão argentina daquele ano, com um gol marcado, em chute de forte de fora da área sobre o Gimnasia La Plata. Sem prosperar no River, seguiu carreira por clubes bem menores. Uma fratura teria iniciado decadência súbita em Salvador, inicialmente emprestado em 1962 ao San Telmo, então um clube da segunda divisão argentina. Ali, Salvador contabilizou dezessete jogos e três gols.
Posteriormente, defendeu equipes do interior brasileiro. Em abril de 1963, quando ele já atuava no Metropol, então campeão catarinense de 1962, chegou a ser noticiado que Salvador pararia de jogar para tornar-se técnico desta equipe de Criciúma. Ainda seguia jogando neste clube, que vivia sua década dourada, na ocasião de duelos contra o Grêmio travados em setembro pela Taça Brasil daquele ano.
Em maio de 1964, noticiou-se no Diário do Paraná que o Ferroviário, uma das equipes que dariam origem ao atual Paraná Clube, estudou a contratação de Salvador, "que havia abandonado o futebol e que está propenso a vir" para Curitiba.
Sabe-se que o jogador morreu pobre e precocemente, na década de 1970, com fontes variando entre abril de 1972, o ano de 1973 ou o de 1979.