Minde | |
|---|---|
| Gentílico | minderico, mindense |
| Localização de Minde em Portugal | |
| Coordenadas: 39° 31′ 00″ N, 8° 41′ 00″ O | |
| Região | Oeste e Vale do Tejo |
| Sub-região | Médio Tejo |
| Província | Ribatejo |
| Distrito | Santarém |
| Município | |
| Código | 140206 |
| Fundação | 20-01-1165 |
| Elevação a vila | 14 de agosto, 1963 |
| Governo | |
| • Tipo | Junta de freguesia |
| • Presidente | Joaquina Fátima Ramalho (PPD/PSD) |
| Área | |
| • Total | 21,15 km² |
| População | |
| • Total (2021) | 2 908 hab. |
| Densidade | 137,5 hab./km² |
| Código postal | 2395 |
| Orago | Nossa Senhora da Assunção |
| Sítio | jf-minde.pt |
Minde é uma vila portuguesa ribatejana sede da Freguesia de Minde do Município de Alcanena, freguesia com 21,15 km² de área e 2908 habitantes (censo de 2021), tendo, assim, uma densidade populacional de 137,5 hab./km².
A povoação de Minde foi elevada à categoria de vila em 1963.
Da freguesia de Minde fazem parte, além da vila, as aldeias do Covão do Coelho e do Vale Alto, situando-se perto das localidades de Porto de Mós, Fátima, Batalha e Alcobaça.
A vila de Minde possui uma língua própria, designada de minderico, reconhecida internacionalmente pelo SIL International como língua individual, autónoma e viva. Esta língua foi desenvolvida pelos feirantes mindericos que, em tempos viajavam por todo o país, com o propósito principal de se entenderem de forma privada, impedindo outros indivíduos de perceber o que estes falavam e combinavam. Minde designa-se Ninhou na linguagem minderico.
Nota: Nos anos de 1864 a 1890 pertencia ao concelho de Porto de Mós. Pelo decreto lei de 07/09/1895 passou a fazer parte do concelho de Torres Novas. Pela lei nº 156, de 08/05/1914 passou a fazer parte do concelho de Alcanena. Pelo decreto nº 4149, de 26/04/1918, foram desanexados lugares desta freguesia para criar a freguesia de Serra de Santo António.
A população registada nos censos foi:
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| Distribuição da População por Grupos Etários | ||||
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| Ano | 0-14 Anos | 15-24 Anos | 25-64 Anos | > 65 Anos |
| 2001 | 528 | 478 | 1720 | 585 |
| 2011 | 474 | 338 | 1734 | 747 |
| 2021 | 341 | 300 | 1406 | 861 |
O início da sua história como povoação documentalmente referenciada remonta a 1165 com o decreto do rei D. Afonso Henriques a instituir uma albergaria para apoio aos transeuntes na travessia das serras envolventes, hoje denominadas por Maciço Calcário Estremenho no Sistema Montejunto-Estrela.
Da Paróquia de Minde era donatária a Sereníssima Casa de Bragança.
Tendo pertencido inicialmente ao concelho de Porto de Mós, por extinção deste em 1892, passou a integrar o concelho de Torres Novas. Em 1914 é criado o concelho de Alcanena e Minde passa a estar integrado no mesmo.
Já contou com um hospício de frades arrábidos cuja denominação oficial era Hospício de Santa Ana dos Frades Arrábidos de Minde, mandado construir pessoalmente por D. João V em 1731, que acabaria por sofrer um "pavoroso incêndio" nas mãos de Fr. João do Chavinha, irmão do posterior proprietário do hospício (a partir de 1841) António Carreira Chavinha. Este ofício surge mencionado em vários atos administrativos de relevo nacional, como um alvará concedido e assinado por D. Maria I, concedendo ao convento religioso um número de bens essenciais à vida dos frades que nele viviam. É tido que toda esta documentação e qualquer espólio deste hospício foi perdida aquando do incêndio supramencionado. Deste hospício terão saído importantes clínicos, desembargadores, advogados e religiosos portugueses. Neste hospício também terá sido desenvolvida uma língua, o Minderico, para que pudessem dialogar normalmente sem pressões da Santa Inquisicão, que condenou inúmeros frades e padres portugueses advindos de Minde, sobretudo por blasfémia. Do Hospício de Sant'Ana saíram importantes examinadores das ordens religiosas portuguesas e religiosos (mais notavelmente D. Frei Silvestre de Maria Santíssima).
O grande desenvolvimento da sua indústria têxtil nos anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial proporcionou-lhe a elevação à categoria de vila em 1963.
Embora seja um facto pouco conhecido nesta freguesia, um dos autores do nefando atentado à bomba contra o 100.º Presidente do Conselho de Ministros, António de Oliveira Salazar foi preso algures nesta freguesia, em 1937, notícia que o Jornal O Século tentou veicular, mas que foi censurada.
É de destacar o grande número de instituições existentes na vila, entre elas:
A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Minde é outra das instituições fundamentais e históricas da vila de Minde, no concelho de Alcanena, dedicada à proteção de pessoas e bens, ao combate a incêndios e à prestação de socorro pré-hospitalar à comunidade.
Fundada em junho de 1973, a corporação conta com mais de meio século de existência. Nos seus primeiros anos, o corpo ativo esteve instalado provisoriamente em dependências da antiga Fábrica dos Pires, situada em frente ao Salão Paroquial. Este espaço serviu de base operacional até 1978, ano em que a associação se mudou definitivamente para o seu quartel próprio, localizado no Largo dos Bombeiros. Desde então, o edificado tem sido alvo de sucessivas obras de melhoria e ampliação para dar resposta às crescentes necessidades da população e do contingente.
A nível operacional e estrutural, a instituição integra o Sistema Integrado de Emergência Médica (INEM) e conta, desde 2018, com uma Equipa de Intervenção Permanente (EIP) em articulação com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e o Município de Alcanena. O quartel dispõe de instalações equipadas com zonas de apoio ao pessoal, espaços de manutenção de material, uma torre para exercícios em altura e um parque de viaturas diversificado, preparado para atuar tanto no socorro rodoviário na Autoestrada 1 (A1) como no combate aos incêndios rurais na região do Médio Tejo.
O Vitória Futebol Clube Mindense (VFCM) é um clube desportivo português sediado na vila de Minde, no concelho de Alcanena, fundado formalmente a 24 de abril de 1954 por um grupo de jovens locais apaixonados pelo desporto. O clube seria mais tarde oficializado a 4 de maio de 1963, adotando as cores branca e vermelha. A nível competitivo regional, o VFCM celebrizou-se historicamente pelo seu percurso no futebol, destacando-se como um dos emblemas que mais tempo permaneceu consecutivamente na Primeira Divisão Distrital da Associação de Futebol de Santarém.
As origens da prática informal do futebol em Minde remontam à primeira metade do século XX. Registos históricos apontam que, já por volta de 1935, os alunos da escola primária local organizavam jogos improvisados com bolas de trapos. A popularidade da modalidade alastrou-se rapidamente aos adolescentes e adultos, culminando na criação de equipas temporárias e em acesos confrontos particulares com povoações vizinhas (como Mira de Aire), muito antes da fundação formal da agremiação.
Atualmente, o clube destaca-se como uma das maiores referências da região no âmbito do futebol de formação, albergando mais de 140 atletas divididos por cerca de sete escalões competitivos (desde os petizes e traquinas até aos escalões seniores e de veteranos). Pelo seu trabalho formativo focado na ética e inclusão, o clube foi certificado pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF) como Entidade Formadora de Duas Estrelas e galardoado com a Bandeira da Ética pelo Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ). As suas partidas oficiais e treinos são disputados no Campo de Jogos VFC Mindense. Uma das suas marcas de identidade mais singulares é a sua mascote oficial, a "Lica" — termo em minderico (a língua tradicional de Minde) que significa raposa, escolhida para simbolizar a agilidade e resiliência dos seus atletas.
O Centro de Artes e Ofícios Roque Gameiro (CAORG) é uma instituição particular sem fins lucrativos e de utilidade pública sediada na vila de Minde. Fundada oficialmente em 1986, a associação nasceu na sequência do encerramento do antigo Museu Roque Gameiro (que operou entre 1970 e 1980 na antiga casa dos pais do pintor). O centro adotou como lema inspirador a expressão "Honra teus Avós", assumindo como patrono o mestre aguarelista Alfredo Roque Gameiro, natural da vila, com o propósito de cruzar as raízes históricas locais com a criação cultural contemporânea.
As atividades do CAORG ramificam-se em várias vertentes de salvaguarda do património material e imaterial, bem como na formação artística da comunidade. A instituição é a entidade promotora e gestora do Museu de Aguarela Roque Gameiro — espaço museológico que preserva e divulga o espólio do aguarelista — e mantém ativos ateliês dedicados à preservação da tecelagem tradicional das célebres Mantas de Minde, restauro, desenho e pintura. Na vertente performativa, dinamiza ainda o coro "Charales Chorus" e o núcleo que estuda e divulga o minderico, conhecido localmente como a Piação dos Charales do Ninhou.
Outro dos grandes pilares institucionais do CAORG é o ensino especializado. A associação tutela o Conservatório de Música Jaime Chavinha, fundado em 1987, que funciona no edifício do Centro Paroquial de Minde. O conservatório serve centenas de alunos da região através de cursos oficiais de música que abrangem os regimes de iniciação, básico e secundário.
O atual Presidente da Direção é o Prof. Cândido Marques.
A Sociedade Musical Mindense (SMM), popularmente conhecida como Banda de Minde, é uma associação cultural portuguesa sediada na freguesia de Minde, concelho de Alcanena. Fundada oficialmente a 25 de outubro de 1915, é a coletividade ativa mais antiga de todo o concelho. O seu objetivo primordial assenta no cultivo e na divulgação da arte musical na região, mantendo para esse fim uma banda filarmónica em atividade ininterrupta e uma escola de aprendizagem musical.
As raízes da tradição musical em Minde remontam à segunda metade do século XIX. Por volta de 1870, existiu uma primeira tentativa de estabelecer uma sociedade filarmónica na vila que, embora efémera, lançou as bases do gosto musical na comunidade. Décadas mais tarde, em 1915, a instituição foi refundada e "batizada" formalmente. Apresentou-se inicialmente com 26 elementos, utilizando um conjunto instrumental integralmente oferecido pelo benemérito minderico Justino Guedes. Para garantir a continuidade e sustentabilidade do projeto, formou-se logo no ano seguinte uma Comissão Executiva composta por proeminentes figuras da terra, incluindo industriais locais, o pároco, o regedor e o farmacêutico.
Ao longo da sua história secular, a Sociedade Musical Mindense afirmou-se como um pilar de identidade cultural e associativa na região do Médio Tejo, sendo responsável, entre outras atividades, pela interpretação do hino local "As Mantas da Nossa Terra". Com mais de 110 anos de atividade, a associação continua a renovar gerações de músicos locais através da sua escola de música. A nível administrativo, a gestão da SMM é liderada por uma Direção presidida por Emídio Fonseca, mantendo o foco na modernização institucional e na salvaguarda e valorização dos acervos históricos das bandas filarmónicas como património e memória coletiva.Sociedade Musical Mindense.
O Centro de Bem Estar Social de Minde (CBESM) é uma das mais importantes instituições particulares de solidariedade social (IPSS) da vila de Minde, desempenhando um papel crucial no apoio comunitário, tanto à infância como à população sénior.
As origens da instituição remontam à segunda metade do século XX. Em 1958, por iniciativa da então Associação Pró-Infância Roque Gameiro — cujos recursos iniciais vinham das receitas das atividades da Casa do Teatro, atual Teatro Rogério Venâncio —, foi aberta a primeira creche de Minde na Rua de S. Bento, com o apoio de duas religiosas. Devido ao rápido crescimento do número de crianças apoiadas, a resposta social foi alargada no mesmo ano para novas instalações na Rua de Santo António.
Em maio de 1977, os estatutos oficiais da instituição foram publicados no Jornal de Minde, oficializando a comissão instaladora. O centro adquiriu terrenos na Rua Maria José Borges e o projeto técnico das instalações para a infância ficou concluído em dezembro de 1980. Mais tarde, com a doação de terrenos por irmãos jesuítas (os Padres Martins), a instituição expandiu a sua atividade para a proteção da terceira idade, inaugurando a valência de Centro de Dia a 25 de maio de 1992 e, posteriormente, a sua primeira Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI).
Atualmente, o CBESM assegura as respostas sociais de Creche, Pré-Escolar, Centro de Atividades de Tempos Livres (CATL), Centro de Dia, Serviço de Apoio Domiciliário (SAD) e duas estruturas residenciais seniores.
O Presidente da Direção é António José Ferreira Branco.
A Casa do Povo de Minde é uma associação sem fins lucrativos e de utilidade pública baseada no trabalho voluntário, fundada formalmente em 1933. Ao longo de quase um século de existência, a instituição assumiu-se como um pilar essencial para o bem-estar da população da freguesia, sendo pioneira no desenvolvimento local ao ser responsável pela introdução do primeiro posto médico, da primeira creche da vila e da aquisição da primeira ambulância destinada ao transporte de doentes na região.
O grande traço de identidade da Casa do Povo reside na sua forte ligação à atividade teatral e cultural. A associação é proprietária do Cine-Teatro Rogério Venâncio, espaço que nasceu originalmente em 1952 e que serve de palco principal para as artes na vila. É nesta infraestrutura que atua permanentemente o Boca de Cena, um grupo de teatro amador com mais de 70 anos de atividade contínua que envolve cidadãos de todas as faixas etárias na produção de espetáculos, peças originais e musicais. Adicionalmente, a instituição funciona como uma plataforma logística de suporte e espaço de acolhimento para eventos de outras grandes coletividades da terra, sendo também uma das entidades que impulsiona o festival JazzMinde e a defesa da língua tradicional local, o minderico.
Historicamente marcada pelo seu impacto na freguesia, a Casa do Povo de Minde é gerida por uma Assembleia Geral, Conselho Fiscal e Direção Administrativa. A gestão destaca-se a nível regional pela sua forte capacidade de renovação geracional, sendo liderada por uma equipa associativa jovem, com a presidência de Jaime Aguiar, focada na preservação e modernização do legado cultural da vila.
O Centro Interdisciplinar de Documentação Linguística e Social (CIDLeS) é uma instituição de investigação sem fins lucrativos sediada na vila de Minde, no concelho de Alcanena. Fundada oficialmente em 2010, a associação nasceu da iniciativa de um grupo de linguistas, com destaque para a cofundadora Vera Ferreira, motivados pela urgência em documentar, estudar e revitalizar o minderico — a variante linguística tradicional de Minde que se encontrava sob forte ameaça de desaparecimento. A partir desse impulso inicial focado na identidade local, a instituição expandiu os seus horizontes para se tornar uma referência europeia na documentação de línguas minoritárias e ameaçadas.
O foco principal do CIDLeS assenta em três pilares interligados: a documentação linguística através de metodologias científicas rigorosas, a tipologia linguística e o desenvolvimento de tecnologias aplicadas à linguagem. A nível local, o centro foi pioneiro na criação de ferramentas digitais interativas para apoiar o ensino e o uso do minderico no quotidiano da comunidade (como aplicações de previsão de texto e dicionários multimédia). A nível internacional, o CIDLeS desenvolve e coordena projetos de investigação transfronteiriços financiados por fundos europeus e fundações de prestígio, prestando apoio a comunidades linguísticas vulneráveis em países como Espanha e Alemanha.
A nível operacional, as infraestruturas da instituição, situadas no coração de Minde, integram gabinetes de trabalho técnico, arquivos de dados digitais em acesso aberto e espaços para a dinamização de workshops e seminários internacionais. A estrutura e a liderança científica continuam sob a coordenação do seu grupo de Documentação Linguística, liderado por Vera Ferreira. A sua missão mantém-se fortemente articulada na defesa da diversidade cultural e linguística global a partir da preservação da memória e do património oral das comunidades.
O Agrupamento de Escuteiros de Minde — oficialmente designado por Agrupamento 1336 — é uma associação de juventude integrada na Região de Leiria-Fátima do Corpo Nacional de Escutas. Orientado pelos princípios fundados por Baden-Powell e pelo escutismo católico português, o agrupamento tem como missão primordial contribuir para a educação integral de crianças e jovens da freguesia, promovendo atividades ao ar livre, o espírito de equipa, a cidadania ativa e o serviço à comunidade.
Ao longo da sua história na vila de Minde, o Agrupamento 1336 tem-se afirmado como uma das coletividades mais dinâmicas no âmbito do associativismo jovem do concelho de Alcanena. Pelo seu contínuo impacto social e formativo na comunidade, a instituição foi publicamente reconhecida pelo Município de Alcanena, tendo sido galardoada com a Medalha de Mérito Municipal – Grau Bronze em maio de 2021. O agrupamento divide a sua ação pedagógica em quatro secções distintas de acordo com as faixas etárias (Lobitos, Exploradores, Pioneiros e Caminheiros), contando com uma equipa de dirigentes e chefia responsável pela planificação e orientação das atividades.
A Sociedade Portuguesa de Espeleologia – Delegação de Minde é uma estrutura descentralizada da Sociedade Portuguesa de Espeleologia (SPE), vocacionada para a exploração, estudo científico, mapeamento e conservação do património cársico subterrâneo da região. A sua existência está intrinsecamente ligada à localização geográfica da vila de Minde, situada em pleno Maciço Calcário Estremenho e no coração do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros — uma das áreas de maior relevância espeleológica e o maior reservatório subterrâneo de água doce de Portugal.
Historicamente, o envolvimento da SPE com a comunidade local e as grutas da região remonta a meados do século XX. A exploração pioneira de sistemas complexos, como a Gruta do Covão do Coelho ou o complexo hidrológico associado às Nascentes do Alviela e do Almonda, projetou internacionalmente a importância científica do subsolo da vila. O trabalho contínuo de inventariação efetuado pelos espeleólogos nesta área constituiu, inclusive, um dos pilares fundamentais que justificou a posterior criação do Parque Natural. O foco central da delegação incide no estudo da drenagem e difluência do célebre Polje de Minde, monitorizando o comportamento dos seus inúmeros sumidouros e nascentes temporárias (como o Regatinho, a Contenda e a Pena) que dão origem às cheias periódicas do vale.
A Casa da Memória Professor Abílio Madeira Martins é um arquivo público e espaço museológico localizado na vila de Minde, no concelho de Alcanena, inteiramente dedicado à preservação, valorização e divulgação da história, cultura e identidade da comunidade mindense. Inaugurado formalmente a 20 de janeiro de 2019, o espaço nasceu por iniciativa direta do professor, investigador e benemérito local Abílio Madeira Martins e da sua esposa, a professora Maria Cândida do Nascimento. Ao longo de várias décadas, o casal reuniu um vasto e valioso acervo documental e de objetos etnográficos relacionados com a freguesia, decidindo doar à autarquia o montante financeiro necessário para adquirir o imóvel que hoje alberga essa coleção.
O espaço funciona num edifício centenário situado na Rua Dr. António A. Ferreira Totta, que foi sujeito a profundas obras de requalificação urbana e adaptação funcional custeadas maioritariamente pelo casal de beneméritos, contando também com apoios do município. A nível institucional e jurídico, a Casa da Memória integra a esfera patrimonial e orgânica da Junta de Freguesia de Minde, que aceitou a doação e é a entidade proprietária e responsável pela gestão diária, manutenção e dinamização do espaço público.
O espólio em exibição e consulta pública reflete o trabalho minucioso de investigação regional desenvolvido por Abílio Madeira Martins (que foi também um dos fundadores do Jornal de Minde). O acervo inclui documentos históricos raros, fotografias antigas da vila, registos das dinâmicas industriais da tecelagem tradicional e elementos dedicados ao estudo do minderico. Ao centralizar estas memórias sob a tutela da Junta de Freguesia, o espaço cumpre a dupla missão de funcionar como um centro de investigação histórica aberto à comunidade e como um monumento vivo de agradecimento ao legado cívico dos seus patronos.
A Associação de Pais e Encarregados de Educação de Minde é uma organização sem fins lucrativos que tem como missão principal assegurar o diálogo, a cooperação e a defesa dos interesses dos alunos e das suas famílias junto dos órgãos de gestão escolar, da autarquia e da comunidade civil. A sua atividade está centralizada na Escola Básica Professor Abílio Madeira Martins (estabelecida sob esta designação oficial em 2023 em homenagem ao ilustre professor e benemérito minderico), que acolhe os alunos do 2.º e 3.º ciclos da vila.
A nível institucional, a associação desempenha um papel de representação legal e política no Conselho Geral do Agrupamento de Escolas de Alcanena, onde participa na discussão e sufrágio de decisões estruturantes para a rede pública de ensino. Mais do que a componente estritamente administrativa, o grupo destaca-se pela sua intervenção cívica e de proximidade, promovendo atividades complementares, festas escolares e angariações de fundos em articulação com a Junta de Freguesia de Minde e o município.
Nos últimos anos, a Associação de Pais tem assumido uma voz ativa e reivindicativa na defesa da melhoria das condições físicas do parque escolar. A estrutura tem sido o principal elo de pressão pública junto da Câmara Municipal de Alcanena para assegurar o financiamento e calendarização de obras urgentes de requalificação estrutural e térmica no edifício da Escola Básica de Minde. Em paralelo à sua ação reivindicativa, a associação envolve-se diretamente em regime de voluntariado comunitário, dinamizando intervenções práticas de manutenção e pintura do espaço escolar para garantir o bem-estar imediato dos alunos.



Desde o início do século XX os habitantes desta vila tiveram como principais fontes de riqueza a agricultura e a indústria têxtil. Esta segunda foi caracterizada, principalmente na 1ª metade do século, pela fabricação de mantas, as famosas Açorianas, e respectiva venda em grande parte do país por feirantes Mindericos.
Na segunda metade do século a indústria têxtil minderica desenvolveu-se ao nível tecnológico na fabricação de malhas e fiação, o que lhe permitiu crescer tanto a nível populacional como da sua própria riqueza. Minde atingiu o seu pico produtivo no final da década de 80 do século XX.
Nos últimos 15 anos, em consequência da abertura dos mercados imposta pela OMC, a indústria têxtil tem vindo a perder dimensão ano após ano. No entanto, mantém-se ainda uma grande dependência da vila nessa actividade.
Em boa parte graças à sua bela paisagem, Minde é um lugar de excelência para a prática de diversos desportos de aventura.

Minde é uma vila com forte atividade cultural. Existem associações culturais e recreativas para vários gostos. Música, teatro, dança, museus, entres outras atividades, para aprender ou desfrutar como simples espectador.
Eventos culturais anuais:
Minde, enquanto freguesia, alberga dois órgãos: a Junta de Freguesia de Minde e a Assembleia de Freguesia. Foram Presidentes da Junta de Freguesia de Minde: