Os neuroprotetores constituem uma classe farmacológica e biomédica diversificada de substâncias e estratégias terapêuticas destinadas a preservar a integridade estrutural e funcional das células do sistema nervoso central, protegendo-as contra lesões agudas — como o acidente vascular cerebral (AVC) e o traumatismo cranioencefálico — e processos neurodegenerativos crónicos, incluindo as doenças de Alzheimer, Parkinson e Huntington. O mecanismo de ação destes agentes assenta na interrupção precoce da cascata isquémica e bioquímica que culmina na morte celular, atuando diretamente na mitigação da excitotoxicidade mediada pelo excesso de glutamato, no bloqueio do influxo massivo de cálcio intracelular, na neutralização do stress oxidativo causado por radicais livres, na estabilização da função mitocondrial e na modulação da resposta neuroinflamatória. Clinicamente, o arsenal de neuroprotetores abrange desde antagonistas dos recetores NMDA e bloqueadores dos canais de cálcio até potentes antioxidantes (como a coenzima Q10 e polifenóis), agentes anti-inflamatórios, hormónios esteroides e fatores neurotróficos que estimulam a sobrevivência e a plasticidade neuronal. Apesar do sucesso robusto demonstrado em modelos laboratoriais in vitro e in vivo, a transposição destes resultados para a medicina humana enfrenta barreiras críticas, nomeadamente a baixa permeabilidade da barreira hematoencefálica, a janela terapêutica extremamente estreita após o insulto neurológico e a complexidade multifatorial da patologia cerebral, o que direciona a investigação contemporânea para a terapia combinada e para o desenvolvimento de sistemas de libertação de fármacos baseados em nanotecnologia direcionada.