O3b Networks Ltd. foi uma provedora de serviços de comunicação por rede que construiu e operou uma constelação de satélites em órbita terrestre média, conhecida pela sigla inglesa MEO, destinada sobretudo a prestar serviços de voz e dados a operadoras de telefonia móvel e provedores de acesso à Internet. A O3b Networks tornou-se subsidiária integral da SES em 2016. O nome da operadora foi então substituído por SES Networks, uma divisão da SES. Os satélites, incorporados à frota da SES, mantêm o nome O3b.
A rede combina o amplo alcance dos satélites com alta velocidade e latência média para prestar serviços de Internet via satélite e backhaul móvel a mercados emergentes. O nome "O3b" vem da expressão inglesa Other 3 billion, que significa "outros 3 bilhões" e alude à população mundial sem acesso à Internet de banda larga.
Os vinte satélites da constelação O3b operam na banda Ka a 8.062 km de altitude, menos de um quarto da altitude dos satélites em órbita geoestacionária, o que reduz a latência das comunicações.

O primeiro lançamento, previsto de início para 2010, ocorreu em 25 de junho de 2013 e levou quatro satélites à órbita. Outros quatro foram lançados em julho de 2014 e mais quatro em dezembro, elevando o total a doze. Quatro unidades partiram em março de 2018, e as quatro últimas em abril de 2019. A constelação chegou assim a vinte satélites, entre eles três unidades de reserva mantidas em órbita.
Em setembro de 2017, a SES anunciou a O3b mPOWER, segunda geração dos satélites O3b para serviços de Internet de banda larga, e encomendou as primeiras sete unidades à Boeing. A constelação em órbita terrestre média teria 30.000 feixes pontuais e roteamento definido por software para dirigir o tráfego entre os satélites MEO e a frota geoestacionária da SES. Sua capacidade permitiria oferecer de centenas de megabits a 10 Gbit/s a qualquer navio no mar. A encomenda cresceu primeiro para onze e depois para treze satélites. Os dois primeiros foram lançados em 16 de dezembro de 2022, seguidos por outros quatro em 2023. O serviço entrou em operação junto à constelação O3b em abril de 2024. O sétimo e o oitavo satélites, com projeto atualizado, partiram em dezembro de 2024 e começaram a prestar serviços em junho de 2025, ampliando a capacidade da constelação.
A O3b foi fundada por Greg Wyler em 2007. A empresa recebeu apoio financeiro da SES, Google, HSBC, Liberty Global, Allen & Company, North Bridge Venture Partners, Soroof International, Banco de Desenvolvimento da África Austral, Sofina e Satya Capital.
Em abril de 2016, a SES anunciou que pagaria US$ 20 milhões para elevar sua participação diluída na O3b de 49,1% para 50,5% e assumir o controle da empresa. A operação dependia de aprovações regulatórias, esperadas até o fim daquele ano. Em maio, a SES informou que levantaria outros US$ 710 milhões para comprar a totalidade da O3b Networks. A empresa exerceu uma opção de compra com os acionistas minoritários e eliminou a possibilidade de uma oferta de ações da O3b. A captação de recursos foi concluída naquele mês, e a aquisição terminou em agosto.
Operadoras das Ilhas Cook, do Paquistão e da Nigéria estiveram entre as primeiras a reservar capacidade da constelação O3b para atender seus mercados.
A O3b escolheu a Europe Media Port, conhecida pela sigla EMP, como primeira fornecedora de serviços de teleporto de gateway para sua rede mundial. A World Teleport Association havia classificado o EMP como o teleporto de crescimento mais rápido do mundo em 2009. Um contrato com a Viasat, de cerca de US$ 47 milhões, previa a produção e a instalação da infraestrutura de banda Ka para a rede de nova geração da O3b.
Em 2011, depois da conclusão do financiamento, Mark Rigolle voltou para a SES. Ele havia sido diretor financeiro da SES e ocupava a direção executiva da O3b desde 2010. Steve Collar assumiu seu lugar, vindo da SES World Skies, onde fora vice-presidente sênior de desenvolvimento de negócios e mercados. Collar também integrara o conselho da O3b como representante dos interesses da SES. Com a mudança, tornou-se o quinto diretor-presidente da O3b em três anos.
A SES juntou-se à Google, à Liberty Global, ao HSBC e à North Bridge Venture Partners no apoio à linha de crédito de US$ 465 milhões que a O3b obteve da Coface, agência de crédito à exportação que agia em nome do governo francês. A empresa captou US$ 1,2 bilhão para financiar por completo a construção dos satélites.
A Arianespace lançou os quatro primeiros satélites em 25 de junho de 2013, às 19h27min03s UTC, em um foguete Soyuz-2 com estágio superior Fregat-MT. As unidades entraram em órbita e funcionaram corretamente. Após encontrar um defeito de equipamento nesses satélites, a O3b adiou o lançamento de outras quatro unidades, previsto para setembro de 2013, para que fossem feitos reparos. O segundo grupo de quatro partiu em um foguete do mesmo tipo, lançado do centro espacial da Guiana Francesa em 10 de julho de 2014. O terceiro lançamento, também com quatro satélites, ocorreu em dezembro.
Em julho de 2014, a SES Government Solutions, subsidiária da SES que passou a se chamar SES Space & Defense, recebeu autorização para oferecer serviços da O3b em seu contrato com a Administração de Serviços Gerais dos Estados Unidos. A empresa tornou-se a primeira parceira de distribuição a oferecer os recursos da O3b diretamente ao governo federal do país.
Em novembro de 2014, o Quantum of the Seas tornou-se o primeiro navio de cruzeiro a oferecer Internet rápida aos passageiros por meio da O3b Networks. A Royal Caribbean International deu ao serviço o nome "Voom" e depois o instalou em todos os navios de sua frota.
Em agosto de 2015, a SES Government Solutions firmou um contrato de um ano com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional, conhecida pela sigla NOAA, para fornecer serviços O3b e equipamentos terrestres ao escritório do Serviço Nacional de Meteorologia em Samoa Americana. O acordo ampliou a conexão de banda larga da NOAA fora da parte continental dos Estados Unidos para transmitir à Samoa Americana dados, previsões e alertas sobre o tempo, a água e o clima.
Em maio de 2016, a SES informou que a O3b tinha US$ 350 milhões em contratos firmes a executar. A receita daquele ano deveria superar US$ 100 milhões e chegar a cerca de US$ 680 milhões em 2023.
Em agosto de 2016, a SES Government Solutions anunciou um contrato para fornecer a um usuário final do Departamento de Defesa dos Estados Unidos uma solução de comunicação por satélite da O3b Networks, com alta taxa de dados e baixo atraso de propagação. O serviço funcionaria nos 365 dias do ano e compreenderia uma conexão simétrica bidirecional de 155 Mbit/s, acesso a um gateway, um terminal transportável de 2,4 metros, conexão terrestre de retorno, manutenção e instalação. A latência de ida e volta ficaria abaixo de 200 milissegundos. O contrato permitia contratar capacidade extra em períodos de maior demanda.
Quatro satélites partiram em 9 de março de 2018 em um foguete Soyuz-2.1b, lançado do Centro Espacial de Kourou, e juntaram-se aos doze já em órbita. Em dezembro, a Thales Alenia Space informou que os testes dos quatro últimos satélites seriam concluídos até o fim de janeiro de 2019. Depois, as unidades seguiriam para o Centro Espacial de Kourou, de onde seriam lançadas em março. Os quatro satélites foram lançados em 4 de abril de 2019.
Os feixes da constelação cobriam o Brasil, onde dez transponders haviam sido reservados, com a possibilidade de ampliar esse número conforme a demanda. A capacidade destinada ao país ficava entre 10 e 15 Gbit/s. Em 2014, a O3b tinha um escritório no Rio de Janeiro e um teleporto em Hortolândia. A empresa obtivera da Anatel o Direito de Exploração de Satélite Estrangeiro e negociava com a Telebras o fornecimento de backhaul a distritos rurais fora da área atendida pelas obrigações de 450 MHz.