O Tripeiro é uma revista portuguesa dedicada à história, cultura e património do Porto e do Norte de Portugal, fundada no Porto em 1908, tendo o seu primeiro número a data de 1 de julho. A revista nasceu com a ambição de funcionar como "repositório de notícias portucalenses" e, ao longo de décadas, tornou-se uma das fontes periódicas mais ricas para o estudo da memória coletiva da cidade e da região.
O Tripeiro cruza textos de natureza jornalística e ensaística com estudos e documentação histórica, privilegiando temáticas como história local e regional, património, artes, etnografia e memória urbana. A linha editorial contemporânea assume a revista como “publicação da cidade do Porto e das gentes do Norte”, de periodicidade mensal, com atenção ao rigor e à valorização de expressões artísticas, incluindo a fotografia.
O Tripeiro foi impulsionado por Alfredo Ferreira de Faria (1867-1930), fundador e primeiro diretor, que definiu desde cedo uma matriz centrada na recolha e divulgação de notícias, documentos e apontamentos sobre a vida cultural, social e histórica da cidade. Nos primeiros anos, a publicação destacou-se também pelo cuidado gráfico e pela presença de ilustrações; a capa apresentava o brasão da cidade e divisas associadas à identidade portuense.
Após um hiato, em 1945 a revista foi reativada e assumiu-se como revista mensal de divulgação e cultura, num período frequentemente descrito como de maior projeção e regularidade editorial: a divisa "Do Porto, Pelo Porto" ficou associada a essa fase. A 6.ª série (1961-1974) manteve o foco na investigação e divulgação da história portuense, combinando dimensão literária e cultural com a publicação de fontes e secções de efemérides (por exemplo, formatos como "Aconteceu há 50 anos..." e "O Porto há 100 anos"). O Tripeiro teve como diretores Artur de Magalhães Basto nos anos 50 e Eugénio Eduardo de Andrea da Cunha e Freitas de 1961 a 1973.
Entre 1908 e 1974, contabilizam-se 6 séries, 508 números e mais de 11 mil páginas, com interrupções e relançamentos motivados, em vários momentos, por dificuldades de sustentabilidade e mudanças de direção. A revista reapareceu em 1981, iniciando uma 7.ª série que continua a ser publicada, sendo hoje detida e editada pela Associação Comercial do Porto.