Parequema (em grego: parékhema; eco próximo, repetição de sons) é, na gramática da língua portuguesa, um recurso de linguagem que consiste em começar uma palavra com sílaba ou fonema igual ou muito semelhante à última sílaba da palavra anterior.
Considerado a versão defeituosa da aliteração, o parequema é o encontro de dois fonemas idênticos em palavras sucessivas, a aproximação de sons consonantais idênticos ou semelhantes, ou ainda um recurso fônico que consiste na repetição da sílaba final de uma palavra no início da palavra seguinte. Muitas vezes, o uso de um parequema é considerado um recurso estilístico, de efeito expressivo, trazendo estilo a passagens como "...troam trons trovejantes...", ou apenas desagradando os ouvidos com sons semelhantes, tal como em "...sucessão de sucessos sucessivos...".
O parequema é formado pela proximidade de sons consonantais, sejam iguais ou semelhantes. Ele pode aparecer em exemplos curtos, como "queijo quente", em que ocorre a repetição do fonema [q], "nana, neném", em que se repete o fonema [n], ou em sentenças mais longas, tais como "Professores profissionais precisam proceder preciosamente", em que dois fonemas, [p] e [r], se repetem. Nesta última frase, a repetição também ocorre no caso do fonema [s], o que é considerado um caso de colisão, que ocorre quando um parequema é formado de sons sibilantes, como em "Sei que cinco sapos sempre saltam sobre a sombra dessa cerca". O uso de parequemas também pode criar ecos e cacófatos.

As obras escritas por Machado de Assis contêm diversos exemplos de parequemas, como "no norte", "este tem", "ajudada da", "na natureza", "de nenhuma maneira", "malhada das cores" e "no nosso".
Em "Canção do Exílio", poema que faz parte de seu único livro publicado em vida, "As Primaveras", de 1859, o poeta fluminense Casimiro de Abreu demonstra o uso de um parequema na passagem "Se eu tenho de morrer na flor dos anos, / Meu Deus, não seja já!".
O português Luís de Camões apresenta logo no título de seu poema, "Alma minha gentil, que te partiste", exemplo que não apenas constitui parequema — alma minha —, como também cacofonia ("maminha").
O poeta simbolista brasileiro Cruz e Sousa utilizou-se de parequema em seu poema "Lésbia", quando citou o trecho "Nesse lábio mordente e corrosivo / Ri, ri, risadas de expressão violenta". Ao menos dois outros usos de parequema são registrados em suas obras: primeiro, em seu poema "O Anjo Gabriel", publicado em "O Livro Derradeiro", onde o emprega em "Leve, loura, radial, a soberba cabeça / Eleva-se da flor do níveo colo louro"; e segundo, em "Sonata", publicado no livro "Broquéis", de 1893, no trecho "Do imenso mar maravilhoso, amargos, / marulhosos murmurem compungentes / cânticos virgens de emoções latentes, / do sol nos mornos, mórbidos letargos...".
O poeta carioca Olavo Bilac, principal nome do parnasianismo brasileiro, é outro que se utiliza do recurso de parequema, em seu soneto "Inania Verba", no trecho "Ah! quem há de imprimir, alma impotente e escrava, / O que a boca não diz, o que a mão não escreve?". Raul de Leoni, também poeta brasileiro, emprega parequema em seu poema "Florença", no trecho "Florença, ó meu retiro espiritual! / Suave vinheta do meu pensamento!".
O contista e poeta brasileiro Vicente de Carvalho emprega o parequema ao terminar seu poema "Oração Pagã": "Ó meu amor, porção de nadas! / Tu sonhas tanto... E eu vejo só / Sonhos que de asas fraturadas / Rojam no pó...".
Eça de Queiroz, escritor português, apresenta exemplos de parequemas de feia dissonância em quase todos os seus romances. Entre eles estão "...os chás do brigadeiro Sena eram ainda mais tristes que o terço das primas Cunhas.", parequema que aparece no primeiro capítulo de "Os Maias" e cria uma colisão, com a repetição dos fonemas [s] e [c]; e "...esfregou energicamente, com a ponta da toalha, o garfo negro, a fusca colher de estanho.", que aparece em "A Cidade e as Serras" e novamente constitui exemplo de colisão ao repetir os fonemas [c] e [k].